Viva o povo brasileiro , que votou pela Democracia , para vencer o ódio .
Despertar uma nova práxis no cotidiano escolar, é fazer com que os professores, ao repensarem criativamente a importância dessas novas tecnologias - o rádio, a televisão, a internet etc. - percebam que elas colaborarão nas interações dos alunos com as mídias e novas propostas pedagógicas.
" EU PENSAVA ' O QUE ESTOU FAZENDO AQUI TRANCADO NESTE PAÍS QUE NÃO É MEU ? ' O VERÃO DE 2021 FOI O PRIMEIRO DA MINHA VIDA QUE NÃO PASSEI EM SALVADOR . FOI FODA "
Pela tela do computador , com a câmera fechada em seu rosto , Wagner Moura revela pouco da sua casa em Los Angeles , na Califórnia . O escritório , a cozinha e a sala - ambientes em que ele circula em busca de um melhor sinal de internet , com o computador em mãos - parecem si,ples como ele . Camiseta branca para a sessão de fotos , fita vermelha do Senhor do Bonfim bem amarrada no pulso esquerdo e sorriso contido . O ator de 45 anos está indigndao com a política nacional . " A codução da pandemia pelo governo federal foi uma tragédia , sobretudo porque a maioria das 600 mil mortes poderia ser evitada . O presidente precisa responder por isso .
Em uma hora e 15 minutos de conversa por videochamada o ator deixa claro que a tempo -rada nos Estados Unidos , onde vive desde 2018 , é passageira . " Meus próximos dois grandes projetos são no Brasil : um filme com Kleber Mendonça e outro com Karim Aï Nouz " enu-mera . Ele , a mulher , a fotógrafa Sandra Delgado - que assina os retratos desta entrevista - e , os três filhos . Bem , Salvador e José de 15 , 11 e 9 anos , mudaram -se para Los Angeles quando Marighella ( 1911 - 1969 ) foi fazer " Sérgio " , produzido e estrelado poe ele , sobre a tempo vida do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello ( 1948 - 2003 ) . Acabaram fi-cando mais tempo por lá por causa da pandemia . " Eu pensava : ' O que estou fazendo aqui trancado neste país que não é meu ? ' O verá de 2021 foi o primeiro da minha vida que não passei em salvador . Foi Foda " , desabafa .
Na última quarta - feira , Wagner retornou ao Brasil para lançar " Marighella " , seu primeiro filme como diretor . São duas horas e 40 minutos de ação e tensão , com cenas rodadas em São Paulo e na Bahia , que narram os últimos anos de vida do poeta baiano Carlos Marighella ( 1911 - 1969 ) , guerrilheiro comunista interpretado por Seu Jorge . " Não é um filme para ser ver no laptop em cima da barriga , é cinemão . Acontece muita coisa , necessita de doses de foco " , avisa o diretor . A estréia foi em salvador e depois Rio , e em São Paulo , Fortaleza e acampamentos do ovimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra .
Rodado em 2017 , o longa , que tem ainda Adriana esteves , Bruno Gagliasso e Herson Capri no elenco , teve a primeira exibição no Festival de Berlim , em fevereiro de 2019 . No Brasil, deveria ter sido ançado nove meses depois . No entanto , com a demora na liberação de verba pela Agência Nacional de Cinema ( Ancine ) e a crise sanitária , atrasou dois anos . " É ina-creditável que o filme vá estrear agora . Em Berlim , foi aplaudido de pé por dez minutos ; Seu Jorge jã ganhou prêmios na Itália e na Índia . Mas é um filme feito para o Brasil . A primeira estréia foi cancelada pela Censura . Os pedidos que O2 ( produtora ) fez à Ancine eram absolhtamente normais , negados assustosamente numa épocs em que Bolsonaro atacava o cinema nacional " , vocífera . No dia 4 de novembro , enfim , o longa chegará aos cinemas de todo país .
A seguir , os melhores trechos da entrevista .
QUAL A IMPORTÂNCIA DE POPULARIZAR A HISTÓRIA DE CARLOS MARIGUELLA ?
Desde novinho sou fascinado por histórias de resistência : Inconfidência Mineira , Revolta dos Alfaiates , Guerra de |Canudos e toda essa galera que resistiu ao poder tirano . São histórias mal contadas ou até mesmo apagadas , como a de Marighella ( reconstituéda no livro de Mário Magalhães , de 2012 , base para o longa ) . O filme é uma representação não só daqueles que lutaram pela democracia nos anos 1960 e 1970 , mas dos que lutam hoje , o povo preto , os indígenas , a população LGBT e os favelados que seguem sendo chamados de terroristas . Em momentos de distopia , os movimentos se fortalecem . é instinto de sobrevivência .Como agora , em que no poder um psicopata , sujeito sem condições morais de ser síndico de condomínio, o que dirá dirigir um paí .
COMO ACHA A RECEPÇÃO DO PÚBLICO ?
Se tivesse sido lançado em 2019 , seria um filme . Em 2020 , outro . Hoje , espero que " Marighella " enfrente oposição . Pois agora está claro para todo mundo que este governo é uma tragédia . Para todo mundo , não ... Tem aqueles 25 % que foram 7 de Setembro ( apoiar o presidente ) , mas a maioria já entendeu que não é uma questão de direita ou esquerda , é uma questão de civilização contra a barbárie . Por isso acho que a reação será menos vio -lenta com o elenco ... Artista não é ladrão . A acusação de " mamar na Lei Rouanet " . Da Lei do Audiovisual também não , porque nenhuma empresa quis botar o dinheiro . É uma produção feita com fundo setorial e dinheiro da Globo Filmes ( coprodutora ) . Não recebi um tostão por esse trabalho . Pelo contrário . Só gastei . E isso também não é problema , porque é um filme que eu amo .
Fonte - REVISTA ELA - pág 14 - CAPA - ENTREVISTA
> Nunca vi o Brasil tão dividido , fragilizado e vulnerável à ação de interesses estrangeiros
Posso confessar , leitor ( a ) , que tenho tido enorme dificuldade de escrever ? Hoje , estou a ponto de desistir . Não quero parecer cabotino , mas a razão principal é a situação do Brasil . Apesar de ter vivido grande parte da minha vida no exterior , tenho uma ligação com o País que é acredito , mais forte do que a da maneira dos brasileiros . Escrevi " apesar " e já fico um pouco em dúvida . Todo " apesar " esconde um " porquê " , dizia Fernando Pessoa . Seja como fôr , o fato é que viver em outros países nunca me afastou do osso .
De todos os povos que conheci mais de perto , o brasileiro é o menos patrótico , o menos nacionalista - e essa falta de apego ao Pazís nos tem atrapalhado muito . Desde que me en- tendo por gente , isso sempre foi assim . O brasileiro só se lembrava de ser brasileiro du - rante a Copa do Mundo ( agora talvez nem isso ... ) . A esse dado psicológico estrutural , acrescentaram - se nos anos recentes muitos fenômenos que configuram verdadeiro adoeci - mento e desagregação da sociedade brasileira e de suas instituições . Nunca o Brasil me cau - sou tanta preocupação - angústia - seria a palavra melhor .Nunca vi nosso país tão dividido e fragilizado e vulnerável à ação de interesses estrangeiros .
Bem sei que esse adoecimento transcende as fronteiras nacionais . Basta ver o que acontece nos Estados Unidos , na Europa , no Oriente Médio e em outras regiões . Mas isso não serve de consolo . Ao contrário , o brasileiro precisa dar conta de que a situação internacional é peri-gosa , talvez como nunca , e que isso pode nos afetar de várias maneiras e colocar em risco a própria segurança nacional .
Não vamos nos enganar . O Brasil é um país desarmado . E um país indefeso e expões a riscos graves , especialmentes se tem vasto território e imensas riquezas e recursos naturais . Ninguém vai nos defender . as mais solenes garantias internacionais não são mais confiáveis , muitas delas não valem o papel em que foram escritas .
Fonte Revista Carta Capital - nº 997 - PAULO NOGUEIRA BATISTA JR . Data - 4 de abril de 2018 - ANO XXIII - São Paulo
Espetáculo com direção de Ary Coslov celebra o centenário de Berta Loran , atriz referência de nossa comédia e que nos deixou em 2025
O teatro que Berta escolheu como ofício e lugar de alegria recebe sua história em forma de espetáculo . " Berta - Minha vida por um palco " está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal ( CCJF ) , quando se aproxima o centenário de nascimento da atriz , nascida em 1926 e morta no ano passado .
A montagem , escrita por Miriam Halfim e Marcelo Aquino e dirigida por Ary Coslov , acom-panha uma trajetória que começa numa infância marcada pela perseguição aos judeus na Eu - ropa e se transforma numa das carreiras memoráveis da comédia brasileira .
Andrea Dantas , Alexandre Regis , Junior Vieira e Patrícia Pinho formam o elenco. Andrea e Pa- trícia se alternam no papel de Berta em diferentes momentos de vida , abrindo espaço em cena para saltos temporais e mudanças de linguagem e experiência da personagem .
Além da homenagem em si , o espetáculo nos leva a refletir sobre a fragilidade da memória artística no país , tema que os autores colocam no centro da dramaturgia .
Berta Loran nasceu em Varsóvia , na Polônia , e chegou ao rio aos nove anos com os pais e cinco irmãos . A família deixava uma Europa em que a perseguição nazista ganhava força e se instalou num sobrado da Praça Tiradentes , epicentro do teatro de revista carioca . O pai , al-faiate e ator , incentivou a filha entrar em cena ainda adolescente .
A atriz ,construiu quase oito décadas de carreira e interpretou mais de dois mil personagens . Passou pelo teatro de revista , por dezenas de montagens e pela televisão , meio que tornou seu rosto conhecido em escala nacional . Uma temporada em Portugal , onde viveu por seis anos entre o fim dos anos de 1950 e o iício dos 1960 , está entre os episódios revisitados . A experiência com " Fogo no Pandeiro " deixou marcas que reapareciam mais tarde na per - sonagem Manuela D ' Além Mar , da " Escolinha do Professor Raimundo " , com seu sotaque português e o bordão que entrou no repertório popular .
Miriam Halfim , sobrinha de Berta , escreve a partir de uma proximidade familiar que não substitui a pesquisa , mas dá à peça um ponto de escuta particular . " O palco deu a ela tudo o que ela quis . Apesar de uma infância muito difícil , miserável , em Varsóvia , Berta escolheu viver com alegria . Ela dizia que a felicidade é uma escolha " , afirma a autora .
Para Ary Colov , a montagem também é uma convocação à lembrança . " É muito impor- tante que as pessoas conheçam a história da vida dela e se lembrem de Berta Loran . Ela era extremamente talentosa " , destaca o encenador . A figura de Berta permite discutir quem continua presente nos arquivos , nas instituiçõs e nos palcos depois que a televisão deixa de reprisar certos programas e as gerações se renovam .
" Nós somos um país com um problema sério de preservação da memória . Tem uma ques- tão cultural com a memória , a gente apaga com muita rapidez muitos artistas " , afirma o co-autor Marcelo Aquino . Para ele , a peça presta um serviço à arte e à memória e reco -nhece uma atriz que abriu caminho para humoristas , especialmente mulheres .
Fonte - Jornal Correio da Manhã - pág 8 - TEATRO Data - Quinta - Feira , 17 de Setembro de 2026
Toda Quarta - Feira de Cinzas tem seu ritual .Os garis ainda estão varrendo a Sapucai e ,nas quadras , já começa a conversa sobre o carnaval seguinte .Qual história aguenta um ano inteiro de barracão ? Foi numa dessas prosas , pouco depois que o último desfile , que este colu - nista que aqui vos escreve resolveu dar um palpite .
Conversava com Dudu Freitas , presidente da União do Parque Acari , um guerreiro que toca a escola com teimosia de quem sabe que nada chega de graça na Série Ouro . E soltei o nome : Bezerra da Silva . Em 2027 , ele faria cem anos .
Que escola teria mais legitimidade para cantá - lo do que uma agremiação nascida e criada na favela ? A União tem a cara Do Complexo de Acari : gente que acorda antes do sol , que pega trem lotado , que conhece de perto cada personagem que Bezerra botou no disco .
Agora chegou a vez do samba . na parceria , dois bambas de respeito : Moacyr Luz e Fred Camacho . Moacyr , o homem do Samba do trabalhador , que assina os sambas do Acari desde a chegada da escola à Série Ouro , em 2024 , ganhou de quebra um mimo . Passou a ser o presidente da ala dos compositores . Neste domingo ( 20 ) , na quadra da Rua Pi-racambu , o samba será lançado e o mestre homenageado . Festa endereço certo .
O que ele fez depois ainda não recebeu o crédito que merece .Durante décadas , o compo- sitor do morro não tinha vez na gravadora nem na rádio . Bezerra abriu a porta .
Gravou Adelzoninton , Crioulo Doido e uma legião de autores que faziam samba no bo - tequim , no ponto do ônibus , na laje , e que jamais veriam o próprio nome num disco . Ele era a voz . A caneta era da comunidade , e Bezerra fazia questão de dizer isso em cada entrevista .
O documentário " Onde a Coruja Dorme " foi atrás desses autores e encontrou gente sim - ples do subúrbio e das favelas , que nunca tinha pisado num estúdio mas trazia samba guar - dado no bolso . Sem Bezerra , boa parte dessa obra teria morrido na mesa do bar .
E a voz vendeu .Foram onze discos de ouro e alguns de platina ao longo da carreira , coisa rara para quem cantava partido - alto com sotaque malanderado . Chamaram - no de cantor de bandido . ele rebatia que só cantava mesmo o malandro mané , o dedo - duro , a polícia su- bindo o morro , o candidato que só aparece em ano de eleição . Tudo com humor , duplo sen- tido e uma precisão que muito sociólogo de gabinete nunca alcançou . Bezerra foi o cronista de um Rio que o asfalto preferia não ver . Por causa dele , o asfalto teve que ouvir .
Bezerra morreu em janeiro de 2005 . Em 2027 , a União do Parque Acari encerra os desfiles da Série Ouro levando o centenário dele para a Avenida . A pergunta do enredo tem a resposta fácil para quem conhece Acari sem o samba , a favela seria só aquilo que o noticiário mostra. Com Bezerra , virou crônica . A real face de uma cidade da beleza , mas também do caos .
Fonte - Jornal Correio da Manhã - pág 8 - CULTURA Data - Quinta - feira , 17 de setembro de 2026 - FRED SOARES SÓ CARIOQUICES
Várias revistas ( manuscritas e ilustradas a lápis de cor ou aquarela ) foram produzidas por adolescentes em Terezin , como Karamarád ( 22 números ) , Rim - rim - rim ( 21 números ), Vedem ( Avante , órgão da " República Skid " - sucedânea no Campo da escola de edu - cação social e individual Dostoievski " , de Leningrado - com mais de 50 números ) , entre outras . Nelas já se percebe a dupla função que a arte cobria no Campo : o testemunho da vida quotidiana e a de ser uma " janela " para a fantasia .Narravam - se viagens , aventuras etc . Também diários escritos .
Praticamente todas as atividades quotidianas do campo de concentração são representadas nas obras de arte dos internos de Terezin e nos seus trbalhos pode - se perceber o papel da arte como forma de resistência espiritual e de afirmação da individualidade : paisagens e lugares são lembrados ou imaginários , em contraposição a um dia-a-dia marcado pelo medo e pela desesperança . Obras abstratas representam o mergulho numa outra esfera para , como afirmou Charlotte Buresova , pintora nascida em 1904 , uma das internas de Terezin , apre- sentar " todas as coisas incríveis que ela vira ... para opor - se com a beleza do desastre " . Outra modalidade desta arte de resitência espiritual pode ser encontada nas representações que procuram dar ordem ao caos do campo de concentração . O mundo torna-se visível nestas representações sem compromisso realista .
A arte das crianças de Terezin funcionava , igualmente , como comemoração de vida : Zoran Music , o conhecido artista nascido em 1909 , um prisioneiro de Dacchau , afirmou que a arte lhe dava " força para sobreviver " , o que fica claro , especialmente , nos auto-retratos . São tentativas , de manter a identidade ante forças destruidoras extremamente violentas . Há muitos retratos que serviram tanto para serem enviados posteriormente aos familiares , afir-mando a sobrevida do prisioneiro ,como para comunicar amorte dos que foram assassinados . É digno de nota que muitos destes retratos portam uma dupla assinatura : do artista e do re- tratado . Aqui também já se percebe a função de testemunho desta arte . Halina Olomucki , que começou a pintar no gueto de Varsóvia , recorda : " Quando estava em Auschwitz - Birkenau alguém me falou , ' se você sobreviver a este inferno , faça as suas pinturas e conte ao mundo sobre nós . Queremos permanecer entre os vivos , ao menos no papel " . Nesses desenhos deveos ver , antes mais nada , a concretização possível deste desejo de sobrevi - vência ,que só pôde ser realmente realizado por uma parcela ínfima dos internos do campo .
A maior parte das obras de arte criadas no campo tem a função de testemunho .Daí a forte tendência ao realismo . Com relaçã a este aspecto de sua arte lemos as palavras de Karol Konieczny : " Meus desenhos não devem ser submetidos a um escrutínio e a uma crítica estética . Eu desejo que eles sejam considerados como um documento vivo e chocante de um mundo de horro e tormento . Eu desejo que os jovens saibam como foi , de modo que eles compreendam e não permitam tais fatos e se repilam no futuro . " Halina Olomucki acrescenta outro aspecto importante no testemunho artístico : " Minha intenção era a deixar um documento sobre o crime de destruição era a de deixar um documento sobre crime da destruição de nosso povo . Esta necessidade de documentar tornou - se uma força extra-ordinária que me levou à sobrevivência .Meu único objetivo na vida era viver , de modo a poder testemunhar ante o mundo a mais terrível de todas as atrocidades . "
A arte funcionava também como meio de extravasar o medo e a dor , a raiva e o ódio , permitindo assim uma espécie de purificação destas paixões . Esta faceta testemunhal e ca- tártica não excluiu o humor e a caricatura das obras dos campos de concentração .
Fonte - Revista 18 Centro de Cultura Judaica - Data - Setembro / Outubro / Novembro de 2014 - Márcio Seligmann - Silva é doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade Livre de Berlim e professor de teoria Literária e Literatura Comparada no Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP
Grupo de ex - internos de Terezin narrra histórias de suas vidas depois do Hoocausto , em livro que mostra como pequenos atos de dignidade têm o poder de transformar o mundo .
Muito tem se escrito sobre o Holocausto . O livro Nesarim Child Survivors of Terezin , recen-temente lançado nos Estados Unidos , porém , conta uma história nova dentro deste tema trá - gico e de vastidão inesgotável . Baseado na trajetória de dez garotos que foram prisioneiros do campo de concentração de Terezin , na República Tcheca , e que sobreviveram ao genocídio , o livro não se liita a apresentar uma coletânea de memórias do que se passou com alguns até o momento de liberação , mas propõe se a dividir com o leitor a realidade vivida por estes jovens sobreviventes , não durante o Holocausto , mas a partir da libertação , e a descrever co - mo a vida de cada um foi influenciada e marcada pelas vivências de guerra .
Thelma Druenhaum , a autora do livro , e esposa de um dos sobreviventes de Terezin e no livro relata a história de vida destes dez personagens , que na época em que estavam presos tinham entre 12 e 14 anos . Habitavam em mesmo quarto , 30 outros meninos em Terezin , e ali viviam sob a tutela de Franta , um rapaz de 20 anos , que atuava como seu madrich ( líder ) . Este grupo de meninos se autodenominou Nesarim ( águias , em hebraico ) .
O livro de Thelma começou a ser escrito em 1990 , ou seja , 45 anos depois que os garotos foram libertados pelos aliados . Neste ano e no ano seguinte , Thelma e seu marido viajaram quase 70,000 quilômetros ao redor do mundo para entrevistar todos os Nesarin . Algumas de suas esposas , três das quais foram , igualmente prisioneiras em Terezin , também apresentaram os seus relatos . As entrevistas foram gravadas e subsequentemente transcritas . A última entre-vista , realizada em Outubro de 1991 , foi com Franta . A esperiência de vida destes garotos , todos eles de origem tcheca , que passaram anos confinados no quarto 7 do prédio I .417 do campo de concentraçao de Terezin , criou entre eles laços que sobrevivem ao tempo e à dis - tância . Os Nesarim hoje vivem nos Estados Unidos , França , Suiça , Alemanha , Brasil , Canadá, e Austrália , porém mantêm - se e contato , quase coo se fossem membros de uma só famíia .
As trajetórias de cada um desde o fim da guerra foram , em todos os casos , marcadas por grandes dificuldades . A maioria dos jovens perdera suas famílias , além de seus bens , e a li- bertação pelas tropas aliadas colocou - os antes uma série de dilemas . Como recuperar o tempo perdido do ponto de vista educacional ? Onde viver ? Com quem ? Alguns deles decidiram continuar a viver na Tchecoslováquia - país que acabaram abandonando com a as-censão do comunismo em 1948 . Outros foram resgatados por instituições judaicas e pre-parados para uma possível emigraçao ilegal para o que era , então , a Palestina britânica Outros ainda , reconstruíram suas vidas em terras totalmente estranhas .
Especialmente interessante é o depoimento do próprio Franta , que relata a sua luta para manter a humanidade dos meninos em meio a crueldade generalizada , e que oferece uma visão do que era o quotidiano deste cmapo de concentração concebido pelos nazistas para funcionar como uma espécie de vitrine para o mundo .
Em comu nas histórias da vida de cada um desses Nesarim está a vivência de se verem sozinhos diante do mundo , o reconhecimento da importância dos laços que os ligavam mu-tuamente e a determinação em vencer as dificuldades e desafios de todas as ordens que seu destino lhes impusera . Apesar de sua prolongada exposição a atos da mais profunda desu-manidade , o livro mostra que eles foram capazes de manter sua estrutura psíquica , seu senso de humor , sua ambição , para sobreviver e prosperar . Trata de histórias de triunfo da humanidade , da ética e da solidariedade num século marcado como nenhum outro pela barbárie e pelo ódio.
Fonte - Revista 18 - Centro da Cultura Judaica - pág 34 - No Centro Dats - Outubro / Novembro 2014 - Walter Strebinger , engenheiro , é filho de um Nesarim
DOCUMENTÁRIO FRANCÊS RETRATA O COTIDIANO DE PROFESSORES E ALUNOS DO ENSINO PÚBLICO , MOSTRADO DE MANEIRA DELICADA QUE AS BARREIRAS PODEM SER VENCIDAS
Documentários , ao contrário das grandes produções cinematográficas , possuem em geral ,or- çamentos modestos . Normalmente nascem da vontade de seus idealizadores que ,com uma câmera na mão e uma boa ideia na cabeça - parafraseando Glauber Rocha - acreditam que podem executar projetos que acabam às vezes ,por se tornar exceentes obras . Esse é o caso de Ser e ter , filme francês lançado em DVD , que oferece oportunidade de fazer pensar, captura a atenção e ajuda a resignificar aspectos ou passagens da própria vida .
O enredo centra -se na vida de George Lopez , docente de uma escola pública do interior da França , na comunidade de Aubergne , pacata localidade cercada por fazendas . Tudo se desenrola dentro e ao redor de uma pitoresca " escola -de-uma-turma só " , na qual alunos com idade de 4 a 11 anos estudam juntos , com apenas um professor . Só esse ponto já nos faria pensar na realidade brasileira das escolas públicas com salas lotadas e professores que , apesar do esforço , se defrontam com o fracasso escolar de seus alunos .
Nesse ponto George é realmete hábil , lidando com crianças que talvez fossem vistas como " como problemáticas " e até terminassem em alguma instituição para " alunos especiais ", a despeito dos esforços daqueles que militam pela inclusão . Uma adolescente , em parti - cular , praticamente não falava e gerava uma invisível angústia na mãe ,que se culpava por não saber , por exemplo ensinar Matemática em casa . A maneira como o professor acolhe sua mãe por meio de uma conversa e lida com esse momento tenso é ipressionate . Sem culpá-la ou desmerecê - la , diz : " Bem , talvez seja difícil ouvir isso , mas você está sendo muito dura cosigo como mãe . O que conta é o desenvolvimento dela " . E , mais adiante , concorda com a percepção materna . " Se , de certo modo , ela parece estar distante de você , eu diria que é uma transição , uma transição necessária " .
Ao observar o silêncio , afirma : " o que me parece iportante é vê - la se desenvover e ser feliz , mesmo que esteja um pouco distante de todos vocês . Deve ser difícil para você .. " Ainda que o espectador possa pensar em paternalismo ou até mesmo em pieiguice , cabe perguntar o que poderia ser razoável nesse momento . Então , nos resta pensar na viabili- dade de um laço diferente entre professor e aluno , transformando esperança em atos . Mu- dar o macro partindo do micro não é fácil , pois exige transformações profundas dentro de nós mesmos . Assistir a esse documentário com a mente aberta pode ser um começo .
Fonte - Revista - MENTE & CÉREBRO - pág 15 - Data 2020 - LEANDRO ALVES RODRIGUES DOS SANTOS é psicólogo , psicanalista , professor e supervisor universitário ( UNI - A ) ; doutorando em psicologia clínica na Universidade de São Paulo ( USP ) ; membro do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo .
Homenagem ao Dia do Professor
" Este foi o sonho "
Dom Bosco mudou também a didática religiosa : não mais somente conferências e lições , mas diálogos e narrações , isto é a representação da realidade mais do que a transmissão de conceitos . " Dotado de uma cultura teológica , moral , histórica , hagiográfica , a narração ,cate- quista de nível médio , Dom Bosco não se aventura a construir definiçoes , esquemas e sis- temas teóricos , mas prefere a história , a narração .Por isso , com facilidade inventa e escreve contos biográficos e romanceados ,compõe e elabora diálogos e dramas ; e na comunicação moral , religiosa , catequística , para ele são insuficientes as costumeiras formas didáticas , que se limitam a comunicar as noções ou doutrinas ( ... ) . Dali deriva sua liberdade de entregar - se à fantasia , à imaginação criadora e ao uso abundante de alegorias , parábolas , comparaçoes , sonhos e visões . Nesse campo ele se movia com muita desenvoltura e não pouca fantasia , também porque dotado de habilidades não comuns de prestidigitador , so - nhador , sensível às coisas ocultas ; e também , como se crê , por dom gratuito de Deus , era um iluminado , certo de dispor de uma assistência particular do alto " .
Ele conta os seus sonhos aos meninos não pra impressioná-los , mas para educá-los : para ele , trata-se de um instrumento pedagógico .Embora também ele seja o primeiro a convidar os ouvintes a não acreditarem demais neles. Como explica Lemoyne , " contando aos rapazes vários sonhos ( ... ) , seleciona o que podia ser mais útil para eles , sendo precisamente este o objetivo que inspirava suas misteriosas revelações " .
Para Dom Bosco , a narração de sonhos serve para suscitar atenção e interesse pelas men-sagens que quer transmitir aos seus jovens . E a eles somente são destinados , como ele ex- plica : " Este foi o sonho ; agora ca sonhos da um o intérprete como preferir , mas saiba sempre dar o peso que um sonho merece . Entretanto , se houver alguma coisa que pode ser útil para as nossas almas , vamos aproveitar . Não gostaria , porém , que alguém fosse contar essas coisas fora daqui ; eu as conto a vós , porque vós sois os meus filhos , mas não quero que seja contadas a outros " .
Protagonista dos sonhos de Dom Bosco frequentemente é Nossa Senhora . Eis o que diz Pietro Stella : " Para o Oratório e para o circulo dos familiares de Dom Bosco , uma fonte característica de devoção aos sonhos ( ... ) . Pastora , guia , rainha , mãe , a Senhora dos sonhos é um dos elementos que caracterizam a devoção ariana do oratório . A persuasão de todos : jovens e salesianos . Dom Bosco e as suas obras eram especialissimaente prote - gidas pela Virgem Santíssima ; nada se fazia sem uma palpável prova de que a Virgem Maria tinha intervindo para sugerir soluções , aplainar dificuldades ou proteger contra as insídias diabólicas . Os sonhos marianos contribuiam para dar um sentido coetivo à persu- asão de que os devotos de Maria eram objeto de graças especiais : os sonhos garantiam que todos e cada um dos que vivia com Dom Bosco participavam deste carisma especial " .
Fonte - Livro Dom Bosco - Uma história para todos os tempos - Tradução D. Hilário Moser - Doenico Agasso - Renzo Agasso - Domenico Agasso Jr . - Editora Dom Bosco - 246 páginas Brasília , DF - 2015
É DIREITO DE TODO SER HUMANO TER UMA CASA ! ELA REPRESENTA SEGURANÇA E EXISTE PARA GARANTIR O BEM - ESTAR E A DIGNIDADE DE SEUS MORADORES
Todavia , todos sabemos que uma casa não é simplesmente o resultado de ajuntamento dos materiais de construção que a compõem . Em outras palavras , a casa é muito mais que paredes , piso , teto , janelas , portas e os cômodos que possa ter . Sendo mais pre - cisos na terminologia , ua casa de verdade deve tornar - se um lar , para que neste nos sintamos à vontade , acolhidos e aconchegados , ou seja , experimentando um verdadeiro clima de paz e de família .
É extamente isso que a Casa da Mae Aparecida significa - um ambiente acolhedor do povo brasileiro que é devoto filial da Virgem Santíssima . E qual filho não deseja que a casa da mãe seja um espaço gostoso de se estar e de visitar ? É exatamente essa a razão que nos motiva a todos ajudarmos o que Santuário de Nossa Senhora se torne cada vez mais belo e majestoso . A sua configuração e esplendor são a medida e a expressão do afeto e do carinho que temos com a Mãe de Jesus Cristo . Afinal , " fora da beleza não há salvação " . As coisas belas nos falam de Deus e nos co - locam em comunhão com Ele ! Qualquer esforço que fizermos para manter e melhorar a Casa da Mãe só pode ser visto como sinal de nossa gratidão por tudo o que dela recebemos .
Obviamente que uma casa do povo ou um lar acolhedor não significa um ambiente de-sorganizado ou anárquico . Justaente para garantir o bem - estar de todos e um espaço harmonioso é necessário coordenação e ordem . A Escritura Sagrada chega a utilizar-se da organização doméstica e familiar para apontar coo deve ser a Igreja ( cf . 1 e 2Tm ). Planejamento e zelo deixam transparecer que um ambiente acolhedor é includente é também organizado !
Oxalá a Casa da Mãe - casa do povo cristão brasileiro - seja como que um ícone para nossa República Brasileira - uma mãe que ama e cuida de seus filhos , mas que é tam- bém cuidada em amada por estes . Que os asista em suas necessidades e carências , bus- cando sempre lhes garantir om básico para que todos tenham dignidade e vida ! Quando se ama com amor de mãe , ninguém pode ser lesado em seu direito ! Por sua vez , os filhos e filhas desta naçõ teriam mais amor e respeito por essa Mátria se sentissem seu amor comprometedor e sincero ! .
Fonte - Revista de Aparecida - pág 4 - MENSAGEM REDENTORISTA Data - Novembro de 2019 - PE . MARLOS AURÉLIO DA SILVA , C.Ss.R.
Homenagem do Dia das Crianças
Conhecido como a criança mais talentosa da história da música , Mozart tinha como brin - quedos preferidos o violino , que aprendeu a tocar aos 3 n anos e o piano . Aos 5 anos ele já compunha e aos 8 começou a escrever músicas para orquestra , piano e música vocal . Impressionante , não é ?
O pequeno gênio musical nasceu na Áustria em 1756 . Por isso , todo o mundo está co - memorando os 250 anos de nascimento em 2006 .
Ele cômpos nada menos do que 626 músicas na sua curta vida de 35 anos . 41 sinfonias , 27 concertos para piano , 5 concertos para piano , 5 concertos para violino e diversas ó - peras ... Ufa ! A ópera mais famosa é a Flauta Mágica .
Inspirada nela , a Imago Cia de Animação estreou o seu mais novo espetáculo : A Flauta Mágica , ópera de Mozart o Emanuel Schikaneder escrita no século 18 . O espetáculo conta a história do príncipe Tamino e de sua flauta mágica , que enfrentam perigos e de - safios na tentativa de salvar a princesa Pa- mina .
Filha da poderosa Rainha da Noite , ela é mantida prisioneira pelo misterioso Sarastro . Nessa aventura Tarmiro conta com a ajuda de Papgueno , um caçador de pássaros muito atrapalhado , e de três geniozinhos .
Juntos terão de enfrentar um dragão , dinossauros e um feiticeiro que acaba fazendo uma importante revelação . Nessa aventura , Tamino aprende muito sobre verdades , mentiras e lealdade .
O mais legal é que os bonecos parecem mover - se livremente , voar , aparecer ou desapa - recer como um passe de mágico , ao som do Mozart , uma trilha sonora adaptada .
Fonte - Jornal ESTADINHO - O ESTADO DE SÃO PAULO - pág Es5 Data - Sábado , 23 de setembro de 2006
Sobre o jirau da cozinha estava a imagem trazida pelo marido pescador . A mulher tinha colado a cabeça ao corpo com cera do mato . Estava contemplando o rosto tranquilo , e notou as cinco flores no cabelo . Imaginou que Maria , Senhora , como todas , gostava de se enfeitar . Ou talvez José e o menino teriam trazido as florzinhas amarelas , das que crescem no quintal ou na beira das estradas . Cinco flores , que seriam ? Admiração , ca - rinho ,afago ,veneração , amor ? Bem de perto vejo as cinco flores , desgastadas pelo tempo , mas que ainda imagino com o amarelo ouro que se destaca no meio do mato . E fico a pensar que flores poderiam coocar hoje no cabelo de Maria , Senhora Aparecida , mãe de Jesus e esposa de José ? E começo a juntar uma a uma : a admiração , carinho , louvor , alegria , confiança , súplica , veneração , amor . Não apenas cinco flores , mas muitas , muito mais do que braçadas de verdes e todas as cores e perfumes como o merecem as mães .
Fonte - Revista de Aparecida - pág 29 - DEUS EM MINHA CASA Padre Flávio Cavalca de Castro , CSs. R - Acesse A 12 .com