Especialistas veem risco a prevenção e tratamento ; médicos e jornalistas precisam ser capacitados
Dia desses , o geral Luís FernandoCorreia levou um susto ao ler na rede social Bluesky que o governo americano estava disseminado a gripe aviária através de drones .Reação parecida teve a pediatra Isabella Ballalai ao ouvir de uma mãe ; " Doutora , qual é a marca da vacina que tem menos metal ? " . Das muitas " bizarrices " já leu na internnet e ouviu em consultórios , o cirurgião Ben - Hur Ferraz Neto destaca o " detox do fígado " .
Quando recebem uma mensagem de origem duvidosa ou levam uma postagem com conteúdo suspeito , Correia , Isabella e Neto verificam a fonte , o teor ,conferem a autenticidade . " Médicos sérios explicam os riscos e os benefícios de cada tratamento . É preciso desconfiar de fórmulas mágicas e receitas infalíveis que curam não têm efeitos colaterais " diz Ben - Hur .
Mas não é todo mundo que pensa assim . A pesquisa A Global Study on Information Literacy , feita em 2022 com 8,585 pessoas de sete países , incluindo o Brasil , revelou que 43 % dos internautas não checam a data da publicação , consultam agências de checagem ou pesquisam outras fontes quando veem algo suspeito na internet - simplesmente passam adiante . Muitas vezes descobrem , dias depois , que a notícia compartilhada é falsa .
É assim que nasce uma infodemia . " O pânico leva as pessoas a compartilharem informações " , diz Isabella ,diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações ( SBIm ) . " Muitas não são ver-dadeiras . "
No começo da pandemia de covid - 19 , a Unesco , braço da Organização das Naçoes Unidas ( ONU ) , criou outro termo : desinfodemia . Toda informação falsa criada para enganr a quem lê , vê e ouve.
' Mãe das fake news ' Em 1998 , uma pesquisa relacionuou autismo com a vacina tríplice viral ; em 2004 , foi desmetida
" Fuja dos inflencionadores . Eles dão respostas fáceis para problemas complexos " , adverte Correia . " Fake news levam a decisões erradas e , em alguns casos , até a morte . "
A " mãe de todas as fake news " , nas palavras do pediatra Daniel Becker , partiu de um médico : o inglês Andrew Wakefield . Em 1998 ,ele publicou um artigo na revista The Lancet sugerindo , a partir de um estudo com 12 crianças , a suposta relaçã entre a vacina tríplice viral ( sarampo , caxumba e rubéola ) e o autismo .
Em 2004 , o jornalista Brian Deer escreveu uma matéria no The Sunday Times desmacarando a fraude : Wakefield havia manipulado os dados por interesses próprios .
VACINAS SÃO O MAIOR ALVO
São tantas mentiras sobre vacinas que o Intituto Butantan , o maior produtor de vacinas da América Latina , criou uma página onde mostra o que é falso : são 97 fake para 49 fatos .
Não à toa , notícias falsas têm 70 % mais chances de viralizar que as verdadeiras . É o que diz o estudo The Science of Fake News , realizado em 2018 pelo Instituto Tecnologia de Massachusetts ( MIT ) .
" A decisão de não vacinar causa não só um dano pessoal , para aquela pessoa ou família , mas para a sociedade como um todo porque aumenta a circulação de doenças já controladas ", explica a microbiologista Natalia Pasternark , professora da Universidade de Columbia ( EUA ) e presidente do Instituto Questão da Ciência ( IQC ) .
Segundo o Observatório da Atenção Primária à Saúde , em 2021 atingimos a menor cobertura vacinal e 20 anos - a média ficou com 52,1 % e o País entrou para lista dos 20 com mais crianças não vacinadas , ocupando o sétimo lugar .
O cenário começou a mudar em 2023 ,quando o governo federal lançou o Movimento Nacional pela Vacinação . Em dezembro , o Ministério da Saúde divulgou o crescimento na cobertura de 15 das 16 vacinas do calendário infantil - a exceção é a da catapors , por " instabilidade do fornecimento pelos laboratórios fabricantrd " .
Segundo o Estudo sobre Consciência Vacinal , feito em 2024 com 3 mil pessoas , 90 % dos brasileiros reconhecem a importância das vacinas e 72 % confiam nelas . Porém , 26 % con- fiam pouco ou nãao confiam e 21 % já deixaram de se vacinar ou vacinar seus filhos por causa de notícias falsas .
Fonte - Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO - METRÓPOLE - pag A 24 Data - Domingo 23 de março de 2025 - ANDRÉ BERNARDO ENFRENTANDO A DESINFORMAÇÃO



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