quinta-feira, 8 de maio de 2014

Racismo no Brasil

No Brasil, apenas recentemente a sociedade civil e o poder público voltaram seu olhar para a necessidade de criar e sustentar políticas públicas de atendimento específico à juventude. Mesmo assim, em geral, o jovem é tratado como problema.
Assim também é visto o jovem pobre, morador das periferias das grandes capitais. Principalmente no que tange aos números da presença da violência e da precariedade ou ausência de escolaridade sobre esta última, várias estatísticas e avaliações educacionais denunciam os baixos índices de desempenho em relação às habilidades de leitura e escrita e outras, além dos números darepetência e da evasão escolar.
Quanto à educação, o problema ganha ainda mais densidade quando diz respeito à populaçãojovem afro-brasileira. Aos poucos, constata-se o óbvio: concepções, currículos e práticas pedagógicas estão distanciados do universo sóciocultural de crianças, adolescentes e jovens desse segmento. Além disso, a gestão escolar pouco incentiva ou assegura a participação deles como sujeitos de direitos e protagonistas na construção dos espaços mais significativos de convivência eaprendizagem.
Em relação à violência física - agressões e mortes -, os indicadores se repetem: o maior número de vítimas encontra-se entre jovens negros do sexo masculino. Pesquisas recentes apontam que os casos de violência têm lugar, dia e hora marcados para acontecer, geralmente nas periferias, nos finais de semana e à noite.
Ao falar de políticas públicas, tais dados marcam a necessidade de tomar a juventude não como um grupo homogêneo, caracterizado apenas pela faixa etária, mas de examinar também outras variáveis relativas às condições de vida e o pertencimento racial. A mesma exigência diz respeito ao lazer.

Fonte: Artigo de Ana Lúcia Silva Souza
extraído do livro "Racismo no Brasil - Percepções da Discriminação
e do Preconceito no Século XXI"
da Fundação Perseu Abramo - 2005

QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS

AFRODESCENDENTES NA EDUCAÇÃO



Em 09 de janeiro de 2003 foi promulgada a Lei 10.639, que altera a LDB - Lei 9.394/1996, incluindo no currículo de todas as escolas de educação básica a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura Afro-brasileira. E Africana devendo, portanto, as temáticas afro-brasileira e indígena devem fazer parte, obrigatoriamente, do projeto político pedagógico das escolas públicas e particulares.
O resgate da história da população negra e indígena não interessa apenas aos alunos de ascendência negra e indígena, interessa, também, aos alunos brancos, que vem recebendo uma educação cheia de preconceitos. Além disso, essa memória não pertence somente aos negros. Ela pertence a todos tendo em vista que a cultura da qual nos alimentamos quotidianamente é fruto de todos os segmentos étnicos, que apesar das condições desiguais nas quais se desenvolvem, contribuem, cada um ao seu modo na formação da riqueza econômica e social e da identidade brasileira.
Para se pensar o projeto político pedagógico da escola que vai nortear a formação continuada de professores, a seleção de material didático e outra práticas pedagógicas do dia a dia da sala de aula. 

Fonte: Apostila de Maria Auxiliadora Lopes
Agosto/2012



"(...) não basta a lógica da razão científica que diz biologicamente não existem raças superiores e inferiores, como não basta a moral cristã que diz que perante Deus somos todos iguais, para que as cabeças de nossos alunos possam automaticamente deixar de ser preconceituosas. Como educadores, devemos saber que apesar da lógica da razão ser importante nos processos formativos e informativos, ela não modifica por si só o imaginário e as representações coletivas negativas que se tem do negro e do índio na nossa sociedade."

Kabengele Munanga

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Qualificação e Participação



Para os professores Cyro Dantas e Amâncio Cézar, é necessário ter um investimento constante em qualificação, com a oferta de cursos de atualização.
- Os professores precisam de condições para que possam se capacitar. A secretaria deveria promover cursos fora do horário de trabalho - disse Amâncio, que é professor de Matemática.
A melhoria das condições de trabalho é um desejo de todos. Para a professora de Artes Marilena Reis, a escola precisa de uma estrutura física organizada, com o quadro de profissionais completo, principalmente merendeiras e inspetores.
Telma Alves, professora de Matemática, destaca a importância do apoio especializado de orientadores educacionais, assistentes sociais e psicólogos. Para a educadora, dessa forma, seria possível atender os alunos que tem mais dificuldade para aprender. Já a professora de Português Bernadete Assunção ressalta a necessidade de professores substitutos nas escolas. 

Pais mais envolvidos e alunos mais interessados

- Além do desejo de alcançar a valorização do seu trabalho, os professores gostariam de contar com uma escola que pudesse propiciar melhores condições de aprendizado para os alunos.
Para o professor Ilem Oliveira, deveria ser maior o investimento em conforto nas salas de aula. 
- Uma boa escola tem salas ventiladas, agradáveis para o aluno. O estudante muitas vezes, têm mais prazer em fazer aulas de Educação Física, porque está num espaço aberto. Na minha escola, trabalho com alunos grandes, mas as carteiras são muito desconfortáveis - disse o professor de Ciências.
- Precisamos que o aluno esteja interessado, motivado por estar ali. Eles precisam saber qual é o real objetivo da educação, ter a visão de que o ensino é importante para o futuro.
A participação da família na escola é o principal desejo do professor de História Cyro Dantas: - Gostaria que houvesse parceria da família, que os responsáveis comparecessem às reuniões.
Outro sonho dividido pela maioria dos professores é poder trabalhar em apenas uma escola. Para isso, os profissionais gostariam de ganhar um salário mensal que permitisse a dedicação exclusiva.
- Seria bom que o professor não tivesse a necessidade financeira de trabalhar em várias escolas, para realmente fazer um trabalho que pudesse resultar na formação cultural das gerações de jovens - disse a professora Telma Alves.

Fonte: Jornal Extra - maio de 2010

Y no se hace?

Nuestros sistemas no lo saben hacer bien y, en general, lo delegan, desgraciadamente, ya sea en los padres, ya sea en clases privadas fuera de la escuela. Etimologicamente el pedagogo es aquel que acompaña al niño, y me parece que lo que hoy en dia les hace falta a algunos niños es esta acompañados, no dejarlos ahi donde  están, Sino escucha sus dificultades , comprender sus problemas y estar a su lado a lo largo de toda su escolaridad. Algunas familias lo hacían con sus hijos, y lo sigue haciendo, pero hay muchos alumnos para quienes este acompañamiento familiar no existe y para quienes me parece totalmente necesario que la escuela acometa esta tarea.

También es un gran defensor del trabajo en grupo

Si, no es del todo contradictorio. Al contrario, es necesario que la escuela tenga tiempos  colectivos en los que el alumno aprenda a participar en un grupo, y que los articule con los tiempos más individualizados.

Fonte: Philippe Meirieu - Pedadogo Francés
Proyecto Educar 2050
Asociación Civil para la mejora de la educación en la Argentina

Trabalho Infantil



O Brasil possui a quarta menor parcela do continente de crianças trabalhando, porém, apesar do quadro de redução, o país ainda se encontra atrás de países como Colômbia e Costa Rica no ritmo de queda.
O desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Siro Darlan reconhece os avanços na área, mas salienta que, mesmo existindo progressos, não se deve achar que eles bastam para combater o problema. "Tem havido avanços; eu acho que ainda lentamente tem havido progressos, mas ainda existe um número elevado de crianças exploradas na prostituição infantil. Basta olhar para as grandes cidades, as crianças que estão nas ruas descuidadas não só pelas famílias, mas também pelo poder público, porque não estão nas escolas, não estão nas creches [...] Então, acho que ainda precisamos conscientizar todo e qualquer cidadão da necessidade de proteção à nossa infância", alertou.

Solução que envolve comportamento cultural

Segundo o desembargador, toda a forma de exploração da criança através do trabalho é uma forma de trabalho infantil. "A criança como ser em processo de formação, precisa viver a sua infância, precisa ter aqueles momentos de aprendizagem, de lazer, ser educada, criada, cuidada por uma família. Então, toda vez em que a criança é obrigada a qualquer forma de trabalho caracteriza um abuso, uma violência contra aquela criança", esclareceu.
Solucionar o problema não é fácil. Siro Darlan explicou que colocar as crianças desde cedo para ajudar nas despesas da casa é inerente à nossa cultura. "Isso é um drama muito sério porque culturalmente nós não temos tido muitos cuidados com a criança, pelo contrário, temos o costume de colocá-la desde cedo para ajudar no trabalho familiar, nas atividades familiares. Precisamos reconstitucionalizar, textualizar essa nova cultura de proteção integral para que possamos cuidar melhor das nossas crianças e fazer com que elas vivam a sua infância na sua plenitude, tendo um desenvolvimento sadio."

Ensino obrigatório

Um projeto de emenda constitucional aprovado, no dia 14 de outubro de 2009, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados tem a obrigatoriedade do ensino para a crianças de 4 a 17 anos entre as suas propostas. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, essa medida deve aumentar a velocidade do Brasil na redução do trabalho infantil. Hoje, a obrigatoriedade do ensino restringe-se a crianças entre 6 e 14 anos.

Fonte: Jornal O Testemunho de Fé
Novembro de 2009 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Crise na Educação, uma ameaça ao Brasil do Futuro



No artigo "Alfabetização no Brasil", João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto e autor de Aprender e Ensinar, da Editora Global, faz uma análise sobre as políticas e as práticas de alfabetização no país, que ao ignorarem os avanços científicos na área, vêm contribuindo para os baixos níveis que caracterizam o desempenho dos alunos. "A Escola Brasileira - especialmente a escola pública - produz um novo tipo de aluno, o analfabeto escolarizado. O aluno se "analfabetiza" na escola, ao longo das séries iniciais, e alguns, com esforço próprio, conseguem se apropriar do código alfabético", observa. "O preço a pagar é enorme, em termos de tempo perdido, reprovações e frustrações de toda ordem.

Bernadete Gatti, diretora do Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação Carlos Chagas, analisa a questão da formação inicial de professores para a educação básica em cursos de graduação. "No Brasil país de escolarização tardia, a necessidade de incluir nas redes de ensino as crianças e jovens de segmentos sociais que até poucas décadas atrás não eram atendidas pela educação básica colocou grandes desafios, um deles a formação de professores", explica. "Com a grande expansão das redes de ensino em curto espaço de tempo e ampliação consequente da necessidade de docentes, a formação destes não logrou, pelos estudos e avaliações disponíveis, prover o ensino com profissionais com qualificação adequada. Pesam nessa condição não só a urgência formativa, mas também nossa tradição bacharelesca, que leva a não considerar com o devido valor os aspectos didático-pedagógicos necessários ao desempenho do trabalho docente com crianças e jovens."
Segundo Bernadete, é importante criar condições concretas para um novo tipo de formação inicial, no ensino superior para a docência na educação básica. "Há necessidade de melhor estruturar, qualificar e avaliar o trabalho desenvolvido nas licenciaturas, na formação inicial de docentes para a educação básica. É tarefa de ontem, mas ousar mudar de fato não é uma questão simples nos contextos de nossas instituições e das normatizações. Os interesses são diversos e, sem uma política nacional firme, com foco na qualidade formativa de novos professores, continuamos patinando quanto às possibilidades de uma renovação educacional necessária ao país e seus cidadãos.

Fonte: Jornal da USP - Especial
Março/2014



A Educação tem que ser prioridade no Brasil

Tendo o retrato do atual ensino público do país, o comentarista Galdêncio Torquato, professor titular da USP, publicou artigo no jornal O Estado de São Paulo, edição do dia 20 de abril, sob o título "Escola pública na teia do atraso". Em seu comentário observa que: "O ensino básico atravessa a maior crise de sua história. Milhares de alunos concluem a quarta série sem saber ler nem escrever, muito menos fazer contas". "A crise da educação básica é um fio esgarçado que prende o país à teia do atraso".
A soberania de uma nação está na educação do seu povo. A educação é uma das necessidades básicas para o desenvolvimento integral do ser humano, tem reflexos diretos na garantia da boa saúde, do bom saneamento básico, na redução da violência e da criminalidade, na estrutura familiar, na harmonia e na paz social, na melhor condição de vida pela profissionalização.
Nos dias de hoje, todos nós ficamos extasiados diante do progresso da China, da força econômica e da cultura tecnológica do povo chinês. Essa realidade, no entanto, é uma decorrência de longo e rigoroso programa de escolarização de gerações e gerações de crianças chinesas. Hoje, o país colhe os frutos desse programa de ensino.
O Brasil, por sua vez, com uma população na linha do analfabetismo funcional, sem qualificação profissional, já se tornou um dos maiores exportadores de mão de obra não qualificada, isto é, a mão de obra de sobrevivência.

Fonte: Jornal AFPESP
Editorial - Maio / 2008


Albert Einstein

Problemas de Aprendizagem

Déficit na linguagem pode servir de incentivo em outras áreas que precisam de criatividade.

O que poderiam ter em comum o cientista Albert Einstein, criador da Teoria da Relatividade, e o ator Tom Cruise? A dislexia, um distúrbio ainda pouco conhecido que se manifesta geralmente um ano após o início da alfabetização da criança. O traço comum aos pacientes é a dificuldade em entender os símbolos da leitura e transcrever os da escrita, transformando-as em linguagem com significado lógico. "Ao contrário da fama que criam na escola e na família, eles não são vagabundos nem burros", defende o neurocirurgião infantil Sérgio Cavalheiro. 
A dificuldade na aquisição e domínio da linguagem podem esconder cérebros privilegiados ou no mínimo com inteligência dentro dos padrões normais (Quociente de Inteligência Superior a 100). A lista de gênios disléxicos pode estimular pais que costumam entrar em desespero diante da limitação apresentada pelos filhos. "O déficit de linguagem pode resultar em enorme talento em outras áreas nas quais a criatividade tenha papel decisivo", afirma a psicóloga Eliane Rosemberg Colorni, presidente da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), uma entidade sem fins lucrativos que orienta pais e professores de crianças disléxicas.
Embora o diagnóstico do distúrbio dependa do ingresso da criança na escola, quando o sistema tradicional de ensino revela-se infrutífero e fonte de frustrações, há indícios que podem aparecer mais cedo. Alguns exemplos: atraso de fala, noções confusas de espaço como esquerda e direita, descoordenação motora em algumas atividades como pegar e chutar bola, dificuldade para recortar, desorganização no quarto.
O momento de aprender a ler e a escrever é um desafio. O disléxico tem dificuldade em copiar da lousa, pula linhas, não consegue juntar letras ou sílabas para formar uma palavra maior ou reuni-las para formar uma frase. Ele confunde-se ao lidar com símbolos gráficos, inclusive na Matemática, especialmente aqueles parecidos na forma ou som. Assim, tanto pode trocar o 6 pelo 9 quanto o p pelo b.

Problema pode ser adquirido por adulto

A dislexia adquirida não afeta necessariamente crianças, mas qualquer pessoa que sofra um processo degenerativo no cérebro, seja portador de um tumor ou sofra um trauma em áreas relacionadas a compreensão da palavra. Vítimas de acidentes vasculares cerebrais podem ficar impossibilitadas de ler. O distúrbio começou a ser descrito no século XIX em pacientes até então normais. (Afirmação do neurologista infantil Norberto Rodrigues, professor do Departamento de Distúrbios da Comunicação - PUC/SP)

Alguns disléxicos famosos

- Thomas Edison
(1847-1931) - Afastado da escola como deficiente mental, foi alfabetizado pela mãe.

- Albert Einstein
(1879-1955) - Não falou até os 4 anos; leu após os 9. Foi recusado na primeira admissão para o colegial.

- Leonardo Da Vinci
(1452-1519) - O gênio da Renascença escrevia de forma invertida lançando mão de um espelho.

- Nelson Rockfeller
(1908-1979) - O banqueiro americano conseguia ler por meio da definição de palavras com traços vermelhos.

- Auguste Rodin
(1840-1917) - Mal conseguia se comunicar por escrito. A família o tachava de idiota.

- Tom Cruise
(1962-  ) - Decora seus papeis em filmes de sucesso com auxílio de um gravador, em razão de dificuldades com leitura.

Também aparecem no rol dos disléxicos Charles Darwin, autor da teoria do Evolucionismo, Pablo Picasso o pintor espanhol com dificuldades no ensino convencional e acabou abandonando-o, Robin Williams, Cher, Whoopi Goldberg e o atleta Dan O'Brien que já foi chamado de super-homem.

Fonte: Stella Galvão
Estado de São Paulo
Bárbara Kantrowitz e Anne Underwood
Newsweek





quinta-feira, 20 de março de 2014

A Influência dos Meios de Comunicação


O tempo que, na escola tradicional, era consumido com o estudo da gramática e da sintaxe da língua escrita, além da literatura, agora pode ser compartilhado com o estudo de múltiplas linguagens e seus diferentes gêneros. O tempo que o professor consumia falando e escrevendo na lousa, agora deve ser usado provocando as diferentes falas dos alunos e as suas novas escritas. Para tudo isso, é importante que quem educa esteja "ligado" no que acontece no mundo da TV, do cinema, da arte e da multimídia em geral, além de conhecer muito bem os objetivos de seu trabalho e, sobretudo, o universo cultural e linguístico de seus alunos. 
São essas conexões que processadas pela pesquisa e pela discussão pedagógica, irão elaborar critérios e orientações para as novas formas de educar para os meios.
É preciso trabalharmos muito para formar pessoas mais sensíveis e capazes de estabelecer novas éticas, à altura dos desafios que nos coloca a nova Comunicação. Toda comunicação envolve conflito, poder, ideologia, negociação e nossas crianças precisam aprender a lidar com tais aspectos com competência. Na abordagem mídia-educacional, as linguagens e as tecnologias de comunicação são instrumentos que constroem o pensamento e as formas de diálogo com a realidade, sendo fundamentais para constituição do indivíduo, das comunidades e da cidadania. Não são luxo ou alternativa educacional supérflua, mas direitos prioritários dos cidadãos que vivem na era da informação e do conhecimento. 

Fonte: Eduardo Monteiro e Márcia Feldman
Mestres em Educação - PUC / RJ
Revista Pátio - pág. 41



A EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Refletir sobre as questões de uma escola de qualidade para todos, incluindo alunos, professores e pais requer novos posicionamentos e novas informações, além dos esforços para superar as não poucas dificuldades enfrentadas pelos professores em sala de aula.
A perspectiva da Inclusão se opõe às práticas de classificar e categorizar os alunos a partir do que não sabem ou não podem fazer, que aliás só valoriza o fracasso e reforça que o problema está no indivíduo e não nas possibilidades de novas metodologias educacionais, currículos e organização escolar.
A inclusão necessária é aquela que traga benefícios para alunos com ou sem necessidades especiais, para professores e para os pais em geral, possibilitando à escola como um todo se transformar e redesenhar seu perfil no caminho de uma educação humanista e de qualidade.

Fonte: Maria Eliza Miranda e Olívia Miranda
Fundadoras e Diretoras do CBM - Centro Brasileiro para a Modificabilidade

"A esperança não é para amanhã
A esperança é este instante.
Precisa-se dar outro nome a certo tipo de esperança
porque esta palavra significa
sobretudo espera.
E a esperança é já."

Clarice Lispector

Jornal do CPP
março/2006

MOTIVAÇÃO PARA NOVAS GERAÇÕES

O que assistimos hoje é que há desinteresse principalmente dos jovens para darem continuidade aos estudos. Velhos tempos, em que as crianças recebiam diplomas quando concluíam as quartas séries e depois as oitavas. Era um estímulo para os alunos e familiares. Havia todo uma preparação e motivação para assistirem a formatura dos filhos. Para as famílias humildes, significava uma fase importante para seguirem adiante.
De uns anos para cá ocorreram muitas mudanças a todo instante, tanto que nem os alunos e os pais conseguem entender o que está ocorrendo. É preciso que o poder público leve a sério, escolhendo modelos e estratégias de avaliação e as mudanças que forem propostas tenham a participação de todos.

Externato Casa Pia São Vicente de Paulo - São Paulo


DAR O PEIXE? OU ENSINAR A PESCAR?

Nestas últimas décadas, sem uma explicação plausível, criou-se a tal progressão continuada, que o povo chamou, e chama, de promoção automática, tirando do aluno o sagrado direito de aprender. E o pior, tirando dele a responsabilidade de se desenvolver culturalmente a partir das primeiras letras e dos primeiros números prejudicando o seu desenvolvimento!
De quem será a culpa desta situação? 
Da modernidade? Não.
Do progresso? Não.
É da facilidade ou do comodismo daqueles que querem resolver tudo em curtíssimo ou nenhum prazo.
E para que isso aconteça faz-se urgente a mudança da progressão com avaliações periódicas, tarefas diárias e até "lições de casa" (muito ausentes ultimamente).
Os alunos têm que sentir que, no dia a dia, ele está sendo avaliado e crescendo a cada momento.
Isso por quê?
Porque ele recebeu a rede e a aprendeu a pescar.

Fonte: Loretana Paolieri Pancera
(1ª vice-presidente do CPP)
 Jornal do CPP - São Paulo



UMA NOVA PRÁXIS EDUCATIVA

O desenvolvimento da práxis educativa centrada no aluno se encaminha para a superação do conceito de educação considerada como pura transmissão de conhecimentos. Educar passou a ser, sobretudo atualização do potencial cognitivo e afetivo do estudante; isto significa uma educação da pessoa inteira e, para tanto, a aprendizagem deve desenvolver-se num clima facilitador e permissivo, que permita ao aprendiz crescer e aprender significativamente.
Desta maneira; favorecerá, na sala de aula e na escola a criação de um clima acolhedor no qual os alunos atinjam uma vivência experimental em que se sintam socialmente livres para promover a comunicação do seus sentimentos e ideias através de gestos, palavras, expressões corporais, sem se preocuparem com a hipocrisia, com a falsidade e com a duplicidade das mensagens, dos diálogos e dos pensamentos dúbios. Esta postura requer, contudo, um alto grau de responsabilidade que, no entanto irá sendo desenvolvida, à medida que o estudante se descobre como o maior responsável de sua própria aprendizagem tornando-se então, cada vez mais participante das mudanças sócio-educacionais.

Fonte: (C.R. Rogers)
de Sulami Pereira Guedes
Propostas Rogerianas para uma Práxis


  


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Carnaval - Justificativa na Educação



O currículo nacional não condiz com o cotidiano da massa popular. Ele introjeta valores e crenças que não tem representatividade e que são contraditórios à realidade social e cultural da massa popular. Essas teorias autoritárias, desvinculadas da realidade plurirracial da sociedade vigente, não apontam que toda proposta pedagógica transformadora, deve ser coletiva e é preciso ressaltar que o fortalecimento da identidade dos diversos grupos sociais e étnicos. 
A história do negro nos livros didáticos é contada do ponto de vista dominador. A resistência do povo negro à escravidão é ocultada, a ideia que se tem é que vieram de uma África selvagem. A escola, não só simbolicamente, mas no cotidiano escolar, formaliza a dualística de expectativa de fracasso do negro que sente-se em grau de inferioridade em relação ao branco. No âmbito educacional, a cultura do negro não é discutida adequadamente, mas sim superficialmente.
É possível recorrer a outras linguagens na escola. O estudo das escolas de samba enriqueceria muito as aulas, dando oportunidade transdisciplinaridade entre as áreas. Através da história do negro, seus costumes, crença, influências, com as letras dos sambas enredo, o aluno estaria não só aprendendo os assuntos relacionados, como também a identificação dos negros com as suas raízes, com os seus ancestrais.
Essa herança étnica, que não é questionada na escola, torna-se obstáculo para o povo negro melhorar suas condições de vida. Ser negro ou pardo configura-se em estigma seletivo para o engajamento no mercado de trabalho. Em uma sociedade moderna e urbanizada, que convive com o racismo a imagem da aparência, pode desqualificar a priori quem concorre a um emprego.
É necessário que haja uma sensibilidade política dos pensadores e dirigentes do país para que essa política educacional possa ser revertida.

 "O problema do mundo contemporâneo é que a velocidade das transformações técnicas e o impacto das novas linguagens não permite a existência de uma acomodação a sistemas únicos de produção e reprodução dos sentidos. Se os alunos estão dizendo como verificado em nossa pesquisa que é necessário o uso dos recursos tecnológicos, o anúncio publicitário, a música estão presentes com grande força em suas vidas; trata-se, evidentemente de adequar estratégias pedagógicas que levem ao reconhecimento das formas constitutivas daquelas linguagens, em suas dimensões formais, estéticas, ideológicas e pragmáticas."

Adilson Odair Citelli (1997: 33)
A Escola e os Discursos não Didáticos
Revista Comunicação & Cultura nº 8
ECA USP - São Paulo

"Sem dúvida, o homem é o seu corpo, a sua consciência, a sua socialidade, o que inclui sua cidadania. Mas a conquista, por cada um, da consciência não suprime a realidade social de seu corpo, nem lhe amplia a efetividade da cidadania. Talvez seja essa uma das razões pelas quais, no Brasil, o debate sobre os negros é prisioneiro de ética enviesada. E esta seria mais uma manifestação ambiguidade a que já nos referimos, cuja primeira consequência é esvaziar o debate de sua gravidade e de seu conteúdo nacional.

Olhar enviesado - Enfrentar a questão seria, então, em primeiro lugar, criar a possibilidade de reequacioná-la diante da opinião e aqui entra o papel da escola e, também, certamente muito mais, o papel frequentemente negativo da mídia, conduzida a tudo transformar em "fait divers" em lugar de aprofundar as análises. Trata-se, na realidade de uma forma apartheid à brasileira."

Milton Santos
Mais, 07/05/2000


Extraído da monografia "Núcleo: Estética dos Meios de Comunicação"
Professora Drª Maria Cristina C. Costa - ECA USP 2002
apresentado por Ana Regina Gouvêa

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

CARNAVAL - Um pouco de História



Há quem acredite que o Carnaval tenha começado na Idade Média. Realmente, foi nesta época que aconteceu o primeiro baile de máscaras na Espanha. Em relação às suas origens, dependendo do pesquisador, podem remontar à Pré-História, há mais de 10 mil anos a.C. Outros fazem ligações com a festa da Deusa Íris e do boi Ápice (egípcios) e com as antigas festas gregas, romanas e judaicas. As discussões não param por aí...
Mas, esquecendo suas origens, a verdade é que o "Carnaval" encontrou solo fértil no Brasil, onde é a nossa maior festa popular. Deixa saudades, porque mudou muito. Até sua origem gera controvérsia. A palavra Carnaval é, para uns, derivada de carné e, para outros de carrus navals, carro parecido um barco, usado pelos romanos para abrir seus festejos.



No Brasil, começou com o Entrudo. Em 1600, pela primeira vez, os foliões munidos de baldes e latas, atiravam água com limão de cheiro uns nos outros. A animação era tanta que tornou-se agressiva e, quatro anos mais tarde, foi proibida pelo governo.
Anos depois, novas comemorações aconteceram no Brasil, quase todas ligadas à família real. Em 1641, grupos fantasiados e animados saíram pelas ruas do Rio de Janeiro, comemorando a coroação de D. João VI. A festa foi organizada pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides, durando sete dias! Não se sabe se a duração foi uma desculpa para folgar alguns dias ou foi para chamar atenção da realeza. Alguns estudiosos defendem essa data como o marco zero do Carnaval Carioca.
Um século depois - no livro Brasil Musical - o Carnaval Carioca começou em 1840.

"Mas, o Carnaval, tal como veio celebrar-se no Rio de Janeiro, só surge mesmo no século XIX, no largo do Rossio, hoje praça Tiradentes - o dono do hotel Itália (onde ficava o cinema São José) fez o primeiro baile de máscaras da cidade." 



Oito anos depois em 1848, o português José Nogueira de Azevedo Paredes, um sapateiro (ou pintor de paredes, como queriam alguns), que morava na rua São José, passeou pela cidade cantando e batendo um enorme bumbo. Estava criado o Zé Pereira.
Em 1850, dois fatos marcam o Carnaval: saiu nas ruas, o primeiro desfile com carros alegóricos, guarda de honra, da Sociedade Sumidades Carnavalescas e também, morreu no Rio, o arquiteto francês Grandjean de Montigny, vítima das águas do Entrudo. 

Fonte de pesquisa: Suplemento Feminino. O Estado de São Paulo,
06/02/1994 - p. 5



Escolas de Samba
Raça Negra e suas Influências

Após a Segunda Guerra, o Brasil passa por grandes transformações, assim como o seu povo. O negro e o miscigenado procuram sua identidade. Os cinemas brasileiros estão sobrecarregados de filmes americanos que retratam algo parecido com o que ocorre com os negros brasileiros: o massacre dos índios. Essa denúncia não era bem um massacre ao índio, e sim, o que era feito com o negro brasileiro, disfarçado num sincretismo de índio americano, sem resultado algum. Percebendo isso, aos poucos os negros foram se sentindo impotentes diante de uma sociedade tão dominadora que os aniquila por dentro e os branqueia por fora.


"Explodem pelo Brasil as mais diversas formas de busca de identidade perdida: as escolas de samba, blocos carnavalescos, movimentos políticos negros, mas tudo de acordo com as normas brancas."

Revista São Paulo em Perspectiva - Fundação SEADE - 
Gilberto A. Ferreira - (1988)

Outros movimentos surgem, oriundos das lutas de libertação da África Austral. Pelo auxílio de alguns negros. Mais uma vez, a Bahia é o embrião dos movimentos, é o local do teste. Surgem os blocos afros, mas no sentido cultural do que no discurso. Seja negro, mas com pensamento branco. Assim, se confunde essa identidade que o negro achava que hora era do Egito, do Sudão, Angola e Moçambique. Temos a desinformação gerando cultura. Hoje, o Brasil é palco das mais diversas manifestações.



"A cultura negra como todas as culturas é produto de uma história, de uma socialização, de uma educação, do encontro do homem com o ecossistema, mais do que isto, de uma visão particular do mundo e não resultado de uma formação biológica.
A preservação da memória da cultura envolve problemas políticos, econômicos, educativos, estruturais e técnicos."

Prof. Kabengele Munanga
Departamento de Antropologia da USP 

Na verdade - aponta o escritor Paulo Colina, produtor de literatura negra - só no momento não - negras começaram a subir o morro. É que o samba deixou de ser "malandro". O antropólogo João Baptista Borges Pereira aponta que a cultura brasileira não é negra como costumam afirmar, mas sim ocidental com variante latina. O padrão do Carnaval brasileiro não é africano, e sim veneziano.

Apontamentos de uma Estética

As escolas de samba são manifestações populares, cuja finalidade principal é preservar a memória de um povo oprimido ao longo da história e que até hoje de outras formas, sofre esses efeitos através da desigualdade social. A apropriação dessa memória passa a fazer parte do imaginário pessoal e expressa o sentimento de pertencer a determinada coletividade. É um grito, é uma chamar atenção a nação: Estamos vivos, embora vocês não nos observem. 
As escolas de samba precisam ser vistas não como uma banalização, mercantilização, dados os interesses comerciais caracterizando, essa festa como um espetáculo ou dias de folia, orgia.
É preciso levar em conta a beleza dos desfiles, a participação de cada escola com seus temas-enredo, que retratam fatos históricos, figuras ilustres, temas ecológicos, futuristas, educativos, entretenimento, principalmente como finalização, o apogeu de todos os componentes contagiando a multidão. Esse é o status quo.

"No princípio hegeliano, no seu destino mais alto, a arte é e permanece para nós um passado."

A forma organizacional de todas as escolas de samba seguem regras, cujo objetivo é um só - A contemplação de um povo que vai ao delírio, tamanha a vibração e força do seu enredo e samba-enredo que, desde o início de sua apresentação até a finalização, vai "aos poucos" contagiando a todos. As pessoas se levantam, acenam como forma de estar reverenciando e admirando o maior espetáculo da Terra. Tudo é surpresa, pois o potencial criativo de cada carnavalesco, que é o grande responsável por tamanha representação, através de um jogo de cores das fantasias, dos carros alegóricos, adereços. São momentos que levam a massa ao delírio. Quando ouvem o sinal para iniciar o desfile, com a queima de fogos com as cores da escola. Os componentes dão as mãos supervisionados pelos grupos de apoio, cuja finalidade é o alinhamento das alas. O segundo momento, é o grito de guerra do presidente da escola que chama todos os componentes e a massa, dizendo uma mensagem e as vezes é o intérprete que faz o grito. O terceiro momento é quando a bateria dá o toque inicial e o intérprete começa a cantar. A finalização do desfile dá-se na Apoteose.

A arte tem como função influenciar o destinatário, quando veicula normas ou quando as cria. O processo de comunicação se intensifica a partir do momento que o receptor é convidado a participar desse universo de liberdade.

"O páthos constitui o verdadeiro centro, o verdadeiro domínio da arte; é, sobretudo por ele que a obra de arte atua sobre o espectador porque faz vibrar e ressoar uma corda que todo homem tem na sua alma. O páthos comove e remove porque desempenha um poderoso papel na existência humana. Neste aspecto, tudo o que é exterior, a ambiência natural e o seu cenário só constituem meios acessórios destinados a apoiar a ação do páthos. Aquele que chora, reserva lágrimas que facilmente verte. Mas, na arte, só o páthos, o verdadeiro páthos, pode e deve comover."

Fonte de pesquisa: HEGEL. G. W. (1974; 271)
A Fenomenologia do Espírito. Cap.: O Belo Artístico ou o Ideal.
São Paulo: Abril


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Receita para um panetone da felicidade


Ingredientes

1 xícara de amizade
2 xícaras de compreensão
1 xícara de humildade
1 copo grande transbordando de alegria
1 pitada de bom humor
1 colher de fermento de personalidade cristã

Preparo:

Meça as palavras cuidadosamente. Acrescente compreensão, humildade e paciência, misturando tudo com muito amor. Não deixe esfriar. A temperatura ideal é a do coração. A receita não falha. Se alguém não gostar é porque tem o paladar estragado e precisa consultar o quanto antes um médico chamado 

*** Jesus ***

É importante que o panetone seja dividido em 365 porções, para que você e todos os seus possam todos os dias do próximo ano saboreá-lo.

Feliz Natal e
Próspero Ano Novo.



Fonte: Revista Seicho-No-Ie

Mensagem de Natal


Senhor
Neste Natal
quiséramos armar
uma árvore belíssima
dentro do coração, e nela
pendurar, em vez de presentes,
os nomes de todos os nossos amigos,
de longe e de perto, dos antigos e dos
mais recentes, dos que vemos a cada dia e
dos que raramente encontramos; dos sempre
lembrados e dos que às vezes ficam esquecidos;
dos constantes e dos intermitentes; dos amigos das
horas amargas e dos amigos das horas boas e alegres;
dos amigos a quem conhecemos profundamente e daqueles
dos quais conhecemos apenas as aparências; dos que pouco nos
devem e daqueles aos quais muito devemos; dos amigos humildes
e dos amigos importantes; enfim os nomes de todos os que passaram
pela nossa vida. Uma árvore de raízes muito profundas para que seus
nomes nunca sejam arrancados do nosso coração; de ramos muito
extensos para que outros novos nomes, vindos de todos os lugares,
venham juntar-se aos existentes. De sombra muito agradável para que
nossa amizade
seja sempre um
momento de
Amor e Paz
eternos. Se
conseguir isso
Senhor, nós
agradecemos.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

20 de novembro - Um dia para comemorar e refletir

Dia da Consciência Negra

Há poucos dias atrás, recebi a noticia que uma cidade do sul do país, conseguiu cancelar o feriado de 20 de novembro, alegando prejuízos ao comércio local. Tal noticia me deixou preocupada. Qual o significado desse ato de um estado do sul do país? Certamente um retrocesso na luta pela democracia racial.
A falta de respeito com uma data tão importante para o povo negro é no mínimo lamentável e indicador de que as coisas não andam bem por aqui.
Soma-se a esse fato, os dados estatísticos de que os jovens negros morrem 4 vezes mais que os jovens brancos e que só esse ano morreram mais de 20 mil jovens negros. Um verdadeiro genocídio.
Ainda há em pauta: o debate sobre as cotas, o direito as terras dos quilombolas, a educação, a saúde, moradia, trabalho, a luta contra a intolerância religiosa, a maior participação dos negros nos meios de comunicação, o cumprimento da Lei 10.639. Enfim, o dia 20 de novembro é uma data simbólica, pois representa a luta do povo negro por igualdade e liberdade cuja a imagem mais emblemática é a de Zumbi, o líder do Quilombo de Palmares, o maior quilombo do Brasil que tinha um projeto de sociedade baseada na igualdade, no trabalho e na solidariedade entre brancos, negros e índios que ali habitavam. Portanto, hoje neste dia lindo e conquistado pelos negros só podemos clamar para que o espirito de Zumbi nos ilumine e nos dê força, afinal fatos como o cancelamento do feriado no sul é apenas a ponta de um iceberg.

Maria Aparecida Pinto Silva, paulistana, graduada em Especialização em Ciências Sociais pela UNICAMP e com mestrado e doutorado na PUC de São Paulo. Sua dissertação de mestrado foi sobre os clubes e associações negras de São Paulo entre 1930 e 1968, trabalhou com a memória dos dirigentes e frequentadores. No doutorado trabalhou com o jornal "A Voz da Raça", jornal da Frente Negra Brasileira, fez uma análise histórica e antropológica sobre o jornal que foi tratado como uma expressão dos negros entre 1933 a 1937. É professora universitária há 23 anos e aposentada da rede pública do Estado de São Paulo. Possui uma pequena confecção de roupas étnicas, chamada Dandara.