sexta-feira, 6 de novembro de 2026

PIONEIROS E DESBRAVADORES DA AVIAÇÃO BRASILEIRA

 




30  ANOS  DE  HISTÓRIA  DA  NOSSA  AVIAÇÃO 

A  história  de  nossa  aviação  é  movimentada , colorida , quixotesca , cheia de  protagonistas fa-    bulosos ,onde despontam ,a toda  hora ,situações  de coragem , pungência  e  humorismo .Lembra ,      em  algumas  de  suas  passagens , a  grande  obra  de  Cervantes .  Seu  patrono  foi  um " dandy " ,  parisiense . Seu  primeiro  general  de  aviação , um negro . O  maior  gênio  de  nossa  aviação co -  mercial ,  um  teuto  -  brasileiro . Tinha  a  cabeça  cheia  de  números  e  sabia  como administrar          uma  empresa  de  aviação . O  militar  que  mais  contribuiu  para  o  desenvolvimento da  Força        Aérea  Brasileira ,remanescente  dos  " 18  do  Forte  de  Copacabana  " ,  viveu toda  sua  vida ca-        sado com   a  FAB . Teve cinco  minutos  de  burrice , meteu-se  na  política , conheceu  fragorosa    derrota  e  voltou  ligeirinho  para  a  caserna  da  Aeronaútica ,  onde  permaneceu  até  o  dia  em          que a morte  veio  buscá - lo .Criada  pelo  ditador  Vargas  a  pasta  da  Aeronaútica ,seu primeiro      ministro  foi um gaúcho desconhecido ,que  não possuía  sequer  um  brevê  de  esporte  e recreio,          mas  foi o melhor  ministro  da  Aeronáutica  que  o  Brasil  já  teve . O patrono  da  Força  Aérea  Brasileira  e  alguns  de  seus mais  expressivos  pioneiros  foram  civis , sendo  que  um  deles , o          mais antigo , foi  padre , e  o  mais  recente , o  que  mais  serviços  prestou  à  nossa  aviação  pri-        mária , distribuindo  aviões  e  criando  aeroclubes  em  todas  regiões  do  Brasil ,  foi  um  jorna-        lista  meio  biruta  que  não  sabia  voar .




Embora  acerbamente  antipaisanos  durante  a  primeira  metade  deste  século , os militares  en -goliram  alguns  sapos  com  galhardia ,  como  Santos  Dumont  e  Salgado  Filho .  Essa  fobia          contra  os  civis  tinha  lá  as  suas  razões  de  ser  Vitoriosa  em  1930 ,  a  "  Revolução  dos Te - nentes  " viera  com  força  de  uma  avalanche , disposta  a  varrer  da  vida  pública  os políticos        da  chamada  "  República  Velha  "  por  eles  considerados  corruptos  e  carcomidos . Como  a  República  dos  Tenentes  acabou   se   espraiando  e  perdendo  a  força ,  sem  atingir  os  obje  -          tivos  colimados ,  já  que  os  velhos  carcomidos  de  ontem  foram  substituídos   pelos  novos  carcomidos da  revolução , permaneceu  entre os militares  jovens  um  gosto  ruim  na garganta ,      uma  espécie  de  indigestão  civilista .


                                


Entretanto , apesar  dessa  reserva  dos militares , ao ser  criado  o  Ministério  da  Aeronáutica  e ,    com  ele  , a  Força  Aérea  Brasileira , o  franzino  civil ,  anti - herói  e  pacifista  Alberto  Santos      Dumont , falecido  nove  anos antes , foi , por  decreto  do  ditador  Getúlio  Vargas , nomeado pa-    trono  da  FAB , com a  patente ,  "  post - mortem  " ,  de  marechal - do - ar . Seu  coração  , ence-    rrado  numa  urna  de  cristal ,  é  objeto  de  veneração  no  salão  nobre  da  Academia  da  Força      Aérea , inicialmente  nas  instalações  do  Campo  de  Afonsos , suburbio  do  Rio , e , atualmente ,      no  "  campus  "  da  Academia , em  Pirassununga , Estado  de  São  Paulo .

Santos  Dumont  foi  um  "  gentleman  "  discreto , de  poucas palavras , mas , no seu  íntimo , ar-    diam-lhe  fortes  convicções   e  um  notável  espírito  de  aventura . Conta  -  se  que ,  hospedado          num  hotel  de  Guarujá , em  seus  últimos  dias  de  vida ,durante  a  revolução  Paulista  de 1932 , assistiu  ao  longe ,  sobre  o  mar , ao  bombardeio  aéreo  de  um  navio  de  guerra  legalista  por  pilotos  constitucionalistas . O  espetáculo  o  teria  chocado  profundamente  em  que  convicções  pacíficas , pois  acreditada  que  o  avião  era uma  ferramenta  de  progresso  e  naõ  de  luta entre  irmãos . Dias  depois , aconteceu  o  trágico  desfecho .

Fonte  -  SUPLEMENTO  COMEMORATIVO  DO  68 °  ANIVERSÁRIO  DO  AEROCLUBE        DE  SÃO  PAULO   -  Capa  -  Edição  do  DIÁRIO  POPULAR   -  8   de  Junho  de  1999  sob  responsabilidade  do  jornalista  Rubens  Galvão , MTIC  687




HANNA  REITSCH  -      AEROCLUBE  DE  SÃO  PAULO 

Desde  as  sua  fundação , o  Aereoclube  de  São  paulo , sempre  foi  um  ponto  de  atração  para  visitantes  de todas  as  partes do  mundo . Em  janeiro  de  1934 , foi  visitado  por uma  delegação  alemã ,encareegada  de  divulgar  e  orientar a  prática  do  volovelismo , tendo  como  estrela  prin-cipal  a  famosa  aviadora  e  volovelista  Hanna  Reitsch ,  que  conversou  longamente  com a  jo-        vem  Ada  Leda  Rogato  e  mostrou - se  entusiasmada  com  o  nosso  Aereoclube . 



Onze  anos  depois , em  abril  de 1945 , voando  para  Berlim , já então  totalmente  cercada  pelo  exército  Vermelho ,num  pequeno  avião  Fieseler  Storch , em  companhia  do general  de aviação    Ritter  von  Griem , que  fora  chamado  a  Berlim , por  Hitller para  assumir  o  comando  do  que  ainda  restava  da   Luftwaffe   muito  pouco )  ,  o  general  foi  atingido  na  perna   por  um  esti  -      lhaço  de  granada  antiaérea ,  perdeu  muito  sangue  e  desmaiou .Demonstrando  grande  sangue        frio ,  Hanna  assumiu  o  comando ,  iludiu  os  caças  soviéticos  e  conseguiu  pousar  o  pequeno  avião  sob  uma  saraivada   de  balas  na  larga  avenida  que  atravessva   a  porta   de  Branden  -    burgo . Com muita  dificuldade , Hanna  retirou  o  general  ferido  e  levou - o  para  o  "  bunker  " onde  Hitller  viva  os seus  últimos  dias  de  vida . Foi  condecorada  e  ainda conseguiu  safar - se  com  vida  daquele  inferno  em  chamas  em  que  se  transformara  a  capital  do  III  Reich .

Hanna  Reitsch  faleceu  recentemente  na  Alemanha , de  morte  natural . Com  foto , assinaladas      Ada  Leda  Rogato  e  Hanna  Reitsch , além  dos  dois  pilotos  da  missão , e ,  de  pé , Ariovaldo  Villela  ,  brevetado  com   a  primeira  turma  do  aereoclube ,  Fritz  Rocaler  e   o  então  tenente  Casimiro  Montenegro .

Fonte   -  SUPLEMENTO   COMEMORATIVO  DA  FUNDAÇÃO   DO  AEREOCLUBE  DE          SÃO  PAULO  -  pág  9  - EDIÇÃO  DO  DIÁRIO  POPULAR  -  Data  -  8  de  junho  de  1999  -    produzido  pela  Treupress  -  Assessoria  de  Imprensa   - sob  a  responsabilidade  do  jornalista  Rubens  Galvão  ,  MTIC  687 


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