terça-feira, 22 de setembro de 2026

A pós - verdade e o controle da mídia

 



"  Pós -  verdade  "  é  um  termo que  vem  sendo  repetido pela  mídia na última  década .Como            já  disse , não  gosto muito  de termos  forçosamente propostos , aplicados de  forma  massiva  e              não  orgânica , que  induzem  a  uma  interpretação  ideologicamente  guiada .

Quando o termo  é  dúbio ,  costumo  buscar  socorro  no  dicionário por uma definição mais pri -          mária . A  "  pós - verdade  "  virou  celebridade  já na sua estréia , quando  recebeu  o título  de  "    palavra  do  ano  "  pelo  "  Dicionário  Oxford  " , em  2016 ,  que  a  definiu  assim :  "  Circuns -        tâncias  nas  quais  fatos  objetivos  são  menos  influenciadores   na  formação  de  opinião  pú  -            blica  do  que  apelos  à  emoção  ou  à  crença  pessoal  " . 



Ou  seja , como  as  pessoas  não  estão  muito  preocupadas  em  saber  quais  são os  fatos , ob -        jetivos , estariam  mais  sujeitas  a  acreditar  em notícias  falsas , embaldas com emoção .Nesse        caso , apoiam - se  em  outro  termo  ideologicamente  gerado :  as  fake  news , que  seriam  po -      tenciais  notícias  falsas  criadas  para  enganar  as  pessoas .

O  "  problema  "  é  apresentado  com  um  fator  agravante :  se as fake news são ruins sozinhas ,      seu  estrago pode  ser  irremediável  quando  trubinadas  por alguns  meios de propagação rápida ,  como  é  o  caso  das  redes  sociais .

Mas  podem  ficar  tranquilos  :  os  mesmos  que  identificaram  o  problema  para  você  são  os    mesmos  a  apontar   a  única  solução  possível  :   é  preciso   haver  controle ,  alguém  precisa              "  checar  os  fatos  " . 

E  é  aí  que  os  problemas  começam . 



Nesse  pulo  entre  problema  e  solução , alavancam - se  em  uma  premissa  mentirosa ,de  que            antes  não  era  assim . No  período  anterior , o  " da  verdade  " , havia  informações  checadas e  imparciais , protegendo  a  sociedade  das  nptícias  sem  vínculo  com  "  fatos  objetivos  " .

Mas  será  que  isso  é  verdade 

De  imediato , lembrei-me  do  famoso  caso  da  "  Escola  Base  ",  ocorrido  em  1994 . Suspei -          tando  do  comportamento  incomum  de  seus  filhos , pais  de  alunos  fizeram  denúncia  à  Po -       lícia  por  abuso  de  menores . As  investigações  foram  inconclusivas  , e , revoltados , os  pais      rocuraram  a  rede  Globo , que  fez  uma  série  de  reportagenns .

Baseada apenas nas  " crenças  pessoais "  daqueles  pais , sem  qualquer  apoio  em  "  fatos obje-    tivos " , a  mídia , utilizando  o  seu  poder  de   " espalhar  notícias  rapidamente  " ,  aterrorizou  . Acusou  os proprietários  da escola  de  "  estupradores  "  e  a entidade  de  "  escolinha  do  sexo " . 

Passados  três  meses , a  Polícia  concluiu  pela  inocência  dos  acusados , cuja  reputação  fora  destruída  pela  mídia . O  fato  foi  noticiado  nos  rodapés  dos  meios  de  comunicação .

Assim , vemos  que  o  tema  não  é  exclusivo  dos  tempos  atuais . Mas , não  sendo  novo , por      que  isso  parece  tão  importante  agora ? 

É  fato  que  as  redes  sociais  criam  enormes  facilidades  para  o público  em  geral . Em contra -  partida , tornaram - se  um enorme  problema  para os poderosos , a começar  pela  imprensa e go-    vernantes .



A  imprensa ,considerada  antes  o   "  quarto  poder  " , perdeu sua  exclusividade na  cobertura e  divulgação  de  notícias ,  sua  maior  moeda  de  barganha  com  governos  com  verba  de  publi  -cidade . Governantes  perderam  seu  poder  seu  poder  de  controlar  a  informação  que  chega à        sociedade , conseguida  antes  apenas  "  pagando  bem  " .

Assim , a  informação  virou  commodity , qualquer  um  poder  ter  um  "  canal  de  notícias  " .          Uma  imagem  de  celular  de  uma  dona  de  casa  pode desmascar  uma  notícia  tendenciosa di-    vulgada  pela  iprensa . E  liberdade  demais ! .

As  redes  nos  deram  acesso  direto  à  informação . Podemos  saber  o  que  os outros  pensam ,      sem  a  "  análise  "   do  meio  de  comunicaçao . Somos  capazes  de  ouvir  as  notícias  a partir        das  fontes  originais , sem  crivos , sem  filtros  e  sem  a  interpretação , muitas  vezes  tenden  -        ciosa , de  um  dado  veículo .

A  informação está sem controle .Por isso ,alguns  propõem o  chamado  "  controle  da  mídia  ",      que  não  visa  a  controlar  a  imprensa , mas controlar  você  e  eu !  O  quarto poder  não pode          ser  diluído  assim .

O  conhecimento  e  a  verdade  nunca  fora  grandes  amigos de governos  totalitários, por  isso            os  poderosos  precisam  emudecer  as  redes  sociais  dos  temas  que  incomodam  seus  planos ,        as  verdades  que  expõem  suas  mazelas  .  É  preciso  delegar  de  volta  à  imprensa  a exclusi - vidade  da  informação  e   da   "  verdade  " ,  que  será  aquilo  que  eles  nos  disserem  que  é .




Se  os tempos  atuais nos pedem  mais  atenção  com  as informaçoes  que  recebemos , é impres-  cindível  ficarmos  atentos  para  que  "  a  verdade  "  não  volte  a  ser  controlada  por  um  pe -      queno  grupo  de   " iluminados  " .

Jesus  nos disse  que  a  verdade  liberta . Descobrimos  isso , e não  queremos  mais voltar  a  ser  cativos . 

Fonte  -  Jornal   O  SÃO  PAULO   -  pág  15  -  VIVER  BEM  /  FÉ  E  VIDA                                Data  - 31  de  agosto  a  6  de  setembro  de  2022  - Comportamento  Luiz  Vianna  é engenheiro,      pós  graduado  em  Marketing  CEO  da  Mult - Connect , uma empresa  de  tecnologia .Autor dos  livros   "  Preparado  para  vencer  "  e   "  Social  Transformation  e seu  impacto  nos  negócios  ",       é   também  músico e  pai  de  três  filhos .



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