terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Árvore de Natal, árvore de Cristo



Depois do Presépio , a Árvore de Natal é o símbolo mais expressivo da época de Natal da época natalina – sobretudo em tempos passados , quando o apelo comercial ligado à data era inexistente ou pouco expressivo. 

O criador da árvore de Natal foi  São  Bonifácio. Nascido na  Inglaterra,  ingressou  num
mosteiro beneditino, de onde saiu em missão de evangelização nas terras que hoje formam a  Alemanha .

Em 723   São Bonifácio derrubou um enorme carvalho localizado  próximo  à cidade de Fritzlar, dedicado ao deus  Thor, para convencer o povo e os druidas de que não era uma árvore sagrada . Esse acontecimento é considerado o início formal da cristianização dessa região .

Na queda , o carvalho destruiu tudo o que estava à sua volta menos um pequeno pinheiro. Segundo a tradição, o santo interpretou o fato como um milagre. Era o período do Advento quando declarou : “ Doravante , nós chamaremos esta árvore de árvore  do  Menino  Jesus  “ .

A primeira  árvore  de  Natal surgiu , pois , pelas santas machadadas de São  Bonifácio. O costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento  de  Jesus estendeu-se pela Alemanha.

No século XIX ,a Árvore de Natal – também conhecida em alguns países europeus como a “ Árvore de  Cristo “ - espalhou-se pelo mundo inteiro como símbolo da alegria própria dos festejos que celebram o  nascimento  de  Jesus .

O costume de ornar o  pinheiro data dos tempos do  Papa  São  Gregório  Magno (540-604)  , que impulsionou a cristianização das  tribos  germânicas no início da  época  medieval.

Estas tribos tinham o costume  esdrúxulo de adorarem árvores e lhes oferecerem sacrifícios .  Os  missionários e monges aproveitaram então a forma triangular do pinheiro para explicar aos bárbaros o mistério da  Santíssima  Trindade .

Essa é uma das muitas histórias que explicam a presença do pinheiro nas festas natalinas . Há outas tradições que remetem a  São  Columbano  , por volta do ano 61,5  ,
que teria escolhido a única árvore que permanece  verde no inverno  e enfeitá-la para a noite de Natal .

É certo que no século XVI  árvore  de  Natal era montada no coro das  igrejas  da  Alsácia representando a  árvore  de  Paraíso . Ela era ornamentada com  maçãs  para lembrar o  fruto  da  tentação dos primeiros pais. Anjos, estrelas de papel e muitos outros enfeites compunham a decoração. 

Escolhendo a   árvore  do  Paraíso como símbolo das festividades do Natal , a Igreja Católica estabeleceu uma ponte entre o pecado de Adão e eva numa extremidade , e a vinda de Jesus , o novo Adão que veio regenerar a humanidade nascendo do seio virginal da nova Eva  , Nossa  Senhora , outra .

É  fato assente que o costume generalizou-se na  França  quando a  princesa   Hélene  de  Mecklembourg o trouxe à  Paris em 1837 , após seu casamento com o  duque d’ Orleans .

Em 1841 , o príncipe  consorte  Alberto esposo da  rainha  Vitória da  Inglaterra, ergue  uma árvore  de  Natal  no  castelo  de  Windsor .

A partir da  corte  inglesa  , então a mais influente da terra , o católico costume propagou-se para todo o  povo   inglês , e dali  para  o  mundo  inteiro.

A  origem  das  maravilhosas  bolas  de  Natal 

Aproxima-se  o  Natal  e os olhares se voltam para as bolas natalinas sem que muitos saibam sua origem.

Nos primeiros séculos , o costume era pendurar  frutas , sobretudo  maçãs vermelhas  e  bem brilhantes , que  as crianças  comiam  na  festa de  reis .

Em 1847 Hans  Greiner , um mestre  vidreiro  de  Lauscha  , cidade  alemã da  Turíngia , quis agradar seus filhos e fez em vidro as frutas que pendiam da  árvore  natalina.

Em 1858 , uma grande seca deixou sem  maçãs  e  frutas da  região  de  Vosges e  Mosela  na  França . Foi então a vez de um  artesão  vidreiro  de  Meisenthal fabricar maravilhosas bolas

Quando a rainha vitória  da  Infglaterra manifestou seu entusiasmo pela árvore de Natal cheia de adornos cristalinos todo o mundo quis ter algo semelhante.

Os EUA consumiam fabulosas quantidades de bolas de Lauscha, e novos fabricantes e novos materiais apareceram. 

Por que panetone?

O panetone, como tantos outros costumes católicos ligados ao Natal, teve sua origem em plena idade média,  na Lombardia (Itália ) .

Tipicamente ele tem uma base cilíndrica com cerca de 30 cm de altura , com uma espécie de cúpula como que extravasando de sua forma original.

Composto de água , farinha , manteiga , ovos , frutas cristalizadas , cascas de laranja e cedro, além de uvas passa e muita imaginação , a tradição lhe atribui  diversas origens.

Uma das versões mais respeitadas atribui a origem da receita aos tempos em que governava Milão ,o turbulento  duque  Ludovico  Maria  Sforza , dito o Mouro ( 1452-1508 ) . O belicoso  Ludovico , já renascentista em espírito , encomendou um suntuoso jantar de Natal que devia coroar sua glória como duque  da poderosa cidade de Milão.

Para o evento convidou toda a nobreza das cidades vizinhas . O cozinheiro fez tudo quanto de mais fabuloso lhe ocorreu . Mas esqueceu o bolo da sobremesa no forno , e este acabou carbonizado . Ele entrou em desespero , pois talvez sua cabeça estivesse em jogo com tão imprevisível patrão . Nessa hora surgiu um pobre ajudante de cozinha chamado  Toni que , com pouco de ingredientes que havia sobrado na despenas , propôs fazer um pão  doce de acordo com uma receita que possuía . Dito e feito , o pão foi servido e apreciado com entusiasmo por todos . O cozinheiro foi chamado para explicar a iguaria . Sem saber o que dizer ele balbuciou : 

- " È  o  pão  de  Toni ... " .

E assim nasceu o termo " panetone " ( o  pão  Toni ) . Sua receita já tem mais de  500 anos e é apreciada no mundo inteiro.

Outra versão: durante a festa , as famílias se reuniam em volta da lareira , aguardando que o  pater  familias  -  o fundador ou herdeiro do fundador da família  dividisse" une pane" grande e oferecesse um pedaço a todos a os presentes de união  familiar . Esse pão tinha também sua história impregnada de caridade  católica .

Na época , o pão de farinha  branca era raro e caro , quase exclusivo dos nobres , Porém , no Natal , aristocratas e plebeus ganhavam de graça o mesmo pão de farinha branca , enriquecido com frutas e outros elementos , oferecido graciosamente pelos padeiros da região.
     
Origens  e  significados  da  Missa  do  Galo 

A  Missa  do  Galo é celebrada na  Véspera  de  Natal ; há anos atrás começava à meia-noite de 24 para 25 de dezembro .

O nome deriva da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou como nunca se tinha ouvido de outro animal semelhante , anunciando a vinda do  Messias , filho  de  Deus  Vivo , Jesus  Cristo .

Um costume da província  de  Toledo , na  Espanha , consistia em que , antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro , cada lavrador matava um galo em memória daquele que cantou três vezes quando Pedro negou  Jesus . A ave era depois levada  para  a  Igreja  a fim de ser oferecida aos pobres , que viam assim o seu  Natal melhorado .

Era de costume , em algumas  aldeias  espanholas  e  portuguesas , levar o  galo para a igreja , a fim de que este cantasse durante a missa , significando  um prenúncio de boas colheitas .

A  Missa do  Galo foi instituída no século V , após  o  Concílio  de  Éfeso (431d.C.) começando a ser celebrada  na basílica  do  monte  Esquilino , erigida pelo  Papa  Sisto  III em honra  de  Nossa  Senhora.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque representa vigilância , fidelidade e testemunho  cristão .

Fonte  -  FOLHA  PAROQUIAL   n º 254  *  - pág  12  
Dezembro  de  2019 


O Natal não é mais o mesmo !



A  Propósito…

Quantas vezes já ouvimos esta afirmação, principalmente dos  pais e  avós. Mas o que mudou  na  celebração  do  Natal?

No ano passado, o centro do  Natal era a  lembrança  do  nascimento de Jesus e ,  por isso , era celebrado com orações , missas Mas hoje o que conta mesmo é receber e dar presentes, pessoas  estressadas percorrendo as lojas com uma lista nas mãos procurando presentes para família toda , para os amigos , para os colegas , o amigo secreto e etc… Virou obrigação. É uma verdadeira maratona, pessoas com tempo curto e o dinheiro idem.

Ano após ano, é sempre a mesma coisa: corre corre, planos, lojas abarrotadas... propaganda na televisão, no celular, na internet. Tudo para preparar a chegada do Natal.

Planejamos festas, comidas, reunimos a família nos preocupamos com os presentes de todos, sobretudo das crianças, decoramos a casa, convidamos os amigos, fazemos compras, montamos árvores de natal, presépios…

O Natal traz festas, trocas de presentes, espera pelo Papai  Noel, luzinhas pelas ruas, pessoas correndo o tempo, lojas lotadas, panetones, rabanadas…

As pessoas ficam estressadas percorrendo as lojas, virou obrigação. É uma verdadeira maratona, pessoas irritadas, com tempo curto e o dinheiro idem. Papai  Noel, o “bom velhinho”, transformou-se no verdadeiro garoto propaganda.

Festeja-se o  Natal e esquece-se o aniversariante. É muito comum no período natalino, comerciais anunciando presentes, brinquedos, utensílios domésticos, artigos decorativos, enfim, uma grande variedade de produtos. O verdadeiro presente de  natal que você pode dar é alegria, carinho, amizade, compaixão, respeito e solidariedade com o próximo. Esse é o verdadeiro propósito do Natal.

Infelizmente, estamos vivendo em um momento em que muitas famílias vivem essa data como  um simples dever ao consumo. Para a maioria das pessoas, o  Natal se resume a uma data festiva  em que elas se reúnem para comer, beber e trocar presentes. A figura central passa a ser o  Papai Noel.

As famílias se confraternizam, trocam apertos de mãos, abraços , beijos  dividem alegrias e sorrisos. Infelizmente , para a maioria das pessoas , esse “ espírito  “ de alegria , paz , amor e perdão acontece apenas uma vez por ano e dura somente uma noite

Nada mais falso do que a música   ‘O Velhinho‘ de Otávio Filho ( https://www.ouvirmusica.com.br/dominguinhos/1409221/ ) “ Como  é  que  Papai  Noel não se esquece de ninguém , seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem “ . O Verdadeiro recado está na música  “ ‘ Boas Festas ‘ de Asis Valente que é a realidade do Brasil ." eu pensei que todo mundo fose filho de Papai Noel [ ...] Mas o meu Papai 

Eu prefiro lembrar que no Natal , por conta dos empregos temporários , muitas pessoas puderam resgatar um pouco de sua dignidade. E que por conta do dinheiro extra que receberão , muitos pais e mães de família poderão oferecer uma mesa mais farta para a família . E por conta das campanhas de solidariedade feitas nesta época,  algumas crianças receberão , sim , algum brinquedo e pessoas menos favorecidos vão receber uma ceia de  Natal.

A razão do Natal ficou completamente esquecida. Comemoram o aniversário sem dar a menor importância ao aniversariante. O verdadeiro presente de Natal que você pode dar é alegria ,carinho , amizade , compaixão, respeito e solidariedade com o próximo. Vamos comemorar o Natal com amor, paz, prosperidade, união, família, perdão e compaixão .

Então é  Natal , pro enfermo e pro são ' Pro  rico  pro  pobre , num só coração'. Não é assim que a Simone canta todo ano no Natal ?  Esse sim é o verdadeiro propósito do Natal. Só depende de nós .

" Então  é  Natal ,  o  que  você  fez ? " uma versão de  Happy  Xmas ( War  is  over ) , de John  Lennon  e  Yoko  Ono. 

Que  o  espírito  de  fraternidade  nos  acompanhe  sempre. Bom  Natal  a  todos ! 

Fonte   - Revista  Bairro  Peixoto  -  pág  8   -  RICARDO  MACHADO
Administrador de Empresa

A Lógica de Deus


Editorial 

Mensagem  do  Pároco

No Natal aparece com clareza a lógica de Deus . Muitos de nós estamos convencidos de que o poder do mal pode ser vencido somente usando as mesmas armas: o dinheiro, a  mentira , a corrupção. Julgamos que a violência pode ser eliminada somente com uma violência maior e que uma guerra se possa terminar mediante outra guerra .

O  Natal mostra-nos um Deus que escolhe a pobreza e a fraqueza, nos ensina a não mais acreditar na lógica da força, lógica que também nós, cristãos, sempre somos tentados a aceitar.

Todos os anos celebra-se aniversários de pessoas ilustres em todo o mundo. Porém, celebrar  o aniversário  de Jesus é diferente , porque nós o atualizamos e não somente o recordarmos. Celebrar na fé os acontecimentos salvadores de  Deus é fazê-los presentes aqui e agora ´para os cristãos de hoje. Apesar do pessimismo sobre o ser humano e de tudo o que há de degradante em nosso mundo, apesar de tudo, há esperança para o ser humano , porque  Deus assumiu nossa humanidade , continua a acreditar que somos capazes de refazer a nossa história cada dia transformando-a em nova e melhor .

Diante da proximidade do Natal , a tarefa mais urgente a executar é converter-nos. Para entrar devidamente no clima da festa precisamos começar mudando corações, mentalidade e conduta .

Um  santo  e  Feliz  Natal  a  todos ! 

Fonte   -  NOSSA  SENHORA  DA  PAZ  Informa      (  folheto )  pág 2
Dezembro , 2017   -   Pe.  Manuel 



Fé  e  Cidadania 

O  Natal  em  um  ano de  ressentimentos 

Neste ano, no Brasil, a polarização, o uso e o abuso das redes sociais  e as fake  news, que marcaram as eleições, criaram inimizades, dividiram famílias e cegaram perto do insuportável.

Como em vários países, também aqui a política  vem sendo dominada pelo ressentimento. Diante das mazelas da política e da ida pública, que parecem não reconhecer nem a dignidade nem os valores das pessoas, cresce o sentimento de frustração e de impotência , que vai se desenvolvendo como raiva e rancor . As decisões políticas e as escolhas eleitorais não são mais tomadas a partir da procura do melhor para si e para os demais , mas em função do ressentimento.

Esse sentimento funciona como óculos que distorcem nossa visão da realidade. Os fatos continuaram ali, a verdade não deixa de ser verdade , a mentira continua mentira , mas a dimensão dos acontecimentos é falseada . O pequeno  parece grande e o grande parece pequeno , o que está próximo se afasta e o que  está longe se aproxima .

Eleitores que procuram os melhores candidatos hostilizam-se entre si , enquanto homens públicos inconsequentes continuam a agir impunemente .

Indivíduos violentos ou ideológicos , demagogos que procuram enganar o povo , existem com certeza – e devem ser combatidos com firmeza . Mas , num mundo de ressentimentos, as vítimas se tornam culpadas, e os verdadeiros culpados escapam impunes, manipulando a frustração e a raiva dos demais .

Segundo o  Papa  Francisco , quando “ preferimos  o ressentimento , o rancor “ , ganhamos  “ um coração  amargo" ( Meditação matutina , 11 de dezembro de 2017 ), pois a dor em consequência dos nossos pecados e daqueles de nossos irmãos é cristã ,mas o ressentimento não ( cf. Meditação matutina , 13 de fevereiro de 2017 ) .

Na mensagem ao  povo  brasileiro , para a Campanha da Fraternidade de 2018 , o  Papa escreveu: “Deixar de lado o ressentimento , a raiva , a violência e a vingança são condições necessárias para se viver como irmãos e irmãs a superar a violência . Acolhamos , pois , a exortação do Apóstolo: ‘Que  o  sol não  se  ponha  sobre  o  vosso  ressentimento' ( Ef 4,26 )".

O crescimento da política do ressentimento ao redor do mundo aponta para os limites das propostas multiculturalistas ,das políticas afirmativas e de inclusão social. Suas raízes são justas : reconhecer os direitos do diferente , apoiar os fracos e os injustiçados ao longo da história, favorecer a convivência entre pessoas e povos . Muitas coisas boas vieram dessas propostas , mas elas têm limites : favoreceram uns , mas não contemplaram outros ; defenderam a tolerância , mas não geraram encontros verdadeiros; quiseram educar para a paz, mas não souberam educar para o amor verdadeiro.

O ressentimento só pode ser superado pelo perdão e a acolhida que criam as condições para descobrirmos e aceitarmos os erros uns dos outros, sem nos escandalizarmos,  mas procurando todos juntos mudar para melhor.

A  festa  do  Natal  é justamente a  celebração  do  dom  gratuito  de  Deus  que vem ao nosso encontro . Não é à toa que é a grande festa  da  confraternização  universal  . Ao receber um dom de amor, tornamos mais capazes de amar e acolher nossos irmãos . Mesmo a exploração consumista e comercial  do  Natal não conseguiu eliminar esse caráter original da  festa  cristã .

Não  desperdicemos  essa oportunidade, tão  necessária  a  todos os  brasileiros depois  deste  ano  tão  difícil.

Fonte  -    Jornal  O  SÃO  PAULO   -  Fé   e  Cidadania   -   pág   5
12  a  17 de  dezembro  de  2018  - FRANCISCO  BORBA  RIBEIRO  NETO 

Desvende os segredos das Princesas




Neste  Natal  e  Reveillon,  sem  carne, bacalhau... sugiro  com  todo carinho as  receitas  abaixo: Este foi o presente que recebemos... Deus  está  cuidando  de  nós! 
               
Feliz  Natal  e  Ano  Novo!
de Ana Regina e Paulinho 

Desvende  os  segredos  das  Princesas 

Chef  de cozinha  abre o livro de  receitas  de  Cinderela, Ariel e outras personagens da realeza. 

Ter uma alimentação saudável pode parecer papo chato. Afinal ,quem resiste a um hambúrger com batata frita e um belo sorvete para finalizar  ? Para deixar seus pratos  mais saborosos  e divertidos  , o  Chef Allan  Vila  Espejo criou um cardápio encantado .

Agora não há mais desculpa para não cuidar da saúde! Receitas  de  Princesa traz segredos dos livros de receitas das princesas da Disney  Aurora , Ariel Cinderela , Branca de Neve,  Bela  e Jasmine.

Para preparar a maior parte das delícias, você precisará da ajuda de um adulto – para mexer com fogo, descascar legumes, sovar massas - , mas algumas sobremesas são bem fáceis de fazer.

Confira aqui no Estadinho duas receitas do livro.  O  Omelete belo está livro da princesa  Bela - A  Bela  e  a  Fera - ; já o Creminho  dos passarinhos é um segredo da Branca de  Neve.

OMELETE  BELO 

Ingredientes:

2 ovos, meia xícara de leite , 1 pitada de sal , 1 colher de sopa de azeite de oliva , 4 fatias de presunto cozido , 4 fatias de mussarela , 1 pitada de orégano. 

Modo  de  preparo: 

Bata os ovos com o leite e o sal . Aqueça o azeite na frigideira , frite ligeiramente o presunto e reserve. Coloque os ovos batidos na frigideira. Deixe fritar de um lado, vire e coloque a mussarela e o orégano. Coloque por cima as fatias de presunto . Enrole a omelete e sirva.

Creminho  dos  passarinhos 

Ingredientes:

1 mamão  papaia , 1 bola de sorvete de creme , meia xícara de chá de xarope de groselha.

Modo  de  preparo:

Descasque o mamão, corte ao meio e tire as sementes. Corte em cubos e coloque no liquidificador com o sorvete. Bata bem até formar um creminho homogêneo. Sirva na taça  com  groselha.

Fonte  -  Jornal   O  ESTADO  DE  SÃO  PAULO  - ESTADINHO  - P 6
Sábado, 27 de Novembro de 2004 - Culinária - Elienne  Jacinto



Lombo  Assado

Ingredientes 

1 lombo de cerca de 3kg  , 4 dentes de alho picados , suco de 2 limões , 1 colher de (sopa ) de sal , pimenta-do-reino a gosto , 1 taça de vinho branco , manteiga o quanto baste 

Preparo

Misture o vinho com os temperos e jogue sobre o lombo . Deixe marinar por 5 horas , virando de vez de quando . Coloque em uma assadeira , passe bastante manteiga e leve ao forno alto por cerca de 3 horas até dourar . 




Cuscuz  marroquino 

1 caixa de cuscuz marroquino, 2 xícaras de água, 1/2 colher (sopa ) de óleo, pistilos de açafrão a gosto, sal a gosto, 2 colheres (sopa) de manteiga.

Preparo 

Ferva a água com o óleo ,o açafrão e o sal. Desligue e coloque o cuscuz para reidratar ,até que chupe toda a água. Reserve . Na hora de servir , aqueça e solte os grãos com um garfo , acrescentando a manteiga. Sirva com ervilhas tortas , cenourinhas e nozes .

Fonte  -   O  ESTADO  DE  SÃO  PAULO -   pág  3  
Quinta-feira , 14 de Dezembro de 2006  -    PALADAR 


Frango  com  frutas 

Ingredientes 
uma colher ( sobremesa ) de mostarda de dijon , uma colher ( sobremesa ) de mostarda alemã , uma colher ( chá ) de mel, uma colher (chá) creme de leite, 2 peitos de frango, grandes, inteiros, sem osso e pele, sal e pimenta-do-reino a gosto, uma colher de (sopa) de manteiga,  duas colheres ( sopa ) de maionese , bolinhas de melão amarelo , bolinhas de melão cantalupe , bolinhas de mamão papaia , 1 kiiwi cortado em fatias , ramos de hortelã

Preparo

1- misture as mostardas , o mel e o creme de leite . Reserve . tempere os peitos de frango com sal e pimenta-do-reino e depois passe-os pela mistura de mostarda , cobrindo-os bem .

2 - Aqueça a manteiga numa frigideira grande . Retire os peitos da mostarda e sacuda-os para retirar o excesso . Reserve essa mostarda . Coloque-os na frigideira em uma só camada e cozinhe-os por 10 minutos . Vire-os e doure-os do outro lado .

3 - Retire-os da frigideira e , depois de frios , corte-os em fatias , meio em diagonal , para que fiquem maiores . Passe-as para a travessa.

4- Passe a mostarda reservada para uma panelinha,  junte a maionese e aqueça-a, mexendo sempre. Retire do fogo, espalhe sobre os peitos e rodeie com as frutas . Enfeite com a hortelã.

Fonte  -   Jornal  O ESTADO  DE  SÃO  PAULO   - pág  F 18 - Culinária 
Sábado/Domingo * 8/9 de Março  * 1997



MARATONA


Em  1896, em  Atenas, Spiridion  Louis  precisou  2h58min50 para  vencer  40 km; um século  depois, em  Atlanta,seria  apenas  o 40° - no  feminino.

Cem  anos  de  história  mudam  prova  mais  longa  do  atletismo. 

Desde  1986, distância superou  os  40 km  e  novas técnicas  auxiliam  o  desempenho dos  atletas.

A história é bonita, seja verdadeira ou não. No ano 490 a.C gregos e  persas estavam em guerra. Uma das batalhas foi na planície de  Maratona, com vitória dos   gregos  comandados pelo general  Milcíades. Comunicação já era importante naquele tempo e o soldado Philipedes foi designado para levar a notícia até  Atenas. Missão  cumprida, o mensageiro não pôde participar da festa que se seguiu. Vencido pelo esforço realizado morreu pouco depois.

Em 1896, nos primeiros Jogos  Olímpicos da  Idade  Moderna ,em Atenas ,o barão de Coubertin criou a  maratona para lembrar a história do disciplinado  soldado  grego. O vencedor, também grego, não morreu. Spiridion  Louis cobriu a distância em 2h58min50 num desempenho excelente, chegando oito minutos antes de seu compatriota  Charilaos  Vasilakosd.

Louis não teria chance nos tempos modernos. Se ele pudesse correr a Maratona  de  Atlanta , um século depois de ter alcançado a glória, e repetisse seu tempo, chegaria 20 minutos depois de 40 °. colocado. Da  prova  feminina. A  lituana  Stefanija  Statkuviene terminou a prova em 2h39min51. E com o percurso de 42.195 metros , maior que os 40 quilômetros de  Louis.

O ser humano tem transformado a  maratona  - uma prova criada para  superdotados – em uma brincadeira . Em  Nova  York , milhares de amadores correm apenas para ter direito a um adesivo que confirma o feito. Os atletas de ponta sonham em bater as 2h05min43 cravadas pelo marroquino Khalid  Kamnouchi, melhor marca mundial. O Comitê Olímpico Brasileiro fixou o índice 2h12  , que é mais rigoroso do  que o Comitê  Olímpico  Internacional , de 2h14 . Vanderlei  Cordeiro  de  Lima  ,  Éder  Fialho  , Osmiro  Silva  e  Luís  Antônio  dos  Santos atingiram índice. Outros  quatro têm chances de garantir a marca até 31 de maio, data final para a classificação. Apenas três irão a Sidney.

Ricardo d' Angelo , técnico de Vanderlei  , favoritíssimo a uma das vagas , aponta as causas da melhoria tão grande no desempenho dos maratonistas . "  Desenvolvimento da medicina , apoio a programas de treinamento, maior apoio de patrocinadores, mais tecnologia e, principalmente, o aprimoramento de técnicas de treinamento são os principais motivos da melhoria dos tempos " . O técnico fala de atletas de todo o mundo e não apenas do Brasil . Por isso inclui o item apoio a programas de treinamento , coisa inexistente por aqui . " Portugal e Espanha apoiam seus atletas e não é coincidência o espanhol Abel  Antón e o português Antônio Pinto  aparecerem como favoritos em Sydney " .

O apoio de patrocinadores permite a um atleta preparar-se melhor para alcançar seus objetivos . Vanderlei , por exemplo , tem um pequeno staff a ajudá-lo . Além  de Ricardo, conta com nutricionista , fisioterapeuta e um agente , que negocia cachês com organizadores de meetings de atletismo em todo o mundo . "A tecnologia  também ajuda , com relógios de pulso , óculos de sol e para neblina , além de tênis cada vez mais específicos para as diferentes provas de atletismo", completa Ricardo d'Angelo

TÁTICAS  DE  CORRIDA 

Fartlek 

Quando quatro ou cinco atletas estão correndo juntos, um deles começa a alternar o ritmo. Força durante 30 segundos, depois diminui. Repete a dose durante cinco quilômetros.

"Isso abala os outros atletas física e emocionalmente,  porque você está  dando todas as coordenadas, mostrando quem manda na prova".

Ataque  em quilômetro quadrado 

Alguns atletas programam seu ataque para o quilômetro  27,5 ou  31,5, sempre fugindo de números redondos.

"A maioria está com a programação feita de cinco em cinco quilômetros e um ataque em quilômetro quebrado surpreende a todos".

Ataque  na  subida ou  na descida 

O corredor tem a estratégia na cabeça e sabe a hora e o local em que tem de atacar para vencer. Se for um bom atleta, de subida , escolhe um aclive; se for melhor nas descidas da pista, é ali que atacará.

"O  Vanderlei é bom na subida; já o Delmir dos Santos, outro brasileiro, é ótimo nas descidas".

Corrida  em  grupo 

Quando está em um grupo, o atleta procura sempre ficar em último lugar. 

"Assim, ele escapa do vento e também encontra menos resistência do ar " .


Técnico  coordena  método  empírico  de  preparação 

Para Ricardo d'Angelo, que orienta Vanderlei Cordeiro, não basta ser ex-atleta para virar treinador.

Já vai longe o tempo em que livros estrangeiros eram traduzidos e as teorias ali descritas aplicadas ao pé da letra . Ricardo d' Angelo tem um exemplo pronto para mostrar como mudou a preparação esportiva para maratonistas.

"Era comum traduzir as teses usadas pelo técnico do checo  Emil  Zatopek   (vencedor da maratona na Olimpíada de 1952 , em Helsinque, e apelidado de Locomotiva Humana ) e obrigar nossos atletas a fazer igual, sem nenhuma adaptação nem resultados aparentes " , diz Ricardo , " Ninguém sabia se aquilo tudo era verdade " , completa .

D'Angelo assina revistas estrangeiras , compra livros , gasta tempo da  Internet , sempre em busca de novidades. Repudia o método  empírico , em que um ex-atleta virava treinador, passando por experiências , por meio de um bom bate-papo , ao novo pupilo. " Eu fui corredor de 400 metros e sou técnico de  maratona  porque estudei para isso , não por ser meu curioso " , diz.

Vanderlei Cordeiro já correu a maratona três vezes na casa de 2h08. Por isso, o pensamento - que já virou quase uma obsessão , está em conseguir o tempo de 2h07 . Para isso , é feita a divisão da prova . Ele deverá fazer os 21 quilômetros entre 1h03 e 1h03min30. Se chegar à metade da prova com tempo acima desse , deverá apertar o ritmo. Mas divisões não param por aqui. Para sonhar com um bom resultado , Vanderlei Cordeiro cobrir cada cinco quilômetros em 15 minutos . Um quilômetro deve ser coberto em apenas três minutos .

" Ele tem todos os números na cabeça ,e a cada quilômetros , sabe como apressar ou diminuir o ritmo , sempre com o tempo de duas horas e sete minutos como meta " explica Ricardo d' Angelo .

O avanço das técnicas esportivas criou várias táticas usadas por maratonistas em busca da vitória, dando muitas vezes um caráter extremamente estratégico à prova, que começou sem nada disso .

Fonte   -  Jornal   O  ESTADO  DE  SÃO  PAULO   -  pág E 3
Domingo , 5 de março de 2000 - ESPORTE -  LUÍS  AUGUSTO  SIMON 

OXUM NA ACHIROPITA



Igreja  tradicional  do  Bexiga, bairro  paulistano, celebra  missas  católicas  com candomblé  e  resgata  a  mistura  cultural  de  seus  moradores.

Vivi durante 12 anos no bairro do Bexiga , em São Paulo, e decidi revisitá-lo para mostrar as celebrações de religiosidade afro-brasileiras, realizadas no Candomblé de Pai Francisco de Oxum e na Igreja Nossa Senhora Achiropita, com seus batizados, casamentos e missas de São  Benedito , da Mãe  Negra e de Zumbi  dos  Palmares. Este meu trabalho começou a ser desenvolvido durante o projeto  “Povos  de  São  Paulo  - Uma  Centena  de  Olhares  sobre  a  Cidade  Antropológica", de 2004 / 2005, do qual participei no grupo “ Cultos , Crenças  e  Misticismos”, coordenado pelo fotógrafo Egberto  Nogueira , da Imã Foto Galeria .

Ao longo dos últimos anos, continuei fotografando essas celebrações e o resultado pode ser visto na minha exposição individual  “Olha  que  Eu  Vim  Lá  de  Longe “ , exibida na Pinacoteca  do Estado de São Paulo entre novembro de 2005 e março de 2006,com curadoria de Diógenes Moura.

O  Bexiga é um bairro  sui  generis  da capital  paulista, marcado pelo encontro cultural de negros e italianos. E, mais recentemente, dos   nordestinos. Essas populações só fizeram enriquecer o  panorama  cultural  da  cidade. Ícone da presença italiana em São  Paulo – os imigrantes começaram a chegar no século XIX - , o bairro também abrigou o quilombo do Saracura Os negros antecederam os italianos na região , porém sua história é menos conhecida ,ainda que o bairro seja o berço da escola  de  samba  Vai-Vai . A convivência entre essas culturas e etnias distintas se reproduz na  Paróquia  Nossa  Senhora Achiropita, construída na  tradição calabresa  e onde são celebrados missas, batizados e casamentos afros.

A presença de elementos da cultura afro -brasileira nas celebrações  católicas  na  Achiropita  foi idealizada pelo sacerdote Antônio  Aparecido  da  Silva  , o Padre  Toninho, segundo padre   negro na paróquia  do  Bexiga. Ao assumir a função  do  pároco, ele julgou que o momento era oportuno para organizar  um grupo  pastoral na comunidade voltado para o resgate e a preservação das  raízes  afro-brasileiras. No ano de 1988 , quando foi comemorado o  Centenário  da  abolição  da  escravatura  no  Brasil, a Confederação  Nacional  dos  Bispos  do  Brasil (CNBB ) escolheu o  negro como tema  da  campanha  da  fraternidade  .

A  primeira  missa  afro-brasileira  na  Achiropita foi celebrada  no  fundo  da igreja, meio às escondidas, com a desaprovação de muitos, até mesmo  da  comunidade  negra. A novidade mostrou-se , a princípio , assustadora . Os mais conservadores chegaram a fazer um abaixo-assinado pedindo a transferência  do  Padre  Toninho . O então  arcebispo  de  São  Paulo, D. Paulo  Evaristo  Arns , porém apoiou o padre . Com isso, a maioria da população  católica  do  Bexiga acabou aprovando iniciativa. Em  1998,  D. Paulo celebrou sua última  missa  como  arcebispo  de  São Paulo na  Achiropita . Era  a  missa  da  Mãe  Negra .

A  Pastoral  Afro busca recuperar  as  raízes  do  povo  afro-brasileiro, valorizar sua cultura  e resgatar sua  dignidade. Procura estimular a comunhão  cultural, combatendo o racismo  contra qualquer  povo  ou  etnia. Padre  Renato  Scano , um dos párocos  habituais  nas  celebrações afros, um legítimo representante dessa mistura étnica existente no Bexiga – é filho de  pai  italiano  e  mãe  negra  e  tem  a sua  história  ligada  ao  bairro, - foi coroinha na  paróquia  em  1938.

Durante  a  história  do  negro  no  Brasil , a  religião  constitui-se  o traço mais forte de preservação dos seus valores. Assim, ao se organizarem, os integrantes  da  Pastoral foram buscar  no candomblé , na umbanda e no catolicismo popular os elementos culturais para suas cerimônias. Essas celebrações diferem das católicas  tradicionais  pela  liturgia, que envolve  canto  e  dança  ao  som  dos  atabaques  e  outros  elementos  da  cultura  negra, tais como indumentária, a decoração, o ofertório à base  de comida, os recipientes de barro, a água de cheiro, a reverência à memória dos ancestrais e as congadas .

Algumas de suas características mais marcantes são a descontração e a energia –  o negro  manifesta a sua fé com festa e uma alegria contagiante.  “O  negro  reza  dançando  e  dança  rezando, porque  não celebra sempre somente com a cabeça, mas com todo o corpo. Quando os atabaques tocam, o corpo mexe e quer louvar a Deus" , disse Padre Toninho em uma palestra na Pontifícia  Universidade  Católica  (PUC /SP) , em São Paulo , citada no livro  Axé , Madona  Achiropita  - Presença  da  cultura  afro-brasileira  nas  celebrações  da  igreja  Nossa  Senhora  Achiiropita ( Edições  Pulsar /Sp/2001 ) , da jornalista e socióloga  Rosângela Borges .

No livro, Padre Toninho afirmou que " a estrutura  da  pastoral  e a do  candomblé é  muito  semelhante . Há uma convivência , uma coisa  comunitária , bem próprio do candomblé . A maneira de estar e de ser das pessoas , o vínculo que se estabelece , essa coisa  de  família são muito íntimas no candomblé."

Fonte  - Revista  -   Brasileiros  - págs 54,55,56,57 e 58
Texto  e  fotos  - GISELE  MARTINS   - Especial 

CINEMA, O FASCÍNIO DA ILUSÃO


No final de 1885, no subsolo de um café, em Paris 35 pessoas, deslumbradas, apreciam uma série de imagens em movimento de extremo realismo. Os programadores daquela sessão,  os irmãos  Lumiére, jamais poderiam antever o afluxo de multidões ao café e a transformação da invenção em arte, Mélliès , em que se vê , em estado latente , o feérico e o fantástico, a visão mágica do universo e os processos técnicos do  Cinema , com sua ficção surrealista, revelará o fascínio da sétima arte. Arte que , segundo o escritor  italiano  Ricciotto  Canudo, consistia em sugerir emoções e não relatar fatos. (No  escurinho  do  cinema, o espectador  sonha, devaneia).

Aqueles primeiros cinéfilos, no entanto, lidavam como o real, já que via documentários. O que explicaria esse  encantamento, o interesse, inusitado, pelo cotidiano daquele espectadores ? O que atraía multidões não era a saída dos operários  fábrica, a chegada do tem à gare, mas a imagem do real ; por mais prosaico que fosse.  O  Cinema consegue revelar “ a  beleza  secreta , a  beleza  ideal  dos  movimentos  e  ritos  do  cotidiano”.

Se a  imagem  fotográfica é concreta, palpável, a cinematográfica não é. No entanto, a presença  de stars/figuras que, ilusoriamente , se movem , é o que nos atrai .

“ Cinema  é  sonho  “ ,diria  Michel  Dard. “O filme (…) ascende ( …) a um céu de sonho, infinito das estrelas, povoado por adoráveis e demoníacas presenças, que assim se escapa daquela terra-a-terra do qual, segundo todas as aparências, deveria ser  o servo e o espelho“. A técnica  e o sonho – no caso do cinema – andam, de nascença, a par. Em nenhum momento de sua gênese  e do seu desenvolvimento pode-se confinar   o  cinematográfico ao campo exclusivo do sonho  ou  da  ciência“.

O cinema , quando surge , é elogiado  "em função de sua  filiação técnica e industrial, bem como pela sua sintonia com as novas condições da  experiência  sensorial, testemunhada pelo  dinamismo  de  sua  imagem. É uma  arte  moderna, sem vínculos  com o passado: 

Alguns estetas, de  atrasada  percepção, desdenham do cinematográfico. Esses estetas são, quase sempre, velhos  críticos  anquilosados  cuja vida se passou a notar defeitos nos que sabem agir  e  viver. Nenhum desses homens, graves  cidadãos, compreende a superioridade do aliviante progresso da arte. O cinematógrafo é bem moderno e bem de agora. 

Segundo Ismael Xavier,

A nova arte das imagens, fruto de uma nova técnica, (...) assumiria uma posição de extrema importância, pois em nenhum lugar estaria melhor concretizado o ideal de um presente sem memória, que olha exclusivamente para o futuro.

Se é a mais importante, não é essa a única justificativa / preocupação para se fecharem  cinemas. A exibição de  fitas  imorais  suscita outra denúncia, formulada pelo diretor  de Estatística  e  Arquivo  ao  de  Obras  e  Viação:

Levo ao vosso conhecimento que o Sr Prefeito recomendou que nenhuma licença de cinematógrafo público seja concedida ou renovada sem que o interessado requeira e assine um termo, nesta diretoria, no qual se comprometa a não exibir fitas  imorais, sob pena de lhe ser cassada a respectiva licença pela Agência da Prefeitura, sem direito à restituição do imposto e do depósito (...).

Um cinema não é aberto - o  Rio  Negro - que ficaria na rua Visconde do Rio Branco, 40-42 , em 1910. Os empresários chegam a encomendar o mobiliário, ornamentos  e tapeçaria e equipamentos:  à  Fundição  Americana, grades  de  balaústres de metalcancela para fechar a entrada que daria acesso ao recinto destinado ao canto, uma grade de ferro batido com anoetes, para fechar o recinto do aparelho da orquestra, um guichê de metal polido e pés de ferro para os fauteulis de 1ª classe. À casa Auleruma jardineira grande com espelho  bisauté , sofás  estofados, assentos de palha, aparelhos para imitação de ruídos, canuds para os cantores, lavatório, chaise-longueespelho grande e cadeiras estofadas para a toilette das senhoras.  Os tapetes são encomendados a Vidal, Baptista & Cia .

Mas enquanto a Avenida resite, chegando a programar o  Kinemacolor, o Rio  Negro, que seria uma das mais requintadas  salas  de  cinema  da  capital , fica no papel .

FOOTING  MÚSICA  E  CINEMA  NA  AVENIDA  CENTRAL

Em pleno boom das cantantes, numa fase áurea do cinema brasileiro, a avenida Central 
(Rio  Branco), com seus cinemas, é o palco  do  footing  da  sociedade  burguesa  fluminense . Um cronista observa o fenômeno, em 1912: 

Dá-se na  avenida  Rio  Branco  uma anomalia interessante: a preferência por uma das suas calçadas. Enquanto na do lado em que estão os cinemas,  o trânsito é diminuto e fácil, na do lado oposto, mal se pode andar. Poder-se-ia alegar o fato de ser uma sombra e outra de sol. Mas à noite e em dias de festas? 

À noite, dos cinemas só tem gente à porta desses estabelecimentos, ao passo que na outra o movimento é sempre constante. Ainda mais, a população  modesta, a gente descalça e mal vestida, procura sempre o lado dos cinemas; a parte  elegante e  chic, só vai pelo outro lado e quando se dirige ao oposto é para ir... aos cinemas.

Na esquina com a rua Sete  de  Setembro fica o  cinema  Odeon, aberto em agosto de 1909. 

À esquina da rua Sete de setembro ficava o Cinema Odeon onde à noite, moças estrangeiras vestidas de branco tocavam violino. No Pavilhão Internacional  , de Pascoal  Segreto , defronte da Galeria Cruzeiro, às sessões de Animatógrafo, às primeiras horas da noite, sucediam as exibições de filmes obscenos, iguais aos que mostravam em bordeis em Paris, de um realismo torpe. A sala enchia-se de deputados, senadores, comerciantes, dos homens mais sérios e de mulheres da vida...

O  cinema  é  o  delírio  atual 

Cinematógrafos... É o delírio atual. Toda a cidade quer ver os cinematógrafos. O carioca é bem o  homem das  manias, o bicho insaciável e logo saciado das  terras novas. Toma um prazer ou um divertimento e exagera-o, esgota-o, aborrece-o e 
abandona-o. Um empresário hábil que conhecesse as variações do público ganharia aqui em poucos anos uma fortuna de Creso. O  carioca é variável  como o tempo. A questão era descobrir um barômetro, porque, além  do  maxixe  e do vissi  d'art, não há nada neste país que tenha resistido a cinco de anos de vida.

Cinematógrafos ...  Agora  os  cinematógrafos. Em todas as praças há cinematógrafos - anúncios, ajuntando milhares e milhares de pessoas. Na avenida  Central, com  entrada paga há dois, três, e a concorrência é tão grande que a polícia dirige a entrada e fica a gente esperando um tempo infinito na calçada.

É o Rio modernizado, civilizado, como se diz, então. 

As salas de espera são outros cinemas: ou pela requintada decoração, que pode ser assinada por Raul  Pederneiras  ou por Borsoi, pela tração de um conjunto musical de damas vienenses ou por um de chorões. Ou pelos tipos exóticos que nela desfilam sua fatuidade.

O  cinema  é  arte  moderna, como  sublinha  o  cronista:

Se  o  Pavilhão  Internacional, outra sala da  Avenida  , exibe filmes eróticos, outros mostram   fitas  mais  atraentes, como as versões de operetas, de vaudevilles. Na documentação da vida urbana, como  o  corso e as  touradas, toma-se  ficção

Os  cartões-postais : 

Ainda a respeito de  corsos  e  filmagens, um articulista advertia: "Já viram no cinematógrafo  Pathé uma fita denominada  Os  cartões  postais"? E o jornalista relembra o enredo: um cavalheiro casado encontra uma jovem desconhecida e  os dois passam para um fotógrafo de praia. Dias depois o mesmo cavalheiro sai com a esposa e esta entra em uma papelaria para adquirir cartões- postais e vê  no  dito cartão o marido com a outra...


Fonte  -  Livro -   NA  SALA  DE  ESPERA   DO  CINEMA  ODEON  - págs 
15,16,17,18,19,20 e 21  - COLEÇÃO  MEMÓRIA  URBANA - 1991
ARQUIVO  GERAL  DA  CIDADE  DO  RIO  DE  JANEIRO  - Projeto  e texto
Fernando  Fereira  Campos