terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CARNAVAL




Das  lavouras  de café

Ao  Sambódromo 


O documentário Samba  à Paulista, feito por alunos de cursos da USP, narra a história do Ritmo trazido pelos negros que hoje inspira milhões na comemoração do Carnaval de São Paulo


Na periferia marginalizada de uma São Paulo em construção, o som retumbante dos batuques anunciava uma cultura imigrante que mais tarde influenciaria a cultura brasileira de forma definitiva. Os negros, últimas gerações de escravos do século 19, resgatavam sua identidade perdida nos navios negreiros com o som dos seus instrumentos peculiares em um samba rural e popular, improvisado em meio às lavouras cafeeiras. Não eram poetas ou compositores, mas cantavam sua vida em ritmo dançante e contagiante.

Esta história e suas consequências são ricamente e contadas no documentário Samba à Paulista – fragmentos de uma história esquecida. O documentário realizado por alunos da Escola de Comunicações e Artes e da Faculdade de Filosofia,  Letras e Ciências Humanas da USP resgata, através de depoimentos e vídeos antigos, a história daquele que é o mais característico ritmo musical brasileiro e que na próxima semana embala a todos no festejo do Carnaval. O documentário está sendo exibido pela TV Cultura em três partes. O último episódio vai ao ar nesta quinta-feira, 15 de fevereiro, às 23 h 40.

Com poucos registros históricos  existentes, o documentário trabalha sempre com um diálogo entre o histórico e o atual, costurado pelo depoimento de estudiosos e daqueles que viveram momentos áureos deste movimento popular. Personagens como Toniquinho Batuqueiro, Mestre Feijoada, Geraldo Filme, Germano Mathias e Nelson Primo contam as histórias que São Paulo não registrou e trazem à tona um movimento que por pouco não se perde no tempo. E é neste resgate de depoimentos e da história que está a grandiosidade do documentário.

Quando os negros chegam das lavouras de café à capital após a instauração da Lei Áurea de 1888, trazem consigo toda a cultura musical do interior. A cidade não os aceita e eles partem para a periferia em um movimento urbanístico de marginalização. Nas fronteiras da cidade, eles constroem centros de resistência e terreiros onde podem desenvolver sua cultura. “Entender a participação do negro neste movimento é a parte mais ensaística do documentário. Trabalhamos com depoimentos como gancho para contar esta história e usamos os raros textos que a retratam para ajudar a compor o cenário“, explica Gustavo Mello, diretor do documentário.

“Esses negros trouxeram para São Paulo o mesmo ritmo que levaram para a Bahia ou para o Rio de Janeiro, mas aqui isso se perdeu“, aponta Eduardo Piagge, assistente de direção e pesquisador. Em São Paulo, o negro não conseguiu se integrar à sociedade e assim como seu samba de batuque tornou-se elemento marginal até meados do século 20.

Já no Rio de Janeiro a, cidade que mais tarde seria modelo de Carnaval para São Paulo, os poetas e compositores abraçaram esse ritmo popular e improvisado. Com a ajuda da Rádio Nacional, a urbanização do samba rural foi difundida e popularizada. “O que mais difere no Rio foi a receptividade do espaço urbano a este movimento rural. Lá, eles estão mais próximos dos morros onde se desenvolveu o ritmo e mais para frente você vê as autoridades visitando os galpões das escolas de samba. Em São Paulo há este movimento de urbanização, mas não há a difusão como houve no Rio“, conta Mello.


Dionísio Barbosa e os cordões  - A história do samba em São Paulo é feita de alguns grande nomes. Um deles e talvez o primeiro é Dionísio Barbosa, negro da primeira geração de escravos livres que veio para a capital em busca de oportunidades como liberto. Aqui, foi para a Barra Funda, reduto negro da cidade.

Nascido em 1891, Dionísio uniu a expressão do interior paulista com a influência do samba Rio de Janeiro, onde conheceu a Festa da Penha e todas as tradições carnavalescas cariocas. Em 1914, reuniu sua família e foi para as ruas festejar, cantar e tocar o samba que iniciou a tradição dos cordões. “Ele é emblemático porque cria essa manifestação genuína que é bem típica de São Paulo. Já havia na cidade eventos carnavalescos, mas eram manifestações da classe rica e branca. O Cordão da Barra Funda era o primeiro movimento cultural organizado dos negros, o primeiro cordão da cidade, algo pequeno, composto por 15 a 20 pessoas“, explica Mello.

No Cordão da Barra Funda , os homens ensaiavam e desfilavam pelas ruas vestidos com camisas verdes e calças brancas. Este movimento foi o embrião do hoje Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco.

Mais do que um grupo que desfilava no carnaval, o cordão era um espaço de identidade reativa dos negros onde eles cultivavam todos os elementos de sua cultura. “O cordão era o espaço deles, onde realizavam bailes, cortejos e até piqueniques com elementos típicos de sua culinária em Santos ou no interior. O samba era uma parte dessa manifestação cultural“, conta Piagge.

Logo os cordões vão surgindo pelos bairros e terreiros ocupados pelos negros, como a Baixada do Glicério e Bexiga. Na Época do Carnaval, os negros  se fantasiavam de corte européia, com direito a rei, rainha , conde , duquesa e toda linhagem real. Nas imagens recuperadas de um documentário de 1937, os negros dançam com suas perucas brancas e roupas elegantes levando os estandartes com o nome do grupo. À frente, vinha a baliza, alguém habilidoso que fazia diversas piruetas com o bastão. Atrás, a bateria formada por instrumentos de sopro, violões e muitos surdos, liderados por um apitador.

Saindo de seus territórios de periferia, os negros invadiam os espaços tipicamente brancos causando reações agressivas por parte de uma sociedade ainda acostumada com a escravidão. “Muitas vezes as camadas com mais dinheiro jogavam bexigas com urina ou mesmo agrediam fisicamente os participantes dos cordões. A maioria deles preferia usar a força policial  para reprimir a manifestação popular negra na cidade, assim os policiais levavam instrumentos ou mesmo prendiam membros“, conta Mello.


Dos cordões às escolas 


Em meados do século 20, as escolas de samba começaram a sufocar os cordões. Inspirada pelo sucesso do Carnaval carioca, a população branca começa a se envolver no movimento e até a fundar suas próprias escolas. “Começaram a surgir mais escolas de samba do que cordões pela cidade. Mudou a manifestação. Não que tenha sido ruim, mas essa influência do Rio de Janeiro acabou sublimando um movimento típico de São Paulo“, afirma Mello, diretor do documentário.

No início, era uma manifestação amadora. As escolas ainda eram majoritariamente negras e pobres e não tinham verbas para sustentar um desfile luxuoso de fantasias e carros alegóricos. Para pagar os custos, eles passavam a taça do ano anterior para que os membros contribuíssem.

Já em 1967, com a ditadura militar recém-instaurada no País, o governo decide oficializar o Carnaval paulistano como forma de distrair o povo da repressão política. “O que era mais fácil para iludir o povo ? Futebol e Carnaval“, relata Evaristo de Carvalho, radialista que participou deste movimento.

No entanto, o então prefeito Faria Lima, um carioca de Vila Isabel, não confiava nos dirigentes das escolas para cuidar da verba. Assim, decidiu repassá-la para a rádio Record. Os papas do samba ficaram indignados e decidiram unir-se para garantir que no ano seguinte eles recebessem o dinheiro diretamente. Elegeram um como porta-voz Moraes Sarmento, que ficou encarregado de falar com o prefeito.

Aceita a proposta de Sarmento, Faria Lima exigiu que o Carnaval paulistano tivesse a mesma estrutura e organização de o evento carioca. Com a conivência dos sambistas foi imposto às escolas daqui o mesmo regulamento das do Rio de Janeiro, que determinava todos os detalhes da apresentação e do julgamento dos desfiles. “Segundo os pesquisadores, importar o  modelo do Rio foi a forma encontrada pelos sambistas de São Paulo para legitimar seu movimento, de fazê-lo aceito e valorizado pela parcela da sociedade que agredia os negros do cordão. E muitos desses sambistas viam o modelo carioca o verdadeiro modelo de Carnaval“, relata o diretor.

Com a adoção do modelo carioca, os cordões que antes se espalhavam pelas ruas de toda a cidade foram concentrados em duas avenidas da capital: São João e Tiradentes.

Já no início dos anos 90, durante o governo da prefeita Luisa Erundina foi criado o Sambódromo do Anhembi, local onde se concentra o Carnaval paulistano até hoje. “Hoje não tem mais Carnaval, tem desfie. Estamos confinados no Sambódromo", critica Carlão, “embaixador“ da Unidos do Peruche que foi acompanhado pela equipe do documentário durante todo o dia de desfile de sua escola no Carnaval de 2006. “Hoje o ônibus vai à quadra, apanha as alas, leva para o Sambódromo, descarrega na concentração, vai para a dispersão, para o desfile, sobe no ônibus e vai para a quadra. Lá, põe a roupa e vai embora“, resume o radialista Evaristo de Carvalho.

Com o confinamento no Sambódromo, o Carnaval perdeu não só o espaço como participação popular, sua característica mais marcante. “Não pertence mais ao povo, ao pobre. Pertence a quem pode pagar, a quem tem dinheiro“, critica o sambista Osvaldinho da Cuíca.

Para o pesquisador Eduardo Piagge, a única Escola de samba que mantém um pouco tradição dos cordões é a Vai-Vai. Segundo ele, ela apresenta um samba de som mais forte e mais similar às margens de tradição rural, graças à sua bateria mais pesada, com destaque para os surdos espalhados entre os diversos membros.


Terra das oportunidades


Mas não era só no Carnaval que se fazia samba. O ritmo contagiante inspirou sambistas do Rio e de São Paulo  , que , cada qual a seu jeito  , começaram a desenvolver o novo ritmo para as rádios nacionais. Manteve-se o batuque pesado do samba rural como fundo para as letras agora com estrofes e refrões. Era o samba rural urbanizado que ganhou o País em músicas como Está chegando a hora, de Henricão, compositor do primeiro samba da Vai-Vai, em 1928.

Se no Rio de Janeiro o Carnaval virava modelo para o País, era em São Paulo que os sambistas viam o dinheiro e as oportunidades em casas como o Jogral e Oba Oba. Assim, os nomes mais talentosos migraram para cá em busca de trabalho e de espaço para cantar. “Martinho da Vila conta que todo o início de sua carreira foi aqui em São Paulo. Aqui tina espaço e público. Mesmo nos anos 60, os sambistas de São Paulo ainda não tinham se consolidado como grandes cantores. A única exceção é o Adoniram Barbosa e mais tarde Germano Matias. Quem fazia sucesso era mesmo os cariocas“, aponta Piagge.

O Carnaval é hoje um dos eventos mais aguardados por brasileiros e até estrangeiros, mas há mais heranças deste samba rural dos negros espalhados pelo Estado.

A essência do samba familiar permanece viva em grupos do interior paulista como o Samba de Bumbo em Vinhedo e Tambu de Piracicaba. “São as manifestações mais fortes deste samba do século 19 que encontramos, movimentos que se mantêm por uma tradição familiar ao longo das décadas “, cita Piagge.

Mas como toda manifestação cultural, a história do samba rural é viva e constantemente reconstruída sob as influências dos novos tempos. O samba de hoje mantém o batuque, mas conta outra história. Uma história miscigenada de brancos e negros, de outras dificuldades, alegrias e tristezas e quês está se perdendo a cada nova geração.

Os depoimentos de sambistas do interior ilustram bem a mudança na interação do batuque com a comunidade. “Ao mesmo tempo em que esses grupos mantém o samba de batuque por uma tradição familiar, é cada vez mais evidente seu enfraquecimento nas cidades. Quando fomos para Tietê filmar a festa lá  , ninguém sabia dizer onde ou mesmo quando ela acontecia“, revela o diretor Gustavo Mello.

No outro lado estão aqueles que na ânsia de preservar uma história por tanto tempo marginalizada vêem o samba rural como um folclore. “É muito complexo aceitar esta herança e deixá-la em aberto para que ela sofra as transformações naturais da cultura. As pessoas entram  num radicalismo que se fecha em si mesmo e que não aceita a pluralidade do movimento“, critica Piagge.

Samba à Paulista não se propõe a dar um final para a narrativa. Ele deixa ao espectador a oportunidade de pensar naquele que é sua principal questão: o que fazer com esta história? Para tal, oferece os depoimentos de defensores da tradição e aqueles que tocam o samba urbano, influenciado pelo movimento do Rio de Janeiro. “Nós não queremos fazer o documentário definitivo do Samba de São Paulo. Nós sabemos que se esse documentário for feito daqui a dez anos, vai ser diferente. É  um processo em constante mudança e nosso documentário está dentro disso“, resume Mello.



A avó das escolas de samba


Fundada na Baixada do Glicério em 1937, a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva Lavapés foi a primeira Escola de Samba de São Paulo. Sob a presidência de Madrinha Eunice, a escola encantou a cidade com seus desfiles e tornou-se a mais importante manifestação do Carnaval paulista nas décadas de 40 e 50. “Ela foi 19 vezes campeã na sua época de ouro. Ganhava de todos“, conta Mello, diretor do documentário. Apesar do título de escola impresso em seu estandarte, a Lavapés tinha todos os elementos de um cordão: a corte, os instrumentos de sopro e os violões. Seus membros desfilavam entoando as marchas de sucesso na rádio como as de Carmem Miranda, fator que contribuiu para seu enorme sucesso.

De suas alas e bateria saíram alguns dos fundadores das grandes escolas do Carnaval paulistano. “Vila Maria, Unidos do Peruche. Muitos passaram por aqui , aprenderam por aqui e depois fundaram a (escola ) deles. Por isso considero a Lavapés a avó das escolas“, gaba-se Madrinha Eunice em uma entrevista de arquivo recuperada pela equipe do documentário.

Hoje , confinada à casa de Rose, neta de Madrinha Eunice e atual presidente da sociedade, a Lavapés sobrevive no ostracismo do segundo grupo. Espalhadas pelos cômodos da casa, as fantasias são preparadas pelos membros da comunidade. Nas ruas em que ela desfilava, hoje se vê apenas carros e pedestres que por ali passam sem saber os dias e glória na Rua do Glicério. “O Carnaval começou a evoluir muito e ela não acompanhou, ficou nos mil e novecentos e nada“, avalia Rose sobre a decadência da escola. “Um dia ela foi campeã hegemônica, hoje ninguém ouve mias falar dela. E o caso mais expressivo de de como esta memória está se perdendo e para mostrar que não é uma história só de flores , mas também de perdas“, analisa Piagge, pesquisador do documentário.


Fonte – JORNAL  DA  USP - ESPECIAL   PÁG 8 e 9 
MÁRCIA  SOMAN  MORAES
de 12 a 18/02/2007

Donga

João da Baiana, Caninha e Donga: da batucada ao samba. A partir dos últimos anos do século passado, as principais cidades brasileiras assistiram ao despertar da consciência das camadas mais humildes da sociedade. Inferiorizados até 1888 pela existência da escravidão, os trabalhadores livres da era republicana começaram a disputar um lugar na sociedade, o que, no campo do lazer, se evidenciou por uma crescente participação na festa do carnaval, transformada pela classe média numa imitação da brincadeira européia, a base de desfiles de carros alegóricos, corsos e batalhas de flores. Os integrantes dessas populações predominantemente negras e mestiças mais integradas na estrutura econômica das cidades, como os empregados de fábricas e pequenos burocratas organizaram-se principalmente no Rio de Janeiro em sociedades recreativas denominadas ranchos, e passaram a sair no carnaval produzindo um tipo de música orquestral que acabaria fazendo nascer as marchas de rancho - e, em decorrência delas, as marchas–ranchos.
Os mais pobres, porém, onde a cor negra predominava (era o mestiço que invariavelmente galgava os primeiros degraus da escala social), continuaram a exercitar-se nos seus batuques e rodas de pernadas ou de capoeira (nome preferido na Bahia). Essa parte da população não saía no carnaval de forma organizada, mas em cordões desordenados, cujos desfiles terminavam quase sempre uma esfuziante coreografia de rabos-de-arraia e em coloridas cenas de sangue.
No entanto, ia ser da música à base de percussão produzida por esses negros com o nome de “batucada“ que ia nascer o gênero popular mais nacionalmente representativo da música brasileira: o samba. Três dos mais velhos representantes dessa fase seriam Caninha, João da Baiana e Donga, dos quais os dois últimos ainda chegaram à década de 70 do século XX, não apenas como sobreviventes de uma era extinta, mas continuando a demonstrar a validade de sua arte em espetáculos evocativamente denominados  “velha guarda".
O mais antigo, José Luís de Morais, O caninha ( 1883 -1961 ), chamado em criança de Caninha Doce ( porque vendia roletes de cana na zona da estação da Estrada de Ferro, Central do Brasil, no Rio de Janeiro ), aprendeu a música dos negros durante as batucadas realizadas na Festa da Penha. E em 1932 - quando essa população de descendentes de escravos foi obrigada a morar em casebres no alto dos morros do Rio de Janeiro – compôs o samba que valia por uma de história da música popular: “Samba  do morro / Não é samba, é batucada / É batucada / É batucada ... /Cá na cidade / A escola é diferente / Só tira samba / Malandro que tem patente“.
De fato, quando Donga, o mais novo desses pioneiros, realiza em 1917, sob o nome de samba, o arranjo de motivos populares que intitulou Pelo telefone, sua primeira providência é registrar música e letra na Biblioteca Nacional - o que equivalia mesmo a tirar patente. A atitude de Donga  ( Ernesto dos Santos, Rio, 1891-1974 ) significa que, coincidindo com o aparecimento do samba, a música popular, como criação destinada ao entretenimento da massa, tinha atingido o estágio de produto comercial capaz de ser vendido e de gerar lucros. O crescimento da indústria do disco, e logo o aparecimento do rádio, seguidos mais tarde do cinema e da televisão, provaram que Donga tinha sido um pioneiro esperto ao correr à repartição oficial para “tirar patente“.
Mas o exemplo da vida do mais velho sobrevivente da geração que criou o samba a partir da batucada, João Machado Guedes (chamado João da Baiana porque era filho da baiana Perciliana de Santo Amaro), veio mostrar que essa esperteza ia valer para todos, menos para os que criaram o samba.
Donga viveu seus últimos anos como funcionário aposentado da Justiça, doente e quase cego, num subúrbio do Rio de Janeiro. João da Baiana, com 85, acabou por ser recolhido à Casa dos Artistas de Jacarepaguá, na zona rural carioca, passando o fim de seus dias de uma forma não muito diferente daquela que desenvolveu com bom humor no seu samba de maior sucesso, o Cabide de Molambo, de 1932: “Mas hoje  eu ando / Com o sapato furado..."

Fonte – Revista  - NOVA  HISTÓRIA  DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA
DONGA  E  OS PRIMITIVOS  -  Abril  Cultural pág  8 - 1ª Edição  1970  2ª Edição 1978

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

NATAL


A palavra Natal veio do latim, derivada do verbo náscor ( nãsceris, nasci, nãtus sum ) que tem sentido de nascer. Muito antes de Jesus Cristo nascer, o dia 25 de dezembro era festejado como solstício ( o início ) do inverno.
Os festivais de inverno eram os festivais mais populares do ano em muitas culturas. Entre as razões para isso, incluí-se o fato de que menos trabalho agrícola precisava ser feito durante o inverno, devido a expectativa de melhores condições meteorológicas com a primavera que se aproximava. Foi adaptado pela Igreja Católica para permitir a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano no ano 350, quando o Papa Júlio I levou a efeito uma investigação pormenorizada e proclamou o dia 25 de dezembro como data oficial ratificada pelo Imperador Justiniano, em 529. Esse tipo de comemoração era muito comum: Na Páscoa originalmente se comemorava a chegada da primavera.
                              
 Noite  Feliz

Noite Feliz é uma das canções mais populares da noite de Natal. Foi escrita pelo padre Joseph  Mohr e musicada por Franz Gruber em 1818, na cidade de Oberndorf, Áustria, tendo sido executada  pela primeira vez na Missa do Galo desse ano na paróquia São Nicolau. Tem versões  em, pelo menos, 45 línguas.

Noite feliz ! Noite feliz !
Oh Senhor, Deus de amor,
Pobrezinho nasceu em Belém.
Eis, na lapa, Jesus nosso bem !
Dorme em paz, ó Jesus !
Dorme em paz, ó Jesus !
Noite feliz ! Noite feliz !
Oh !  Jesus, Deus da luz,
Quão afável é teu coração
Que quiseste nascer nosso irmão
E a nós todos salvar !
E a nós todos salvar !
Noite feliz ! Noite feliz !
Eis que, no ar, vêm cantar
Aos pastores os anjos dos céus,
Anunciando a chegada de Deus,
De Jesus  Salvador !
De Jesus  Salvador !

Fonte  - GRUPO 1. COM .BR   20 de dezembro de 2013 - pág 13



Natal: momento de alegria e reflexão



É chegada a hora de apagar as velinhas do 2015° aniversário de Jesus. Mais de dois milênios se passaram desde que o Mensageiro direto chegou aqui na Terra e o homem parece ainda relutar em aprender o que Deus quer de todos nós: banir de nossos corações  o orgulho e o egoísmo, principais barreiras para a evolução do nosso espírito.
Depois de mais um ano de alegrias e tristezas, eis que o espírito de Natal chega mais uma vez e toma conta de todos nós. Uma comemoração criada pelo homem há milênios, antes mesmo da vinda de Jesus, mas que sempre teve o significado da renovação e da esperança de que o novo ano que vem pela frente será sempre melhor.
No entanto, tanta magia solta pelo ar, que faz brotar lá do fundo de nossos corações tantas recordações da nossa infância, parece não nos responder até hoje qual o verdadeiro significado de tudo isso. Mas as imagens que trazemos conosco são marcantes e ficarão para sempre: a árvore de Natal, o presépio, a família reunida, o Papai Noel. Hoje, porém, temos a impressão que essa tradição toda está se acabando, uma vez que vivemos num momento em que o Mundo está mais ágil e acaba cobrando de cada um de nós mais dedicação ao trabalho do que a família. Não, não podemos deixar essa tradição morrer.
Deixar morrer a magia do Natal seria como perdemos as nossas esperanças na humanidade e em nós mesmo. Deixarmos de lembrar do nascimento do Menino Jesus e da sua missão aqui na Terra  seria como perdermos a fé em nosso Deus. Deixarmos acabar a fantasia de Papai Noel seria como matarmos os nossos próprios sonhos e ilusões, que são nada mais do que a força que nos leva a alcançarmos nosso progresso material e nossa evolução espiritual.

Fonte  - JORNAL   POSTO   SEIS pág  2
Edição Especial de Natal n° 1


Conheça a origem da Missa do Galo



Uma das celebrações mais religiosas do Natal é a Missa do Galo. Tradicionalmente realizada após a ceia que antecede a data, é tão importante que, no Vaticano, é realizada pelo próprio Papa. No entanto, a origem do curioso nome é divergente.
Uma das versões diz que, quando este fato aconteceu, a população não tinha como hábito usar relógios para marcar a passagem do tempo. Naquela época, o povo guiava-se de acordo com o canto do galo.

No entanto, há também quem diga que a nomenclatura teria origem religiosa, pois um galo teria cantado e anunciado o nascimento de Jesus. Porém, a Bíblia não cita exatamente esse tipo de celebração envolvendo o animal, que é citado somente duas vezes na publicação: em Mateus e em Marcos, no contexto da crucificação, ou seja, na Páscoa, não no Natal.

Existe ainda quem creia que a denominação se manteve como tentativa dos povos ibéricos lutarem contra o domínio muçulmano. Para disfarçar a tradicional Missa de Natal, a população apelidou a Missa do Galo. Às vezes, as aves eram levadas à  igreja. O animal é o único que tem a percepção do momento que o dia vai raiar e sua figura, é muito usada junto com bússolas nos telhados de casas, indicando a direção certa.

Tradicionalmente, as famílias comparecem juntas à cerimônia religiosa  e, após ela, retornam às suas casas e, após a ceia, colocam a figura do menino Jesus deitado na manjedoura. Um hino cantado na cerimônia desde o século IV, quando teve início a tradição de celebrar o Natal, diria que a criança teria nascido no meio da noite. Daí a ideia de comemorar quando os relógios marcam meia-noite.
Nos dias atuais, é comum algumas paróquias realizarem a Missa do Galo mais cedo. Confira o horário que a igreja mais perto de sua residência escolheu para a celebração desse ano.

Fonte – Jornal  POSTO  SEIS  pág 13 - dezembro de 2012
 n° 2 Edição Especial do Natal


Natal


Quisera 
Neste Natal 
Armar uma árvore
Dentro do meu coração 
E nela pendurar  , em vez 
De enfeites , os nomes de todos os 
Meus amigos  ! 
Os amigos de longe E de perto  .
Os antigos e os mais recentes  . Aqueles a quem
Vejo a cada dia e os que raramente encontro  .
Os sempre lembrados e os que  , às vezes , ficam esquecidos  .
Os constantes e os intermitentes  . Os das horas difíceis  e os das horas 
Alegres  . Os que  , sem querer magoei  , ou os que  , sem querer  , me magoaram .
Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem não me são conhecidas 
A não ser as aparências.
Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo.
Meus amigos humildes e meus amigos importantes   .
Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida.
Uma árvore de raízes profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração .
De ramos muito extensos , para que novos nomes venham juntar-se aos já existentes  .
De sombras 
Muito agradáveis 
Para que nossa 
Amizade seja um 
Momento de repouso 
Nas lutas da vida.
Amém  !

Fonte - Carta dos meus  alunos da  “EEPG Alfredo Bresser"  – Pinheiros /São Paulo 
 André, Mauro, Samuel, Evôn, Carlos, Neide, Cristiano,  Eduardo, Indalécio 
(dizendo : Obrigado por tudo – 8 ª C  - Matemática)  16/12/1993
                                                     

Feliz Natal !



paz
União
Alegrias
Esperança
Amor sucesso
Realizações luz
Respeito harmonia
Saúde solidariedade
Felicidade humildade
Confraternização pureza
Amizade sabedoria perdão
Igualdade liberdade boa sorte
Sinceridade estima fraternidade
Equilíbrio dignidade benevolência
Que  sua  árvore de   Natal  esteja  repleta
De  todos esses presentes.
Feliz  Natal



Fonte - Revista SEICHO-NO-IE
capa  / dezembro de 2000  n° 186

terça-feira, 24 de novembro de 2015

RACISMO


RACISMO 

Ainda no Brasil, há pessoas que tem preconceito contra cor  , o chamado “ Racismo “. Muitas pessoas têm preconceitos contra os afro brasileiros só pelo fato de serem descendentes afros, e assim os chamam de “negros“.  Na maioria das  vezes essas pessoas são brancas e ricas ; e por isso acreditam que são melhores e acabam influenciando outros a tomar as mesmas atitudes que elas, assim influenciam as pessoas a excluir os afros descendentes que na maioria das vezes, ele são pobres por não terem muitas oportunidades de empregos, por serem “ negros “. Mesmo no Brasil, não existe muitas oportunidades para os afros descendentes.
Não devemos excluir ninguém por sua cor, nem religião , doenças ou deficiência física  , não podem ter preconceito, porque não podemos querer para alguém , algo que não queremos para nós. E quando agimos com preconceito estamos ofendendo alguém com as nossas atitudes. O preconceito é uma atitude que temos na maioria das vezes, antecipada, sem conhecermos aqueles que estamos julgando.
Qualquer tipo de preconceito é considerado crime , é uma atitude de ignorância as próprias origens. 
E , no entanto , a parcela da população brasileira que é negra é muito grande.
“O Brasil é visto como um país multi-étnico e multirracial, o que é um fato. Também se diz que, aqui não existe racismo  , que todas as cores convivem em harmonia  , sem conflito e sem segregação “.
Mas sabemos que não é bem assim, que mesmo que alguns não queiram existe o racismo, no Brasil e não só nele; mas o importante é que a população, não só as autoridades tomem juízo e façam algo para acabar permanentemente com o racismo  , uma das piores formas de preconceito que existe  , e existe há muito tempo. É a forma de preconceito que julga as pessoas pela sua cor; é só lembramos da época dos escravos negros. Você sabe por que eles eram escravos ? Só pelo fato de serem “ negros".
O preconceito ( racismo ) pode estar na porta da nossa casa, nós devemos fazer o máximo de esforço para combatermos o racismo, e qualquer outra forma de preconceito existente ! 

PRECONCEITO  É  CRIME! ELE  EXISTE DE  VÁRIAS  FORMAS 
MAS, DEVEMOS  FICAR ATENTOS  A QUALQUER DESRESPEITO 
QUE VIRMOS, POIS O PRECONCEITO POSSUI VÁRIAS MÁSCARAS.
LEMBRE-SE QUE NUNCA DEVEMOS JULGAR AS PESSOAS POR SUA 
 COR, DEFICIÊNCIA FÍSICA, OU QUALQUER OUTRO PROBLEMA,
MAS SIM PELO QUE ELAS SÃO ! 


Fonte  - Jornal  - Tribuna  Carioca - pág 7 - ano 2014 

APENAS UM TEXTO A PAZ



APENAS  UM  TEXTO  A  PAZ 
"O  POETA  E  A  VIDA"

Paz... Na evolução dos aviões desenhada pela fumaça limpa no espaço livre do céu, aberto entre as nuvens. Nos outdoors espalhados nas estradas, de fundo bem azul e com letras brancas maiúsculas. Nas rodas de samba sendo cantada nos refrãos. No minuto de silêncio surgindo no placar eletrônico dos estádios em dias de jogos. Nas passeatas e caminhadas virou desabafo, ato de ordem e coragem. Nas escolas tornou-se assunto obrigatório de conversas e debates. Escrita e falada, aplaudida e ovacionada, dirigida e participando das páginas dos jornais, nas bênçãos dos sacerdotes, nos salões de festa, e de dança, nas galerias de arte, nos programas de rádio e televisão, nas salas de cinema, nos registros policiais, nas vozes de amigos e desconhecidos que se chegam e se juntam.
Paz ... No volante dos meios de transporte, na condução dos automóveis particulares, nas cabeças das pessoas, nos corações dos seres humanos, nas bulas dos remédios, nos preços dos alimentos, no interior dos apartamentos e casas, nas portas dos presídios. Chega de guerras matando inocentes, de tanta morte sem sentido ou controle. Basta de ver tanta gente chorando e ficando sozinha. Precisamos de paz no mundo para se poder respirar, sem causar qualquer efeito nocivo  à saúde. Carecemos de paz na vida para se viver mais e melhor. Necessitamos de paz no chão que se pisa para que se possa caminhar, plantar sossego, colher descanso.
Paz  ... Velada e sussurrada, querida e desejada, promovida e ilustrada no brinde de taças à loucura do amor, nas prosas poéticas dos escritores, nos vôos preguiçosos das aves, na brisa tranquila do vento, nas luzes serenas da razão, nas ondas mansas e transparentes recebendo com agrado e respeito os pescadores em alto-mar, no choro lindo dos bebês que simplesmente nascem, nos olhos molhados de saudades, nas recordações eternas de repentinas paixões.
Vida amiga... Que bom te ver, te encontrar de repente pelas esquinas. Uma tarde cinzenta, o vento frio, nada como um papo ao pé do ouvido para relaxar. Triste te percebo, encolhida, acovardada, insegura, envelhecida. Desabafa, vai. A situação está complicada, o dinheiro está faltando, muita gente está morrendo, tanta gente sem emprego, passando fome, sem um lar, o amor acabando. A culpa não é tua, bem sabes. Fala, se ainda tens força e voz, alguma coisa sem censura, sem ameaças, sem ódio, sem angústias, com esperança. Cria alma nova, motivação, inventa chavões, recita, recicla o tempo em que a gente vivia em paz, brincava nas ruas, havia hora para tudo, as crianças eram mais crianças, pensava-se no dia seguinte. Vida amiga... Dizem que é sinal  dos tempos. Sinal fechado deve ser. Nossos cabelos estão mais grisalhos, nosso corpo mais cansado, nossa cabeça mais pesada, agente não acha mais graça de nada, vive com medo, são tantos os problemas, regredimos. Assim mesmo, com tantas páginas em branco, com esse pálido retrato pintado, tenta sentar comigo, faz bem conversar, é cedo, a chuva nem chegou. Observar teu jeito de ser, sempre procurei. Por todo o tempo preciso te assistir como num teatro. Em qualquer ocasião gosto de te ouvir como aluno. Chorar escondido, nunca escapei. Aprendi contigo tantas lições de cidadania. Um gole aqui, outro ali para esquentar a garganta e vem te esconder ao meu lado. Falta a vontade de mudar, a coragem de começar outra vez, lê-se no rosto das pessoas.
Vida amiga  ... Essa tua pressa está me incomodando, teus olhos não sossegam, quase não me ouves. Queres correr o mundo, colher impressões, trocar ideias, aceitar sugestões, armazenar informações, fugir desse chão sujo, arranjar um tempo bom para viver. 
Vida amiga  ...  Então, até um dia. Não consigo mais te prender. Partes em busca de um lugar ao sol, melhor e mais seguro. De uma rede na varanda para quando chegar a hora de adormecer. De um sonho que possa ser tocado, sair do papel. De muito ar puro para respirar a saúde e, se possível, morrer de muita vida.

Fonte  - Jornal Em Ação Bairros - Edição VIII - Out/Nov. 2010 
HEITOR  CARLOS ALVES   

Homem da paz, Academia e do samba



EDITORIAL - USP 
Homem da paz,
Academia  e do samba 

Se há quem ainda pense que Academia  e cultura popular não podem caminhar juntas - uma ideia bizarra, é verdade, mas que ainda encontra ecos aqui e ali -, devia olhar com atenção a vida de Paulo Vanzolini. Zoólogo e cientista de primeiríssima grandeza, diretor por mais de cinco décadas do Museu de Zoologia da USP  e autor, entre outras tantas coisas, da redação do projeto lei que viria a criar a Fapesp, Vanzolini acabou mais conhecido extra-muros da Universidade como o incomparável autor de sambas do mais quilate. Entre eles Ronda, sua composição–síntese, um clássico do cancioneiro popular do País.
Foi justamente na USP, inclusive, que cientista e sambista se formaram. “Foi na Faculdade de Medicina, vendo a moçada se reunindo para cantar, que comecei a fazer a música“, relembrou ele, certa vez. E o zoólogo–sambista ( ou seria “sambista-zoólogo“? ) deixou outra lição importante: a humildade. Nos dois meios pelos quais trafegou; o tamanho dos egos às vezes ganha contornos pantagruélicos. Mas não necessariamente com ele. Dizia que nunca havia ido atrás da fama ou de dinheiro. Era, segundo se caracterizava, “homem da paz “. E em paz ele se foi... E agora deixa que muito rondem a cidade, a procurar outros homens como ele.

Fonte – JORNAL  DA  USP pág 2 - OPINIÃO
DE 6 A 12 DE MAIO DE 2013 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aniversário de 1 ano e meio no ar



Há  um ano iniciei o Blog e estou feliz, com meus seguidores e pessoas que acessam de diversas partes do mundo. É a tecnologia que o homem no decorrer do tempo, chegou nesse ponto. Ele mesmo que faz grandes descobertas, para nossa tristeza e indignação causa destruição em todos os sentidos. 
Meu objetivo sempre é abordar temas diversos, importantes para tocar o sensório e também despertar um novo olhar, para atentarmos às novas possibilidades de convivência, de mudança nas práticas pedagógicas, atenção e cuidados com as crianças, jovens, os mais velhos e respeito às diferenças. Ressaltando também as figuras importantes no âmbito social, cultural, saúde, educacional, religioso,  que deram a sua contribuição em todos os sentidos.
Precisamos sim, ficar antenados, mas  de bons conteúdos, pensamentos e atitudes que irão possibilitar benefícios à muitos, não só para nós. É inconcebível aceitarmos que no século 21, com tanta riqueza, milhões de pessoas morrem de fome; crianças, ,jovens e mulheres violentados, assassinados.  Precisamos formar uma corrente, não aceitando tanto ódio, porque ele gera a violência que assistimos no cotidiano. Queremos um mundo melhor, com pessoas desapegadas do ter.  O consumismo exagerado e a ostentação achando que é mais importante, sem preocupação, que muitos nada tem... Agora é hora, pois já chegamos ao extremo da perda de sentido e razão.
Preciso sem dúvida agradecer imensamente ao Paulo Fernandes, que é meu colaborador e organizador do blog. Também o incentivador Luiz Freitas. Obrigado aos meus seguidores e os demais que acessarão  futuramente.

Ana Regina Gouvêa

PROGRESSO PARA QUEM ?



PROGRESSO  PARA  QUEM ?

A maior parte do desequilíbrio social e ambiental que ocorre no mundo é decorrente da filosofia capitalista, cujo único objetivo é o lucro  - sem maiores considerações para com a ética, a justiça ou a verdade. No referencial  “capitalista“ o valor das pessoas se dá em função do cargo que ocupam ou da função que exercem na empresa. Assim sendo, vale tudo em nome do lucro, e o que não é feito a “olhos vistos“, é feito por “baixo dos panos“, sob a ”complacência“ de um sistema que, ao priorizar “o lucro acima de todas as coisas“, se movimenta de maneira tendenciosa, atropelando o ser humano e a harmonia da Natureza.
O Criador não nos fez em função do poder / dinheiro e conforto que podemos atingir, pois estas são coisas temporárias que não poderemos levar para além do portal da morte. Certamente o Criador tem planos maiores para o ser humano encarnado nesse pequeno planeta, tais como, em algum momento da história inseri-lo em uma realidade maior, onde o Um resplandece em todas as coisas. Tal objetivo, ainda longe e utópico para a maioria das pessoas, se projeta em futuro não muito distante  (em uma Nova Era  que se aproxima) como uma possibilidade ao alcance de muitos.
O verdadeiro progresso, assim como a verdadeira educação não pode se dar em função exclusivamente de fatores econômicos. Estamos todos inseridos em um contexto infinitamente maior e nosso progresso não pode se dar senão em harmonia com a NATUREZA e com nosso semelhante. SOMOS TODOS UM, temos uma origem comum e estamos todos interligados física, moral e espiritualmente. Quanto maior a diversidade de culturas, de raças e religiões, maior a grandeza das civilizações, maior o patrimônio da humanidade, maior o conhecimento com o qual contribuímos para formas cada vez mais aprimoradas de ser e de saber. Na visão ocultista o que realmente evolui é a consciência. As formas se adaptam para melhor atenderem as necessidades das consciências que se expandem. O Ser Total se manifesta através de uma multiplicidade de formas em múltiplos estágios de desenvolvimento. Cada uma das quais descobrindo possibilidades e desenvolvendo capacidades. Enfim, cada qual com sua cor contribuindo para o esplendor cada vez maior da humanidade. 
Não podemos falar em progresso se não for a partir desse referencial, onde e a consciência é o que verdadeiramente evolui. Entretanto por toda parte vemos o ser humano sobrepujado pela politicagem, onde tudo é importante, o partido, o lucro das pessoas e das organizações, as ideologias, as religiões e outras coisas mais. Nesse contexto tudo se coloca acima do ser humano, que deveria ser a base e o suporte de toda a organização política, social e espiritual da sociedade.
Pensamos talvez, que todas essas transformações cabem apenas no mundo exterior, sem nos preocuparmos com nossa própria condição interior. Mas a verdade é que enquanto continuarmos insensíveis, egoístas e ignorantes, esse mundo, continuará a ser um palco de espetáculos lastimáveis. Somente vivendo com harmonia, verdade e justiça  - sintonizados com nós mesmos e com a Natureza, seremos capazes de edificar uma civilização próspera e feliz nesse paraíso terrestre  (ou do que tiver restado dele). Enquanto não adotamos políticas que priorizem o ser humano, a justiça e o meio ambiente não conseguiremos reverter o equilíbrio perdido e nem encontraremos o nosso lugar no universo. 

Fonte  -   Jornal  - PÔR  DO  SOL     pág  11,   julho  2014
Ricardo Massena  - é escritor, professor de Física e foi editor Do Jornal Oxigênio, que circulou na cidade do Rio de Janeiro. Em 106 edições até outubro de 2010. Agora no Facebook 
Em “Buscadores da Luz “. Seja nosso amigo

SEDE DE EMOÇÕES



SEDE  DE EMOÇÕES

À medida que vamos nos  adaptando a essas circunstâncias, somos forçados a conviver com nossas paixões frustradas e com mágoas sufocadas dentro de nós, sem sabermos o que fazer ou com quem falar a respeito. Não podemos revelar nossos sentimentos, não os entendemos e estamos ainda menos familiarizados com os sentimentos das outras pessoas. Quando estamos em dúvida, ocultamos nossas emoções, mentimos sobre elas ou fingimos não senti-las. Crescemos acostumados a agir sem dar atenção ao nosso universo emocional, ou até  mesmo agindo contra ele.
Inclusive em nossa vida afetiva, onde supostamente as emoções podem reinar soberanas, muitos de nós somos magoados com tamanha freqüência que nos mantemos sutilmente distanciados, mesmo quando nas garras do amor apaixonado. Dores afetivas há muito esquecidas impedem nossa completa abertura e entrega ao outro, sem mantermos uma certa distância defensiva e solitária. Raramente nós nos permitimos a mais bela das experiências emocionais - a vulnerabilidade de estar profundamente apaixonado por alguém, sem reservas.
Quase todos nós sentimos que a vida pode ser muito mais intensa.  Ansiamos pelo aconchego do sentimento profundo, pela conexão com o outro, pelo entendimento mútuo. Mas como chegar lá ? Sabemos, do fundo de nossos corações, que ser uma pessoa  emotiva, ter paixões fortes, chorar, vibrar, até mesmo sofrer, constituem experiências preciosas e fundamentais. Na verdade, estamos sempre buscando maneiras indiretas, artificiais ou dissimuladas de experimentar emoções. Tomamos drogas, nos apaixonamos ou por uma pessoa inatingível, ou vamos ver filmes românticos, de terror, ou de ação; assistimos a comédias de situação, melodramas e novelas na televisão, em busca de um estímulo emocional. Essas atividades nos proporcionam um gostinho daquilo que desejamos ardentemente, sem os riscos da participação real.
Todos temos sede de estímulo emocional, tanto assim que fazemos praticamente tudo que é possível para obtê-lo. Jogamos a dinheiro, saltamos de pontes amarrados pelos tornozelos  ou de pára-quedas. Um exemplo particularmente chocante e dramático desse anseio por experiências emocionais é apresentado no livro de  James Gilligan, Violence. Gilligan trabalhou por muitos anos com presidiários condenados por assassinatos cruéis.  O autor descobriu que esses homens vivem invariavelmente em estado de profunda insensibilidade emocional. Eles contam que são praticamente desprovidos de sensações emocionais ou físicas, a ponto de se considerarem mortos vivos.
Explicam que cometem violências indescritíveis na esperança de que tais excessos rompam com a insensibilidade e os façam sentir algo. Aquele que comete um assassinato brutal pode sentir, por um curto espaço de tempo, que despertou de sua anestesia semelhante à morte. Mas, invariavelmente, as emoções resolvidas pelo crime assentam e o entorpecimento retorna.
A insensibilidade desses homens não surgiu do nada. A pesquisa de Gilligan mostra que, em praticamente todos os casos, esses homens foram eles mesmos vítimas de agressão, bombardeados por repetidos traumas emocionais e físicos. Eis um exemplo concreto de como o trauma conduz à insensibilidade e à patologia emocional  grave. Se não for debelada, essa patologia poderá ser transmitida de geração em geração. Obviamente, há uma necessidade premente de romper com o ciclo da violência e do entorpecimento emocional. Uma maneira de fazer isso consiste no aprendizado da consciência emocional, desenvolvendo a empatia - a capacidade de sentir o que os outros estão sentindo. Ao decidirmos desenvolver nossa sensibilidade para as emoções alheias, estamos fazendo uma escolha moral definitiva, que nos dará a capacidade de ser compassivos e generosos.

Empatas e Psicopatas

Parece haver dois tipos de pessoas destinadas a ter poder na sociedade: os psicopatas, que nada sentem, ou os empatas, que estão em profunda sintonia com os sentimentos daqueles que os cercam.
Não leve esses dois tipos demasiado à sério; são caricaturas, extremamente raros na realidade. Vou usá-los apenas para expor meu ponto de vista.
Os psicopatas podem agir com facilidade sem as coerções que limitam outros mortais. Têm a capacidade de mentir,  furtar, extorquir, mutilar e matar sem culpa. Quando exercem influências sobre outras pessoas,  podem tornar-se tremendamente poderosos. Vejam Calígula, o imperador romano. Ou,  Adolf Hitler. Estes exemplos são óbvios, mas outros podem ser encontrados em toda parte: na política, nos negócios, nas gangues e até mesmo em determinadas famílias.
Os empatas, por outro lado, ganham ascendência graças a suas aptidões emocionais. Aqueles que nascem empatas têm um dom inato para a empatia, o qual é estimulado pela família e pelos professores ao longo da infância e da adolescência. Seu  talento para a cooperação afetuosa, para obter o melhor das pessoas, confere-lhes um poder que contrabalança os danos causados pelos psicopatas.
Repito: esses são dois extremos; muitas pessoas poderosas não são psicopatas nem empatas completos. Mas, se observá-las com atenção, provavelmente detectará uma preferência por um ou outro estilo.
Eu, é claro, estou encorajando-o a buscar o ideal da empatia.

Págs 30, 31 e 33

Empatia 

À medida que vamos descobrindo as diferentes emoções que sentimos, as variações na intensidade com que as sentimos e as suas razões, e à medida que a consciência de nossas emoções vai-se tornando refinada e sutil, começamos a perceber e intuir a complexidade  e sutileza das emoções daqueles que nos cercam.
A empatia é uma forma de intuição das emoções. O funcionamento da empatia é inteiramente surpreendente para o principiante, pois parece depender de uma aptidão que, às vezes, afigura-se perigosamente semelhante à clarividência.
Quando somos empáticos, não pensamos no fato de que entendemos, vemos ou ouvimos as emoções de outra pessoa. Acredita-se que, na verdade, a empatia  é um sexto sentido por meio do qual percebemos as energias emocionais assim como o olho percebe a luz. Sendo assim, a empatia acontece em um canal intuitivo - independente dos outros cinco sentidos - que penetra diretamente em nossa consciência. A ignorância emocional sobrevém quando, nos anos de formação da nossa juventude, deixamos de desenvolver esse sexto sentido. Em geral aprendemos a reprimi-lo com as constantes mentiras e a rejeição dos sentimentos comuns nas experiências infantis. Alguns nascem “empatas“, dotados de profunda sensibilidade para as emoções, e outros são emocionalmente insensíveis. Quase todos nós estamos em algum ponto médio, e todos podemos aprender ou reaprender a consciência empática.
A empatia, como toda  intuição, é imprecisa e pouco valiosa até desenvolvermos meios de confirmar objetivamente a exatidão de nossas percepções.


Págs 49 e 50

Fonte: "Educação Emocional - Um Programa Personalizado Para Desenvolver Sua Inteligência Emocional" - Claude Steiner, PhD com Paul Perry

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O QUE É EDUCAÇÃO EMOCIONAL ?



O  QUE  É
EDUCAÇÃO  EMOCIONAL ?

A EDUCAÇÃO  EMOCIONAL COMPÕE-SE de três aptidões: a capacidade de entender as emoções, ouvir as outras pessoas e empatizar com suas emoções, e expressar as emoções produtivamente.
Ser emocionalmente educado é ser capaz de lidar com as emoções de modo a desenvolver seu poder pessoal e a qualidade da vida que o cerca. A Educação Emocional amplia os relacionamentos, cria possibilidades de afeto entre as pessoas, torna possível o trabalho cooperativo e facilita o sentido de comunidade.
Todos nós temos algo a aprender sobre nossas emoções. Algumas pessoas deixam a adolescência com um alto nível de educação emocional, mas creio que poucas são não hábeis no âmbito das emoções quanto deveriam. Todo mundo comete erros emocionais, por isso todos podemos nos beneficiar de alguma com a Educação Emocional.

Como professor veterano de Educação Emocional, tenho ajudado centenas de pessoas a ampliar sua inteligência emocional. Observo o profundo mal-estar que a maioria demonstra à simples menção da palavra “emoções“, especialmente os homens. Eles receiam que segredos profundos e doídos sejam de alguma maneira liberados se revelarem seus sentimentos. Quase sempre as pessoas julgam que a Educação Emocional redundará em perda de poder na sua vida pessoal e profissional. 

Há  uma certa lógica no medo de que o afrouxamento de nossas amarras emocionais possa nos trazer problemas. Mas, a Educação Emocional não é apenas uma liberação das emoções. É igualmente importante compreender, administrar e controlar as emoções.

As emoções são uma parte indispensável da natureza humana. Sem elas, seríamos psicopatas. Reconhecendo e adestrando nossos sentimentos  e ouvindo as pessoas de maneira produtiva, podemos intensificar, e não diminuir, nosso poder pessoal.
Ser emocionalmente inteligente significa conhecer as emoções próprias e alheias, sua intensidade e o que ocasiona essas emoções. Ser emocionalmente educado significa dar conta das próprias emoções pode estar familiarizado com elas. No curso de Educação Emocional, aprende-se quando, como e onde expressar os próprios sentimentos, e de que maneira eles influenciam outras pessoas. Aprende-se também a verdadeira empatia, bem como a assumir a responsabilidade pelas conseqüências dos sentimentos.

Com esse curso, você se tornará um gourmet emocional, atento à textura, ao sabor e ao ressaibo de suas emoções. Aprenderá a permitir que suas aptidões racionais atuem lado a lado com as habilidades emocionais, ampliando sua capacidade de relacionar-se com o outro. Desse modo, você  tornará melhor em todas as suas interações: como pai, cônjuge, profissional, companheiro de lazer, professor e amante.
Todos nós deveríamos ingressar em alguma forma de educação emocional, pois os equívocos emocionais são tremendamente comuns e destrutivos. Se você não acredita, veja abaixo o exemplo de ignorância emocional que recolhi em jornais do ano passado: 

- Premiado com o segundo lugar, numa competição estadual, o líder da corrida de revezamento, Kent Baker, da Escola Thomas Jefferson, na Virgínia, que produz mais National Merit Scholars ( Estudantes Agraciados com o Mérito Escolar ) do que qualquer outra escola do país, jogou o prêmio na lata do lixo. O diretor da escola, Phil Simon, pôs-se a discutir com os juízes alegando que seu grupo merecia o primeiro lugar. 

Os jornais estão cheios de histórias assim, relatos de pessoas bem-sucedidas e, sob outros aspectos, inteligentes que cometem erros graves em situações carregadas de emoção. Nesses incidentes a ira, o medo ou a vergonha faz com que pessoas sensatas tenham um comportamento estúpido e as torna impotentes.

A verdade é que todos cometemos erros assim, embora talvez não tão extremos. Conquanto raramente nossos equívocos cheguem aos jornais, quase todos nós teríamos de admitir que, em alguma ocasião, fomos induzidos ao descontrole pela raiva, pelo medo, insegurança ou ciúme, ou preferimos não assumir a responsabilidade de uma atitude inadequada. No fim, esses erros enfraquecem-nos e as pessoas a quem amamos. 

EDUCAÇÃO EMOCIONAL páginas 23,24,25

QE e QI

A importância de ser um perito emocional não é evidente para todos, ao  menos não tanto quanto a importância de ser um perito intelectual. As pesquisas mostram que se você  tiver um QI (“coeficiente de inteligência“) elevado, provavelmente será um bom aluno e se tornará um profissional eficiente, bem-sucedido e produtivo.  Além disso, com toda probabilidade, terá vida longa e boa saúde.

Aparentemente, resultados tão favoráveis têm como causa única a inteligência, mas isso não é verdade. Em Inteligência Emocional, um best-seller  revelador,  Daniel  Goleman mostra que o entendimento emocional é tão importante para o sucesso  quanto um QI alto. Além disso, ele revela que a inteligência emocional é necessária para que se tenha uma “boa vida“ , na qual seja possível desfrutar os bens do espírito. Para viver bem, é preciso possuir apenas  um QI  um QE elevado  (“coeficiente emocional“).

O termo “QE” , embora requintado , significa menos do que se poderia pensar . Trata-se de um conceito de marketing e não de um termo científico. Um "coeficiente emocional “ não pode ser medido nem avaliado como um “coeficiente de inteligência “ . O QI vem sendo calculado cientificamente há quase um século, embora o seu significado exato seja questionável. Há quem diga que o QI determina com precisão uma qualidade inata, chamada inteligência. Outros asseveram que o QI determina uma qualidade menos definida, própria de indivíduos que se tornam bem–sucedidos na escola e, eventualmente, na vida. Seja com o for, é possível calcular, de maneira válida e confiável, o QI de uma pessoa, e está comprovado que é bom ter um QI alto.

O QE, por outro lado, não pode ser medido. Tentar avaliar o QE de alguém é o mesmo que adivinhar quantos grãos tem a quarta parte de um pote: você consegue ter uma ideia aproximada, mas não pode calcular com precisão. E tampouco pode avaliar a si próprio através de uma contagem, pois as emoções são muito mais impalpáveis do que os grãos.
No entanto, podemos falar da maneira significativa sobre o QE, contanto que não nos julguemos capazes de calculá-lo com precisão.  

EDUCAÇÃO EMOCIONAL páginas 32, 33

Compreendendo o Poder de Controle 

Mal nos damos conta de como a dominação acontece, porquanto estamos mergulhados nela desde o nascimento.
O valor da Análise Transacional como uma ferramenta para compreender as relações pode ser percebido claramente aqui. De posse  dela, você pode “analisar“ as relações de poder, examiná-las e, uma vez entendidas , buscar uma maneira de evitá-las em si mesmo e nos outros.
Depois de passarmos a infância à mercê dos caprichos de outras pessoa, consideramos natural sermos a Vítima ou o Algoz, líder ou seguidor, dominador  ou dominado. A criança brutalizada torna-se o pai que bate nos filhos, a criança que é dominada e controlada torna-se o pai que domina e controla. Aceitamos  a agressão e o poder de controle como o modo de funcionamento do mundo.
Se quisermos combater eficientemente o controle desmedido e o abuso de poder, teremos de entender o seu funcionamento.

O quadro abaixo mostra as quatro maneiras de exercer o poder de controle:


FÍSICO  -  GROSSEIRO - PSICOLÓGICO - SUTIL

I * Grosseiro, físico 
Assassinato, estupro, aprisionamento, Tortura, agressão, surra, empurrões, bater portas, gritos.

II * Grosseiro, psicológico
Insultos, tons ameaçadores, interrupções, mau humor, indiferença, mentiras deslavadas. 

III * Sutil, físico 
Tocar, espreitar, invadir espaço, puxar pelo braço, obrigar a sentar ou a levantar.

IV * Sutil, psicológico 
Falsa lógica, humor sarcástico, menosprezo, atos, mentira por omissão, publicidade e propaganda.

Existem duas formas principais de controle: físico e psicológico. Ambos  podem ser expressos sutil ou grosseiramente. Há quatro tipos de jogos de poder: grosseiro / físico, sutil / físico, grosseiro / psicológico. Um jogo de poder é uma transação na qual uma pessoa tenta obrigar outra fazer algo contra a sua vontade.
Os jogos de poder físico grosseiro são visíveis ao olhar e incluem surras, empurrões, arremessar objetos, bater com as portas  ou, pior ainda, seqüestro, tortura, assassinato e estupro.

Os jogos de poder físicos sutis não são tão evidentes, embora você tome consciência quando está sendo submetido a eles. No entanto, talvez você não tenha a menor ideia de como funcionam os jogos de poder nem de como impedi-los.

Incluem-se aí colocar-se fisicamente acima das pessoas ou aproximar-se demais, até invadir o espaço pessoal do outro, segurá-lo pelo cotovelo ou pela mão, andar na frente, obrigar as pessoas a se levantar ou sentar ou bloquear-lhes a passagem. Comumente os jogos de poder são usados por  homens para sujeitar as mulheres, na convicção de que constituem um comportamento masculino  normal.

Os jogos de poder psicológicos funcionam porque as pessoas são ensinadas a obedecer desde a infância; sem fazer uso da força física, posso intimidar alguém por meio de ameaças ou do tom da minha voz. Posso impeli-lo a agir fazendo–o sentir–se culpado. Posso seduzi-lo com um sorriso ou uma promessa, ou convencê-lo de que aquilo que quero é o que deve ser feito. Posso iludi-lo, abusar da sua boa fé ou pregar uma mentira. Se tiver condições de vencer sua resistência sem fazer uso de sua força física,  estarei usando jogos de poder psicológicos, tão comuns no nosso  dia-a-dia, alguns grosseiros, outros sutis. 

O jogo de poder  psicológico mais grosseiro chega aos tons e olhares ameaçadores, aos insultos, às mentiras deslavadas e ao mau humor evidente. E inclui também: interromper, ignorar, fechar a cara, girar os olhos, tamborilar com os dedos e cantarolar enquanto alguém está falando.
O jogo de poder psicológico mais sutil vai das mentiras mais espertas, mentiras por omissão, mau  humor sutil, sarcasmo, fofoca, lógica falsa, ignorar o que as pessoas estão dizendo, até, num nível mais amplo, a publicidade e a propaganda.

Exemplos de abuso de poder físico chamam mais atenção do que os exemplos de abuso psicológico e são menos comuns. Até mesmo nos ambientes mais violentos, como as prisões ou os campos de batalha, os indivíduos não sofrem principalmente com a opressão física direta, mas sim com o controle que a ameaça de violência exerce sobre suas mentes. Isto acontece sobre tudo  nos lares em que as mulheres e crianças são fisicamente surradas e agredidas.                                          

EDUCAÇÃO EMOCIONAL páginas 168,169,170 e 171
                                            
OS DEZ MANDAMENTOS
DA EDUCAÇÃO EMOCIONAL 


1) Não farás jogos de poder. Peça o que quer até conseguir.

2) Não permitirás que te manipulem. Não faça nada que não desejar de livre vontade.

3) Não incorrerás em mentiras por omissão ou comissão. A menos que a sua segurança ou a segurança de outras pessoas esteja em jogo, evite mentir.

4) Defenderás os teus sentimentos e as tuas vontades. Se assim não for, o mais provável é que outro tome a iniciativa.

5) Respeitarás os sentimentos e desejos do outro. Isto não significa submeter-se a eles.

6) Buscarás o valor das idéias alheias. Há mais de uma maneira de ver as coisas.

7) Pedirás desculpas e oferecerás reparação por teus erros. Nada será mais estimulante para o próprio crescimento.

8) Perdoarás os erros do teu próximo. Faça aos outros  o que gostaria que eles lhe fizessem.

9) Não aceitarás falsas desculpas. Elas valem menos do que nenhuma desculpa.

10) Cumprirás estes mandamentos segundo teu melhor julgamento. Afinal de contas, eles não foram escritos na pedra.                  

EDUCAÇÃO EMOCIONAL - página  167

       Fonte –Livro – EDUCAÇÃO  EMOCIONAL  - UM PROGRAMA PERSONALIZADO PARA DESENVOLVER SUA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL 
 Editora Objetiva (Rio de Janeiro )  de CLAUDE STEINER , Ph.D. com PAUL  PERRY  - TRADUÇÃO  DE Terezinha Batista dos Santos    ano 1998