quinta-feira, 28 de maio de 2015

ESPECIAL LIVROS - MELHORES LANÇAMENTOS INTERNACIONAIS

 

Mulher  adolescente do Mahatma 
Gandhi transformou vida do líder

Neto e biógrafo de Kasturba Gandhi conta em "Daughter Of Midnight - The Child Bride of Gandhi" como ela passou de simples objeto de lascívia  a alicerce fundamental na filosofia do ícone indiano

Em 1930, Kasturba Gandhi – uma avó tímida, submissa e quase analfabeta – tornou-se influente símbolo da referência ao regime britânico na Índia. Seu marido, Mahatma Gandhi, estava preso. Kasturba sentiu que não tinha escolha, precisava sair das sombras, da vida tradicional das famílias indianas e continuar a obra de Gandhi. Sem ser líder política nata, ela deixou claro que preferiria ficar na companhia dos netos.
Mas, nos dez anos  seguintes, Kasturba percorreu o país viajando em vagões de terceira classe, pregando aquele veemente misto de ação direta não–violenta e pureza espiritual que acabaria definindo o pensamento de Gandhi. Ela própria foi parar na prisão pelo menos oito vezes e morreu de doença cardíaca quando encarcerada com o marido, em 1944.
Arun Gandhi, neto e biógrafo de Kasturba, acredita que o Mahatma, seus seguidores e biógrafos minimizaram a importância dela. Kasturba não foi, conforme ele escreve em Daughter of Midnight  - The Child Bride of Gandhi ( Blake, 16,99 libras, 314 páginas ) “tão desfibrada e velha sofredora" quanto o Mahatma nos quis fazer crer com a sua autobiografia franca e obcecada consigo mesmo. Também afirma, sem convencer muito, que ela teve papel significativo na evolução da não–violência do marido. 
O biógrafo mal conheceu a avó – ele foi criado numa colônia que Gandhi fundou na África do Sul. A única fonte sobre os primeiros 30 anos de Kasturba é a autobiografia de Gandhi. Arun recheia–a com boa dose de complicadas conjecturas românticas sem comprovação. Imagina o avô pensando em Kasturba: "Sua pele macia, seus grandes olhos emoldurados por cílios espessos, seu delgado corpo bem torneado e flexível sob as dobras macias de seu sári de cores claras!." 
Os desavisados que apenas folheiam obras numa livraria, podem ser induzidos a pensar que esta biografia, enfeitada pelo rosto de uma bela indiana meio velada e de lábios viçosos é um romance. O subtítulo também desorienta.  Kasturba e Mohandas tinham 13 anos quando se casaram em 1882. Se Kasturba era noiva menina, ele era um noivo menino. 
Kasturba tem um papel importante na autobiografia de Mahatma Gandhi. É em grande parte descrita como objeto de Iascívia, mas não só isto. Gandhi assombrava-se com os "desejos carnais", conforme disse  - tanto assim que estes induziram o casal a fazer amor, num quarto contíguo, quando o pai dele morreu. Kasturba engravidou e, quando o bebê morreu com poucos dias de vida, Gandhi culpou “os grilhões da luxúria“. Nunca ficamos sabendo o que Kasturba sentiu.

Voto de castidade – Gandhi tentou ensiná-la a ler e escrever, mas era dominado pela luxúria, e as lições terminavam antes da hora. Ele nunca se perdoou por isto. Mahatma Gandhi não se perdoou muita coisa e passou grande parte da vida fazendo penitência por seus erros. Fez o voto de castidade em 1906. Kasturba, conforme ficamos sabendo, não se opôs. Gandhi ficou obcecado com a dieta – negando–se todo alimento de que gostava e severamente incentivando a mulher e filhos a fazer o mesmo.
À medida que se convertia a um meio mais espiritual de vida. Mahatma Gandhi começou a ver em sua mulher um exemplo a imitar. 
Quando jovem estudante em Londres, ele se trajava à moda ocidental e recebia lições de dança e de violino; na África do Sul, foi um advogado astuto e bem remunerado. Na maior parte desses anos iniciais, Kasturba viveu na Índia uma vida tradicional. Quando ela partiu para a África do Sul, seu marido a obrigou a usar meias e sapatos, sentar-se à mesa  e comer com faca e garfo. Aqueles eram exatamente os símbolos de uma vida urbana ocidentalizada  que Gandhi mais tarde rejeitaria.
Segundo, seu relato, ele conseguiu essa extraordinária transformação graças ao exemplo  de sua mulher. Mas o Mahatma não fazia nada pela metade. Logo se saiu melhor que sua mulher nos modos de vida simples. Ela se desfez em lágrimas quando Gandhi lhe pediu que esvaziasse o urinol de um visitante de casta inferior, quando ela ficou chocada com o furto de sua pequena caixa de pertences, Gandhi respondeu que para início de conversa, a mulher nem devia possuir a caixa. Era difícil conviver com ele - e Kasturba passou grande parte de seus últimos anos mediando entre Gandhi e os quatro filhos. Ele negava-lhes  a instrução formal, recusava-se a atender a seus desejos para não o acusarem de favoritismo e adiou o consentimento para que se casassem.
Três deles continuaram leais, mas o mais velho, Harilal acabou odiando–o. Harilal converteu-se ao Islamismo e escreveu aos jornais criticando Gandhi. Chegou bêbado e delirando ao leito de sua mãe moribunda, e funcionários do presídio lhe mostraram a porta da rua. Outro filho tentou tratar Kasturba com penicilina, mas Gandhi ( que desconfiava da medicina ocidental )  o convenceu a não fazê-lo. Respondendo a uma carta de condolências de lorde Wavell, vice–rei da Índia, Gandhi escreveu “Sinto a perda, mas o que havia imaginado... Sem que eu quisesse, ela decidiu perder-se em mim, e em conseqüência se tornou minha cara metade.” ( Tradução de Magno Dadonas ) 

Fonte – Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO   D2  17/05/1998     
   SAM  MILLER( The Sunday Times) 

O CIVISMO E EDUCAÇÃO DA JUVENTUDE



Forças do ambiente, efeito do cinema, rádio 
e televisão no comportamento cívico dos jovens

É de extrema importância a influência psicológica do meio sobre a conduta e o desenvolvimento do comportamento cívico dos jovens. Em realidade, muitos dos aspectos da conduta juvenil, como todo o equipamento de tendências, emoções, linguagem, atividades psíquicas as mais diversas, são determinados pelo externo. Watson e Adler valorizam de tal sorte essas influências que as tornam mais decisivas dos que as da herança. Não chegamos a tanto, mas compreendemos, como o psicólogo Stern, que a influência ambiental, justamente com a bagagem hereditária, operam na mesma direção, visando as maneiras particulares de conduta. 
Há muitas provas que procuram evidenciar a importância do ambiente sobre a inteligência de campesino e pessoas das cidades, de pretos e brancos e asiáticos; e sobre o tamanho da família ( na Alemanha, por exemplo, verificou-se, que o número ótimo de filho, em cada família de certo nível social, é de 3 ou 4, para obtenção do maior aproveitamento escolar, enquanto que nas famílias proletárias, pelo contrário, os filhos únicos desfrutam melhores qualificações.)
Não há dúvida de que a conduta da criança e do jovem  , muito mais que a do adulto, depende, em cada caso, de suas características individuais e da estrutura ambiental, de modo destacado  . 
Kramer comprovou que , em 100 % dos casos de crianças agressivas e brutais, elas deixaram de sê-lo ao se mudarem para ambientes apropriados que não permitiam a facilitação daquelas atitudes.
Resultados de testes mentais entre os membros de diferentes grupos ocupacionais, no interior de uma comunidade, indicam a influência ambiental, como se pode depreender por este estudo de Collins: 

Ocupação                                                                           Nº de famílias       QI
Profissionais liberais                                                                  90                   116
Escriturários                                                                             131                  113
Funções diretivas                                                                      161                  112
Comércio                                                                                  413                 110
Chefes de oficina                                                                       106                 109
Operários qualificados                                                                569                104
Operários braçais                                                                      377                  95

Parece que os limites extremos dos quocientes de inteligência indicam que as diferenças se devem aos níveis sócio-econômicos ocupacionais.
Quando, também, uma criança é levada de um lar pobre para outro abastado ( caso de filhos adotivos ), nota-se a extensão do efeito do ambiente na modificação, para melhor, do comportamento total infantil.
Completo estudo da influência do  ambiente é o de Margaret Mead, em sua análise da relação entre o sexo e temperamento em três sociedades da Melanésia  ( Margaret Mead , “Sex and Temperament in Three Primitive  Societies“, 1935 ).
Estava interessada em descobrir se as diferenças de temperamento, popularmente supostas verdadeiras para os homens e mulheres em geral, seriam também encontradas em sociedades culturalmente diferentes.  
Seriam os homens, em todos os lugares, mais agressivos e as mulheres mais submissas e passíveis em suas relações usuais ? 
Na tribo Arapesc ela encontrou, tanto homens  como mulheres, cooperadores, não agressivos, atenciosos às necessidades e solicitações de outros. Em contraste, entre os Mudugumor, tanto os homens como as mulheres eram desapiedados e agressivos, do tipo que em nossa cultura seria encontrado em um indivíduo violento e indisciplinado. Na terceira tribo, a dos Tchambuli, a antropóloga encontrou uma completa inversão das atitudes sexuais de nossa própria cultura, com a mulher sendo o parceiro dominante, administrador impessoal, e o homem a pessoa menos responsável e mais emocionalmente dependente. Tais dados indicam que a agressividade do homem pode ser igual, superior ou inferior à da mulher e que ambos os sexos podem parecer-se ou com o tipo masculino ou com o tipo feminino, com as quais estamos acostumados em nossa própria comunidade. Aceitando os resultados da pesquisadora, parece que pouco se deixa no temperamento que possa ser seguramente atribuído à influência direta, biológica ou física do sexo. 
Verifica-se que se tornaria exaustivo continuarmos os exemplos para demonstrar as significativas influências do ambiente sobre o nosso comportamento, pois desejamos afirmar que as mais fortes e decisivas são as exercidas modernamente pelo cinema, rádio e televisão – os veículos mais difundidos e mais acessíveis.
Eleanor Maccoby, professora de Psicologia da Universidade de Stanford, num artigo inserido na publicação “Mass Comunication Series“, nos diz que apesar de a televisão ter-se generalizado há pouco tempo, já uma geração de crianças foi exposta a ela durante a maior parte de suas vidas. Da mesma maneira, podemos inferir como o cinema e o rádio tem sido os influenciadores de muitas gerações.
A responsabilidade social dos diretores e organizadores de programas daqueles instrumentos de comunicação cresce de proporção à medida que tais veículos se tornam mais generalizados e difundidos. É maior ainda tendo-se em conta ser o artista, geralmente, por sua natureza, inconformado, renovador, transmissor de ideias originais e de fatos e criações artísticas que apresentam todos os valores estéticos de subjetividade. Tais valores são facilmente copiados pelos jovens, em virtude deles, também serem inovadores, irrequietos e idealistas. E por ser arguto e sensível em tal grau, dificultando a compreensão do homem comum, é que o artista se encontra no rol das pessoas socialmente mais significativas, e, por isso, capazes de exercer profundas influências em pessoas e instituições. Considerá-lo é o maior bem que se pode prestar à comunidade. Ele por sua vez, deve estar consciente de seu elevado papel educativo, como veículo espiritual dos valores do aperfeiçoamento moral.
Bach, ao compor, entre outras, a sua “Pasacaglia“, de conotações intensas à ordem estética reinante; o genial Miguel Ângelo, com sua pintura na Capela Sistina; Gio Ho, com seus céus azuis, revolucionando a estética bizantina; o amarelo de Van Gogh; as cores de Gauguin, e tantas inovações, caracterizam bem o mundo ilimitado do artista e as dificuldades de comunicação com o homem comum. E por ser inovador, cabe-lhe a responsabilidade na organização de ideias , sentimentos e atitudes dos jovens, ainda em formação, pois são copiados como modelos.

Conclusões 

Estamos convictos de que o civismo é uma expressão de caráter. Ao definir o homem cívico, dizia Cícero ser aquele que não pode tolerar em sua pátria um poder que pretenda fazer-se superior às leis. Afirmo que estas leis abrangem também, e sobretudo, o campo moral , sendo , ainda , auto-aplicáveis.
O direito que promana da Constituição estabelece a justiça. E a ideia que leva ao ato, fundamentada nas leis, e a ideia de civismo que incorpora o cidadão em sua pátria, tendo esta a acepção ampla que já nos dissera o general Moacir Araujo Lopes, em trabalho de ampla divulgação:

“A PÁTRIA, cuja segurança cabe a todos os brasileiros garantir, individual e coletivamente – O BRASIL – é a terra onde nascemos, onde vivemos em comum  , com as mesmas tradições, sujeitos às mesmas leis  , costumes e governo.
A língua , os hábitos , as tradições , o culto e a lei são os fundamentos na nacionalidade.
A individualização da nossa Pátria é o resultado do trabalho e sacrifício das gerações que nos antecederam.
Após séculos de esforço e fé, legaram-nos, os antepassados, um Brasil livre, soberano e leal ao símbolo impresso pelo Criador no Céu da Pátria - o Cruzeiro do Sul. Realmente, a Constituição, impulsionadora da vida nacional incorporou interesses nacionais e as aspirações dos brasileiros, herdados de milênios de civilização entre os quais: o direito de glorificar a Deus; o respeito à dignidade da criatura humana; o amor à liberdade, em todas as manifestações; a segurança de que todo o poder emana do povo e em seu nome deverá ser exercido; a livre iniciativa, apenas subordinada à realização da justiça social; a valorização do trabalho como condição da dignidade humana; o direito de educação, dada no lar e na escola e inspirada nos ideais de liberdade e solidariedade e o princípio da unidade nacional; o ideal do desenvolvimento econômico, mas em bases morais sem prejuízo aos ideais cristãos e democráticos“.
Na linha de pensamento que traçamos, vemos que o caráter é a parte divina do homem. Se o temperamento traduz o animal nas manifestações neuro-bioquímicas, o caráter é a expressão do verdadeiramente humano, que compõe os aspectos qualitativos de uma vontade. Não agimos gratuitamente. Há motivos básicos em nossa conduta, que nos levam aos objetivos por nós determinados. Um santo ou um covarde, um pusilânime ou um herói, um bom ou um mau, um cooperador ou um egoísta, são o que a vontade deseja.
Já dizia Hobbes que o caráter é o resultado de tudo o que materialmente somos e que a vida nos deu: desde a constituição física, as experiências, os hábitos dos outros, a boa ou má sorte, as reflexões, as lições, os exemplos, as circunstâncias. A mesma coisa, em termos de observação científica cuidadosa, nos diz a psicologia moderna: de um lado somos o que a herança nos legou de cromossomos e gens; de outro, somos o que todas as experiências, sob a forma de aprendizagem, nos impõem. Avultam entre estas as significativas influências da sociedade, de suas instituições e de todos os fatos sociais dela resultantes, coercitivos, também com uma vontade oculta, misteriosa, mas atuante e que, muitas vezes, absorve, violenta, esmaga e destrói a nossa vontade racional e humana. Daí, diga-se, que precisamos impor a nossa inteligência pura, contra a inteligência do mal, que existe nos mil e um meandros da sociedade, da política, da economia e das ciências físicas e naturais.
Deste modo, um  falso modelo social pode levar–nos às mudanças sociais mais imprevisíveis, bem como uma nefasta fórmula política pode desviar-nos o curso da vida ou uma malévola doutrina econômica impedir-nos a felicidade e, pior do que tudo, uma fissão atômica pode destruir toda a humanidade!
Coisa curiosa: da mesma maneira como a vontade cria o bem, também cria o mal; tantas vezes, criando o bem, dela se originam o fel, a violência, a maldade e as misérias sociais. Por isso, uma das nossas meditações, ao falarmos da juventude, deve orientar-se no conhecimento da patologia social, a fim de atacar, em suas próprias raízes, as fontes perniciosas destruidoras do caráter bom. Mais do que nunca, pelas facilidades incríveis de comunicação, os jovens sentem-se envolvidos em valores que precisam ser caracterizados a priori; não podem, por não disporem de recursos para isso, decidir, pois não tem medidas de avaliação e de comparação. Há um acervo inesperado de situações impostas pela ciência, pela tecnologia, pelas coisas frias, que não expressam conteúdos de valor moral - caleidoscópio de coisas e não de almas - dentro do qual se desenvolve a personalidade juvenil! E que desenvolvimento? Mero crescimento físico e de vontades frustradas, de competições violentas e de almas vazias espirituais, a serem mantidos na única e legítima fonte de crescimento moral, que é a religião.
A conquista tem sido a do mundo externo. Não sentimos e nem vemos a conquista interior, a conquista do espírito sobre aquela outra, a da matéria! E eu ausculto os anseios juvenis, como professor, à semelhança do médico ao sentir as batidas do coração. E sinto muitas almas torturadas e sem rumo, e como são grandes as suas disponibilidades para o bem e para o belo! No entanto, pouco se pode fazer, porque há uma indústria, em ritmo de produção total, de valores do mal, do pérfido, do mentiroso, do enganador e do exclusivamente de cultura técnica, de massa, substitutiva da cultura de tradições morais e de virtudes cívicas. 
Se há um Dia das Mães é porque o comércio assim o deseja; se há Finados sem flores é porque está alto o preço das rosas! 
No entanto, não podemos viver sem o misterioso sorriso das mães, sem a ternura de corações que tem o mesmo calor dos nossos corações. Sorriso e ternura de todos os dia, de todas as horas e de todos os minutos! Consciência imanente e permanente que os filhos devem ter dos pais e que estes devem ter dos que lhes herdaram o sangue e trouxeram uma alma divina. E as rosas deveriam ser fáceis de plantio e de colheita, mas só podem plantar rosas e colhê-las aqueles que aprenderam a desejá-las, a apreciar-lhes as mil nuances do colorido e as belezas transcendentes da forma e aprenderam, sobretudo, a plantá-las  ao sabor do mistério e do divino! Enquanto pensamos nos pais num só dia assim, vago e frio e não podemos alcançar as rosas porque elas nada nos dizem à sensibilidade, então, não temos dúvidas, os céus serão apenas o caminho dos engenhosos satélites e não mais a morada dos astros, sob as bênçãos de Deus. 
Num mundo assim, pragmático e indefinido, com máquinas e paixões, sem Deus, que é a origem dos valores imutáveis e eternos, explode uma juventude, como sempre, idealista na essência  , mas perdida na confusão dos desencontros humanos. 

Eis a conclusão: se não amarmos, com Fé, o sorriso da criança, se não desejarmos com Amor o beijo das Mães, se não venerarmos a Pátria, que é a síntese de todos os valores externos e se não alcançarmos o Homem, em sua essência divina, onde quer que se encontre, jamais incorporaremos qualquer traço de moralidade e civismo. E, por isso, é que acredito que os jovens, em as exuberância de amor e de ideais, poderão ter no coração, eternamente, Deus, a Pátria e Humanidade ! 

Fonte – Revista Do SESI       José  Camarinha  Nascimento 





quinta-feira, 30 de abril de 2015

A democratização do ensino



A  democratização do ensino 
Henri Wallon colocou a Psicologia a serviço de uma educação que inclui toda criança, e não apenas as que alcançam bons resultados 

Os homens e as mulheres do século XX vivenciaram mudanças profundas nas crenças e atitudes sobre a educação de crianças e jovens. Pais e educadores confrontam um universo de exigências fragmentadas e contraditórias, num mundo em que está difícil saber que perfil de adulto terá sucesso.
Dentre os estudiosos que buscaram configurar uma nova educação, o francês Henri Wallon desenvolveu atividade interessante para consolidar a ideia de que a educação é uma base das bases de uma nação democrática.
Sua biografia e produção científica se esclarecem mutuamente.  Ao mesmo tempo que busca elucidar os processos envolvidos no desenvolvimento da pessoa, atua como docente, como médico, no laboratório de Psicobiologia em que atende as crianças com distúrbios mentais, participa de debates, escreve artigos  para professores, procurando colocar os conhecimentos da Psicologia escolar a serviço de uma educação que inclua todas crianças, e não apenas aquelas que, sozinhas, alcançam bons resultados.

TRAJETÓRIA  DE  UM  HUMANISTA
Uma breve incursão pela biografia  de Wallon  aponta a estreita relação entre sua atividade como homem da ciência e como cidadão comprometido com seu tempo. Psicólogo, médico, pedagogo, militante envolvido em causas de justiça, professor, deputado, foi um humanista que uniu pensamento e ação. 
A produção científica para ele, está relacionada com a realidade social em que se desenvolve e, por isso, não cabe a ideia da ciência neutra nem do cientista distante dos desafios do mundo. 
A Psicologia escolar como fator de democratização do ensino é uma das suas maiores preocupações. Não se trata de oferecer bolsas a alunos mais aptos, oriundos dos meios populares. Mas de proporcionar, a cada indivíduo, condições para seu desenvolvimento pleno.
Henri Wallon  nasceu em Paris , em 1879, e viveu na cidade até sua morte em 1962. Filho e neto de professores universitários, defensores das tradições republicanas e democráticas, Wallon forma-se aos 23 anos em Filosofia e, pouco mais tarde, inicia os estudos em Medicina, que conclui tendo já no centro de suas preocupações o desenvolvimento da criança.
Na Primeira Guerra Mundial  atua como médico no front. Até 1931, trabalha como médico de instituições psiquiátricas, no atendimento a crianças com deficiências neurológicas e distúrbios comportamentais. A investigação do funcionamento do sistema nervoso, o trabalho como psiquiatra dos feridos de guerra, as observações sobre comportamentos de soldados com lesões cerebrais forneceram o material de seus primeiros grandes temas.
Dessas experiências, Wallon conclui que a enfermidade mental e os transtornos orgânicos não resultam de uma relação de causa/efeito predeterminados e imutáveis. Nas reações mais elementares da criança, é possível perceber a ação do meio como o elemento que faz surgir ou amenizar reações. 
A constatação de que o desenvolvimento humano não pode ser explicado apenas por processos biológicos transforma-se, ao longo de sua vida, em convicção que vai perpassar toda sua obra.
O material de seus estudos é publicado na tese de doutorado, em 1925, sob o título  de “L'enfant turbulent“ ( A criança turbulenta, na tradução literal para o português ) . Ainda naquele ano, funda o Laboratório de Psicobiologia da Criança, que dirige por 25 anos e se torna um lugar de pesquisa  e atendimento a crianças consideradas anormais. 
Encarregado de um curso  na Sorbonne, o material das aulas foi publicado no livro  "As Origens do Caráter da Criança"  ( 1934 ), trabalho em que analisa os prelúdios do sentimento de personalidade e as origens do desenvolvimento da vida psíquica nos três primeiros anos da vida da criança.
Concilia a atividade docente a colaborações com a Sociedade Francesa de Pedagogia e o Grupo Francês de Educação Nova, além de participar de grupos de intelectuais antifascistas, apoiando o Exército Republicano Espanhol na guerra contra a ditadura franquista. 
Em 1940 engaja-se na Resistência e participa, com Georges Politzer, Jacques Solomon e Paul Langevin, da criação do jornal Universidade Livre que continua circulando. Procurado pela Gestapo, deixa sua casa, mas continua a frequentar o laboratório.
Em 1948, cria a revista Enfance. Em 1951, assume a presidência da sociedade Médico –Psicológica, encarregada de ajudar as crianças  com dificuldade de adaptação. Em 1953, perde sua esposa e, em 1954, sofre outro golpe, um acidente que o deixa paralisado. Mesmo assim, continua trabalhando, em prol da criança, até sua morte com 83 anos. 

DESENVOLVIMENTO  Humano 
Henri Wallon insere-se na tradição dos teóricos que defendem uma concepção de homem constituído em dupla determinação: a biológica, que recebemos como herança, e social, resultado das pressões do meio.
A formação humana acontece num movimento constante de vir a ser. Cada etapa da vida constitui-se em um momento de equilíbrio e se define por um conjunto de características e necessidades biológicas, psicológicas e sociais, imbricadas de tal forma, que se realiza, simultaneamente, a formação da personalidade e o conhecimento do mundo objetivo. As características de cada fase têm como base o que foi gestado na fase anterior do desenvolvimento e o que oferece no presente, num processo de atualização. 
O processo de desenvolvimento é dinâmico e decorre das possibilidades do meio, das atividades , das escolhas que faz.
A teoria pressupõe o desenvolvimento intelectual inserido numa cultura mais humanizada: considera a pessoa como um todo, em que a afetividade, movimento e inteligência se integram.
Na obra "As Origens do Caráter na Criança", de 1934, Wallon  discorre sobre três aspectos complementares no desenvolvimento: a emoção, como forma de expressão de comunicação, a consciência do próprio corpo e de si mesmo.
As emoções têm papel preponderante no desenvolvimento, visto que são manifestações de necessidades, desejos e intenções  que mobilizam o outro. Inicialmente, nos bebês, como atividade expressiva que modula plasticamente o corpo e permite ao adulto interpretar a postura como sinal de situações  de bem–estar ou de mal–estar. A partir da emergência da função simbólica na criança, com a representação, a emoção se configura como afetividade. Um bom professor observador identifica no aluno os momentos de tensão, desconforto, medo e outras expressões que minimizam e mesmo impedem suas aprendizagens. O aluno não habita a escola. Ele é parte de um grupo, o de sua sala de aula  e, nesse grupo, assume um lugar, que pode ser o líder ou de fraco, por exemplo.
O professor precisa estar atento em como os grupos interagem, como se dão as relações no interior dos grupos e o quanto elas possibilitam a experimentação de diferentes papéis. 
A emoção é altamente contagiosas e, para que haja aprendizagem, é necessário que se reduza a temperatura emocional. Isso pode significar dar oportunidade ao aluno para se expressar de variadas formas  (escrevendo, falando), se movimentar e intercalar momentos de alta e baixa concentração, em que o aluno possa conversar  com os colegas, levantar–se, sair da sala.
Também o movimento, na teoria walloniana, tem papel central no desenvolvimento e aprendizagem. Organizar os espaços escolares  para que atendam às necessidades motoras dos alunos é condição para a aprendizagem. Apesar das mudanças, a escola ainda valoriza o silêncio e a imobilidade.
Na obra "Do Ato ao Pensamento", de  1942, Wallon analisa a passagem da inteligência prática à inteligência discursiva, utilizando o método genético comparativo. Ele compara o desenvolvimento da criança com: o animal, o primeiro, os enfermos e o adulto. Mais tarde, em 1945, na obra "As Origens do Pensamento na Criança" discorre a respeito do desenvolvimento do pensamento, até a constituição do pensamento formal, na adolescência. 
A criança pensa e dá respostas de acordo com seu nível de funcionamento mental, diferente em cada fase. Por exemplo, a atenção exigida para realizar determinada atividade varia em termos de tempo de concentração, de acordo com a idade; o erro significa a expressão de uma forma de operar com determinada situação, e não falha ou uma confusão mental; as reações de indisciplina podem ser geradas por desconfortos diante de situações que os alunos ainda não conseguem identificar ou controlar. 
Levando em conta as necessidades afetivas, motoras e cognitivas, a escola deve se apresentar como “uma oficina de relações“, em que as necessidades da criança, sejam compreendidas  , satisfeitas e encaminhadas. 

PRÁTICA PEDAGÓGICA 
Considerar o meio humano como condição de humanização remete à escola como um espaço social privilegiado  de formação. A educação escolar, sistemática intencional deve dirigir–se primeiramente à personalidade inteira da pessoa, e, ainda, que priorize o trabalho com o conhecimento, a ação pedagógica influi de forma abrangente em todas as suas dimensões.
A escola precisa ser um ambiente onde o sujeito aprenda a vida social e democrática  , não só pela resposta ordenada das lições dos livros, mas também pelas experiências da vida cotidiana , por meio de pesquisas, análise , reflexão de sua condição e a do outro, perceber quais são os conflitos e quais os consensos possíveis.
Dada a importância que tem na regulação da vida da criança  , a escola tem condições de ser um contraponto em caso de situações familiares traumáticas, de contribuir para a superação de sentimentos que limitam a atividade intelectual, como o medo , a angústia , a vergonha. Para isso  , entretanto  , é necessário repensar o modelo de escola que temos, assentado em etapas rígidas definidas por avaliação exclusiva de resultados no campo de cognição.
É necessário incorporar a noção de educação enquanto necessidade do processo de desenvolvimento, o que inclui uma educação ética, que incorpore, nas ações cotidianas, outros valores, como a solidariedade, a coragem de assumir frente ao outro o que se considera correto, o que implica necessariamente, como ensina Wallon, experiências cotidianas que levem em conta a necessidade de afirmação e de limitação do “eu“ perante o outro. 

Fonte – CARTA  FUNDAMENTAL  págs 52 ,53,54,55

Muitos anos de VIDA





Muitos  anos de VIDA
Parabéns  a você ...

Em 1893, as irmãs Mildred Jane e Patty Smith Hill, ambas professoras, criaram a canção infantil “Good  morning to all”  ( Bom dia a todos ) para alegrar seus alunos do jardim de infância em uma escola de Kentucky, nos Estados Unidos. Alguns anos depois, elas decidiram alterar a letra da canção  e surgiu  "Happy birthday to you“. De acordo com uma estimativa do mercado fonográfico, a música original rende dois milhões de dólares anuais aos herdeiros das irmãs Mildred e Patty e à editora Warner Chappell. No Brasil, a melodia composta pelas americanas foi adaptada por intermédio da Gravadora Continental (posteriormente comprada pela Warner Music). que promoveu um concurso para escolher a versão nacional, em 1942.
Na época , Bertha tinha 40 anos e morava com o marido em Pindamonhangaba, a cidade onde nasceu, no interior de São Paulo. Formada em farmácia, ela emprestava sua credencial profissional para manter uma drogaria local em funcionamento. Mas não  trabalhava no balcão. Tinha uma vida típica de dona de casa e seu passatempo favorito era ouvir rádio. Gostava também de escrever, apesar de não ser uma leitora assídua. Fazia  poemas e crônicas até descobrir um filão: os jingles.
Na época, fabricantes de produtos diversos promoviam concursos entre os ouvintes de rádio, e dona Bertha se inscrevia em todos, algumas vezes usando codinomes. Criou rimas para cera, pasta de dente, remédio para dor de cabeça, chá... e começou a arrematar prêmios. Alguns eram em dinheiro, outros pagos em mercadorias. Na casa de dona Bertha, por exemplo, havia um estoque inesgotável de latas de cera que resultou do seguinte verso: “Vou lhe contar um segredo  / Que todos sabem de cor  / Dá lustro até um rochedo  / A super cera Record.” 
Dona Bertha estava em casa, diante do rádio, quando ouviu o locutor anunciar: a letra escolhida para a versão da música  “Happy birthday to you“ era de Léa Magalhães. A quadrinha despretensiosa elaborada em poucos minutos se transformará na música mais cantada do país pelos próximos anos. 
- Quase ninguém acredita quando digo que minha mãe é autora de “Parabéns a você“. Acham que é uma música de domínio público  - diz Lorice Homem de Mello, filha de Bertha. Segundo a família, dona Bertha nunca se preocupou com os direitos autorais. - Ela nem pensava nisso. O que a deixava feliz era ser reconhecida pelas pessoas como autora do “Parabéns“ – conta a neta.
De acordo com a especialista em distribuição do Ecad Suely Marins, todos os repasses de “Parabéns a você “ são feitos regularmente para os representantes dos autores.
- Mas, para receber, o compositor precisa estar com o cadastro regularizado. 
Léa Magalhães, dona Bertha, compôs a versão em português de “Happy birthday to you“, a música mais popular do planeta. Na contagem realizada pelo Ecad ( Escritório Central de Arrecadação e Distribuição  ), “Parabéns a você“ lidera o ranking de execuções públicas na categoria música ao vivo, que relaciona principalmente aqueles shows realizados em bares, restaurantes, casas noturnas e festas. Esta categoria é um ponto fraco do Ecad, já que monitorar a programação de uma rádio  é mais simples do que a  de um barzinho no interior do país. Em 2008, a música foi tocada 19.756  vezes, nas contas do Ecad “Garota de Ipanema“ ficou em segundo, com 592 execuções, seguida  por “ Wave “ , cantada 565 execuções. ”Andança“, por incrível que pareça, não chegou entre as dez mais.

Fonte  - Revista  O Globo  - 14 de junho de 2009

Livros de colorir

Livros de colorir 
Sofisticados ganham atenção dos adultos

Atividade lúdica infantil é pensada para os mais velhos,
Vira febre no país e se mostra alternativa para escapar do estresse



- Lápis de cor, estojos bonitos , e um livro cheio de figuras intrincadas esperando para serem pintadas. O material pode remeter a uma atividade infantil, mas colorir desenhos têm se tornado um dos passatempos favoritos dos adultos. As livrarias e bancas lotam prateleiras com títulos como  "Jardim Secreto“ e “Floresta Encantada“ ambos da autora Johanna Basford, com páginas e páginas de imagens inspirada em botânica e insetos.
O objetivo dos livros de colorir para adultos, no entanto, não é apenas distraí-los ou ajudá-los a desenvolver a coordenação motora , como se é esperado com os pequenos, mas sim ajudar a diminuir o estresse, e a se desligar um pouco do mundo tecnológico.
Num ritmo frenético com celular sempre à mão, e-mails  e avisos pipocando nas telas de computadores, celulares e tablets, os adultos encontram na atividade lúdica e manual uma forma de escape da vida agitada do mundo dos crescidos. Sem qualquer relação com a tecnologia, a alternativa se torna uma atividade leve. 
Os livros de colorir foram uma das maiores novidades editoriais na Europa, em 2014. De acordo com a revista “Época“, somente a editora britânica Michael O`Mara, que conta com 19 títulos do gênero em seu catálogo, contabilizou venda de 250 mil exemplares no Reino Unido, até dezembro do ano passado. Vários países copiaram a moda, e compraram direitos de reprodução dos livros.

Sucesso na Europa fez com que a Editora britânica
Michael O'Mara vendesse 250 mil livros, em 2014

Para chamar a atenção dos adultos  , os títulos costumam carregar as palavras “anti estresse“ e “terapia“ na capa. Além disso, as publicações investem  em materiais de qualidade, como papel que não deixa a cor “vazar“ para o outro lado, e com toque agradável; capas bem pensadas; além de tom diferente do simples branco para o fundo; e desenhos mais complexos do que os presentes nos títulos feitos para crianças. Cheios de detalhes, os designs demoram mais tempo para serem preenchidos, o que garante maior dedicação à tarefa, e impede a sensação de que se está fazendo um trabalho realmente infantil.
Nas livrarias do Brasil há diversas opções de livros do gênero para quem quiser investir em um estojo de lápis de cor, e tirar alguns momentos do dia para voltar à atividade infantil.

Fonte  - Jornal  Destak    pág  12           
DIVERSÃO & ARTE     THAÍS  FREIRE 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Curiosidades sobre a Páscoa



As pessoas festejam a Páscoa por causa da associação com os ovos de chocolate  (o comércio adora) ou por causa do feriado, coisas assim. Mas a maioria das pessoas talvez nem saiba o verdadeiro motivo desta data especial.
A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em uma tumba, onde permaneceu até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É a data mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica.
É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a “ passagem “ de Cristo, da morte para a vida.


O que o coelho tem a ver com a Páscoa  ?

A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos.
O coelho é um dos primeiros animais que saem das tocas ao chegar a primavera, após um longo inverno de recolhimento. Lá no hemisfério norte a Páscoa ocorre nos primeiros dias da primavera  (aqui no Brasil a Páscoa é no outono) e os coelhos logo se põem a correr pelos campos verdes, repletos de flores, dando, portanto, a ideia de renovação de vida, que parecia estar morta durante o inverno.
A ideia dos religiosos é que os coelhos são animais que reproduzem com extrema facilidade e em grande quantidade. Vem daí a identificação com uma vida abundante, um processo de restauração, um ciclo que se renova todos os anos. 


E os ovos ? 

O costume de presentear as pessoas na época da Páscoa com ovos ornamentados e coloridos começou na antiguidade. Eram verdadeiras obras de arte! 
O ovo é um símbolo de vida nova, de vida que está para nascer; é um símbolo de começo. Daí a sua associação à Páscoa : a Ressurreição de Jesus também indica o princípio de uma nova vida, a redenção da própria humanidade e a promessa de um futuro cheio de alegria e felicidade para os que tem fé e esperança. 
Os egípcios e persas costumavam tingir ovos com as cores primaveris e os davam a seus amigos. Os persas acreditavam que a Terra saíra de um ovo gigante.
Os cristãos primitivos da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos na Páscoa.  Em alguns países europeus, os ovos são coloridos para representar a alegria da ressurreição. Na Grã-Bretanha, costumava-se  escrever mensagens e datas nos ovos dados aos amigos. Na Alemanha, os ovos eram dados às crianças  junto de outros presentes na Páscoa. Na Armênia decoravam ovos ocos com retratos de Cristo, da Virgem Maria e de outras imagens religiosas. 
Aqui no Brasil, as crianças montam seus próprios “ cestinhos de Páscoa “ ( ou ninhos ), enchem-no de palha ou papel, esperando o coelhinho deixar os ovinhos durante a madrugada.
Nos Estados Unidos e outros países as crianças saem na manhã de Páscoa pela casa ou pelo quintal em busca dos ovinhos escondidos. Em alguns lugares os ovos são escondidos em lugares públicos e as crianças da comunidade são convidadas a encontrá-los, celebrando uma festa comunitária.

Feliz Páscoa  pra você ! 

Fonte  - Diário do Vale  - DIARINHO -  
Curiosidades ...Curiosas  pág 4   
domingo 08/04/2012 - Fernando Marques 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Homenagem aos 450 do Rio


O  PÃO DE  AÇÚCAR  -   cartão postal do Rio de Janeiro

José de Anchieta foi um dos primeiros a descrevê-lo, numa carta a seu superior em Portugal, em que narra a fundação do Rio de Janeiro  “junto a um piso de pedra muito alto, da feição de um Pão de Açúcar, que domina a floresta virgem e o capoeirão onde Estácio de Sá  assentou o seu arraial...” E foi  do sopé do penedo que Estácio, com a ajuda de Mem de Sá, partiu para expulsar os franceses invasores do Brasil e para tombar sob uma flecha envenenada, mais ou menos  no local onde fica a praia do Flamengo. 
De lá para cá, o Pão de Açúcar  repousou 410 anos sossegado, como um imenso felino deitado de lado, entre a Praia Vermelha e a Praia de Botafogo. Até que em 1908 durante as comemorações  do centenário da abertura dos portos brasileiros às nações amigas, o engenheiro Augusto Ferreira Ramos teve a brilhante ideia : construir um caminho aéreo que ligasse a praia Vermelha ao morro da Urca e este ao Pão de Açúcar. “ Por que não uma linha entre o morro da Urca  e o hospício  ?“, perguntou-lhe um amigo, referindo-se ao prédio onde hoje se situa a sede da UFRJ. 



A própria Prefeitura parece cética, mas resolveu dar 30 anos ao engenheiro para realizar o projeto.  Três anos, 4 toneladas de materiais  e 2 milhões de contos de réis depois, no dia 9 de outubro de 1912, fez-se a viagem inaugural, a bordo do waon movido por uma máquina elétrica de 75 HP, cobrindo uma extensão de 575 metros da praia Vermelha  ao morro da Urca. No ensolarado domingo que amanheceu três dias depois, abriu-se o serviço ao público. Naquele primeiro dia  de funcionamento, o bondinho levou 577 pessoas para contemplar uma paisagem nunca vista no Rio de Janeiro, sob o olhar incrédulo do resto da população.
Em 1930, Cristóvão Leite de Castro, engenheiro recém–formado, foi procurado por Augusto Ramos  para se encarregar da parte técnica do Caminho Aéreo  -  àquela altura um sucesso enorme  na cidade, com filas imensas esperando para andar no bondinho. Cristóvão  nunca mais se afastou do Pão de Açúcar e hoje é diretor–presidente da Companhia do Caminho Aéreo. Não se cansa  de visitar a montanha  e conta   que cada vez que sobe avista a cidade de um jeito diferente. “ Houve um dia  em que vi o Rio totalmente verde “. E , quanto aos 52 anos cita Camões : “ Mais servira se não fora para tão grande amor tão curta a vida... “ Outro veterano do Pão de Açúcar é o engenheiro e alpinista Giuseppe Pellegrini, italiano de nascimento, mas principalmente um cidadão das montanhas, pois foi escalando o penedo que começou a trabalhar na Companhia do Caminho Aéreo, há 20 anos. Foi um dos grandes responsáveis  pela duplicação das linhas e a escalar a montanha pelo menos quatro vezes por semana. A linha do morro  da Urca ao Pão de Açúcar já foi vencida por um alemão de motocicleta, no tempo em que açúcar  se escrevia com dois esses.  Mais recentemente  houve  um americano, Steve Macpeak  , que desengraxou toda a extensão do cabo  e,  segurando uma vara de 21 metros  ( uma bandeira brasileira  numa extremidade, uma bandeira americana  na outra  ) , equilibrou–se  ao longo dos 750 metros  do cabo. Sentando no meio do percurso para descansar. Outra paralisação aconteceu há uns quatro anos, por ocasião da filmagem de novas aventuras do agente inglês 007 em Moonraker. Durante uma semana a linha 2 ficou por conta da produção do filme, que pagou à companhia o equivalente  ao que o bondinho teria rendido se aberto ao público naquele período. Giuseppe Pellegrini ajudou e acompanhou o processo todo, com uma missão muito séria  : “ Evitar que os americanos fizessem loucuras. Eram muito organizados  , muito educados  , mas se você bobeasse eles mudavam a estação de lugar para conseguir um ângulo mais bonito. Havia inclusive uma cena em que o bondinho devia se espatifar contra a estação, mas não permitimos que fizesse isto , porque poderia dar uma imagem de insegurança do teleférico. “ ( Quem viu o filme, sabe  que a cena foi filmada, mas o bondinho sai ileso, e depois  de atravessar a estação como um bólido. )



Moonraker não foi o primeiro filme ali realizado;  houve muitos outros, nacionais  e estrangeiros, e certamente um dos pontos mais conhecidos do Brasil  - na  verdade , o grande cartão–postal do país  - continuará  servindo de cenário  . Mas o morro da Urca não vive só de cinema. Desde a construção  da nova estação, há 10 anos, vem se tornando um forte pólo cultural da cidade, um recanto  de lazer para o próprio carioca,  com uma concha acústica, uma casa de danças, além do restaurante  e inúmeras atrações para as crianças.  É um espaço importante para a exposição de artes plásticas, valorizado pela tranqüilidade, pelo silêncio  e  , talvez  , pela maior obra eternamente exposta a seus pés: a cidade. 

O Pão de Açúcar tem várias idades  : há 480 anos os portugueses o descobriram e há 500 milhões de anos que a montanha de quartzo e feldspato se formou. Conta-se que o primeiro a ver o Pão de Açúcar foi o navegador André Gonçalves, 1º de maio de 1502 , ao descobrir a baía do Rio de Janeiro ( hoje de Guanabara ). Mas existe uma lenda segundo a qual os egípcios teriam sido os primeiros turistas a chegar aqui, da altura da ilha Rasa, avistaram um imenso gigante deitado cuja cabeça era a pedra da Gávea ; o corpo  , o maciço da Tijuca e os pés, o Pão de Açúcar.

Fonte: Revista  Manchete    págs 115  e  116



Av.  Nossa  Sra.  de Copacabana 

Começa na altura da Rua Antônio Vieira, perto da saída do Túnel Novo e termina na Rua Francisco Otaviano, no Posto  6. 

Copacabana é uma península situada no sul do lago Titicaca, entre os países da Bolívia e  Peru. É famosa por sua capela onde está uma imagem da Virgem Maria, supostamente milagrosa, visitada por milhares de peregrinos.
A réplica de Nossa Senhora de Copacabana, foi enviada para o santuário da santa do mesmo nome, no Rio de Janeiro, daí originando–se o nome do bairro da praia carioca, famoso no mundo inteiro. 
Foi construída para que se pudesse dar início à urbanização do bairro através das duas empresas imobiliárias encarregadas de lotear os terrenos e abrir as ruas entre o Leme  e a igreja de Nossa Senhora de Copacabana  - que ficava onde hoje o Forte de Copacabana. 
Este logradouro foi  , durante anos  , conhecido por “estrada que vai para Nossa Senhora“, estrada esta que levava à Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana. 
A Companhia de Construções Civis, tinha como sócios Teodoro Duvivier, Paula Freitas, Torquato Tapajós, Antônio Roxo Rodrigues, Otto Simon  e Hermano Kakhül, construiu a primeira parte da obra. A abertura da Avenida Nossa Senhora de Copacabana  ficou concluída entre os anos de 1892 e 1894. 
Foi reconhecida oficialmente pela prefeitura como via pública da cidade em 1894. Depois, a outra empresa, do Comendador Moreira Filho - que tinha como sócios Constante Ramos, Coronel José Silva e Guimarães Caipora - entregou a segunda parte da avenida, que recebeu, então, o nome da antiga Igrejinha.
No recenseamento feito em 1906, realizado por ordem do prefeito Pereira Passos, apresentava 133 prédios, dos quais  117 eram de dois pavimentos e 16 de três pavimentos, ocupados por 1.107 moradores.
Pelo decreto de número 6488 ficou conhecida pelo simples nome de Rua Copacabana. É preciso não fazer, contudo, confusão com o antigo nome da atual rua da Passagem, que também já se chamou Rua de Copacabana e depois Rua do Pasmado. 
Com a abertura da pedreira do Inhangá  , incorporou a  Rua Conselheiro Souza  Ferreira. Esta tinha início na pedreira e terminava na Rua Gustavo Sampaio  .
Finalmente em 1939, passou  a formar uma só via pública, com a denominação de Avenida de Nossa Senhora de Copacabana. 
Desde o inicio, esta  estrada serviu para que se erguessem altos edifícios, sendo hoje  a mais populosa rua de Copacabana, ladeada por um muro de arranha-céus, com milhares de habitantes.
Principal avenida do bairro, onde trafegam automóveis de todos os tipos e várias linhas de ônibus, tem também  um comércio rico e variado  , como hotéis  , bares  , restaurantes  e lanchonetes  , bancos e o mais variado comércio que vende  de tudo que possa desejar . 

Fontes : Texto  - www.copacabana.com
Revista SESC RIO Destaque págs 4 e 5  Novembro de 2008



AS CALÇADAS   EM  MOSAICO E PEDRAS PORTUGUESAS  DO  RIO DE  JANEIRO

As calçadas em  mosaico de pedra portuguesa da  Av. Atlântica  são usadas há mais de cinqüenta anos nos folhetos turísticos como um dos símbolos de maior identidade da cidade do Rio de Janeiro. Em verdade, segundo especialistas, é a  nossa cidade a detentora da maior superfície de calçamento musivo no Mundo. Entretanto  , esse  tipo de calçamento teve origem há mais de 160 anos em Portugal, e em nosso país, nem ao menos foi o Rio de Janeiro a primeira a possuir. 
Em Portugal são conhecidas como “ calçadas  portuguesas“. No Brasil  , são  as “calçadas de pedras portuguesas“. 
Há mais de dois mil anos os romanos produziram delicados mosaicos nos pisos da velha Lusitânia. Na cidade romana de Conimbriga, origem da atual Coimbra, foram encontradas ruínas de  palácios, termas e mansões dotados de imensos pisos em mosaico, com desenhos figurativos de grande expressão. Tais mosaicos estão em perfeito estado de conservação e alguns ainda brilham  como se fosse obra recente.  Após o colapso do Império Romano no século V, esta arte andou esquecida pelos invasores visigodos, mas outros invasores, os  muçulmanos reintroduziram o mosaico na Península Ibérica no século VIII.
Até o século XIX, eram comuns nas vilas e cidades portuguesas os singelos pisos e calçadas feitos com pequenos seixos de rio, roliços  , dotados de colorações diferentes, e que por vez eram instalados formando desenhos rústicos de linhas, círculos  , corações e letreiros pitorescos. Com o terremoto de Lisboa em novembro de 1755, as calçadas dessa cidade  , foram refeitas  em grandes blocos de pedra  , mas a tradição continuou nas cidades do interior , inclusive no Brasil, onde em Paraty e nas cidades mineiras ainda existem prédios com pisos e ruas calçadas desse material. 
Ainda hoje existem calçadas de pedras portuguesas em cidades insulares dos arquipélagos da Madeira e Açores, bem como nas ex-colônias africanas e até na distante  Macau .
Em Portugal, além das cores acima citadas, também existem desenhos  com pedras  em vermelho, marrom, castanho e azul, estas as mais belas.
No Rio de Janeiro  , a decisão de introduzir esse tipo de calçamento  partiu  do Prefeito Pereira Passos durante seu profícuo mandato, tendo no ano de 1904  contratado em Portugal 33 calceteiros e comprado lotes de pedras portuguesas para aplicar nos novos logradouros que estava reformando ou abrindo na velha urbe carioca. Pouco depois  , ele mandou vir mais 170 homens de Lisboa. Entretanto, nenhuma calçada de pedra portuguesa foi realizada antes de novembro de 1905, quando a primeira de todas foi inaugurada  na avenida Central  ( desde 1912 avenida Rio Branco  ), próximo à atual Praça Mauá.
Calçamento caro, importado e de difícil execução, intentou o Prefeito Passos cobrar em maio de 1905  uma taxa de 25% sobre o imposto predial dos edifícios que dessem frente para tais calçadas, mas a reação popular pela imprensa foi contrária e violenta, sendo revogada  a medida.
A Av. Atlântica foi principiada pelo Prefeito Pereira Passos em 1905, mas,  quando de sua inauguração em 1908, era bem diferente da atual. Possuía  apenas quatro metros de largura e nenhuma calçada. Ampliada em 1911 pelo prefeito Bento Ribeiro, somente teve sua largura uniformizada para 19 m  e largo passeio oito anos depois,  em 1919, quando era prefeito Paul de Frontin. Ao contrário de Passos, Frontin completou a obra em menos de seis meses e mandou calçar os passeios com pedras portuguesas formando o desenho “ Mar Largo “, que logo se tornou marca registrada do bairro. Depois de uma forte ressaca em 1921, seu sucessor Carlos Sampaio mandou refazer o mesmo desenho, assim como Prado Júnior por idêntico motivo três anos depois.

Fonte – Jornal Copacabana  pág 5,6 ,7  -  Milton  Teixeira



PROFISSÃO  VEREADOR 

No início, mandato dava muito 
Trabalho e pouco dinheiro

Para participar da primeira eleição para a Câmara do Rio , não só os candidatos  , mas até os eleitores tinham que ter ficha limpa

Foram eleições limpas as que elegeram os primeiros vereadores no Rio. Os candidatos não podiam ter ficha suja, nem os eleitores. Participaram do processo eleitoral que inaugurou a Câmara, em 1567, apenas cidadãos sem passado criminoso ( embora o preconceito deixasse de fora também negros e mulheres ).  Foram  eleitos 12 vereadores, com mandato de um ano. Tinham direito a concorrer novamente, mas não na legislatura seguinte. Eram um misto de prefeito, polícia, tabelião e juiz. Cabia a eles administrar a cidade colonial, cuidando da abertura de ruas  , aterrando pântanos e lagoas. Zelavam pela segurança pública, incluindo a manutenção das fortificações e do pelourinho em frente a Câmara onde eram afixadas as ordens do rei, as sentenças e as punições para pequenas infrações. Ainda cabia a eles  a concessão de terras e o julgamento de pequenas causas.
Cuidar do bem-estar da comunidade não tinha preço. Não havia remuneração fixa. Menos ainda jetom por sessão extraordinária, diárias de viagem ou auxílio paletó. Pelo contrário: se faltasse para as despesas, eles é que tiravam do bolso. Havia uma recompensa simbólica: cera para fazer as velas com que se iluminavam as casas. Nossos vereadores, só ganhariam subsídios em 1874, já no Segundo Reinado. 
O modelo inaugural da Câmara foi alterado por Dom Pedro I em 1828. Passaram a ser nove os vereadores, eleitos de quatro em quatro anos  para cuidar da instrução pública, da polícia e da economia da cidade. As funções judiciárias foram repassadas a outros órgãos.  Mesmo perdendo poder e prestígio com o passar dos anos, a Câmara sempre esteve presente nas grandes articulações e movimentos nacionais. Foi assim na campanha pelo fim da escravidão, que contou com o apoio de vários vereadores  - José do Patrocínio, uma das figuras centrais do movimento abolicionista, foi eleito em 1886. E também no fim do Estado Novo, quando a redemocratização foi celebrada pelos vereadores Carlos Lacerda, Agildo Barata e Aparício Torelli, o Barão de Itararé. Foi nas escadarias do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia  - inaugurado em 1923 para abrigar o Legislativo carioca  - que culminaram praticamente todas as passeatas da cidade – entre as quais a marcha dos Cem Mil, em junho de 1968; a primeira campanha pelas Diretas, em 1984; os caras – pintadas pelo impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992.
A Passeata dos Cem Mil  foi motivada por outro cortejo histórico que teve o Palácio Pedro Ernesto como destino, em 28 de março de 1968. Para lá foi carregado o corpo do estudante Edson Luís, morto pelas forças da repressão no Restaurante Central  dos Estudantes, no Calabouço, reduto  da resistência do regime militar imediatamente, seus colegas tomaram o corpo nos braços e rumaram para o palácio ( então sede da assembléia Legislativa ), onde foi velado por uma multidão que crescia conforme a notícia ia se espalhando. Pela primeira vez o corpo de uma vítima da ditadura era salvaguardado. Não seria mais  “desaparecido político“.
Desde então, outras multidões acorreram ao saguão do palácio para dar adeus a figuras de relevância no cenário nacional, vinda de todas as áreas: o compositor Braguinha, o comunicador Chacrinha, a rainha do rádio Emilinha Borba, o escritor Graciliano Ramos, o herói da esquerda Apolônio de Carvalho...
Desde o século 16 a Câmara ocupou 14 diferentes imóveis, entre eles a Cadeia Velha, o Arco do Teles, o Paço Municipal  e o Liceu de Artes e Ofícios. Seu endereço atual, o Palácio Pedro Ernesto, teria sido uma obra superfaturada. A União iniciou a construção em 1920, durante o governo de Epitácio Pessoa, cargo da empreiteira Januzzi, a mesma que construiu a Avenida Rio Branco. O prédio que imita uma das galerias do Museu de Louvre, em Paris, custou a exorbitância de 23 mil contos de réis. O suntuoso Teatro Municipal, logo em frente, foi erguido por módicos dez mil contos. Surgia  , então , a alcunha “ Gaiola de Ouro “ , que volta a brilhar como metal polido sempre que ali se arma um trem da alegria ou outras falcatruas. Em 1987  , por exemplo , uma lei abriu a porta a 485 novos servidores sem concurso. No ano seguinte  outro comboio, ainda mais robusto , permitiu a efetivação de dez mil funcionários sem concurso e derrubou a emenda que impedia super salários. A manobra lhes rendeu outro apelido: marajocas,  os marajás cariocas.
Mas, se o luxo atrai a cobiça  , também inspira a arte. Teria sido num daqueles banheiros  com piso de mármore de  Carrara, espelhos de cristal e ferragens de bronze que o jornalista e compositor Orestes Barbosa, funcionário lotado no Gabinete da Presidência, escreveu, numa tira de papel higiênico, a letra de “ Chão de Estrelas “:  "Minha vida era um palco iluminado . onde eu vivia vestido de dourado “.
Pela Câmara passaram outros nomes ilustres, como o Pedro Ernesto, o primeiro prefeito  eleito do Rio, de forma indireta. Pernambucano, ele veio ao Rio para estudar medicina e nunca mais voltou.  Outro vereador do Rio foi o mineiro Ary Barroso. O autor de “ Aquarela do Brasil “ usou a força do rádio para se eleger com votação recorde, atrás apenas do também udenista Carlos Lacerda.  Rubro negro fanático, foi o autor da lei para a criação do Estádio do Maracanã, construído para sediar a Copa de 50. Para conquistar apoio das bancadas, Ary negociou com a prefeitura a construção de cinco pequenos estádios de futebol no subúrbio, o que acabou ficando no papel. Também não teve êxito o projeto de criar um órgão de defesa civil, o que só aconteceria  20 anos depois, com os temporais de 1966 e 1967. Outra de suas idéias “ malucas “ foi tentar implantar no Rio de 1949 a coleta seletiva de lixo.

Fonte  - Jornal  OGLOBO    Ítala Madueli