segunda-feira, 1 de junho de 2026

Globalização da indiferença e globalização da impotência

 




OPINIÃO 

Duas  espressões  aproximativas , mas  com diferentes  matizes . A globalização  da indiferença vem    do  Papa  Francisco ; a  globalização  da  globalição  da  impotência   vem  do  Papa  Leão  XIV . En -    quanto  a  primeira  fecha  o  olhar  para  o  que  ocorre  na  política  global ,  a  segunda  reconhece a    fragilidade  das  forças  sociais  que  poderiam  levar  às  mudanças  necessárias . Uma vira  as  costas    às assimetrias  das relações  internacionais ; a  outra ,embora  ciente desses  males , sente- se de mãos    atadas  diante  da  magnitude  das  tarefas  a  serem  realizadas .  Aquela  representa  a  avestruz , que  enfia  a  cabeça  na  terra ; esta  não  dispoe  de  emcanismos  para  impelmentar  as  devidas  transformações .

Uma e outra  se  veem  paralisadas  A  indiferença  paralisa  quem  não  quer  enxergar ,  ao passo que  a  impotência  é  filha  da  indiferença , na  medida  em  que  esta  última , míope  ou  cega  ao  cenário  atual , contribui  para  cruzar  os  braços . Ambas  são  sintomas de  um conformismo  que se acomoda  ao  status  quo . Uma  reforça  e  confirma  a  outra , o que  vale  dizer  que  ambas se  debilitam frente  às  distorções  do  processo  de  globalização .Processo  que , ao mesmo  tempo ,provoca concentração  de renda  e  exclusão  social . Resulta  que  a pirâmide  socioeconômica  se  torna cada  vez  mais acen-tuada :  a  distância  entre  os  pobres , na  base ,  e  os  ricos ,  no  vértice , cresce  de  forma inversa  e  progressiva .



No  terreno  da  indiferença  ou  da impotência , Francisco  e  Leão  propõem , respectivamente ,  uma    "  cultura  da  solidariedade  "  e  uma  "  cultura  da  reconciliação  " . Também  aqui  não  será  difícil  verificar  uma  visão  aproximava , com  nuances  diferenciados . De  um  lado , a  reconciliação leva   a  apaziguar  os  corações  de  outro , a  solidariedade  leva  a  estender  a  mão  ao  próximo . 

A  primeira  procura  superar  tensões , ruídos  e  mal  -  entendidos  . A  segunda  avança  um  passo  adiante  no  sentido  de  propor  uma  açãao  fraterna  e  solidária . Uma  prepara  o  terreno  para que      a  outra  passa  lançar  a  semente  e  colher  os  frutos  da  justiça  e  de  paz . 



Os  dois  Pontícies  se  completam  recíprocamente . Na  sua proposta , a indiferença  e  a  impotência  tendem  a  ser  superadas  pela  via  da  solidariedade  . A  proposta  levanta , porém , questões inquie-  tantes .Exemplo : como  reconciliar  palestinos  e  israelitas , russos  e  ucranianos  ?  Como  derreter    o   gelo  que  une  e  separa  países  e  regiões  limítofes  ?   Como  enfrentar  a  violência  étnica   ou    político   ideológica  em   tantos   lugares  do  planeta  ?   Como   reconhecer  a   violência  que   fere  aqueles  que  são  mais  próximos ,   que  moram  debaixo  do  mesmo  teto  e  que ,  em  geral  , tem  como  vitímas  mulheres  e  crianças  ? 

A  tarefa  não  é  fácil  . Ganha  com  a  violência  e  com  a  guerra  quem  fabrica  e  vende  armas .  Nas  entrelinhas  dos  discursos  políticos  e   dos  acordos  de  paz ,  escondem - se  os  interesses  inconfessados  e  inconfensáveis . Em  nome  do  desenvolvimento  e  do  bem - estar , avança   sub-  reptícimente  a  corrida  armamentista .  Com  o  pretexto  de  legítma  defesa ,  os  países   buscam  cegamente  se  armas  . E , claro , violência  chama  violência  ! ...


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