terça-feira, 15 de agosto de 2017

“Independência ou Morte“: a polêmica



Obra  de  Pedro  Américo, no  Museu  Paulista, é  preferida  de  José  Sebastião  Witter 

Os críticos podem alegar que não havia cavalos daquele  tipo  no País em 1822. Ou que D. Pedro I não cavalgava uniformizado e garboso às margens do Rio Ipiranga naquele dia 7 de setembro  - estaria, isto sim, de camisolão, sendo acometido por uma terrível dor de barriga. Para o historiador José Sebastião Witter, de 72 anos, a cena do grito pintada por Pedro Américo é uma obra de arte sem igual.
“Foi essa a cena da independência  que entrou para o imaginário popular“, diz Witter. “O pintor teve muita criatividade e competência para recriar,  em Florença  , um fato que havia ocorrido quase 70 anos antes no Brasil. “ 
Independência ou Morte  , também conhecida como O Grito do Ipiranga, foi feita entre 1886 e 1888, sob encomenda, para o Salão de Honra do Museu do Ipiranga, atualmente Museu Paulista da Universidade de São Paulo  ( USP ). Está lá até hoje  e é uma das mais frequentes ilustrações nos livros da história brasileira
A relação de Pedro Américo com a família imperial é estreita. Foi D. Pedro II que concedeu a bolsa que permitiu ao paraibano estudar na Escola de Belas Artes de Paris. Ele fez o retrato de D Pedro I, D.  Pedro  II e também do marechal Duque de Caxias. O primeiro painel veio em 1871, com a cena da Batalha de Campo Grande, que fez sucesso na época. Em seguida  , mostrou a Guerra do Paraguai  , na tela A Batalha do Avaí, a pedido do Exército. 
Foi numa de suas várias temporadas em Florença que Pedro Américo realizou Independência ou Morte, que tem 4,15 por 7, 6 metros. O quadro foi alvo de uma polêmica sobre plágio. Isso porque alguns críticos acham a tela parecida com a de 1807. A Batalha de Friedland, de Ernest Meissonier, retratando uma vitória de Napoleão. Outros acreditam que a semelhança é natural.
O historiador  conta que o quadro  encanta. “Algumas crianças a gente não consegue tirar da frente da tela “, comenta Witter, que foi diretor do Museu Paulista. “Tem gente que se ajoelha na frente do quadro.“ 
No museu ao ver Independência ou Morte é uma boa oportunidade para apreciar a reformados jardins. Os chafarizes e as fontes dão charme ao ambiente, inspirado no famoso Jardim de Versailles, na França.

Fonte    -     Jornal    O   ESTADO   DE  SÃO  PAULO 
TESOURO   PAULISTANO  -  Carla   Miranda 





7  de  Setembro 
As  heranças  portuguesas  no  Brasil 

Foram 322 anos de colonização portuguesa até a independência. O navegador e comandante militar Pedro Álvares Cabral aportou na costa da Bahia, iniciando o período de colonização dos povos que aqui viviam pelos portugueses, com apoio dos jesuítas da Companhia de Jesus. Até a tão aclamada independência do Brasil, em 1822, a cultura portuguesa enraizou-se nos povos da terá. A língua portuguesa é a principal herança, mas não permaneceu intacta, porque acolheu palavras indígenas, como abacaxi, mandioca, caju etc.
O português é língua oficial de oito países ( Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné–Bissau, Cabo Verde, São Tomé  e Príncipe, Timor Leste  ). Também é falado em pequenas comunidades como Zanzibar  ( na Tanzânia  , costa oriental da África  ); Macau  ( China  ), Goa, Diu, Damão ( na  Índia  ); Málaca ( na Malásia ).
A independência de Portugal aconteceu nos aspectos econômicos e políticos, mas continuamos em nosso dia a dia a preservar a cultura lusa. Na cidade de São Paulo, segundo dados do Sistema Nacional de Cadastro e Registro Estrangeiro ( Sincre ), organizado pelo Observatório de Turismo e Eventos  ( OTE ), núcleo de estudos e pesquisas da empresa municipal São Paulo Turismo ( SPTuris ), a comunidade portuguesa é a maior, com 100.855 pessoas, seguida da boliviana  ( 53.235 ), da japonesa ( 26.496 ) e chinesa ( 24.194 ). 
Depois da língua, a herança mais conhecida vem da culinária. São várias as influências deixadas por Portugal na gastronomia brasileira: Portugal trouxe para o Brasil, produtos vindos da África e do Oriente; novas formas de confecção, preparação e conservação dos alimentos; e adaptaram também alguns dos seus pratos com ingredientes existentes  no Brasil, como é o caso da mandioca, utilizada para substituir o trigo. Podemos afirmar que a gastronomia do nordeste sertanejo é aquele que mais se assemelha à culinária colonial portuguesa. Os doces portugueses são originários das receitas dos conventos, sendo o mais conhecido o pastel de Santa Clara. Dos pratos típicos mais consumidos no mundo, destacamos: Acorda de Mariscos, Alheira de Mirandela, Arroz de Pato, Bacalhau, Caldo Verde, Cozido à Portuguesa, Feijoada Portuguesa, Pastel de Santa Clara, Pudim Abade de Priscos, Sardinha Assada, Leitão da Bairrada e Arroz de Marisco.
A dança pau de fita, tradicional no período junino, a cavalhada ou o fandango são alguns dos exemplos de danças deixadas pelos portugueses. Nas artes, em geral, foram responsáveis  pela introdução dos grandes movimentos artísticos europeus  como o renascimento, maneirismo, barroco, rococó  e neoclassicismo. Mais tarde, com o fenômeno da imigração portuguesa para o Brasil, vários artistas plásticos portugueses se radicaram no país, deixando mais vincadas as tendências artísticas de origem portuguesa. Um dos mais renomados é Fernando Lemos, que veio ao Brasil nos anos 1950  e hoje está presente nas coleções dos principais museus e instituições brasileiras. A partir do início dos anos 2000 uma nova onda migratória trouxe ao País muitos artistas, arquitetos e designers portugueses. Além deles, diversos artistas visuais contemporâneos portugueses estão inseridos nas principais galerias de arte do país e aqui expõem regularmente como é o caso de Julião Sarmento, Vasco Araújo, Joana Vasconcelos, Gabriela Albergaria, a dupla João Maria Gusmão e Pedro Paiva, entre outros. Além de toda a influência citada os brasileiros também guardam importantes laços hereditários com os portugueses. 

Fonte   -   Jornal      Folha   do  SERVIDOR   PÚBLICO   pág   6
Setembro  de  2015 



O  BRASIL  PRECISA  DE  BASES  SÓLIDAS

Dizer que o ano de 2017 começou bem não é verdade . Nos meados de  janeiro, 134 presos foram assassinados: 26 deles em apenas dois dias, em massagens nas prisões, em consequência da guerra entre facções criminosas. Duas delas se apossaram de pavilhão e de ala do presídio Alcaçuz, em Natal, Rio Grande do Norte. Uma era o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte, a outra facção era o PCC, Primeiro Comando da Capital. O fato da guerra nada mais é do que outra denúncia da continuada crise do sistema presidiário nacional. Faz tempo que rebeliões servem apenas para as autoridades apresentarem a viciada solução: construção de novos presídios... Em tantos casos realizados com preços superfaturados e que logo estarão superlotados. A sempre esperada, porém irreal, recuperação dos criminosos é ideal cujo alcance parece impossível. E, pior, não sabe o que fazer com eles.
Há tentativas diferentes de  juízes  mais realistas que chegam a determinar a soltura de presos que cumpriam pena ilegalmente em delegacias superlotadas. A ida para os presídios poderia fatalmente resultar na adesão às gangues sempre bem organizadas, o que confirma a tese cada vez mais patente de que a cadeia virou escola de criminosos. É penoso ouvir sobre cenas da guerra travada por presos e ver familiares aflitos, temendo que filhos, irmãos ou maridos sejam assassinados dentro do próprio presídio, onde teoricamente deveriam ter oportunidade de pensar em tomar outro rumo na vida. É necessário que esses atos venham a público e obriguem as autoridades a sair do marasmo para ao menos fazerem notar que algo tem de mudar.
De propósito, evitei usar o termo “culpados“ para indicar os responsáveis pelo constante número de criminosos que enche de dores a vida dos brasileiros. Mas é preciso falar deles porque os que hoje são chamados de bandidos estão atrás das grades também nascem em famílias, crescem no seio da sociedade, frequentam escola, tem alguma religião e... nada disso tem adiantado! Ou seja, não bastam as estruturas da sociedade para garantir vida digna e pacífica, se elas têm sinal de podridão. A família, por exemplo, marcada por desmanches, por crises de princípios e de valores, por falta de autoridade e mau exemplo dos pais; a escola, cujos mestres desiludidos mal conseguem pôr ordem em alunos e são obrigados às aprovações sem méritos; as religiões, cujas  igrejas repletas vivem de promessas. 
Dos esteios da sociedade só fazem gerar pessoas que sem base para aderir ao bem e para lutar por vida digna, inútil pensar em construir uma nação sem base sólida.

Fonte     -   Revista  de  Aparecida     pág  22  ATUALIDADES 
Abril 2017      -       Pe   Cesar   Moreira   C .SS . R .

CHICO MENDES - DA FLORESTA PARA O MUNDO



Filho de imigrantes nordestinos, Chico Mendes nasceu no Acre, em 1944. Trabalhou no seringal desde a infância e não pode estudar, pois não havia escola na floresta. Foi alfabetizado a partir de notícias de jornal, por volta dos 18 anos, por Euclides Fernando Távora  - militante do Partido Comunista Brasileiro que viva clandestinamente na região e era uma das poucas pessoas que sabiam ler. Adulto, consciente de que os patrões se aproveitavam dos trabalhadores, Chico considerava fundamental que as pessoas estudassem. Ele defendia a aliança dos povos da floresta  ( índios, seringueiros, castanheiros e outros ) e a criação de cooperativas agro extrativistas, sem agressão à natureza
Na década de 70, o governo militar iniciou um processo de ocupação da Amazônia, vendendo grandes áreas para empresas agropecuárias do Sul e do Sudeste. Muitas terras foram queimadas retirando o sustento de seringueiros e castanheiros. Em 1976, começaram os “empates“ uma forma de resistência em que os trabalhadores rurais com suas mulheres e crianças, impedia  ( “ empatavam “ ) a ação dos peões encarregados de derrubar a mata. Isso acirrou o ódio dos fazendeiros e desencadeou reações violentas.
Com o apoio de várias instituições. Chico lançou um projeto de alfabetização baseado na realidade da floresta. A cartilha chamava-se Poronga , nome da lanterna que o seringueiro leva na testa para caminhar na floresta  de madrugada. Calcula-se que cerca de mil pessoas tenham sido alfabetizadas na região de Xapuri  com essa cartilha. Em 1975, Chico Mendes foi acusado de estar formando “agitadores“ – e precisou interromper o trabalho. 
Antes de Chico, outros seringueiros haviam lutado pela organização dos trabalhadores locais, mas ele foi o primeiro a denunciar a situação no exterior. Em março de 1987, numa reunião do BID, nos Estados Unidos, ele provou suas denúncias e foi ouvido pelo mundo. Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado em Xapuri.  O mundo o conhecia, mas no Brasil muitos ainda não sabia quem era

O Brasil faz parte do grupo de 188 países que assinou, em 1992, a Agenda 21, documento que estabelece compromissos a serem cumpridos para a conservação do planeta. “O mundo está de olho no que acontece aqui “, diz Mara Régia. De fato. A decisão brasileira de combater o comércio ilegal de mogno, madeira que faz sucesso na Europa e Estados Unidos, teve ampla repercussão internacional. Em outubro de 2001,  o Ibama  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ( www.ibama.gov.br ) suspendeu a exploração, o transporte, o comércio e a exportação dessa espécie ameaçada de extinção. Atualmente, só podem ser cortadas as árvores que tiveram o selo verde. 

Fonte   - Revista  TV  ESCOLA   PÁG 35 

AMAZÔNIA: 

A Amazônia é uma das principais áreas do planeta em recursos naturais. Sozinho, esse oceano verde representa um terço das reservas florestais do mundo. Com o potencial para ser um mega paraíso ecológico, reúne, ao longo de seus 5,5 milhões de quilômetros quadrados, centenas de milhares de espécies animais e vegetais, tem um quinto da água doce da Terra e concentra enormes jazidas de minério. Mas, ao lado de toda essa riqueza, a vida dos habitantes e as relações de trabalho ali estabelecidas nunca foram boas e vêm piorando ao longo dos tempos. No século XVI, os colonizadores, além de escravizarem os índios, provocaram a morte de grande parte da população da floresta. Durante o Ciclo da Borracha ( 1840 – 1913, enquanto os grandes proprietários de terras acumulavam fortunas, os seringueiros levavam uma vida miserável. Muitos isolados no meio da mata, acabaram trabalhando como escravos. A riqueza adquirida com a borracha teve vida curta. Não foi aplicada na melhoria da produção do látex, e nem investida na diversificação de outros setores da economia. Dilapidadas em menos de um século, as fortunas  deixaram para trás muitas lembranças e ruínas. Estagnada, a região praticamente vegetou até a década de 1970. A partir desse período, com a descoberta de ricas jazidas minerais, foram implantados na Amazônia  projetos de exploração que provocaram grandes impactos ambientais e aceleraram a destruição social, cultural e econômica das populações nativas.  Venerada por grupos ambientalistas de todo o mundo e cobiçada por empresas multinacionais do extrativismo vegetal e mineral, a Amazônia continua à espera de uma intervenção decidida dos poderes públicos e da implantação de projetos que permitam sua ocupação equilibrada, juntando proteção ambiental, produção e desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida para o conjunto da população.

Fonte  -  HISTÓRIA  DO  BRASIL  Caderno  - Literatura 

HONRAR PAI E MÃE



Se as relações familiares não fossem intrinsecamente complicadas, não existiria o mandamento “ Honrarás pai e mãe “. Comentário de grande sabedoria. Assunto inesgotável. Como educar, como cuidar neste mundo maravilhoso e tresloucado, com tanta sedução e tanta informação - um mundo no qual, sobretudo na juventude, nem sempre há o necessário discernimento para escolher bem? 
Saber distinguir o melhor do pior, ser capaz de observar e argumentar, são o melhor legado que família e escola podem dar. Na família, fica abaixo só do afeto e da segurança emocional. Na escola, importa mais do que o acúmulo de informações e o espaço das brincadeiras, num sistema que aprendeu erroneamente que se deve ensinar como se o aluno não tivesse de aprender. Fora disso, meus caros, não há salvação. Isso e professores supervalorizados e bem pagos, escola para todos - não mais milhões de crianças e jovens em casas cujo pátio é barro misturado a esgoto, ou na rua, com o crack e a prostituição. Um ensino que dê muito e exija bastante: ou caímos na farra e no despreparo para a vida, que inclui graves decisões pessoais e um mercado de trabalho cruel.
Bem antes da escola vem o fundamental, o ambiente em casa, que marca o indivíduo pelo resto de sua jornada. Se esse ambiente for positivo, amoroso, a criança acreditará que o amor e harmonia são possíveis, que ela pode ter e construir isso, e fará nesse sentido suas futuras escolhas pessoais. Se o clima for de ressentimento, frieza, mágoas ocultas e de desejos negativos, o chão por onde o indivíduo vai caminhar vai ser esburacado. Mais irá tropeçar, mais irá quebrar a cara e escolher para si mesmo o pior.
Dificuldades familiares não têm a ver só com o natural conflito de gerações, mas também com a atitude geral dos pais. Eles têm entre si uma relação de lealdade, carinho, alegria? São realmente interessados, tentam assumir suas responsabilidades grandes e difíceis? Foi-se o patriarcado, em que havia regras rígidas. Eu não quereria estar na pele dos infratores de então, os filhos que ousavam discordar. Em lugar da anterior rigidez e distância estabeleceu-se a alegre bagunça, com mais demonstrações de afeto, mais liberdade, mais respeito pelas individualidades muitas vezes com resultado dramático. Lembro a frase que já escrevi nesta coluna, do psicólogo que me revelou: “A maior parte dos jovens perturbados que atendo não tem em casa pai e mãe, tem um gatão e uma gatinha". Talvez tenham uma mãe que não troca cabeleireiro e academia por hora de afeto com os filhos, ou um pai que corre atrás do dinheiro necessário para manter a família acima de suas possibilidades, por ilusão sua ou desejo de status de uma mulher frívola.
Crianças de 11 anos frequentam festinhas que rola o inenarrável: onde estão pais e mãe? Adolescentesinhos rodam de madrugada pelas ruas, dirigindo bêbados ou drogados: onde estão pai e mãe? Quase crianças passam fins de semana em casas de serra e praia reais ou fictícios, com adultos irresponsáveis ou só entre outras crianças, transando precocemente, drogando-se, engravidando, semeando infelicidade, culpa, desorientação pela vida afora. Onde estão os pais? 
Ter filho é talvez a maior fonte de alegria , mas também é ser responsável, ah, sim! Nisso sou rigorosa e pouco simpática, eu sei. Esse é o dilema fundamental numa sociedade que prega a liberalidade, o “divirta-se“, o “cada um na sua", como num pré-apocalipse. Mais grave ainda num momento em que a honradez de figuras públicas (que devem ser nossos guias e modelos) é quase uma extravagância. Pais bonzinhos são tão danosos quanto pais indiferentes: o amor não se compra com presentes, nem permitindo tudo, nem fingindo não saber ou não querendo saber, muito menos desviando o olhar quando ele devia estar vigilante. Quem anda cuida:  velho princípio inegável, incontornável e imortal, tantas vezes violado. 

Fonte  -    Revista    VEJA      pág   18 
11/06/ 2008     Ponto de  Vista   Lya  Luft  , é escritora

FAMÍLIA 

Criança  sem  disciplina  e  sem valores não  é  feliz 

Na era moderna, é comum vermos crianças sendo levadas a exercerem papéis e hábitos que nem seu corpo nem sua mente estão preparados. Outro dia, em uma emissora de televisão, foi exibida uma reportagem sobre o beijo, mostrando crianças a partir dos 5 anos, já iniciam o primeiro beijo na boca. É claro que nessa idade sequer elas compreendem o significado do beijo, mas essa realidade gera preocupação. Até que ponto, reportagens como essa ajudam a criança  ? O beijo é o início de uma relação sexual. Quando se trata da de descobertas da criança, deve-se levar com naturalidade, mas aconselhá-las.

Filhos  sem  limites, futuros  adultos Frustrados 

Não adianta fecharmos os olhos para uma realidade que está patente aos olhos de todos: o homem tem perdido sua identidade, seus valores morais, e muitos pais se conformam dizendo: “temos que acompanhar as mudanças do mundo moderno“. A conformidade é traço de quem diz: “não tem jeito mesmo, melhor me adaptar“. Mas tem jeito sim! 
Princípios que recebemos dos nossos pais devem se estender pelas futuras gerações. Valores como obediência,  honra aos pais  , disciplina  , respeito, devem ser mantidos. É mais fácil ser levado pela maré,  do que nadar contra ela. 

Que tipo de herança estamos deixando para nossos filhos  ? 
Crianças que crescem sem limites serão adolescentes extremamente problemáticas, e adultos frustrados e sem caráter. Criar um filho já não é fácil, mas educá-lo e muito mais desafiador. Isso irá requerer dos pais, não apenas conselhos, mas exemplos de vida no dia a dia, dedicação para aconselhamento, para diálogos, para ensiná-los sobre sexualidade, respeito, amizade  , e isso requer tempo, o que parece que os pais atualmente não dispõem. Devido a isso, e a outros fatores, a depressão infantil é cada vez mais comum.
Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, grande parte das nossas crianças é criada por babás e avós, e isso faz com que os pais, para compensarem sua falta na vida diária da criança, façam todas as suas vontades  e comprem tudo o que podem para elas. Outro fator que tem influenciado as crianças a hábitos e costumes degenerados são as novelas, voltadas ao público adolescentes, em que estes passam de mão em mão com a maior naturalidade, e termos como “ ficar “, “BV” (boca virgem) são linguagens que crianças começam a ouvir desde cedo e quando estão na pré–adolescência querem exercer atitudes de adultos, sem estarem preparados.

Os  meios  de  comunicação  e as crianças

A internet, através de sites de relacionamento que viraram febre, também tem todo tipo de categorias que as crianças ficam expostas se quiserem entrar. E isso tudo sem consentimento dos pais. 
Em um shopping de uma cidade do interior da Bahia, por exemplo  , já existem  , segundo a delegada de infância, pontos de prostituição infantil, gangues de crianças a partir de 9 anos. E os pais, dizendo-se modernos, deixam seus filhos nesses lugares sem a mínima preocupação. Meninos de 10 anos no estacionamento do shopping bebem vodka pura.
Muitos pais não sabem por onde andam seus filhos, bem como muitos filhos também desconhecem o paradeiro dos seus pais. A estrutura familiar está desmoronando... em ruínas, mesmo. Segundo essa delegada, que tem três filhos, entre 8 anos e 14 anos, o termo “ mico” está na boca de todo adolescente. E aconselha: “Meus filhos podem falar que é mico, King Kong, orangotango  , ou o que seja. Só vão ao shopping sob minha vigilância, e quando vão a alguma festinha que pedem que deixem os filhos na porta da residência, não permitindo a entrada dos pais, só as crianças, eu entro, vejo o ambiente, e se os pais do aniversariante estão presentes. Só depois disso tudo é que deixo meus filhos com tranqüilidade.“ 
Com a falta de tempo dos pais, os filhos iniciam desde cedo a inversão de valores, e aprendem  , o que deveria ser aprendido dos pais, com os coleguinhas mais “descolados“ , mais espertos  , ou com pedófilos que encontram em sites de relacionamento.
Está mais que na hora de nós, pais, despertarmos para uma dura realidade. Ou retomamos a educação dos nossos filhos  , ou em breve os perderemos para as drogas , prostituição ou morte
Dura  realidade  essa,   não? 

Opinião JST:   “Todos  pensam  em  deixar  um  planeta melhor  para  os nossos filhos ... Quando  é  que  pensarão  em  deixar  filhos  melhores para   o  nosso  planeta  ? “

Fonte   -  Jornal    SAL  DA  TERRA    -  TEMPERANDO  VIDAS 
Pág  8      OUTUBRO  - NOVEMBRO   de  2014 

OS PAIS TÊM QUE SE APROXIMAR DE SEUS FILHOS




Ao Metro Jornal, psicanalista comenta sobre os abusos e as necessidades do uso de medicação na adolescência, e explica como lidar com preocupações familiares do cotidiano, como a ameaça do jogo Baleia Azul.

“Medicação na infância e adolescência: abusos e necessidades“. Essa questão tem levado muitos pais a buscarem consultórios para obter ajuda sobre o comportamento dos filhos. Integrante da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ), Miguel Calmon é um dos psicanalistas convidados que vai abordar o tema em debate que será realizado hoje no Midrash Centro Cultural, no Leblon.

Medicação seria uma solução fácil para tratar as angústias dos adolescentes?

A sedução do fácil é muito poderosa. Todos queremos soluções fáceis e elas não existem. Seja a medicação como meio de silenciamento de eventuais sintomas, culpabilizar os pais por tudo o que acontece ou acusar as crianças por seus comportamentos, nada é fácil. E qualquer tentativa de redução do problema ao fácil dificulta a compreensão de tudo o que está acontecendo. O que acho importante compartir é o espanto, é a perplexidade que a gente experimenta quando se vê, por exemplo, dentro dessa história do jogo Baleia Azul [game que propõe 50 desafios macabros aos participantes e, ao final, o induz ao suicídio]. É dessa perplexidade que nasce a curiosidade para se aproximar do problema. Leva-nos à necessidade de entender o que motiva os adolescentes a desejarem se inscrever num jogo cujo 'o grande prêmio‘ é o   suicídio. A medicação, no contexto de um tratamento, com certeza ajuda muito. Mas, imaginar que ela seja suficiente para dar conta de tudo, não. 

O   que explica a atração de jovens  por esse tipo de jogo?

É a urgência de necessidade de vínculo que, mesmo que no final determine o suicídio, faz com que ele exista para alguém. A necessidade de existir para alguém está na base de todo sentimento de identidade: eu significo alguma coisa para você. Esse sentimento me confere consistência: eu me sinto reconhecido, importante. Quer dizer, tem alguém que me dá ordens e eu existo para esse alguém. Eu saio de uma espécie de um mundo de indiferenciação. Não consigo imaginar que isso se dê sem uma perturbação pessoal que acaba vindo à flor da pele com a experiência desse jogo. Lembremos–nos que a adolescência se caracteriza por essa busca de identidade. 

O que fazer ao perceber que há algo estranho no comportamento desse jovem? 

Os pais têm que buscar um modo de se aproximar de seus filhos para conversar. Isso exige paciência, porque vou me ver freqüentemente contrariado naquilo que eu espero. É algo que demanda uma insistência de voltar e conversar de novo, e ter sensibilidade para buscar formas de aproximação. Quando se esgota a capacidade de diálogo e se percebe que o filho continua voltado para dentro dele, sem vida social, ligado quase exclusivamente à realidade virtual, aí vem os profissionais, as terapias, a medicação.

A depressão pode estimular o jovem a participar do jogo Baleia Azul?

A depressão talvez seja uma conseqüência direta dessa patologia ligada aos ideais, do que requerem de mim e não alcanço. E quando não os alcanço, me culpo, e quando me culpo, deprimo. É uma espécie de círculo vicioso. 
A depressão pode interferir na vida desse jovem com esses vazios, com a sensação de inexistir, de não ter nada de bom para oferecer a alguém.

Fonte   -    Jornal  METRO  pág.   FOCO   3
Terça -feira , 2/05/2017   GISLANDIA  GOVERNO 


Baleia Azul: jogo mortal que preocupa educadores 

O jogo chamado Baleia Azul  ( Blue Whale  ) ganhou as manchetes dos jornais brasileiros com cenas de mutilações e até de suicídio. Tornou-se uma mania entre os jovens participar da brincadeira, que pode trazer sérias consequências. 
Ao longo dos meses de março e abril várias escolas públicas e particulares enviaram aos pais ou responsáveis comunicados  específicos sobre o jogo, com alerta para não permitir que as crianças ou jovens entrem no jogo. 
Esse jogo teve início em 2015, na Rússia com 50 desafios que o participante teve que fazer para avançar nas fases da competição on line que dura 50 dias. 
As tarefas começam bem simples, como assistir um filme de terror; com o passar dos dias o “administrador“ ou “curador“ solicita tarefas mais agressivas como tatuar o desenho da baleia em uma parte do corpo.
O primeiro caso de suicídio registrado e atribuído ao jogo foi em novembro de 2015, da adolescente russa Rina Palenkova, de 16 anos. As fotos publicadas pela jovem antes do ato, a mensagem de despedida e supostas fotos do corpo viralizaram no Vkontaire, ou VK, espécie de  Facebook russo.
A partir daí surgiram os chamados “grupos da morte“ da web russa, com objetivo somente de atrair jovens para conhecer histórias de suicídios e assim aumentar o faturamento da rede.
Em 2016 uma nova reportagem, também na Rússia, apresenta o depoimento da mãe de uma menina de 12 anos, que se matou por conta do jogo  e, a partir de então, as autoridades daquele país chamaram para depoimentos os supostos “ curadores “ ou “ administradores “. 
Segundo o jornal Novaya Gazeta, Filipp Budeikin, de 22 anos, um dos   “curadores “ disse que tudo não passava de “ piada “. Em suas comunidades, contudo, Budeikin se referia aos jovens como “ lixo biológico “ a ser eliminado. Ele acabou preso em novembro de 2016, acusado de incitar pelo menos 15 suicídios, e aguarda julgamento. 
Recentemente, em 2017, surgiu uma grande busca na internet pela hashtag # o jogo, o que fez as autoridades internacionais a observarem mais a movimentação dos jovens. Quem não faz a tarefa diária precisa pagar um valor em dinheiro, o que os especialistas estão identificando como “estelionato virtual".
A rede de comunicação BBC apurou junto ao Ministério da Justiça que no Brasil há relatos sobre a adesão e a vitimização de adolescentes que aceitaram desafios propostos pelo jogo nos estados de Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Maranhão e Amazonas
Nossa reportagem contatou a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado que em nota comunicou;
“A Polícia Civil informa que monitora boatos como citados para verificar se há comprovação de crime. Até o momento, nenhuma ocorrência foi confirmada. A Polícia Civil orienta toda pessoa que for ameaçada ou coagida, seja por meio “virtual ou pessoalmente, a registrar boletim de ocorrência para a apuração dos fatos “.

Suicídios  ou  envenenamentos 
O jogo Baleia Azul trouxe a oportunidade de a sociedade discutir o número de suicídios de crianças e jovens e, ainda, as diversas formas de relacionamentos sociais, sejam com pais, amigos, vizinhos ou parentes. O Brasil é o oitavo país do mundo em número de suicídios; 5,8% da população sofre de depressão, conforme dados de especialistas da área.
A depressão não é uma doença que atinge somente adultos, pode acontecer em qualquer idade. Para a Organização Mundial de Saúde, a depressão atinge 350 milhões de pessoas no mundo. O diagnóstico não é fácil porque alguns sintomas são iguais ao sentimento humano de desânimo, tristeza ou indiferença. Quando a doença atinge a variação do humor ou afeta a produtividade da pessoa, a fase é mais avançada e todos percebem. 
No caso do jogo, envolvendo os jovens, nem sempre os sinais são claros. Circulou em Minas Gerais um boato de que participante precisava entregar 30 balas envenenadas em três escolas diferentes para crianças pequenas. Este tipo de notícia causou pânico e as ações de prevenção são tarefas diárias dos educadores e pais. 

Estelionatos  ou  ameaças 
Mesmo com informações que a rede Russa define como pagamento em dinheiro para as tarefas não realizadas, no Brasil ainda não existe nenhum registro deste tipo de situação.
As autoridades informam que se os pais ou responsáveis identificarem mensagens ameaçadoras devem registrar boletim de ocorrência e orientar a criança ou jovem a não responder mais.

Fonte     -      Jornal              Folha  do  SERVIDOR  PÚBLICO          pág  21  
Edição  292      Maio  -   2017 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Lendas que também são verdades






As lendas sobre crianças que foram criadas por animais vêm desde a antiguidade. Uma delas diz que Rômulo e Remo, os irmãos fundadores de Roma, foram alimentados por uma loba. E quem não conhece Tarzã, criado por gorilas? E Mogli, o famosos menino – lobo, personagem do romancista inglês Rudyard Kiping, protegido e alimentado por lobos ferozes?

As lendas são muitas. Mas ao lado delas há algumas histórias verdadeiras de crianças abandonadas que conseguiram sobreviver ajudadas por animais de diversas espécies.

A mais conhecida dessas crianças talvez seja Ramu, “um menino – lobo “ da Índia. Ramu foi encontrado em plena selva indiana, em 1954, com dez anos de idade, vivendo com uma alcateia  ( bando de lobos ). Levado para a cidade, ele nunca chegou a ser uma pessoa normal, não aprendeu a falar, andava de quatro e só comia carne crua.

Também na Índia há dois outros casos célebres. Um dele é o de um menino, de apenas cinco anos, amamentado e criado por leopardos, animais ferocíssimos, capazes de matar um homem com uma simples patada. O outro é o de duas meninas encontradas vivendo com lobos, como Ramu. Batizadas com os nomes de Kamala e Amala, elas também não cresceram como pessoas normais, permanecendo mais ou menos selvagens.

Na Colômbia, camponeses encontraram em 1969 um homem de 25 anos que cresceu com um bando de macacos. Ele grunhia como macaco, andava sobre as mãos e os pés e comia frutas e raízes. O “ homem – macaco “ colombiano passou a assustar os camponeses, que para se verem livres atiravam-lhe comida. No fim ele acabou preso e internado em um hospício.

O caso mais recente de uma criança protegida por animais foi descoberta em março último, na Alemanha Ocidental.  É a história de Horst Werner, um menino de quatro anos e autista  - pessoa que se desliga do mundo, vivendo apenas dentro de si mesma. Como os pais de Horst o abandonaram, sozinho, em casa, uma cadela pastora alemã da família, chamada  Asta, passou a cuidar dele. Asta lambia os pés e as mãos do menino, limpando–o , e fazia-lhe companhia durante o dia inteiro. Resultado: Horst dormia como um cachorrinho, com o queixo apoiado no braço dobrado, imitava latidos e até roía os ossos que Asta dividia com ele. O menino agora está sob cuidados de assistentes sociais, aprendendo a viver de novo. Mas por enquanto só fala uma palavra: Asta, o nome de sua única amiga.

                “ As  lendas  de  crianças  por  animais  foram  motivo  para filmes  e
                  Seriados  , como  Mogli  ,  o menino – lobo  , e  Tarzã  . Mas  muitas
                  São  verdadeiras  e  até  hoje  essas  crianças  e  encontradas  . “

Fonte    -    Jornal   O  ESTADINHO    pág   5
Reportagem       -          Roberto    Muniz

Especial - Atualidades






O  medo de o bebê  nascer  com  mal formações costuma  perturbar
Muitas  mães  durante  a  gravidez 

Trata-se de um pesadelo que ameaça os sonhos da futura mãe. Porém, quando o medo se transforma em realidade, a notícia de que o bebê vai nascer com alguma deficiência abre uma ferida no coração dos pais. Uma ferida que lança mil perguntas para as quais não parece haver respostas

Por que justamente o meu filho  ?

Como ele poderá enfrentar um mundo tão competitivo, onde não há lugar para os mais fracos? Angústia, dor e ressentimento se misturam. Trata-se de uma dor inimaginável. Entre mãe e filho, de fato  , há uma profunda identificação, ainda mais durante a gravidez.

Sua preocupação em não magoar o bebê que está na barriga já diz o quanto você o ama. Esse sentimento predomina no seu coração e é isso que o bebê vai sentir quando nascer.

O feto ainda não é um ser humano totalmente constituído, seu aparato psíquico ainda está em forma ainda muito primitiva. Sua preocupação em não magoá-lo é um sentimento amoroso, que reconhece a existência desse novo ser e a respeita, e é  isso que o seu bebê sente acima de tudo. Fale com ele, diga isso para ele, mesmo com as lágrimas nos olhos. É natural que junto com o sentimento de amor também haja angústia  e talvez até raiva.

A primeira coisa a se fazer é tentar contato com esses sentimentos, reconhecê-los, nomeá-los. O choro costuma ser um bom remédio nesses momentos. Trata-se de um processo interno que leva tempo. Contudo, uma vez dado o primeiro passo, a angústia se torna suportável e inicia-se o processo de aceitação do seu bebê como ele é, na sua realidade de criança deficiente. Quando podem ser aceitas na sua limitação, crianças deficientes costumam ser uma grande benção para a família.

Fonte     -    Revista  de   Aparecida            pág  22      Agosto  de  2013    
                    Roberto  Girola   -    Psicanalista  e terapeuta  familiar




EM  NOME  DO  FILHO
Entrevista
EM  SEU  PRIMEIRO  LIVRO, CANTORA  OLIVIA  BYINGTON  FAZ  UM  RELATO
EMOCIONANTE  SOBRE  O  PRIMOGÊNITO, QUE  NASCEU  COM SÍNDROME  RARA

Há três décadas, a cantora Olivia Byington escuta a mesma pergunta quando está ao lado de João, o mais velho de seus quatro filhos  : “ O que é que ele tem ? “ Pacientemente, ela explica que ele nasceu com a rara Síndrome de Apert – é contabilizado um caso a cada 160 mil nascimentos no país, segundo a Apert Brasil. Ele passou por mais de 20 cirurgias  (para solucionar problemas na caixa craniana, no aparelho digestivo, nas mãos). E hoje aos 35 anos, é um cara independente, que anda para lá e para cá  de ônibus, adora usar camisa polo azul-marinho, faz selfies para postar no Facebook, é apaixonado pela namorada e está em busca de um emprego. As conquistas e os perrengues são relatados pelo ponto de vista da mãe no livro “ O que é que ele tem “ ( Objetiva ), que será lançado dia 21, na Argumento, no Leblon. As histórias começaram a ser rascunhadas em 2012 , por incentivo do seu marido, o diretor Daniel Filho.- Eu e o Daniel nos conhecemos na juventude e nos reencontramos em 2009. Cada vez que eu contava uma parte da minha história com o João, ele falava: “ Você precisa registrar isso !

O prefácio é assinado pelo segundo filho, o ator Gregório Duvivier – ela também é mãe de Barbara e Theodora. E as ilustrações são criações da própria, que, ao narrar o desenvolvimento do João, faz um retrospecto de sua carreira.

- Fiquei com medo de falar muito de mim e fui achando um equilíbrio para contextualizar a vida do João dentro da minha. Acabou ficando autobiográfico    diz a cantora de 57 anos, que sempre rejeitou o papel de coitadinha.

É verdade que os seus amigos sumiram quando o João nasceu  ?
As pessoas tinham medo do desconhecido. Toda mulher que engravida está diante de um precipício. É horrível dizer isso, mas a gravidez é uma coisa muito arriscada. Se você abrir um livro de genética, vai falar: “Muito obrigada, eu não vou querer ter filhos.” São balas de raspão.

Você teve mais três filhos. Em momento algum você teve medo de engravidar de novo?
Depois que o tempo passa só da parte boa  . Mas eu tive muito medo sim  . Passei por um trauma  , mas que não evitou que eu desejasse ter mais filhos  . Um filho com deficiência vai sempre ser especial, vai sempre receber mais atenção, e os outros vão ter que aprender a ser especiais de outra forma. Gregório, Barbara e Theodora aprenderam a ser generosos.

Não rolava ciúmes entre eles  ?
Nunca vesti os meus filhos com roupas iguais ou dei os mesmos presentes. Essa contabilidade do afeto não existe na minha casa . fica forçado e a própria criança começa a fazer contas  . A criança precisa aprender a ser generosa  .

E a intolerância diminuiu ?
Quando o João nasceu  , as pessoas com deficiência eram menos incluídas . Não estou dizendo que hoje em dia elas sejam incluídas. A luta pela inclusão é muito séria. Ano passado, Dilma Rousseff assinou uma lei muito importante ( que criou o Estatuto da Pessoa com Deficiência ).

Mas o que de fato mudou  ?
Cada vez mais as pessoas tiram os seus filhos com deficiência de dentro de casa  . Nos anos 1950 ainda era uma vergonha. Chamavam de retardado, debiloide, mongoloide. Hoje a nomenclatura é pessoa com deficiência. Acho super lindo botar a pessoa antes da deficiência. E eu amo o politicamente correto. É a mesma coisa da briga das mulheres. Elas têm que ser tratadas do jeito que elas querem.

Nesta semana, você deixou claro o seu repúdio à cultura do estupro, num debate sobre a barbárie sofrida pela adolescente no Morro do Barão. No livro você fala em passant sobre o episódio de violência que sofreu, aos 18 anos, em São Conrado. Como foi isso?
Eu reagi e quase morri. Tive uma luta corporal com um homem enfurecido que queria me matar... No livro eu botei uma versão enxuta para não roubar a cena da história do João. Mas acho muito bacana hoje em dia eu poder falar para todas as mulheres: contem, falem. O silêncio é o pior inimigo.

Nunca foi uma questão para você  ?
Nunca tive vergonha, é um ingrediente que não posso separar da minha biografia. Mas eu poupei as minha filhas de saberem. Só resolvi contar para a Bárbara na adolescência, quando ela estava folgando de andar na rua sozinha. A Theodora foi saber agora, pelo livro. Mexe muito com a gente. Mas é importante as pessoas falarem como é importante as pessoas botarem os seus filhos com deficiência desde cedinho na roda da família, num colégio que ao seja para crianças com necessidades especiais. Isso foi fundamental para a segurança que o João tem hoje. Ele não tem o menor grilo da aparência, faz mil selfies com a namorada.

E o namoro dos dois  , como é  ?
É tão bonito o encontro do João com a Ana Clara ( que também tem Apert ). Mês passado, ele ficou uma semana em São Lourenço. Ela já estava lá, com os pais, e ele foi encontrá-la sozinho, de ônibus. O João vai ainda me surpreender muito.

O João gosta de música  ?
Aqui em casa fomos todos criados, ouvindo Tom Jobim , música clássica. E desde pequeno o João tem fascínio por música sertaneja. Muito antes de a gente saber quem eram Leandro & Leonardo, ele já vivia cantando, com vibrato, “ Pense em mim , chore por mim , ligara pra mim “ .
Aprendeu a gostar ouvindo o rádio de uma cozinheira do primeiro colégio dele. A música estourou muito tempo depois. Ele também ama Zezé  Di Camargo & Luciano até hoje.

Então foi uma homenagem a ele a inclusão de “ Pense em mim “ no repertório do seu show “A vida é perto “ , que virou DVD em 2008  ?
O João trabalhava comigo nesse projeto  , vendendo CDs . Ele entrava no show só na hora de ouvir a música sertaneja  . Ficamos uns dois anos nessa  .

E a sua música ? Novidades à vista  ?
Eu dei uma para de cantar  . Na verdade  , eu dei uma cansada  . Os últimos anos de “ A vida é perto “ foram muito sofridos, viajava para lá e para cá com cenários nas costas para fazer SESC não sei onde, para pouca gente. O Tom Jobim dizia: “ Fazer música é uma doação ilimitada para uma eterna gratidão “ . Eu  estava me sentindo exatamente assim. Mas eu tenho vontade de refazer  A dama  do encantado “ ( um tributo a Aracy de Almeida ), adoro aquele repertório, os sambas de 1930.

Quais são os seus sonhos para o João  ?
Eu não vou estar aqui para sempre. Sei que ele tem irmãos incríveis, mas quanto mais ele estiver preparado para ser independente, melhor. A Lei de Cotas torna obrigatório que empresas preencham uma parcela de cargos com pessoas com deficiência. Então resolvemos procurar a Firjan. Em agosto passado, o João foi todo empetecado fazer uma entrevista. Mas até agora não tivemos resposta. Eu não desisto. Vamos ver até onde vai essa hipocrisia. Essa situação nos fez reviver dramas que vivemos ao bater na porta de colégios que não o aceitavam. Por enquanto, ele tem feito alguns trabalhos como Daniel, participou do set do filme Kéfera  ( Buch-mann  , uma youtuber de sucesso )  . ele adora trabalhar  .

 Fonte    -   Revista    O   GLOBO      págs  27 e  28
12/06/ 2016          Entrevista        - Por    JOANA   DALE

Medicina
ESPERANÇA  CONTRA  O  DOWN

Cientistas  conseguiram  “ desligar “ em laboratório  o cromossomo extra  que  causa
Distúrbio   . Mas falta  muito  para  surgir  algum  tipo  de  tratamento.

Um estudo publicado na revista Nature na semana passada trouxe uma esperança para o tratamento da síndrome de Down. Pesquisadores da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, demonstraram que é possível silenciar o cromossomo extra que causa a anomalia. Ela ocorre quando há três cópias do cromossomo 21, em vez das duas normas. “Desde 1959  , quando se descobriu a causa de Down, não houve nenhum avanço que trouxesse perspectivas tão positivas quanto a dessa experiência “ , diz Salmo Raskin  , geneticista e pesquisador do Projeto Genoma Humano. “Apesar de estar muito distante em termos práticos, trata-se do prenúncio de uma terapia gênica para o distúrbio.”Estima-se que 300.000 pessoas tenham Down no Brasil. No mundo, a síndrome acomete um em cada 700 bebês nascidos vivos. A seguir  VEJA  tira as principais dúvidas em relação ao avanço anunciado.

As  pessoas com  síndrome  de  Down  serão  beneficiadas  pela  descoberta  ?
Ainda não. O trabalho dos cientistas americanos foi feito com culturas de células em laboratório. Passará depois por experimentos em animais. Não há previsão de testes em seres humanos. Trata-se, portanto, apenas de um primeiro passo para um possível tratamento para as consequências da síndrome. Hoje  , há setores da medicina mais avançados em minimizar os problemas associados ao Down, como defeitos cardíacos e doenças neurológicas.

Mulheres  que  esperam  um bebê   com  Down  poderão  tratá-lo  antes  do  nascimento ?
Não.  Seria necessário desenvolver uma vacina intrauterina capaz de alterar os cromossomos 21 do embrião. Não há evidência de que seja possível  de que seja possível.

Quem pensa em ter filhos ganhou uma nova ferramenta de precaução  ?
Hoje, aqueles que   desejam ter filhos em idade avançada pode usar a fertilização In vitro para selecionar apenas embriões saudáveis. No futuro, os cientistas poderão desenvolver uma técnica na qual uma cópia do gene XIST, capaz de desligar o cromossomo extra, seja aplicada no embrião.

A técnica poderá ser aplicada no estudo de outras doenças  ?
Talvez. O método poderá ser usado para entender os mecanismos de outros distúrbios causados por cromossomos. “ Se essa técnica puder ser replicada em problemas causados
por genes defeituosos, será possível prevenir também doenças genéticas, como a de Hunington, que afeta o sistema nervoso “ , diz a geneticista Mayana Zatz , da USP 
 
O  QUE  CAUSA  A  SÍNDROME
Os cromossomos são longas cadeias de DNA que contém as instruções para criar um ser vivo. Um embrião humano é constituído por 23 pares de cromossomos  , sendo que o pai e a mãe contribuem com um cromossomo para cada par. Devido a uma falha de formação de embrião  , as pessoas com síndrome de Down apresentam três cromossomos 21, em vez de apenas dois.

COMO  FOI  O  EXPERIMENTO
Os cientistas retiraram células da pele de uma menina com Down e as transformaram em células–tronco. Por meio de uma enzima  , introduziram no terceiro cromossomo 21 ( o extra ) um gene chamado XIST. Os pesquisadores sabiam que esse gene é responsável por “desligar “ naturalmente um dos dois cromossomos X que estão envolvidos na determinação do sexo do embrião.

O resultado
O  XIST  conseguiu  desativar  o cromossomo  21  que  estava  sobrando. Com  isso, as  células–tronco criadas a partir  das  células  da  menina  com  Down  passaram  a  funcionar  normalmente.

Fonte  -            Revista  -      VEJA                pág 79
24/07/2013       MEDICINA           SALMO  RASKIN     - geneticista