segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Fake news em saúde mata e combate não deve ser simplista

 



Especialistas  veem risco a prevenção e  tratamento ; médicos e  jornalistas precisam ser capacitados 

Dia  desses , o geral  Luís  FernandoCorreia  levou um  susto  ao  ler  na  rede social  Bluesky  que  o  governo  americano  estava  disseminado a  gripe  aviária  através de drones .Reação parecida  teve a  pediatra  Isabella  Ballalai   ao  ouvir  de  uma  mãe  ;   "  Doutora ,  qual  é  a  marca  da  vacina  que  tem  menos  metal ?  " .  Das muitas  "  bizarrices  "  já  leu  na  internnet  e  ouviu  em  consultórios ,    o  cirurgião   Ben - Hur  Ferraz  Neto  destaca  o  "  detox  do  fígado  " .

Quando  recebem  uma  mensagem  de  origem  duvidosa  ou  levam  uma  postagem  com  conteúdo  suspeito , Correia , Isabella  e  Neto verificam  a fonte , o teor ,conferem a autenticidade . "  Médicos  sérios  explicam  os  riscos  e  os  benefícios  de cada  tratamento . É preciso desconfiar  de fórmulas  mágicas  e  receitas  infalíveis  que  curam  não  têm  efeitos  colaterais " diz  Ben - Hur .

Mas  não é  todo mundo  que pensa assim . A  pesquisa  A  Global  Study  on  Information  Literacy ,  feita  em  2022  com  8,585  pessoas de  sete  países , incluindo  o  Brasil ,  revelou  que   43 %  dos  internautas  não  checam  a  data  da  publicação ,  consultam  agências de  checagem  ou pesquisam  outras  fontes  quando  veem  algo  suspeito  na  internet   -  simplesmente  passam  adiante . Muitas    vezes  descobrem , dias  depois , que  a  notícia  compartilhada  é  falsa .

É assim que nasce uma  infodemia .  "  O pânico leva  as pessoas a  compartilharem  informações  " , diz  Isabella ,diretora  da  Sociedade  Brasileira  de  Imunizações  (  SBIm  ) .  "  Muitas não são ver-dadeiras  . "  




No  começo  da  pandemia  de  covid  -  19 , a  Unesco , braço  da  Organização  das  Naçoes  Unidas    (  ONU  )  , criou  outro  termo :  desinfodemia  . Toda informação  falsa  criada  para enganr a quem    lê , vê  e  ouve.

'  Mãe  das  fake  news  '    Em  1998 ,  uma  pesquisa  relacionuou  autismo  com  a  vacina  tríplice  viral  ;  em  2004  ,  foi  desmetida  

"  Fuja  dos  inflencionadores  . Eles  dão  respostas  fáceis  para problemas  complexos   "  , adverte   Correia  .  "  Fake  news  levam  a  decisões  erradas   e , em  alguns  casos , até  a  morte  . " 

A  "  mãe  de  todas  as  fake  news  " ,  nas  palavras  do  pediatra  Daniel  Becker  ,  partiu  de   um  médico  :  o  inglês  Andrew  Wakefield  . Em 1998 ,ele publicou um  artigo  na  revista  The  Lancet  sugerindo , a  partir de um  estudo  com  12  crianças , a suposta  relaçã  entre a  vacina  tríplice viral      (  sarampo , caxumba   e  rubéola  )  e  o  autismo .

Em  2004 ,  o jornalista  Brian  Deer  escreveu  uma  matéria no  The  Sunday  Times  desmacarando    a  fraude :  Wakefield  havia  manipulado  os  dados  por  interesses  próprios . 

VACINAS  SÃO  O  MAIOR  ALVO  

São  tantas  mentiras  sobre  vacinas  que  o  Intituto  Butantan ,  o  maior  produtor  de vacinas  da  América  Latina , criou  uma  página  onde  mostra  o  que  é  falso : são  97  fake para  49  fatos .

Não à  toa , notícias  falsas  têm  70 %  mais chances  de  viralizar  que as verdadeiras . É o que  diz      o  estudo  The  Science  of  Fake  News  ,  realizado  em  2018  pelo  Instituto  Tecnologia  de  Massachusetts  (  MIT  ) .

"  A  decisão  de  não  vacinar  causa  não  só  um  dano  pessoal ,  para  aquela  pessoa  ou  família ,    mas  para a  sociedade  como um todo  porque  aumenta a  circulação  de  doenças  já  controladas ", explica a  microbiologista  Natalia  Pasternark , professora da  Universidade  de  Columbia (  EUA  )      e  presidente  do  Instituto  Questão  da  Ciência  (  IQC  ) .

Segundo  o  Observatório  da  Atenção  Primária  à  Saúde , em  2021 atingimos  a  menor  cobertura  vacinal  e  20  anos  -  a  média  ficou  com  52,1 %  e  o  País  entrou  para  lista  dos  20  com  mais  crianças  não  vacinadas , ocupando  o  sétimo  lugar .




O  cenário  começou a  mudar  em  2023 ,quando o  governo  federal  lançou o  Movimento  Nacional pela  Vacinação . Em  dezembro , o  Ministério  da  Saúde  divulgou  o  crescimento  na cobertura  de  15  das  16  vacinas  do  calendário  infantil  -  a  exceção  é  a  da  catapors , por  "  instabilidade  do  fornecimento  pelos  laboratórios  fabricantrd  " .

Segundo  o  Estudo  sobre  Consciência  Vacinal , feito  em  2024  com  3  mil  pessoas ,  90 %   dos  brasileiros  reconhecem  a  importância  das  vacinas  e  72 %   confiam  nelas . Porém , 26 %  con-  fiam  pouco   ou  nãao  confiam e  21 %  já  deixaram  de  se  vacinar  ou  vacinar  seus  filhos  por  causa  de  notícias  falsas . 

Fonte  -   Jornal   O  ESTADO  DE  SÃO  PAULO   -    METRÓPOLE  -  pag  A  24                        Data  -  Domingo    23  de  março  de  2025   -   ANDRÉ  BERNARDO                                ENFRENTANDO  A  DESINFORMAÇÃO 

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