" Pós - verdade " é um termo que vem sendo repetido pela mídia na última década .Como já disse , não gosto muito de termos forçosamente propostos , aplicados de forma massiva e não orgânica , que induzem a uma interpretação ideologicamente guiada .
Quando o termo é dúbio , costumo buscar socorro no dicionário por uma definição mais pri - mária . A " pós - verdade " virou celebridade já na sua estréia , quando recebeu o título de " palavra do ano " pelo " Dicionário Oxford " , em 2016 , que a definiu assim : " Circuns - tâncias nas quais fatos objetivos são menos influenciadores na formação de opinião pú - blica do que apelos à emoção ou à crença pessoal " .
Ou seja , como as pessoas não estão muito preocupadas em saber quais são os fatos , ob - jetivos , estariam mais sujeitas a acreditar em notícias falsas , embaldas com emoção .Nesse caso , apoiam - se em outro termo ideologicamente gerado : as fake news , que seriam po - tenciais notícias falsas criadas para enganar as pessoas .
O " problema " é apresentado com um fator agravante : se as fake news são ruins sozinhas , seu estrago pode ser irremediável quando trubinadas por alguns meios de propagação rápida , como é o caso das redes sociais .
Mas podem ficar tranquilos : os mesmos que identificaram o problema para você são os mesmos a apontar a única solução possível : é preciso haver controle , alguém precisa " checar os fatos " .
E é aí que os problemas começam .
Nesse pulo entre problema e solução , alavancam - se em uma premissa mentirosa ,de que antes não era assim . No período anterior , o " da verdade " , havia informações checadas e imparciais , protegendo a sociedade das nptícias sem vínculo com " fatos objetivos " .
Mas será que isso é verdade
De imediato , lembrei-me do famoso caso da " Escola Base ", ocorrido em 1994 . Suspei - tando do comportamento incomum de seus filhos , pais de alunos fizeram denúncia à Po - lícia por abuso de menores . As investigações foram inconclusivas , e , revoltados , os pais rocuraram a rede Globo , que fez uma série de reportagenns .
Baseada apenas nas " crenças pessoais " daqueles pais , sem qualquer apoio em " fatos obje- tivos " , a mídia , utilizando o seu poder de " espalhar notícias rapidamente " , aterrorizou . Acusou os proprietários da escola de " estupradores " e a entidade de " escolinha do sexo " .
Passados três meses , a Polícia concluiu pela inocência dos acusados , cuja reputação fora destruída pela mídia . O fato foi noticiado nos rodapés dos meios de comunicação .
Assim , vemos que o tema não é exclusivo dos tempos atuais . Mas , não sendo novo , por que isso parece tão importante agora ?
É fato que as redes sociais criam enormes facilidades para o público em geral . Em contra - partida , tornaram - se um enorme problema para os poderosos , a começar pela imprensa e go- vernantes .
A imprensa ,considerada antes o " quarto poder " , perdeu sua exclusividade na cobertura e divulgação de notícias , sua maior moeda de barganha com governos com verba de publi -cidade . Governantes perderam seu poder seu poder de controlar a informação que chega à sociedade , conseguida antes apenas " pagando bem " .
Assim , a informação virou commodity , qualquer um poder ter um " canal de notícias " . Uma imagem de celular de uma dona de casa pode desmascar uma notícia tendenciosa di- vulgada pela iprensa . E liberdade demais ! .
As redes nos deram acesso direto à informação . Podemos saber o que os outros pensam , sem a " análise " do meio de comunicaçao . Somos capazes de ouvir as notícias a partir das fontes originais , sem crivos , sem filtros e sem a interpretação , muitas vezes tenden - ciosa , de um dado veículo .
A informação está sem controle .Por isso ,alguns propõem o chamado " controle da mídia ", que não visa a controlar a imprensa , mas controlar você e eu ! O quarto poder não pode ser diluído assim .
O conhecimento e a verdade nunca fora grandes amigos de governos totalitários, por isso os poderosos precisam emudecer as redes sociais dos temas que incomodam seus planos , as verdades que expõem suas mazelas . É preciso delegar de volta à imprensa a exclusi - vidade da informação e da " verdade " , que será aquilo que eles nos disserem que é .
Se os tempos atuais nos pedem mais atenção com as informaçoes que recebemos , é impres- cindível ficarmos atentos para que " a verdade " não volte a ser controlada por um pe - queno grupo de " iluminados " .
Jesus nos disse que a verdade liberta . Descobrimos isso , e não queremos mais voltar a ser cativos .
Fonte - Jornal O SÃO PAULO - pág 15 - VIVER BEM / FÉ E VIDA Data - 31 de agosto a 6 de setembro de 2022 - Comportamento Luiz Vianna é engenheiro, pós graduado em Marketing CEO da Mult - Connect , uma empresa de tecnologia .Autor dos livros " Preparado para vencer " e " Social Transformation e seu impacto nos negócios ", é também músico e pai de três filhos .


































