terça-feira, 24 de maio de 2016

O Barroco Brasileiro



O ESTUDO DA ARTE NO BRASIL envolve, tanto do ponto de vista sociológico como estético, uma série de questões que decorrem do fato de o nosso conceito de produção artística ter sido assimilado e ter desenvolvido a partir da colonização europeia. Assim, aquilo que entendemos por arte e que constitui o patrimônio disponível para a formação de nosso gosto e para o estudo de pesquisadores e historiadores corresponde ao que foi produzido após a conquista portuguesa. A arte nativa, criada pelos diversos grupos indígenas que aqui viviam, foi reduzida a um conjunto de práticas de interesse meramente antropológico. E, embora se reconheça nessa produção seu inegável valor estético, responsável inclusive por certas características da arte brasileira, os moldes em que foi produzida - mesclada às atividades políticas e religiosas dos grupos – não lhe garantiram legitimidade. A arte como atividade autônoma, desenvolvida individualmente por pessoas que a ela se dedicam profissionalmente e com valor de mercado, é uma herança essencialmente europeia trazida para a América junto com outros instrumentos da colonização, como o Estado Nacional e a religião católica, excluindo da categoria “arte“ outras manifestações mais “ritualizadas“ e coletivas que anteriormente existiam na colônia. 
Assim, toda a produção artística de nossos indígenas esteve ligada a  outras práticas da vida social, como ocorreu com alguns povos não europeus imersos em civilizações mais homogêneas, como os africanos. Por exemplo. Seu estudo, entretanto, permaneceu no âmbito da pesquisa etnográfica ou, simplesmente, como uma base sobre a qual se erigiu a verdadeira arte. Essa postura resultante do colonialismo relegou a arte plumária, a cerâmica e a pintura corporal a uma condição subalterna, quando não a de manifestações de barbárie e exotismo.
Quando o Modernismo se firmou no Brasil , no século XX, despertando o  interesse de intelectuais e artistas por nossa cultura nativa e folclore, muito do que se produzira artisticamente havia já desaparecido para sempre. As pesquisas que procuraram dar conta desse legado acabaram por se deparar com uma arte transfigurada e, em muitos casos, só accessível através de suas reminiscências e influências. A troca de traços culturais e a referência entre duas culturas – a europeia e a indígena – ocorreram dos  dois lados. A antropologia Lux Vidal, no catálogo da mostra Tradição e Ruptura, menciona a existência, na atualidade , de duas artes indígenas: uma realizada “para dentro“ do grupo, isto é, integrando seu cerimonial religioso ou servindo à atribuição de status social  aos seus membros, e outra “para fora“, destinada a satisfazer a curiosidade dos brancos.
Data da década de 1970, a primeira exposição de arte plumária apresentada em sala especial, na 17 ª Bienal de São Paulo. O texto das etnógrafas Sonia Ferraro D Horta e Lúcia Hussak van Velthem  publicado no catálogo da exposição reconhece a importância dessa manifestação artística que exigiu séculos de conhecimento natural aliado a uma técnica complexa de manufatura. A arte plumária, entretanto, se encontra ameaçada de extinção pela aculturação indígena e pelas transformações impostas ao meio natural pelo homem branco, levando inclusive à extinção de pássaros, matéria–prima de tal técnica artística. Por essa atitude colonialista e pelas dificuldades de preservação da arte indígena, quando falamos da arte brasileira, estamos nos referindo àquilo que foi produzido em moldes europeus, a partir de noções introduzidas por nossos colonizadores e que dizem respeito a suportes, temas, técnicas e relações de produção. No entanto, essa arte deve muito a toda uma herança estética dos povos nativos que a cultura européia ajudou a destruir.
Assim, a partir de tal perspectiva , podemos dizer que o primeiro momento artístico nacional foi o Barroco, introduzido no Brasil pelas ordens religiosas, esses grandes mentores de nossa cultura colonial. O Barroco havia se desenvolvido na Europa no século XVII , fazendo oposição ao Renascimento e a todas as premissas estéticas classicistas, tais como harmonia, proporcionalidade e simetria. Apresentou tendências diferentes conhecidas por : gótico, de Trento, manoelino , jesuíta e até romântico, que tinham como valores comuns a assimetria e a irregularidade, que lhe valeram, no século XVIII, a denominação geral de Barroco, inspirado em uma pérola de formato bizarro e irregular. Correspondendo  a quase toda a produção artística que vai do Renascimento ao Neoclassicismo, esse estilo foi além da produção  material, constituindo-se numa cultura que incluía maneiras de ser e pensar e uma atitude crítica e dicotômica frente à realidade. Segundo Antonio Cândido, sociólogo e teórico da literatura, e José Aderaldo Castello, historiador da literatura. 

O Barroco se define libertador, amante da força, voltado para a paisagem e apegado ao espírito pagão, intensamente dinâmico. Panteísmo, dinamismo, assim como audácia, imaginação e exageração são características barrocas, no seu desejo de valorização do humano contraditório e instável, transitório e finito. 
Pág 53, 54 55

O Barroco propunha-se a integrar as artes e as linguagens, criando um mise em scène de natureza espetacular que parecia absorver o meio social e as relações entre a pessoas. Espetaculares eram os palácios erguidos na Europa com seus jardins e fontes, palcos de uma corte teatral e maneirista, assim como os templos nos quais a igreja Católica promovia cultos feéricos em oposição ao ceticismo protestante. 
O círculo e as curvas eram formas por excelência eleitas por essa estética do momento e da infinitude. O artista barroco queria a atenção de seu público e, por isso, era exuberante, persuasivo e exagerado. Desejava envolver o observador e o ouvinte, prendendo-os num clima catártico e apaixonado. 
Essa estética teve grande aceitação na Península Ibérica e em especial em Portugal, cuja cultura, além de essencialmente católica e monárquica, tendo para o milenarismo. A influência moura e o misticismo dos cristãos-novos criaram um ambiente propício às crenças religiosas exacerbadas. O sebastianismo, movimento de crença e esperança no retorno de Dom Sebastião, monarca português cujo cadáver não foi encontrado após a derrota contra os mouros na batalha de Alcácer–Quibir, logo se transformou em messianismo – a fé no surgimento de um salvador da humanidade. Esse espírito animou o movimento das ordens religiosas, especialmente a dos jesuítas, em sua luta contra os infiéis – pagãos e protestantes. O Barroco, por ser um estilo artístico expressivo e emocional, atendia aos anseios dessa mentalidade mística e fervorosa.  
Entende-se assim por que o Barroco é considerado o primeiro movimento artístico verdadeiramente universal e por que Portugal e Espanha se encarregaram de disseminá-lo por suas colônias como parte de seu arsenal colonialista.
No Brasil, o Barroco se deparou com uma cultura indígena festiva e “ritualizada“ que se mostrou propícia à compreensão e adoção de tal gosto. A mística dos nativos, sua expressividade e oralidade vieram ao encontro desse movimento artístico cheio de mistério e emoção. A tarefa de conversão que os jesuítas tomaram para si teve nos princípios expressivos barrocos um forte aliado. Assim, a história da colônia se viu marcada por uma arte teatral e retórica, expressiva e “devocional“ , envolvente e espetacular , uma arte que , sabendo lidar com as ambiguidades e as dicotomias, teve a capacidade de integrar heranças e legados. 
O território da colônia foi dividido, em partes ao longo da costa . Nesses pontos estratégicos, erigiram-se templos, seminários e fortes que se incrustaram em todo o litoral, nos centros das vilas, nos acampamentos das missões indígenas e nas cidades que sediavam os ciclos econômicos. Nessa paisagem, começou a seu gestado um barroco brasileiro cujas bases se encontravam na Europa, mas cuja essência resultou dessa história de conquista, conversão e resistência. Considerar tal arte como um Barroco tardio é desconhecer seus particularismos e a mestiçagem de estilos estéticos que ele promoveu, essa aculturação lenta que durou quase três séculos. 
O começo foi tímido. A partir do século XVII, começa a produção de uma estatuária sacra feita sob a orientação da Igreja para seus rituais religiosos e para a devoção dos fiéis. Espelhando-se  nos modelos europeus, essas imagens já demonstravam originalidade ao serem modeladas como barro, e não com madeira ou  pedra como na metrópole, aproveitando-se a habilidade dos indígenas que prontamente aprenderam a esculpir os santos. Pouco a pouco, a produção deixa os templos e ganha as estradas, passando às mãos da população da colônia, que produzia as imagens para a sua devoção íntima. As capelas domésticas e os oratórios exigia que a arte sacra entrasse pelas residências para o culto em família.
Á medida que a vida colonial  se tornava mais segura e estável, os templos passaram a ser de pau-a-pique, seguindo a técnica nativa, e os padres puderam deixar suas habitações e templos provisórios erguidos, inicialmente , como acampamentos precários. Nos séculos XVI e XVIII, o desenvolvimento do Barroco acompanhou os surtos da economia colonial – para o Norte e Nordeste, no apogeu do engenho de açúcar e na expansão do gado; e para as Minas Gerais, com a descoberta do ouro e diamantes. Essa arte se enriquecia juntamente com a economia exportadora e exibia o sucesso das atividades econômicas e produtivas. Os artesãos, em sua maioria negros escravos, especializavam-se e adquiriam maestria na arquitetura, no entalhe da pedra, na cultura de madeira e argila, na pintura. Uma arte diferente, fruto de heranças e contingências, nascia na colônia com grande desenvoltura.
O Barroco brasileiro era festivo e organizava a vida social da terra  com seu extenso calendário de comemorações, cujas festas eram embaladas por procissões, mascaradas, danças e apresentações teatrais das quais participavam brancos, índios e negros. Com farsas e autos, os jesuítas introduziam o teatro no Brasil para contar a história dos santos ou representar passagens da Bíblia. Uma arte mestiça, ambígua e dissimulada percorria a colônia, lançando as bases de uma cultura oral, comunicativa, emocionada e teatral, para a qual os gestos e a expressividade eram o elemento –chave de comunicação.
O processo lento e secular de gestão e desenvolvimento da arte barroca é visível no grande número de ampliações, reconstruções e reformas que marcaram as paredes dos templos e prédios públicos, ao contrário do que acontecia na Europa, cujas construções obedeciam a um plano prévio. No Brasil, essa arte se constituiu em história e em testemunho das transformações da sociedade.
O apogeu do Barroco se deu em Minas Gerais, onde ordens religiosas e irmandades se rivalizavam pela conversão do povo e pela construção dos mais suntuosos templos. Deixava-se para trás a contenção jesuítica e procurava-se comover as pessoas por meio de manifestações artísticas que falassem às suas almas e que fossem, ao mesmo tempo, suntuosas e discretas. Mas , mesmo em Minas Gerais, a construção dos edifícios foi lenta , como lentas foram a conquista da terra e a conversão do gentio. Uma arte coletiva, anônima e mestiça percorria a serra e se instalava de forma indelével em suas vilas. Havia nesse fervor religioso e estético o anseio pela riqueza, a saudade a que ficavam obrigados os aventureiros e seus escravos, a herança artística de mil culturas diferentes e a experiência de artesãos que atravessavam oceanos colecionando influências.
A pintura não foi arte maior dessa época; mais brilhantes foram sua escultura e arquitetura, imortalizadas por Aleijadinho , Antonio Francisco Lisboa. Não podemos, porém, deixar de analisar a herança dessa primeira manifestação pictórica que resistiu tenazmente à decadência das cidades e às intempéries. Essa pintura apresentou diferentes graus de qualidade, objetivos e realizações, podendo-se encontrar desde aquela simplesmente decorativa, cuja função era cobrir de figuras simbólicas os claros existentes nas paredes dos edifícios , até, manifestações bem-sucedidas que representavam as cenas mais comoventes da História Sacra, dispostas geralmente, nas partes mais importantes dos templos , como o teto da nave e o altar–mor. Outras enfeitam as capelas onde os sacerdotes se preparavam para o culto e recebiam os fiéis de maior prestígio.
Pág   56 a 59

Fonte – A  IMAGEM  DA  MULHER - Um estudo da arte brasileira 
CRISTINA COSTA   SENAC, RIO - 2002

SER OU NÃO SER, EIS SHAKESPEARE



O mundo todo comemora em abril os 450 anos de nascimento de William Shakespeare (1564-1616), considerado, veja só, depois de Jesus, Napoleão e Maomé, a quarta pessoa mais importante da História, segundo o livro  “Who's bigger? Where historical figures really rank“, de Steven Skiena e Charles Ward. 
Muita gente não sabe direito quem foi este inglês, mas tropeça com ele ao repetir frases como “nem tudo que reluz é ouro“ ou “o que não tem remédio, remediado está“. 
Tradutora de 35 das 37 peças do autor, a coleguinha Bárbara Heliodora, 90 anos conversou com Ana Cláudia Guimarães, da turma da coluna.

Para um cidadão pouco afeito à leitura de clássicos, o que você diria sobre a importância de Shakespeare  ? 

O bom de Shakespeare é não ser preciso ficar pensando “Eu vou ler um clássico!“ É um prazer ler as peças de Shakespeare porque elas falam sempre de comportamentos humanos que nos interessam.

Shakespeare continua atual  ? 

Sempre atualíssimo. Costumo dizer que o segredo de Shakespeare é ele ter passado a vida tendo um grande caso de amor com a Humanidade. Ele escreve sobre o que o ser humano tem de bom, mau, de certo, de errado, de interessante, de brilhante e até mesmo de chato. Para ele, o ser humano é fascinante, e, por isso, tudo o que ele escreve continua a ser enriquecedor e, no melhor sentido da palavra, divertido para todos nós.

Cite um texto bem atual.

Que tal “Júlio César“, sobre a luta política pelo poder? Ou “Romeu e Julieta“, sobre o conflito entre duas famílias.

Qual é a melhor obra para uma pessoa se iniciar no universo de Shakespeare  ? 

“Júlio César”, “O mercador de Veneza“ ou “Henrique V“, muito concisas e claras, e nelas se pode encontrar a beleza com que ele arma enredo e cria personagens. Quanto mais se lê, mais se aprecia.

EM  TEMPO

A coluna é devota de uma frase de Shakespeare:

“É mais fácil obter o que se deseja  com um sorriso do que com à ponta da espada.” Algo parecido ao que disse nosso querido poeta Vinicius de Moraes: “É melhor ser alegre
Que ser triste.“ 
Mais aí é outra história.

Fonte  - Jornal O GLOBO - Rio pág  17  - 23/03/2014

O MAIS RADICAL DOS BAIRROS CARIOCAS



AVENTURA 

São Conrado, para quem vive no Rio e não mora lá, não passa de um bairro passagem entre a Zona Sul e a Zona Oeste do Rio. Mas se sofre com tal fama, aproveita, e bem, o esplendor de sua natureza.  Com tamanho privilégio, o mais radical dos bairros cariocas reúne atividades como o pulo de asa-delta e parapente, o surfe, com ondas muito concorridas, além das trilhas e escaladas na Pedra Bonita. De quebra, o passeio de jipe pela favela da Rocinha, também pode ser considerado como um atrativo de fortes emoções. 
A rampa, de onde se salta de asa–delta e parapente, é lugar para os corajosos. Lá se encontram  personagens como o instrutor de vôo e presidente da Associação de Vôo – Livre do Rio de Janeiro (AVLRJ). 
Localizada no Parque Nacional da Tijuca (PNT), em São Conrado, a Pedra Bonita é onde se concentra a maioria das atrações por causa do seu lindo visual. Conhecida por causa da rampa de onde são feitos, os vôos livres de asa-delta e parapente, ela também oferece trilhas  e, para quem curte um montanhismo, até a possibilidade de escaladas. 
A história conta que a Pedra Bonita foi, originalmente, parte das terras doadas aos colonos pela Coroa portuguesa,  as famosas sesmarias. E, segundo a lenda, o nome “Pedra Bonita“ foi dado por um dos primeiros colonizadores a chegar no Rio de Janeiro, que ficou encantado com a beleza da vegetação e paisagem que até hoje dali pode ser avistada. 
As trilhas foram abertas por famílias que moravam no lugar, antes da área fazer parte do Parque Nacional da Tijuca, em 1967. As famílias cultivavam flores e frutas e as vendiam em feiras na cidade. 
A praia de São Conrado também é point dos surfistas mais ousados. As ondas estão entre as melhores do Rio. Ainda no bairro, uma praia escondida, a Joatinga exibe uma vista maravilhosa e concentra um enorme número de surfistas, por ter ondas constantes. Eles chegam a qualquer hora do dia e descem as pedras que dão acesso ao mar, descalços, apenas com a prancha debaixo do braço. 
O professor de surfe James Simões, 28 anos, é morador do bairro e frequenta a Joatinga diariamente. 
- A Joatinga é um dos melhores lugares do Rio para pegar onda - garante. 
Com tantos atrativos, é impossível ser apenas um bairro de passagem.

Fonte  - JORNAL  DO  BRASIL (ON  LINE)      CIDADE  A 19 
Domingo ,25 de novembro de 2007   Anna   Luiza   Guimarães 

terça-feira, 19 de abril de 2016

O CARROSSEL HOLANDÊS


DEBATE  EM  RH
ABN  Amro  Bank apresenta sua experiência

Na Copa da Alemanha, 1974, a seleção Holandesa encantou os amantes do futebol com seus jogadores polivalentes que subverteram a ordem natural do esporte mais praticado em todo o mundo. Traduzindo, craques como Cruyff, Neeskens, Johnny Rep, Resenbrink e outros ocupavam os espaços do campo sem guardar posições fixas. Naquela ocasião, o time ensinou uma lição aos estudiosos e praticantes do futebol. Sim. Havia um modo de fazer diferente o que todos faziam tão igual.

São Paulo, 1992. O ABN Amro Bank transfere sua sede do Rio de Janeiro para a capital paulista. A mudança, porém, não foi somente de cidade. A área de RH desse banco internacional com raízes holandesas resolveu pôr em prática  o conceito de polivalência, sempre muito comentado no plano teórico, mas pouco executado. Batizado de “Carrossel Holandês“ em alusão à seleção vice-campeã mundial de 74 e 78, a equipe do banco resolveu enfatizar a polivalência, valorizando a visão generalista em comparação à visão especialista.

Maria Julieta Pinto Rodrigues Nogueira, diretora de RH do ABN  Amro Bank, explica que o “Carrossel Holandês“ inicio-se há quatro anos, em maio de 92. Contratada em agosto do mesmo ano, ela integrou-se rapidamente ao time e participou ativamente da implantação da nova proposta de trabalho.

Como uma tas titulares do “Carrossel Holandês“, Julieta vai contar essa experiência bem sucedida e as dificuldades encontradas pela equipe, sobretudo no momento da implantação desse conceito.

Para contrapor o estereótipo de burocrata impingido ao profissional de RH, o pessoal do ABN  Amro Bank descobriu o que parece óbvio, conforme descreve Julieta: “O carrossel enfatiza o time. Ou seja, não há estrelas e prevalece o coletivo. Foi exatamente o que fizemos em nossa área. Todos atuam nos diversos segmentos de maneira integrada e não estanques para evitar feudos. Periodicamente , fazemos rodízio de funções de modo a que as pessoas conheçam as atividades de cada sub setor, como Treinamento & Desenvolvimento, Recrutamento e Seleção, Remuneração e Benefícios e outros. 

Essa versatilidade permite aos gerentes da área estabelecer um canal de comunicação com os “Clientes“- que são os usuários de RH: diretores , gerentes e funcionários  - facilitando a resolução dos problemas, pois todos estão integrados ao processo. Na administração do departamento de RH, os gerentes seguem o raciocínio mercadológico sendo responsáveis por seus “produtos“, tais como T&D, Recrutamento e Seleção, Remuneração, etc.

Ao destacar a participação dos 27 profissionais de RH envolvidos no processo, Julieta destaca a de Fernando Lauder, um dos articuladores do “Carrossel Holandês“  e hoje responsável pela área de RH para a América Latina.

Durante o debate, ela falará sobre os bons resultados obtidos nesses quatro anos, com ênfase em dois pontos: a constatação de que as pessoas de RH podem, e devem, conhecer todo o processo e a consciência da necessidade de ser pró-ativo no atendimento ao cliente.

Resumindo, Julieta acredita que a essência do “Carrossel Holandês“ está apoiada no tripé Cliente/Produto/Mercado:  Precisamos ter o foco sempre voltado para o cliente, um produto adequado e bastante conhecido por parte dos profissionais e a visão de mercado, que prevê a constante atualização tecnológica das ferramentas usadas pelos profissionais de RH".

Fonte  Jornal Estado  de São Paulo 

AÇÃO JOVEM - DEUS



Saí do quarto dos meus filhos, onde há pouco os fazia dormir e pensei: “como é incrível ser mãe“ , aquele cheirinho gostoso de criança, o beijo do filho e aquela vozinha doce dizendo "mamãe“, ahhhh, derrete qualquer coração. É claro que ser mãe também tem seus sacrifícios, e que, sacrifícios ! Não preciso enumerá-los aqui, porque se for mãe, você bem sabe do que estou falando e se você não for ainda, a seu tempo tudo compreenderás. Mas é essa vida cheia de sacrifícios e também repleta de alegrias, que faz da vida da mulher um mistério, e por quê não dizer: um mistério divino, já que foi o próprio Deus que misteriosamente nos fez mulheres.

Existem realidades próprias do ser mulher, e que bom é assim ! Talvez há algum tempo atrás seria desnecessário falarmos disso, mas hoje em tempos de relativismo, do “tudo pode “, do “tanto faz”, onde se tenta inverter os papeis o tempo todo, é relevante destacarmos essas características únicas que fazem de nós mulheres esses seres especiais. Ao contrário do que estão dizendo por aí, ser mulher não é uma escolha que posso fazer num determinado momento da vida, mas uma identidade e uma missão, a missão de levar o amor ao mundo. A mulher tem sua sensibilidade própria, que a faz perceber mais o outro, doar-se e sacrificar-se pelo outro. A mulher tem essa responsabilidade de tentar – e conseguir – dar conta de mil coisas ao mesmo tempo pra não deixar ninguém na mão. A mulher é essa presença forte, que dá sustento quando tudo parece que vai desmoronar. É o ser doce para acolher os filhos e o esposo, mas também a presença bela e suave para receber deles o amor e o carinho.

O mundo tenta pintar a figura da mulher moderna de terno e gravata, tirando-lhe aquilo que é mais belo, a feminilidade, a maternidade. Já eu prefiro a imagem da mulher com o filho nos braços e o olhar acolhedor, que não perde sua essência, mas sabe reconhecer seu papel tão importante nesse mundo. A mulher é a firmeza e a identidade de uma família, é por isso que um dia, alguém já disse: “quem educa um menino, educa um homem, mas quem educa uma menina, educa toda uma sociedade.“ Eu sei, você pode me dizer: “Ah, mas não é fácil ser mulher ! “Concordo com você, realmente não é fácil, mas é encantador. Outro dia estando em casa, em meio a tantas atividades me peguei pensando como minha vida de mulher, mãe, esposa, e profissional de Deus, é uma vida tão cheia de perfumes: o cheirinho do café passado, a roupa lavadinha no varal, a cebola refogando na panela, a bochecha do meu filho cheirando a pirulito, aroma tão simples, tão cotidianos, que fazem de minha vida de mulher um perfeito caminho de santificação, quem dirá que não ? Maria, a mulher segundo o coração de Deus também viveu em meio a esses perfumes.

Fonte   - Revista  Canção Nova    ANDRÉA  TAISA  DE  MOURA  CAMARGOS  (DÉIA )
Comunidade Canção Nova  Março de 2015 

JARDINAGEM - Invenção dos deuses



A criação da rosa envolveu cinco deuses.  Segundo a mitologia grega, a deusa das flores  , Clóris, transformou o corpo sem vida de uma ninfa encontrada no bosque em uma flor. Com a ajuda de Afrodite, a deusa do amor, a flor ganhou beleza. Dionísio, o deus do vinho, ofereceu néctar para dar-lhe um perfume doce. Depois foi a vez de Zéfiro, o vento oeste, que afastou com seu sopro as nuvens para que Apolo, o deus–sol, pudesse brilhar para fazê-la florescer. Dessa forma, a rosa nasceu e, com tanto esplendor e encanto, foi logo coroada a Rainha das Flores.

Essa lenda, contada no livro A linguagem das Flores  ( Editora Melhoramentos ), é uma entre tantas outras que tentam desvendar a origem da rosa, uma das flores mais antigas e ainda das mais conhecidas. “Ela é campeã de pedidos para arranjos“ conta a florista Leonor Flores Barbosa. “E de todas as espécies, a vermelha sempre está em primeiro lugar.“

Além de predileta vermelha, há muitas cores de rosas. Embora não se saiba ao certo quantas existem, 208 tipos estão registrados no livro The Book of the Roses, considerado a bíblia dessa flor. Brancas, amarelas, laranjas, pinks, champanhe, de cores mescladas, de tamanhos diferentes... Cada uma tem o seu encanto.

Encanto exaltado por pintores, poetas, músicos  e, em tempos remotos, por reis. Embora fósseis revelem a sua mais primitiva forma há mais de 35 milhões de anos, o cultivo de rosas parece ter crescido nos jardins asiáticos há cinco mil anos. Na Pérsia, suas pétalas eram utilizadas para encher o colchão do sultão.

Mais tarde, as rosas tornaram-se sinônimo dos piores excessos do Império Romano. Em banquetes e orgias, os imperadores e seus convidados sentavam-se em tapetes de pétalas, que também caíam do teto para deleite de todos. No Brasil, as primeiras mudas chegaram pela mãos de Padre José de Anchieta, entre 1560 e 1570.

A rosa é a flor do amor. E presta-se a várias ocasiões: um lindo buquê serve como um belo presente para amados, amigos do peito, parentes, enfim, agrada a gregos e troianos. Também alegra os ambientes. “Durante cerimônias de casamento, é chiquérrimo usar rosas brancas espalhadas em abundância pela igreja“, diz a florista Aparecida Helena Leme, da Victoria Flores.

CUIDADOS – Depois de colhida, a rosa dura cerca de  12 dias. Para conservá-la bonita por mais tempo, há alguns segredinhos. Antes de colocá-la num vaso com água, deve-se tirar as folhas de sua haste, porque ela estraga a água e mata a flor, explica Aparecida. Depois, basta trocar a água do vaso e cortar um dedo da haste todo santo dia. O vaso precisa ficar num local com luminosidade  ( mas não diretamente no sol ) e ventilação.

Se for impossível seguir essa rotina, a dica da florista Leonor é colocar na água do vaso uma colher de café de água sanitária, para não deixá-la turva e insalubre. Mesmo assim, a água deve ser trocada sempre que possível. Todo cuidado é pouco para garantir por mais tempo a beleza da rosa, que, além do mais, não é barata.

Sorte de quem tem roseiras no jardim... As flores do quintal conservam o aroma tradicional das rosas. “As plantadas em larga escala não têm cheiro algum por causa dos adubos químicos usados nos cultivos“, observa Leonor. “A única que mantém seu perfume é a rosa amorosa, flor pequena, porém, sempre cheirosa.“ 

A flor vai além de presentes e decoração. Em banhos, gotas de óleo  essencial de rosa e pétalas espalhadas pela banheira relaxam estressados crônicos. A flor é muito usada na fabricação de cosméticos  e receitas caseiras de beleza. Na culinária, seu uso vai de chá a deliciosas geleias, comum na Europa.

São mil e uma utilidades da rosa que passam, simplesmente, por todos os sentidos do ser humano: olfato, visão, tato, paladar e audição. Audição  ? Isso mesmo, pois quem não gosta de ouvir um elogio junto com um buquê de rosas ? 

Fonte  - SUPLEMENTO  FEMININO  F6    sábado/domingo   27/28 de março de 2004
Ciça  Vallerio 

SIMBOLOGIA DAS FLORES



Copo de leite - União 
Tulipa - Declaração de Amor 
Coroa Imperial - Majestade, Poder 
Margarida - Inocência 
Camélia - Beleza Perfeita 
Lírio - Pureza 
Íris - Amor Secreto 
Miosótis - Fidelidade 
Flores do Campo - Juventude 
Celósia - Fertilidade 
Crisântemo - Apaixonada 
Rosa Vermelha - Amor Intenso 
Rosa Amarela - Felicidade e Orgulho 
Rosa Branca - Pureza e Paz 
Dália - Amadurecimento 
Gérbera - Vida, Energia 
Jasmim - Sorte e Alegria 
Girassol - Luz e Força 
Magnólia - Simpatia 
Orquídea - Pureza Espiritual e Perfeição

Fonte  - Revista Jacques Janine - pág 43  Buquês 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Homeopatia no combate ao ZIKA VÍRUS


NA VISÃO DA HOMEOPATIA  devemos sempre estar fortalecidos para nos tornarmos imunes a qualquer tipo de agressão do ambiente, principalmente vírus, bactérias , parasitas, etc. Quando estamos fortes  , nosso sistema de auto cura consegue repelir qualquer invasor porque não acontecerá o fenômeno da ressonância, onde a freqüência vibratória do agressor entra em sintonia com a freqüência energética do hospedeiro.

Estar fortalecido significa estar apto a suportar o ataque de qualquer tipo de vírus, para tanto, nosso mental deve estar harmonizado com pensamentos construtivos, positivos e de confiança de que qualquer evento ruim será superado em nossa vida  . Também nossas emoções são a maior porta de entrada de invasores, mas como ficarmos bem em meio ao caos que muitos estão vivenciando no dia a dia de suas vida atribuladas? 

Através da higiene mental emocional , da manutenção da alta auto estima, apesar das adversidades, da confiança de que todos somos merecedores de dias melhores, porque fazemos por onde merecer.

A ação do Zika Vírus é semelhante a ação dos vírus da dengue e da febre amarela, pois é transmitido pelo mesmo  mosquito Aedes aegypti. Dependendo da predisposição de algumas pessoas, a infecção pelo Zika Vírus pode levar ao desenvolvimento da Síndrome Guillain-Barré, uma doença que pode deixar a pessoa sem andar, respirar e ser fatal, quando não tratada. Procure o hospital mais próximo, ao constatar mais de 3 sintomas listados abaixo e se também apresentar fraqueza progressiva nas pernas e braços.

Os sintomas duram 7 dias e podem ser confundidos com os da dengue. Surgem 10 dias após a picada de um mosquito e inclui febre acima de 38° C e manchas vermelhas na pele do rosto e que, após algumas horas, podem ser acompanhados de:

- Dor de cabeça constante;
- Manchas vermelhas além do rosto, nos braços, pernas e abdômen; 
- Fadiga exagerada;
- Hipersensibilidade ocular com vermelhidão;  
- Dor nos músculos, nas articulações, mais nas mãos e pés;
- Diarreia ou prisão de ventre com forte dor de barriga.

Fonte – JORNAL  PRANA  -   pág 10 – JANEIRO/2016
Homeopatia   Profª Eliete M M Fagundes 

Me livrei dos mosquitos em casa


Todo cuidado é pouco com a epidemia da Dengue e Zika Vírus. 

É necessário não só a conscientização, mas também a colaboração no sentido de: 

- Evite deixar água parada em sua residência, nos vasos, pneus, bacias, baldes, tanques, barris, quintais, etc...

- Não deixe acumular lixo na sua casa e ao redor. Jogue o lixo no lixo e não nas calçadas, nos morros, em terrenos baldios, nos córregos. Doe o que resolver jogar fora.

-Crie o hábito e não jogue lixo nas praias, pitucas de cigarro, tampinhas garrafas pet, latinhas, restos de alimentos para que os pombos fiquem longe das praias, pois transmitem doenças graves. Comente com familiares, amigos a importância de preservarem o meio ambiente.

- O acúmulo de lixo nas areias, que irão para o mar, tais como: sacos plásticos , garrafas pet, roupas, chinelos, estão acabando com os peixes e outros animais. Daqui alguns anos não teremos  mais peixes. É um assunto repetitivo porque o adulto não dá exemplo à seus filhos, às crianças e jovens e joga tudo pela frente.

- Esse desastre ambiental e conseqüências é resultado do descaso das autoridades competentes e da população do mundo inteiro, que em vez de cuidar, destrói. O desperdício de água nas casas, nas ruas, nos prédios é absurdamente inaceitável. 

- Pensávamos que daqui uns 30, 40 anos viria esse abalo, mas a destruição e desleixo foi tão grande, que a resposta veio mais cedo.

- Algumas doenças não surgem por acaso, portanto a necessidade de mudarmos nossas atitudes é de máxima urgência. Quantos anos fomos avisados para os cuidados com a dengue. O saneamento básico  em muitas regiões do Brasil, ficou na promessa. Até nas grandes capitais. Muitos continuaram se descuidando deixando água parada e lixo. 

- Em casa, pra não dar chance aos mosquitos de ficarem rondando dia e noite, me livrei deles com algumas atitudes pois todo cuidado é pouco. No ano retrasado em São Paulo, não conseguia dormir com o zumbido dos pernilongos. Como deixo na cabeceira uma latinha de Vick Vapo Rub, surgiu a Ideia de destampar a latinha, deixando as partes em pontos estratégicos e deu certo. Sumiram. Aqui no Rio de Janeiro, como tem  mais mosquitos, pernilongos, rondando...  de duas latas abertas, coloco uma na cabeceira e outra em cima do móvel e também na beira das janelas, do quarto. Assim durmo  com as janelas abertas, no edifício onde moro. Durante o dia elas continuam no mesmo lugar. Me desculpe  o fabricante, mas encontrei essa solução, pois as mordidas freqüentes, doloridas, são irritantes. E pensando nessa epidemia pior ainda.

- Atenção: Cuidado com as crianças e animais, para não pegarem as latinhas. Também, recomendo  não deixar vestígios nos móveis, na cozinha, pisos com  restos de comida, doces, refrigerantes. Tampe as latas de lixo da cozinha, banheiro e vaso.

Foi assim, que me livrei desses insetos, que podem nos causar doenças e perturbarem nosso sono. 

Fonte -  Ana Regina Gouvêa - professora de Matemática – Gestora de Comunicação - 

A CONSOLIDAÇÃO DAS ESCOLAS DE SAMBA

Acadêmicos do Salgueiro: Pamplona conquistou quatro campeonatos no Grupo 1 pela escola

As transformações sociais e culturais das décadas de 40 a 70

A crescente industrialização que se desencadeou na década de 40 determinou, nas grandes metrópoles brasileiras, um crescimento demográfico desenfreado: no Rio de Janeiro, expandem-se as favelas e subúrbios, berço das escolas de samba. Era o panorama ideal para entrar em cena outra força social: o banqueiro do “jogo do bicho “. O jogo é bastante simples e popular e não necessita qualquer nível de escolarização dos participantes: basta escolher um animal e apostar nele. No Rio de Janeiro foi durante décadas , associado ao tráfico de drogas , mas com a prisão de alguns líderes “ do bicho “ , este elo foi afrouxado.
Proibido em 1946, os “ bicheiros” passaram à clandestinidade e necessitavam encontrar apoio social  ao “ bicho “ e as escolas de samba que haviam criado fornecia a organização que aglutinava força suficiente para que os “ bicheiros “ pudessem negociar com a polícia, com “ autoridades “ e com o próprio governo. E m contra partida, a escola de samba receberia apoio financeiro que necessitasse. O apoio dos bicheiros às agremiações carnavalescas é um fenômeno bastante específico da cidade do Rio de Janeiro, em cuja análise não nos deteremos aqui. Importa compreender que contribuiu para criar os modelo de “super escola “. Este modelo apóia-se , fundamentalmente, na grandiosidade estética do espetáculo, maximização dos aspectos plástico e numérico na composição dos desfilantes, contratação  de profissionais externos à intimidade organizativa da escola e mercantilização do processo do carnaval – desde seus primeiros momentos de elaboração ao desfile na Avenida  - e das inúmeras ramificações dele decorrentes  .
A estrutura das “ super escolas “ cariocas irá influenciar esteticamente as escolas de samba em todo  país.  Mas em cidades onde não existe a variante do “ bicheiro “, continua havendo ou a pressão sobre o Estado para que assuma as responsabilidades sobre o carnaval naqueles moldes, ou a busca de consolidação das relações com grandes comerciantes e industriais, ou ainda alguma empresa que queira assumir a organização de uma escola de samba. Este processo de negociação e captação de recursos é sempre difícil e trabalhoso, demanda tempo e pesados esforços das direções e entidades carnavalescas, como vermos adiante.
Por volta de 1940 , no Rio de Janeiro, as escolas obtêm seu direito de desfilar nas avenidas centrais. Ainda havia exibições das sociedades carnavalescas e ranchos, mas em franca decadência. No princípio desta década, o país sofre os reflexos do clima mundial ante guerra.  Com a suspeita de que o Brasil viria integrar o conflito, esta época representou um período de baixa no ânimo carnavalesco em geral. Mas as escola de samba não ficaram fora do processo de participação social naquele importante momento histórico: lançaram sambas alusivos à guerra e integraram as campanhas lançadas pela União Nacional dos Estudantes e pela Liga de Defesa Nacional. Em 1943, estas entidades ajudaram na promoção do “ carnaval popular “ das escolas de samba, assumindo a coordenação dos desfilantes naquele ano.
As décadas de 40 e 50 são consideradas o coroamento do “ ciclo de formação “ das escolas de samba quando estas constituem seu esqueleto básico: enredo, samba-enredo, alegorias e fantasias. Na década de 50 , passado  período de maior apreensão gerado pelo clima de guerra, as escolas de samba entram num processo vertiginoso de ascensão, resultado da efervescência política e cultural do país e do apoio do “bicho“. Com o crescimento, e como conseqüência a penetração maior na opinião pública, atraem a atenção d outros setores, ampliando seu leque social e diversificando os interesses que até então tinham estado em gênese. Os sambistas “do morro“ já haviam  “descido para o asfalto “ para espetáculos comerciais e começam a penetrar nos ambientes de rádio e disco. Por outro lado, a competição colocava sempre mais e mais necessidades: mais patrocínio, mais originalidade , mais riqueza. A sociedade brasileira já não é a mesma das primeiras décadas: levas de imigrantes europeus haviam modificado a feição cultural do país. Com a ação disseminadora de informações promovidas pela televisão, são criadas novas exigências estéticas e culturais. Novos anseios, novas culturas alteram o caleidoscópio cultural, oferecendo panoramas diferenciados de aspirações.
Em 1959 , a Escola de Samba do Salgueiro detona um processo que se tornaria irreversível nos períodos subsequentes traz para seu quadro artistas e intelectuais universitários, que chegam portando valores estéticos diferenciados e que em meio a oposições e conflitos, vão sendo incorporados aos tradicionais. A influência é imediata: mesmo as escolas conservadoras começam a rever seus valores estéticos, reelaborados pelo contato com as novas informações. Além dos valores estéticos, as bases territoriais também principiam a ampliar-se: das sedes dos morros, as escolas de samba começam a instalar-se em áreas mais centrais visando atingir um segmento que até a década de 40 havia assistido ao espetáculo somente das arquibancadas: a classe média. A capital do país muda para o interior, mas as escolas de samba crescem cada vez mais. Este é um processo que gerará inúmeras polêmicas entre os estudiosos e entre os próprios sambistas, configurando-se mesmo como um divisor de águas denominados por setores como o “branqueamento das escolas de samba“. Ao lado da entrada de novos setores sociais, a escola de samba cresce em importância política. É notório o caso do impasse diplomático Brasil-Paraguai , quando em meio à Operação Pan-americana lançada pelo governo Juscelino Kubitschek, a Império Serrano em seu samba-enredo chamou o presidente paraguaio Solano Lopez de ditador. O Itamarati interveio e as escolas de samba prestam solidariedade à Império Serrano, mas a pressão foi tão grande que esta teve que ceder e a “ Confraternização Brasil-Paraguai“ do enredo tornou-se  “Confraternização Latino-Americana“.
A propósito deste período, Octavio Ianni assinala que o populismo no Brasil assumiu diversas facetas: o getulismo , o trabalhismo , o populismo de esquerda etc.
Esta migração de outros setores sociais para as escolas de samba, principalmente de alguns quadros profissionais relacionados às artes plásticas, e a freqüência da classe média nos ensaios é o resultado do momento histórico que se vivia na década de 50 e início da década de 60: participação de trabalhadores urbanos  e industriais em campanhas eleitorais, em movimentos nacionalistas, em lutas anti imperialistas, pelas reformas de base, pelo fortalecimento da denominada “ cultura nacional e popular“ etc., ou seja , um momento forte de efervescência cultural e politica. Como afirma Octavio Ianni "o populismo sempre foi, malgrado as distorções político-ideológicas que lhes são inerentes, um mecanismo de politização das massas". Natural, portanto, que, resultado dessa efervescência, alguns grupos de classe média se interessassem pelo que consideravam um “autêntico reduto de cultura popular“ – a escola de samba. Havia também um grupo que, abertos os canais de participação, havia “aderido ao mundo do samba“ com entusiasmo e convicção buscando um ambiente social onde pudesse reconhecer-se como integrante de uma comunidade. Ao lado deste grupo que frequentava principalmente as quadras de ensaio, havia outros grupos que, oriundos das camadas médias e altas, desejavam poder usufruir as glórias de participar de um evento em evidência na mídia e na opinião pública, como é o desfile das escolas de samba; outro grupo ainda, também oriundos das camadas  médias, que via nos luxuosos desfiles uma oportunidade de aplicar seus conhecimentos artísticos com remuneração adequada, que serão consubstanciados nos “carnavalescos“ surgidos em finais da década de 50  nas escolas cariocas, e motivo de grandes polêmicas. Rodrigues aponta que  , a partir deste momento , operou-se uma transformação radical na estrutura das escolas de samba : a coreografia passa a ser mais marcada, os figurinos mais leves e modernos e as evoluções resultam de num verdadeiro show ambulante. Estas mudanças são fruto de um trabalho de artistas de cultura erudita  que aí encontram campo fértil para o desenvolvimento de suas concepções de arte. A autora relata detalhadamente os choques ocorridos com a admissão do artista plástico Pamplona na condução artística do Salgueiro. O carnavalesco propunha uma ala de “guerreiros africanos“, desgostando alguns participantes que acreditavam que o tema não cabia para o carnaval. 
Pamplona teria também interferido nas fantasias das baianas, na bateria, na formação total do desfile e até na maneira de dançar o samba. Este exemplo parece indicar a distância de representações do mundo do sambista em relação ao universo daqueles que vieram de outras origens sociais,  o que traz complicadores à organização do carnaval. Neste caso, ou gesta-se um processo democrático de negociação de opiniões, ou impõem-se o autoritarismo dos "profissionais" carnavalescos, o que dependerá do grau de exercício democrático e participativo em cada escola.

Fonte: O Samba Conquista Passagem - págs 64 à 69 
Ed. Vozes, 2001 - Rio de Janeiro
Cristiana Tramonte

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CARNAVAL




Das  lavouras  de café

Ao  Sambódromo 


O documentário Samba  à Paulista, feito por alunos de cursos da USP, narra a história do Ritmo trazido pelos negros que hoje inspira milhões na comemoração do Carnaval de São Paulo


Na periferia marginalizada de uma São Paulo em construção, o som retumbante dos batuques anunciava uma cultura imigrante que mais tarde influenciaria a cultura brasileira de forma definitiva. Os negros, últimas gerações de escravos do século 19, resgatavam sua identidade perdida nos navios negreiros com o som dos seus instrumentos peculiares em um samba rural e popular, improvisado em meio às lavouras cafeeiras. Não eram poetas ou compositores, mas cantavam sua vida em ritmo dançante e contagiante.

Esta história e suas consequências são ricamente e contadas no documentário Samba à Paulista – fragmentos de uma história esquecida. O documentário realizado por alunos da Escola de Comunicações e Artes e da Faculdade de Filosofia,  Letras e Ciências Humanas da USP resgata, através de depoimentos e vídeos antigos, a história daquele que é o mais característico ritmo musical brasileiro e que na próxima semana embala a todos no festejo do Carnaval. O documentário está sendo exibido pela TV Cultura em três partes. O último episódio vai ao ar nesta quinta-feira, 15 de fevereiro, às 23 h 40.

Com poucos registros históricos  existentes, o documentário trabalha sempre com um diálogo entre o histórico e o atual, costurado pelo depoimento de estudiosos e daqueles que viveram momentos áureos deste movimento popular. Personagens como Toniquinho Batuqueiro, Mestre Feijoada, Geraldo Filme, Germano Mathias e Nelson Primo contam as histórias que São Paulo não registrou e trazem à tona um movimento que por pouco não se perde no tempo. E é neste resgate de depoimentos e da história que está a grandiosidade do documentário.

Quando os negros chegam das lavouras de café à capital após a instauração da Lei Áurea de 1888, trazem consigo toda a cultura musical do interior. A cidade não os aceita e eles partem para a periferia em um movimento urbanístico de marginalização. Nas fronteiras da cidade, eles constroem centros de resistência e terreiros onde podem desenvolver sua cultura. “Entender a participação do negro neste movimento é a parte mais ensaística do documentário. Trabalhamos com depoimentos como gancho para contar esta história e usamos os raros textos que a retratam para ajudar a compor o cenário“, explica Gustavo Mello, diretor do documentário.

“Esses negros trouxeram para São Paulo o mesmo ritmo que levaram para a Bahia ou para o Rio de Janeiro, mas aqui isso se perdeu“, aponta Eduardo Piagge, assistente de direção e pesquisador. Em São Paulo, o negro não conseguiu se integrar à sociedade e assim como seu samba de batuque tornou-se elemento marginal até meados do século 20.

Já no Rio de Janeiro a, cidade que mais tarde seria modelo de Carnaval para São Paulo, os poetas e compositores abraçaram esse ritmo popular e improvisado. Com a ajuda da Rádio Nacional, a urbanização do samba rural foi difundida e popularizada. “O que mais difere no Rio foi a receptividade do espaço urbano a este movimento rural. Lá, eles estão mais próximos dos morros onde se desenvolveu o ritmo e mais para frente você vê as autoridades visitando os galpões das escolas de samba. Em São Paulo há este movimento de urbanização, mas não há a difusão como houve no Rio“, conta Mello.


Dionísio Barbosa e os cordões  - A história do samba em São Paulo é feita de alguns grande nomes. Um deles e talvez o primeiro é Dionísio Barbosa, negro da primeira geração de escravos livres que veio para a capital em busca de oportunidades como liberto. Aqui, foi para a Barra Funda, reduto negro da cidade.

Nascido em 1891, Dionísio uniu a expressão do interior paulista com a influência do samba Rio de Janeiro, onde conheceu a Festa da Penha e todas as tradições carnavalescas cariocas. Em 1914, reuniu sua família e foi para as ruas festejar, cantar e tocar o samba que iniciou a tradição dos cordões. “Ele é emblemático porque cria essa manifestação genuína que é bem típica de São Paulo. Já havia na cidade eventos carnavalescos, mas eram manifestações da classe rica e branca. O Cordão da Barra Funda era o primeiro movimento cultural organizado dos negros, o primeiro cordão da cidade, algo pequeno, composto por 15 a 20 pessoas“, explica Mello.

No Cordão da Barra Funda , os homens ensaiavam e desfilavam pelas ruas vestidos com camisas verdes e calças brancas. Este movimento foi o embrião do hoje Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco.

Mais do que um grupo que desfilava no carnaval, o cordão era um espaço de identidade reativa dos negros onde eles cultivavam todos os elementos de sua cultura. “O cordão era o espaço deles, onde realizavam bailes, cortejos e até piqueniques com elementos típicos de sua culinária em Santos ou no interior. O samba era uma parte dessa manifestação cultural“, conta Piagge.

Logo os cordões vão surgindo pelos bairros e terreiros ocupados pelos negros, como a Baixada do Glicério e Bexiga. Na Época do Carnaval, os negros  se fantasiavam de corte européia, com direito a rei, rainha , conde , duquesa e toda linhagem real. Nas imagens recuperadas de um documentário de 1937, os negros dançam com suas perucas brancas e roupas elegantes levando os estandartes com o nome do grupo. À frente, vinha a baliza, alguém habilidoso que fazia diversas piruetas com o bastão. Atrás, a bateria formada por instrumentos de sopro, violões e muitos surdos, liderados por um apitador.

Saindo de seus territórios de periferia, os negros invadiam os espaços tipicamente brancos causando reações agressivas por parte de uma sociedade ainda acostumada com a escravidão. “Muitas vezes as camadas com mais dinheiro jogavam bexigas com urina ou mesmo agrediam fisicamente os participantes dos cordões. A maioria deles preferia usar a força policial  para reprimir a manifestação popular negra na cidade, assim os policiais levavam instrumentos ou mesmo prendiam membros“, conta Mello.


Dos cordões às escolas 


Em meados do século 20, as escolas de samba começaram a sufocar os cordões. Inspirada pelo sucesso do Carnaval carioca, a população branca começa a se envolver no movimento e até a fundar suas próprias escolas. “Começaram a surgir mais escolas de samba do que cordões pela cidade. Mudou a manifestação. Não que tenha sido ruim, mas essa influência do Rio de Janeiro acabou sublimando um movimento típico de São Paulo“, afirma Mello, diretor do documentário.

No início, era uma manifestação amadora. As escolas ainda eram majoritariamente negras e pobres e não tinham verbas para sustentar um desfile luxuoso de fantasias e carros alegóricos. Para pagar os custos, eles passavam a taça do ano anterior para que os membros contribuíssem.

Já em 1967, com a ditadura militar recém-instaurada no País, o governo decide oficializar o Carnaval paulistano como forma de distrair o povo da repressão política. “O que era mais fácil para iludir o povo ? Futebol e Carnaval“, relata Evaristo de Carvalho, radialista que participou deste movimento.

No entanto, o então prefeito Faria Lima, um carioca de Vila Isabel, não confiava nos dirigentes das escolas para cuidar da verba. Assim, decidiu repassá-la para a rádio Record. Os papas do samba ficaram indignados e decidiram unir-se para garantir que no ano seguinte eles recebessem o dinheiro diretamente. Elegeram um como porta-voz Moraes Sarmento, que ficou encarregado de falar com o prefeito.

Aceita a proposta de Sarmento, Faria Lima exigiu que o Carnaval paulistano tivesse a mesma estrutura e organização de o evento carioca. Com a conivência dos sambistas foi imposto às escolas daqui o mesmo regulamento das do Rio de Janeiro, que determinava todos os detalhes da apresentação e do julgamento dos desfiles. “Segundo os pesquisadores, importar o  modelo do Rio foi a forma encontrada pelos sambistas de São Paulo para legitimar seu movimento, de fazê-lo aceito e valorizado pela parcela da sociedade que agredia os negros do cordão. E muitos desses sambistas viam o modelo carioca o verdadeiro modelo de Carnaval“, relata o diretor.

Com a adoção do modelo carioca, os cordões que antes se espalhavam pelas ruas de toda a cidade foram concentrados em duas avenidas da capital: São João e Tiradentes.

Já no início dos anos 90, durante o governo da prefeita Luisa Erundina foi criado o Sambódromo do Anhembi, local onde se concentra o Carnaval paulistano até hoje. “Hoje não tem mais Carnaval, tem desfie. Estamos confinados no Sambódromo", critica Carlão, “embaixador“ da Unidos do Peruche que foi acompanhado pela equipe do documentário durante todo o dia de desfile de sua escola no Carnaval de 2006. “Hoje o ônibus vai à quadra, apanha as alas, leva para o Sambódromo, descarrega na concentração, vai para a dispersão, para o desfile, sobe no ônibus e vai para a quadra. Lá, põe a roupa e vai embora“, resume o radialista Evaristo de Carvalho.

Com o confinamento no Sambódromo, o Carnaval perdeu não só o espaço como participação popular, sua característica mais marcante. “Não pertence mais ao povo, ao pobre. Pertence a quem pode pagar, a quem tem dinheiro“, critica o sambista Osvaldinho da Cuíca.

Para o pesquisador Eduardo Piagge, a única Escola de samba que mantém um pouco tradição dos cordões é a Vai-Vai. Segundo ele, ela apresenta um samba de som mais forte e mais similar às margens de tradição rural, graças à sua bateria mais pesada, com destaque para os surdos espalhados entre os diversos membros.


Terra das oportunidades


Mas não era só no Carnaval que se fazia samba. O ritmo contagiante inspirou sambistas do Rio e de São Paulo  , que , cada qual a seu jeito  , começaram a desenvolver o novo ritmo para as rádios nacionais. Manteve-se o batuque pesado do samba rural como fundo para as letras agora com estrofes e refrões. Era o samba rural urbanizado que ganhou o País em músicas como Está chegando a hora, de Henricão, compositor do primeiro samba da Vai-Vai, em 1928.

Se no Rio de Janeiro o Carnaval virava modelo para o País, era em São Paulo que os sambistas viam o dinheiro e as oportunidades em casas como o Jogral e Oba Oba. Assim, os nomes mais talentosos migraram para cá em busca de trabalho e de espaço para cantar. “Martinho da Vila conta que todo o início de sua carreira foi aqui em São Paulo. Aqui tina espaço e público. Mesmo nos anos 60, os sambistas de São Paulo ainda não tinham se consolidado como grandes cantores. A única exceção é o Adoniram Barbosa e mais tarde Germano Matias. Quem fazia sucesso era mesmo os cariocas“, aponta Piagge.

O Carnaval é hoje um dos eventos mais aguardados por brasileiros e até estrangeiros, mas há mais heranças deste samba rural dos negros espalhados pelo Estado.

A essência do samba familiar permanece viva em grupos do interior paulista como o Samba de Bumbo em Vinhedo e Tambu de Piracicaba. “São as manifestações mais fortes deste samba do século 19 que encontramos, movimentos que se mantêm por uma tradição familiar ao longo das décadas “, cita Piagge.

Mas como toda manifestação cultural, a história do samba rural é viva e constantemente reconstruída sob as influências dos novos tempos. O samba de hoje mantém o batuque, mas conta outra história. Uma história miscigenada de brancos e negros, de outras dificuldades, alegrias e tristezas e quês está se perdendo a cada nova geração.

Os depoimentos de sambistas do interior ilustram bem a mudança na interação do batuque com a comunidade. “Ao mesmo tempo em que esses grupos mantém o samba de batuque por uma tradição familiar, é cada vez mais evidente seu enfraquecimento nas cidades. Quando fomos para Tietê filmar a festa lá  , ninguém sabia dizer onde ou mesmo quando ela acontecia“, revela o diretor Gustavo Mello.

No outro lado estão aqueles que na ânsia de preservar uma história por tanto tempo marginalizada vêem o samba rural como um folclore. “É muito complexo aceitar esta herança e deixá-la em aberto para que ela sofra as transformações naturais da cultura. As pessoas entram  num radicalismo que se fecha em si mesmo e que não aceita a pluralidade do movimento“, critica Piagge.

Samba à Paulista não se propõe a dar um final para a narrativa. Ele deixa ao espectador a oportunidade de pensar naquele que é sua principal questão: o que fazer com esta história? Para tal, oferece os depoimentos de defensores da tradição e aqueles que tocam o samba urbano, influenciado pelo movimento do Rio de Janeiro. “Nós não queremos fazer o documentário definitivo do Samba de São Paulo. Nós sabemos que se esse documentário for feito daqui a dez anos, vai ser diferente. É  um processo em constante mudança e nosso documentário está dentro disso“, resume Mello.



A avó das escolas de samba


Fundada na Baixada do Glicério em 1937, a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva Lavapés foi a primeira Escola de Samba de São Paulo. Sob a presidência de Madrinha Eunice, a escola encantou a cidade com seus desfiles e tornou-se a mais importante manifestação do Carnaval paulista nas décadas de 40 e 50. “Ela foi 19 vezes campeã na sua época de ouro. Ganhava de todos“, conta Mello, diretor do documentário. Apesar do título de escola impresso em seu estandarte, a Lavapés tinha todos os elementos de um cordão: a corte, os instrumentos de sopro e os violões. Seus membros desfilavam entoando as marchas de sucesso na rádio como as de Carmem Miranda, fator que contribuiu para seu enorme sucesso.

De suas alas e bateria saíram alguns dos fundadores das grandes escolas do Carnaval paulistano. “Vila Maria, Unidos do Peruche. Muitos passaram por aqui , aprenderam por aqui e depois fundaram a (escola ) deles. Por isso considero a Lavapés a avó das escolas“, gaba-se Madrinha Eunice em uma entrevista de arquivo recuperada pela equipe do documentário.

Hoje , confinada à casa de Rose, neta de Madrinha Eunice e atual presidente da sociedade, a Lavapés sobrevive no ostracismo do segundo grupo. Espalhadas pelos cômodos da casa, as fantasias são preparadas pelos membros da comunidade. Nas ruas em que ela desfilava, hoje se vê apenas carros e pedestres que por ali passam sem saber os dias e glória na Rua do Glicério. “O Carnaval começou a evoluir muito e ela não acompanhou, ficou nos mil e novecentos e nada“, avalia Rose sobre a decadência da escola. “Um dia ela foi campeã hegemônica, hoje ninguém ouve mias falar dela. E o caso mais expressivo de de como esta memória está se perdendo e para mostrar que não é uma história só de flores , mas também de perdas“, analisa Piagge, pesquisador do documentário.


Fonte – JORNAL  DA  USP - ESPECIAL   PÁG 8 e 9 
MÁRCIA  SOMAN  MORAES
de 12 a 18/02/2007