terça-feira, 30 de janeiro de 2024

A preguiça é paulista






Novo governador  se  surpreende com a miséria e a  depravação da  capitania  de São Paulo .Os habitantes não queriam saber  de  trabalho 

CAPITANIA  ESTAVA  “ MORTA “ .  Esta  foi  a dura constatação de D. Luís Antônio de  Sousa Botelho Mourão ( 1722 – 1798 ) ao aportar em  São Paulo .Recém – nomeado governador ,ele encontrou uma terra  arrasada , sem produção ,cujo  povo  andava  metido pelas matas , “ sem  lei  e  sem  fé “ ,  como  “  feras “ . Culpa de preguiça quase doentia que acontecia todos os habitantes. Aquela  gente parecia  inconciliável com o  trabalho . 

Havia tempo que o  territóorioi paulista passava por  franca decadência  econômica e  política .As principais  riquezas vinham  das  Minas Gerais , e seu  caminho natural de  escoamento era o litoral carioca . São Paulo chegou a  perder seu status de capitania , incorporado aos domínios administrativos  do  Rio de Janeiro .Mas  a crise que se abateu sobre em  meados do século  XVII ,com o declínio das remessas de ouro e  diamantes , levou o governo a impor uma nova política  para a Colônia .Uma das providências  foi  recriar a capitania  de São Paulo  e  investir em  sua produção . Com o  povo que se  encontrava ali , seria um  trabalho árduo . 

Para comandar o processo , o  primeiro  –  ministro  Sebastião José  de Carvalho  e  Melo (  futuro marquês de  Pombal ) nomeou  o  fidalgo  D. Luís  Antônio . Homem de  vários  títulos , entre eles  o de  morgado de  Mateus  -  honraria  hereditária ligada  à  posse de um território  - era  militar de carreira e vinha de  uma  fa-mília de varões que  tradicionalmente serviam  em várias áreas da administração do  Estado . 

Logo na chegada ao  Rio de  Janeiro , em 1765 , o  português entusiasmou-se  com a  riqueza da Colônia e seu potencial econômico . São Paulo , no entanto ,sua  primeira impressão foi a pior possível .Era uma  terra “ depravada nos costumes “ . Em carta ao  primeiro - ministro , afirmou que  parte da  culpa  lastimável estado em que se  encontrava a capitania era de seus próprios habitantes , que viviam “ sem  sujeito ou civilidade al-guma “ . Muitos eram assassinos , e  as  “ parcialidades , os roubos ,a falta de justiça  “ eram comuns . 

Os  vadios ,como eram denominados os  homens livres pobres , sentiam  verdadeira  repugnância  pelo tra-balho agrícola . Viviam de  pequenas  roças de  subsistência , e  para complementar a dieta , saíam  para  as  matas , caçando animais  e coletando vegetais . O  hábito  de se  alimentarem de  “  bichos imundos e  coisas asquerosas  “ ,  além de comprovar o  caráter incivilizado daqueles  homens ,preocupava o  novo governador por outros motivos .Esta seria a origem dos  numerosos casos do chamado  mal de Lázaro já  ( a hanseníase )  entre a população . Além disso , a  improdutividade precisava ser  combatida  pelo  bem da economia  : falta-vam até gêneros alimentícios na  capitania , e quase  não  havia  produção agrícola  para  exportação .Incen-tivar  a  cultura  de cana – de – açúcar era  uma prioridade para a Coroa .Mas ,para isso, era preciso dar um jeito na  índole daquela gente , que  passava a  maior parte do  tempo  sem  fazer nada - “ de  noite  e de dia estão deitados ou balançando na  rede,ou  cachimbando “ .

Para  as  autoridades portuguesas ,o caráter deturpado  dos  colonos tinha uma causa :  eram os  malefíicios dos  ares da  América . Se no  início do  processo de  colonização eles chegaram a  ser  louvados como sau-dáveis , com o tempo adquiriram a  fama de  corruptores do caráter e da  boa condução  física  e mental dos  habitantes .Isso explica por que o mal  da preguiça não era  privilégio dos homens  nascidos na Colônia :con-tagiava  também os  portugueses  que passavam  a  habitá -la . Indivíduos recém – chegados  às  terras pau-listas  em  pouco tempo tornavam - se  displicentes e não de modo algum ,empregar -se em  atividades pro-dutivas . Empenhavam -se , sim , em virar  senhores ,comprando  escravos e  vivendo da exploração de seu trabalho .Diante  desse risco de  “ contaminação “ ,  D. Luís Antônio  chega  a questionar da  vinda de  mais  portugueses para a  América . 

O  desejo de  assumir o  papel  de senhor , delegando o  trabalho a  outros , não tinha  distinção social .Mes- mo  homens pobres , assim que possível , tratavam de  adquirir ao menos um  ou  dois  escravos para o tra-balho  nos campos . Os  livres  não queriam  ser confundidos com cativos , e a forma de se  diferenciar era  manter as mãos limpas, longe da  terra .Já os portugueses que chegavam , vindos de  uma sociedade dividida por  critérios de nobreza , encontravam na  Colônia a  oportunidade  de “ dar – se ares  de fidalgo “ .O que  significava viver de  pernas para o ar . 

O  governador costumava  ter o cuidado de  não se  indispor  com  a  elite  local . Suas  críticas  se direcio-navam  principalmente à  gente  de menor condição .Os  “  filhos do  reino possuidores de casas de negócio , fazendas ou lavras estabelecidas “ , assim como  fidalgos paulistas ,mereciam sua consideração : eram  “ in-dustriosos “ e  donos de  civilidade . Mas , às vezes , os costumes dos  mais abastados  também o incomo-davam .Entre eles ,o luxo excessivo das vestimentas e dos calçados , impróprios para o clima tropical . Nas  ruas da capitania ,que não  eram pavimentadas , esse exagero no trajar causava  grandes dificuldades para a locomoção .Pompa e requintes desnecessários também se viam na  alimentação :  um  excesso de  produtos importados do  reino , que , a depender dele , deveriam ser substituídos por gêneros nativos .

A  Colônia portuguesa  parecia  desconhecer  avanços que a Europa  fizera no campo da agricultura . As té-cnicas de plantio utilizadas pelos  paulistas eram atrasadas e precárias . Lavra-se a terra de forma extensiva e itinerante : depois de poucas colheittas ,o solo se exauria e a  produtividade  caía.O jeito era sair em busca de outra área  em que pudessem  repetir o  processo . Para  melhorar  a  produtividade , tudo o que sabiam fazer era promover queimadas de áreas  florestais .A  erosão e o  empobrecimento do solo devastavam a capitania , o que reduzia a  atividade agrícola à  mediocridade , levando São Paulo à  ruína e , para seu  profundo pesar , impedindo o  reino de se recuperar economicamente . D. Luís  Antônio bem  que  tentou introduzir  a  tecno-logia do arado entre os agricultores locais . Em vão : eram gentes indolentes , presas de  grande teimosia e de uma  absoluta  falta de  iniciativa . 

Para completar o quadro desesperançado , os selvagens paulistas  viviam distantes da  religião  Como " onde  falta Deus " (...) não  pode  haver  coisa  boa " ,  nas  palavras de  morgado , a  difícil missão de  transformar aquele povo passava por  todo  um novo ordenamento social .Foi isso o que  propôs ,em forma de legislação . A Lei dos Sitios Volanbtes , de 176 , previa a  fundação de  novas  vilas e pequenas comunidades , para onde deveriam  ir  os  " vadios , facinorosos  e bastardos ", acompanhados  de  suas fa-mílias . Essas   " povoações civis "  , com pelo menos  50  habitações , iriam  formar uma rede e  tornar-se  um poderoso instrumento para reunir a  população dispersa , instaurando a  ordem ,a obediência , o  exercício do  serviço religioso e a  prá-tica de  uma agricultura mais racional .Também facilitariam o  recrutamento militar , elemento essencial para a defesa do  território português e a  garantia da  posse de  áreas de  contestação de  fronteiras com a  Coroa espanhola .

Assim foram  fundadas as  vilas  de  São  Luiz do  Paraitinga  ( SP ) , São  Luiz  da  Marinha  de  Guaratuba  (atual  Guaratuba , PR ) , São José de Moji - Mirim ( atual Mogi - Mirim , SP ) , São José da Paraíba ,( atual São José dos Campos , SP ) e  prazeres de Lages  ( atual Lages , SC ) .

Em defesa do governadors , vale lembrar que ele não  foi o único a  julgar  os  paulistas de forma tão negativa . Muitos dos  administradores que estiveram na  América acreditaram que o  grande problema da  Colônia era  o povo . Terra de  mamelucos , índios  e  mestiços . São Paulo sempre  foi considerada quase  selvagem aos olhos da  Coroa .Gente traiçoeira e indigna  de confiança ,os paulistas deveriam ser  vigiados .Os  naturais da terra , por não  praticarem a  agriicultura com fins mercantis , foram  tachados  ociosos e vagabundos .

Mas os  " selvagens "  bem que  serviram  aos  interesses do  reino .Não chegaram a ser completamente do-minados ,mas foram  muitas vezes disputados por  sua incrível capaci-dade de aturar os  trabalhos mais  duros e ásperos . Transformaram-se em  povoadores de  rincões distantes , abriram estradas , consertaram  pontes e caminhos e impediram a  pene-tração espanhola em  áreas fronteiriças . Coisas  que  preguiçoso  nenhum  faria .

Fonte  -  Nossa História  -  págs  40, 41 e 43   -   jULHO DE  2009                                            

PAULO  KNAUSS É  DIRETOR  GERAL DO  ARQUIVO PÚBLICO DO  ESTADO  DO  RIO DE  JANEIRO , PROFESSOR  DA  UFF E  ORGANIZADOR  DO  LIVRO  SORRISO  DA  CIDADE  : IMAGENS  URBANAS E  HiSTÓRIA  POLÍTICA DE  NITERÓI  ( NITERÓI  LIVROS , 2004 )





Preguiçosos  ontem ,  trabalhadores  hoje  

Se o governador de  São Paulo atribuía aos  paulistas a  pecha de  preguiçosos , este  título foi  conferido ,sé culos depois  , aso  cariocas . A  rivalidade entre os  estados , que  cresceu no  século  XX  por  razões  po-líticas  e  econômicas , acabou  por estimular algumas  provocações entre  seus habitantes .Foram criados ró-  tulos para  os  dois lados :  paulistas  são  trabalhadores e  carioca  são  ociosos . 

A  rivalidade que  entrou para  o  folclore nacional , rendeu  pérolas , como as frases do  pernambucano mais  carioca de todos os  tempos .Nelson Rodrigues  : "  O  pior  tipo de  solidão é a companhia de um  paulista "  ; ou  esta , sobre os  cariocas  : " O  carioca é  um  ser  encantado . No  Rio dois  sujeitos que nunca se  viram tornam -se como que  súbitos  amigos de  infência e caem nos  braços  um  do  outro , aos  soluços " .

As  provocações de  ambos os  lados têm um fundo comum : a  ideia ,difundida ao  longo do século  passado , de que os nascidos  na  Cidade  Maravilhosa são  naturalmente  extrovertidos , dedicados ao  ócio ,  à  con-templação , à  diversão , enquanto  seus viizinhos da  terra da  Garoa são  pessoas sérias , introvertidas , de- dicadas ao  trabalho , são enfim , a  locomotiva do  Brasil 

Não  foi sem razão , portanto , o espanto causado por uma  pesquisa do  IBGE ,de 2006 , que apontava uma  realidade contrária ao  mito  : os cariocas têm  uma  média  semanal de  trabalho de  41,6 horas  , contra  41,3 dos  paulistas .Ou  seja , apesar da  praia  ,da  cervejinha no  fim do  dia e do  futebol após o  expediente , os  cariocas  trabalham  mais . ( EQUIPE  RHBN ) . 

Fonte  -  Nossa  História  - pág 43












quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

A primeira reportagem fotográfica de São Paulo



A primeira reportagem fotográfica de São Paulo

O que teria levado um  jovem carioca  de 25 anos a empreender em   poucos meses de 1862  e 1863 uma ambiciosa  reportagem  fotográfica de mais de 100  imagens de  São Paulo logo de  uma cidade com menos de 50 ruas  e  30 mil habitantes que  nada deixava  prever que se   tornasse  no século seguinte a  maior da América do Sul ?

Graças a descoberta em 1998 de um  álbum desconhecido com 66  vistas de  São Paulo – muitas inéditas - tiradas por Militão em 1862 / 63 tornou-se possível um estudo para reconstituir a totalidade da primeira re-portagem fotográfica da cidade , de mais  de 100 imagens , das quais apenas cerca de 30 eram já bastante desconhecidas e constantemente repetidas nos livros de São Paulo . O livro  Militão Augusto de Azevedo /  São Paulo nos anos 1860 – que publica estudo – resgata o feito extraordinário que representou este retrato completo de São Paulo ,realizado por um recém – iniciado na  arte da fotografia ,que resolveu tirar em alguns meses , uma série de dezenas de  fotos de uma cidade que contava então menos de 50 ruas . Antes da  pes-quisa que resultou neste livro nunca se havia empreendido um levantamento completo da produção de Militão naqueles anos decisivos em que o jovem fotógrafo imortalizou uma cidade ainda adormecida , quase igual à São Paulo colonial de 1800 , mas prestes a ingressar no surto de crescimento mais espetacular do continente no século XX .

Os motivos são vários para  que , no limiar do século  XXI , deva-se considerar o conjunto de imagens dos anos 1860 deixado por Militão como quase milagroso : a extensão e o espoco do trabalho do fotógrafo ,que , quis cobrir  palmo a  palmo as principais ruas da cidade ; a grande qualidade das vistas apesar desua relativa inexperiência ; e seu domínio da complicada técnica da revelação . A sorte também  desempenhou papel im-portante ao permitir que  80 %  do melhor de sua produção chegassem até nós em excelente estado de con-servação ,o que raramente acontece com tiragens dos primórdios da fotografia brasileira , devido ao clima e às vicissitudes por que passaram os originais em papel ao longo de quase de 140 anos .

Mais , ainda que Militião tenha sido o maior fotógrafo de São Paulo no século XIX ,sua obra ficou esquecida durante boa parte do século XX , quando as vistas eram reproduzidas como anô-nimas em inúmeros livros a respeito da história paulistana , Afonso Taunay , o primeiro grande especialista  em iconografia de São Paulo ,identificou corretamente Militão como o autor daquelas vistas em estudos publicados a partir dos anos 1930 , mas depois das comemorações do IV Centenário de São Paulo ,em 1954 , a identidade do artista vultou inex-plicavelmente ao esquecimento.A partir dos anos 1970 ,uma vez claramente identificado Militão como o autor das vistas tantas vezes reproduzidas da velha cidade de São Paulo , os estudos sobre sua obra se concentra -ram em torno do chamado Álbum comparativo 1862 – 1887 , que se tronou mais conhecido quando a prefei-tura de São Paulo publicou duas edições  fac -similares nos anos 1980 .

É fácil de compreender por que o Álbum comparativo suscitou tanto interesse : descobriu -se que o que tor-nou possível sua realização foi o fato de que Militão conservara uma parte dos negativos em vidro da série de vistas da cidade que executara em 1862 e , ao constatar o notável crescimento da cidade ,que havia dobrado de tamanho em 1887 , decidira tirar  novas vistas de  ângulos semelhantes para comparar a evolução urbana naqueles 25 anos .Publicou então , artesanalmente , colando as fotos uma a uma , o Álbum comparativo com-posto de 60 imagens ,que ,conforme esperava , faria grande sucesso pela curiosidade dos habitantes em com-provar o notável crescimento de sua cidade. O empreendimento , no entanto, foi um fracasso comercial .Hoje são conhecidos cerca de 12 exemplares ,conservados em instituições públicas e coleções privadas , e nenhum deles em bom estado .

Militão , de ator  a   fotógrafo

Militão Augusto de Azevedo nasceu no Rio de Janeiro em 1837 e aos 21 anos , iniciou a carreira de ator na companhia de Joaquim Heliodoro . Chegou a São Paulo , em 1862 , sem suspeitar que ali viveria por mais de 40 anos , com a Companhia Dramática Nacional , para uma série de espe-táculos , já com sua companheira Benedita Maria dos Santos , também atriz .

Conciliou os ensaios da peça Luxo e vaidade , de Joaquim Manuel de Macedo , com uma   febril atividade de documentação fotográfica das ruas e monumentos da cidade . Pretendia fazer álbuns que , segundo esperava , teriam aceitação junto aos quinto anistas de Direito , prestes a deixar a cidade ,desejosos de levar consigo uma lembrança . Decidiu então permanecer em São Paulo ,pelo menos por algum tempo , para dedicar-se à repor-tagem fotográfica completa da cidade , que o tornaria hoje célebre . E outubro , saiu no Correio Paulistano um anúncio do Áqlbum de São paulo , com 30 vistas ! tiradas a photographia “ .

Como o álbum não veneu como ele esperava , acabou optando pela profissão de retratista . Ainda assim rea-lizou dois outros álbuns de Santos , e o da estrada de  Ferro Santos – Jundiaí , ambos com 40 imagens , que também não tiveram o sucesso comercial que ele antevia .

Por volta de 1875 foi decisivo para Militão , que se tornou único proprietário do importante estúdio fotográ- fico que gerenciava desde 1868 . Da  década de 1860  até 1886 completou o notável de 12 mil retratos de habitantes de São paulo realizaos ao longo de sua carreira , quase metade da população da cidade .

Depois de viajar duas vezes à Europa , Militão concebeu a ideia do álbum comparativo da cidade que docu-mentara pela  primeira vez  24 anos , antes . O álbum , vendido por  50 mil  réis ( aproximadamente o ganho mensal de um carroceiro ) , teve a mesma recepção dos álbuns de São Paulo , Santos e da  estrada de  Ferro e vendeu poquíssimos exemplares .

Em 1886 , diante do insucesso do Álbum comparativo , Militão abandonou definitivamente a fotografia .Teria voltado ao Rio de Janeiro , onde viveu com o pequeno patrimônio acumulado co-mo fotógrafo em São Paulo . Em algum momento retornou a São Paulo para vier junto ao filho advogado , e morreu em 1905 .

Fonte - Revista São Paulo 450 anos - págs 28 , 29 e 34






quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

História de Todos Nós



Para os Jovens é uma aula ao vivo . Para os mais velhos , uma recordação . É a saudade que nos faz retro-ceder no tempo e no espaço , para as conversas de nossas avós , de seus vizinhos , o tempo em que as ca-deiras ficavam nas calçadas  para as infindáveis conversas de final de tarde . Bons tempos da São Paulo an-tiga , quando o sotaque misturado de várias raças ,era ainda mais acentuado . Sotaques que se confundiam entre o italiano e seus dialetos , o   alemão , o português fácil de entender e o outro de menor entendimento falado pelos lusitanos da Ilha da Madeira ,do espanhol , do japonês ,dos árabes ,dos poloneses , e também dos austríacos , suíços , russos , húngaros , holandeses e tantos mais .

Época em que os bondes atravessavam céleres as ruas e avenidas ,cruzando a cidade e misturando povos e línguas de todos os lados do mundo . Pegava – se  um bonde bonito , o Camarão , no Largo  São José do Belém e vinha -se até o centro da cidade , no Largo do Paiçandu , trajeto que poderia ser feito também pelo ônibus amarelinho , o  “ 60 – Água  Rasa -  Paiçandu “ , para se fazer  compras no Mappin  –  Stores e  na Clipper , tomar chá na  Leiteria Campo  Belo , tudo influenciado por cada um dos  países que nos enviavam seus filhos , inclusive os ingleses , com sua sofisticação e sua fleuma .

Eram tempos de se passar pela Conselheiro Crispiniano só  para ouvir e ver o soldado do Exército fazer  a continência e bater fortemente os pés na madeira ,que ele deixava propositadamente incli- nada , para que o som fosse ainda mais alto . Comprar doces e salgados na Godinho ,da Líbero Badaró e comer esfiha engor-durada na Florêncio de Abreu , feitas por um árabe engraçado e falante.

Era a época em que cada uma das pátrias irmãs emprestavam seus filhos para tarefas específicas.O tintureiro era japonês . O padeiro era português . O italiano era peixeiro ( Olha o beecexe … - passava ele gritando ) , o judeu acudia às  necessidades dos outros com alguns empréstimos de  última  hora . Mas tinha  também a Valentina , russa  loira e  alta , que era parteira , como a mãe .O sr. Albert , alemão e dentista prático .Tinha o sr. Vicenzo ,gordo italiano do sul ,que passava boa parte do tempo em São Vicente , já que era rico dono do restaurante soltava  um cheiro de comida  boa , que abria  a fome a qualquer  hora . E eram tantos …  o  sr. Floriano , português distinto , de terno escuro , colete e chapéu , que esquecia com um  negócio de secos e molhados ,em frente a Igreja do Brás ,mas morava no bairro do Belém , com a mulher e os onze filho. Tudo isso acontecia por São Paulo inteira e se pelo interior ,mas era na zona leste leste que se firmava mais a pre-sença de tantas raças que nos traziam ensinamentos ,amor e progresso , pois era ali no Brás , no Belém ,no Pari , na Moóca que se instalaram esses corajosos aventureiros , pela proximidade da Hospedaria dos Imi-grantes , por onde chegaram e que hoje temos a oportunidade de rever , visitar e recordar .

Ao visitá -lo ,o calendário volta os anos passados e vemos objetos ,vestes fotos e até velhos filmes picotados com seus velhos  projetores .Para a memória olfativa vem até o cheiro gostoso do passado , da casa  da avó materna , da avó paterna , dos bolinhos de chuva e das fartas mesas , sem-pre prontas a receber os netos gu-losos . Não sei se meus avós vieram por esse caminho , não sei se passaram pela Hospedaria , mas poderei consultar pelo nome no computador , onde você digita o sobrenome da família e descobre até o dia que che-garam . É a tecnologia moderna a serviço da saudade . Doce saudade … ( a.s.)

Fonte - Revista Cultural -  pág 5 - ANO 1 – N º 4 - Agosto / 99  –   Publicação Mensal da Secretaria do Governo do Estado de São Paulo  -  Registro de Nossas Origens



 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Visconde de Mauá

 



Pode ser creditado o  pioneirismo do progresso material e da livre  iniciativa brasileira a  Irineu  Evangelista  de  Sousa, o Visconde de  Mauá . Foi ele o primeiro homem de empresas no Brasil.

Nasceu no  Rio  Grande  do Sul em  hum  mil oitocentos e treze , filho  de família humilde  e sem projeção  social . 

Com apenas doze anos de idade , já  mostrava  grande vocação  para o comércio , sendo por isso levado para o  Rio de  Janeiro por  um  tio. 

Em pouco tempo passava de empregado de uma firma importadora a  gerente e  logo depois , sócio .

Em hum mil oitocentos  e quarenta e cinco , já apareceu sozinho á  frente de ousado empreendimento , le - vantando os  estaleiros  da companhia  ponta de  Areia com quem iniciou a  indústria  naval brasileira  .

Tornou-se , á custa de seu  trabalho ,um dos  homens  mais  ricos de sua  época. Para afirmar isto , basta lembrar que  foi  ele quem  forneceu os  recursos  financeiros  necessários  á  defesa de Montividéu  quando  o  governo  imperial  decidiu  intervir  nas questões do Prata  em l850 .


Toda a  sua  vida foi  pontilhada de  realizações em  favor do  progresso  material do segundo reinado . Podemos citar algumas delas :  a primeira  via  férrea - brasileira , a construção de navios em estaleiros nacionais  abastecimento de  água do  Rio ,criação do  Banco do  Brasil entre outras .

Em  hum  mil oitocentos  e quarenta e cinco recebeu o  título de  Barão  por  seus serviços prestados  e tornou-se  Visconde  em  hum  mil  oitocentos e setenta e quatro.


No entanto  apareceram  dificuldades que  Mauá não  pôde vencer . Veio a falência . Com seu espírito  forte e  dinâmico  procurou  duas coisas apenas :  salvar seu nome  e pagar  integralmente o que devia  o que con-seguiu  plenamente .

Faleceu a vinte e dois de outubro de  l889 , pobre , mas  honrado.

Fonte  -   livro  ESCOLHA  MARAVILHOSA   -  pág  60   –   PALAVRAS  CRUZADAS            DIRETAS  com  GENTE  FAMOSA  - pela  equipe do COQUETEL 


quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

A responsabilidade da boa imprensa



No dia  24 de janeiro celebramos o dia de São francisco de Sales , padroeiro da imprensa

A responsabilidade da boa imprensa é   fundamental  para uma  sociedade  informada e democrática . A denominação  “ imprensa “  é  utilizada para caracterizar um conjunto de meios de comunicação que exer-  cem o jornalismo e outras atividades de comunicação que exercem o jornalismo e outras atividades de co-municação informativa .Sua credibilidade é construída por meio da imparcialidade ,  isto é , de  não privi-legiar  um dos lados da história narrada ,e da verificação rigorosa dos fatos .Além disso ,é imprescindível respeitar a diversidade de opiniões e evitar a   propagação de desinformação .Assim , os profissionais da informação têm o dever ético de buscar a verdade e apresentar informações precisas .

Os meios de comunicação desempenham um  papel importante na proporção da transparência e na pres -tação de contas de quaisquer organizações públicas  e governamentais .Ao realizar  perguntas às autoridades  e investigar assuntos de interesse público ,os jornalistas contribuem para a concretização da democracia .De tal modo , uma sociedade ou  Governo que preza pela  democracia promove e valoriza a   livre liberdade de imprensa , ao invés de atacá-la sem fundamentação .

Ao exercer sua função ,além de informar ,a boa imprensa também educa , promovendo a compreensão crítica e a reflexão na sociedade . Por isso que a ética jornalística é  um pilar essencial . Evitar  conflitos de interesse , proteger fontes confidenciais e garantir a privacidade são princípios que sustentam a  integridade da imprensa .

A tecnologia da informação trouxe desafios ,como a disseminação rápida de conteúdos falsos.A boa imprensa, por sua vez , precisa priorizar a qualidade sobre a  velocidade , verificando  informações antes de divulgá-las . O compromisso com a verdade e  a responsabilidade social são alicerces para   enfrentar  as complexidades contemporâneas da comunicação .

Por fim, a responsabilidade boa imprensa ultrapassa a transmissão de informações . Ela forma a narrativa pú-blica ,influencia a opinião e sustenta os pilares da democracia .Que  São Francisco de Sales inspire todos os nossos queridos profissionais da comunicação e as imprensas católicas,especialmente a nossa Rede Aparecida de Comunicação , na coragem  e  fortaleza pela busca incessante da verdade e do respeito à ética , de modo que possa cumprir seus trabalhos que são vitais na sociedade .

Fonte Revista de Aparecida -  pág 19  -  ATUALIDADES                                                                    Janeiro de 2024 - Pe. Jonas Luiz de Pádua , C . Ss . R

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Sobre as más notícias

 


Um homem viva à  beira de uam  estrada e vendia  cachorro-quente. Ele  não tinha rádio , televisão e nem lia  jornais  , mas produzia e  vendia  bons  cachorros – quentes . Ele se  preocupava com  a divulgação do seu  negócio e colocava  cartazes pela estrada , oferecia o  seu  produto em  voz  alta e o  povo comprava . 

As  vendas foram aumentando e , cada  vez mais , ele comprava o  melhor pão e a melhor salsicha .Adquiriu também um  fogão  maior para atender  uma grande quantidade de  fregueses .O negócio  prosperava .Seu  cachorro – quente era o  melhor de  toda  a  região ! 

Vencedor , conseguiu pagar uma boa escola para o  filho .O  menino cresceu e foi estudar .Economia numa das  melhores  faculdades  do  país .Finalmente ,já  formado , voltou para casa , notou que o pai continuava com a  vidinha de  sempre e teve uma  séria conversa com ele : 

- Pai , então  você  não  ouve  rádio ? Você  não vê  televisão e não  lê os  jornais ? Não  acessa a Internet ? Há uma  grande crise  no mundo . A situação  do nosso país é  crítica . Está tudo  ruim .O  Brasil  vai quebrar .

Depois de  ouvir as considerações do filho doutor , o  pai  pensou  … “  Bem , se  meu  filho  que  estudou  Economia , lê jornais , vê  televisão , acessa  a Internet ,  acha isto , então só  pode  estar com  a  razão  “ . 

Com  medo da  crise ,o pai procurou um  fornecedor de  pão mais  barato  ( e é  claro , pior  ) e começou a  comprar salsichas  mais baratas ( que eram , também , piores ) . Para economizar , parou de  fazer cartazes de  propaganda na  estrada . Abatido  pela notícia da  crise , já  não oferecia o seu produto  em  voz  alta . 

Tomadas  essas  “ providências “ , as vendas começaram a cair e  foram caindo , caindo e chegaram a  níveis  insuportáveis . O  negócio de cachorros – quentes  do  velho , que antes  gerava  recursos até para  fazer  o filho estudar  Economia na  melhor  faculdade , quebrou . 

O  pai , triste , então falou para o  filho : 

- Você estava certo , meu  filho , nós  estamos no meio de  uma  grande crise .

E comentou  com os amigos , orgulhoso : 

- Bendita a hora em que eu fiz meu  filho estudar  Economia , ele  me avisou da  crise …

Pare  pensar … 

Vivemos em um  mundo contaminado  por  más notícias e , se  não  tomarmos o devido  cuidado , elas  nos  influenciarão a  ponto de  roubarem a  prosperidade de  nossas vidas . 

Fonte  -  Revista  Mensageiro  - pág 55  -  Artigo                                                                                    Data  - 2022  - Autor  desconhecido 



O  valor  das  pequenas  coisas 

Outro dia , gasto tempo  observando o  trabalho das  formigas .Seres tão pequenos  capazes de  modificar a  realidade .Sem nenhuma pressa , mas de modo organizado , elas  vão fazendo o trabalho de forma  silenciosa . São capazes de  destruir uma  plantação , uma  roseira , um jardim .E o que pensar das  abelhas , das  borbo-letas , dos  mosquitos , que  trabalham também de forma misteriosa ! ? 

Num encontro de formação com membros do AO , recordei -me do ditado africano que diz : “ gente  simples, fazendo coisas  pequenas ,em  lugares pouco importantes , conseguem  mudanças   “ .   Assim posso compre-ender ainda mais a  missão do nosso  Apostolado  nas realidades do  mundo e na dinâmica  eclesial . Não te- mos a pretensão de  ser melhor que  ninguém , de fazer coisas extraordinárias ; o que queremos é  temperar o dia a dia com a  forças eu  poder da oração  . 

Santa  Teresinha  do  Menino Jesus , que entrou  no  AO com  15 anos , compreendeu bem  o valor  das pe-quenas entregas ,do oferecimento de  toda a  vida . Ela  oferecia a dor , o silêncio , a oração,tudo para  que  Cristo fosse  mais  amado e  conhecido .Dar  testemunho do  amor no  coração da  Igreja como gostava  de  dizer .

Vivemos em  um  mundo marcado  por  tantos  desmandos : violência , guerra , abandono , descuido , pre-potência , soberba , avareza , etc .Não poucas vezes  pensamos que não  vale a  pena  ser  gente boa , dar  um  bom testemunho , porque o  mundo vai  de  mal a  pior .Nesse momento é que devemos devemos voltar  a escutar a  Palavra  do  Mestre que  nos diz : “ sejam  sal  da  terra  e  luz do  mundo “ . O  que  importa  é que você , com  pequenas  ações e  atitudes , vá  temperando  e  iluminando a  vida  do  mundo .

É  bom lembrar que a  vida é como morremos . Portanto , quando procuramos viver  bem e dar testemunho da luz , estamos já  vivendo a  vida eterna que  esperamos  na  fé . Todo o bem que fazemos tem  transcen-dência , vai além, vai  além de nós mesmos. O  bem que faço a Cristo não fica  sem recompensa !Aprende-se a  ser bom primeiramente  na  família . É o testemunho do  pai  e mãe , do avô e da avó , que  ajuda a  formar a  personalidade dos  filhos e  filhas . Na maioria das vezes , os  jovens  refletem repetem atitudes que apren-deram no berço .Os jovens são pequenas pedras brilhantes no grande mosaico da  sociedade moderna . Eles  querem cuidar  das  pequenas coisas da vida  pessoal e social : a  educação , o trabalho , a  saúde , a missão , o namoro , a família .Os  jovens revelam o  melhor de todos nós : etapa de busca , de aventura , de valentia , de novidade , de coragem .

Como  Apostolado da Oração , formamos uma grande família pelo  mundo afora ( somos mais de  35 milhões de membros ) .Somente no  Brasil , uma  multidão incontável . Há  também o  Movimento  Eucarístico Jovem  ( MEJ ), que reúne  milhões de jovens que  querem fazer um caminho de fé no seguimento de  Jesus para  tem-perar o  mundo .A quantidade não importa tanto , o que vale mesmo é nossa  missão : ajudar a  manter a cha- ma da oração na vida Igreja . Tenhamos em conta  a vidsa dos  nossos  Santos padroeiros :  Santa Teresinha oferece tudo a  partir do silêncio e da  disciplina do  Carmelo , São  francisco Xavier gasta  toda a sua energia no  contato direto com novos  povos, línguas e culturas . A  oração  sustenta  a missão ! 

Ao oferecer a  vida todo dia e me  compremeter com a  missão de Cristo , sou  apóstolo do  Seu Coração e busco  mudar o  mundo a partir da  mudança que o Cristo promove em  mim mesmo . Olho  para  a  minha vida e quero que  ela seja  semelhante à  do Senhor . Vou revelando o que o oferecimento , a oração  diária está provocando em  minha vida . Este é o valor das  pequenas oferendas de cada  dia , dos sacrifícios ,das orações .Quando ofereço tudo , reconheço  o que  mais vale a pena , aquilo que  não posso negociar  nem  desprezar . Uma mudança  extraordinária  vai acontecendo  em  meu  ser . 

Fonte  -  Revista  Mensageiro  - págs 1  e 2  -                                                                                          Data  -   2022 - Pe.  Eliomar  Ribeiro , SJ  - Palavra do  Diretor Nacional 






domingo, 7 de janeiro de 2024

EPIFANIA BUSCANDO A LUZ DA ESTRELA




Somente o evangelista  São Mateus narra o relato dos  Magos  que , guiados por uma  estrela misteriosa e  inquieta ,chegaram a  Belém , onde o Menino Jesus estava . E o adoraram , entregando os seus presentes :“ Entrando na  casa , acharam o  menino com Maria , sua  mãe . Prostrando-se  diante  D’ Ele , o adoraram . Depois , abriram seus tesouros aofereceram-lhe como  presentes : ouro , incenso e  mirra “ ( Mt . 2, 11 ) .

Santo Agostinho ,no seu  Sermão  202 , diz  que os  Magos viram  a estrela no dia que  Jesus nasceu e aos    13 dias depois o visitaram . Assim ,o dia da  Epifania se celebra o  6 de janeiro , décimo terceiro dia após o  nascimento de  Jesus . 

Na  antiguidade ,celebração era  chamada a  Festa  das Luzes , porque a  estrela  luminosa simboliza  Jesus, luz do  mundo .Assim , na  liturgia da  Epifania se  lê  um texto de  Isaías q ue diz : “ Levanta-te , acende as  luzes , Jerusalém , porque  chegou a tua  luz , apareceu sobre ti a  glória do  Senhor “ . E  o  salmo 71  pro-clama : “ Todos  as  nações  hão de  adorá-lo “ .

O  povo daquela  época  vivia  envolvido  nas  trevas do  domínio  romano , no  governo de  Herodes . Os  Magos chegam a  Jerusalém , buscando a  luz da  estrela , que  era o  Menino que  nasceu em  Belém . Os  habitantes de Jerusalém  não viram  a luz  da  estrela , porque  vivia na  escuridão das  trevas , por causa do  ódio , a  injustiça , a indiferença .

A  palavra  grega  ‘ Epifania ‘  significa  manifestação .Na  pessoa  dos Reis  Magos , o  Menino Jesus se re- vela a  todas as  nações . A  Igreja  reconhece  três  Epifanias de  Jesus nos evangelhos .A  Epifania aos reis Magos , a  Epifanida  do  batismo , que  foi  também  uma  Teofania  ( manifestação das  Três  Pessoas da  Santíssima  Trindade ) e a Epifania nas  Bodas de  Caná .

Os  Magos  representam a  todos os povos e  nações , pessoas de  boa vontade , que  se põem  a caminho, indo ao encontro do  menino .Eles  veem e acolhem . Estão atentos aos sinais dos  tempos , e se  tornam ima-gem da  Igreja ,que está formada por  muitas raças e cores ,que aderem a  Jesus e o  reconhecem como  Luz de  toda a humanidade . 

Jesus ,depois de  se manifestar ao seu povo , através  dos pastores de  Belém , agora se manifesta ao mundo pagão ,porque ele veio para  todos . Jesus  não é  exclusividade  do povo de  Israel . Como diz  São Paulo : " Este  mistério Deus  não o fez  conhecer  aos  homens das  gerações  passadas , mas acaba de  o  revelar a - gora , pelo  espírito , aos  seu santos e  profetas : os pagãos são  admitidas à mesma  herança , são membros do  mesmo  corpo "  ( Ef. 3,5 ) .

A  atitude e  conduta  dos  magos  nos faz  refletir  sobre  a  condição dos  que adoram a  Jesus , e dos que  não  o adoram  em  espírito e  verdade , como  o  falso e  hipócrita  Herodes . Para  adorar  Jesus  é preciso  muito  empenho . Ninguém encontra  nada  se  busca . O  caminho percorrido pelos  Magos é o  caminho de todo  cristão que se  esforça por  encontrar  Jesus pelos  caminhos  tortuosos da vida . 

Para encontrar Jesus é  preciso  buscá-lo , a exemplo dos  Magos que , vendo a estrela deixaram tudo,arris-caram  suas vidas , se desistalaram de  suas certezas e seguranças, empreenderam  um caminho de renúncias . Um dos  defeitos do  homem é  estar preso e  amarrado a  muitas coisas , não  estando disposto a  largar : o  apego aos bens materiais , sofá , a televisão , o celular etc .

Diz o Evangelho que  os Magos sentiram  uma grande alegria  quando novamente apareceu  a estrela . Esta  alegria  dos  Magos é  tema  de alucuções do  Papa Francisco .O cristão deve  sentir a alegria  para  deixar -se iluminar  pela  luz que Cristo , que dissipa  as  nossas trevas . Embora cansados e  sobrecarregados , não podemos  perder a  força da alegria , nem  perder o  ânimo e o  entusiasmo :  " levanta -te , coragem , a  luz de  Jesus sabe  vencer as  trevas masi obscuras " . 

A  visão do  profeta  Isaías se realiza . Não somente os  Magos se colocam a caminho, atraídos pela  luz que é  Cristo O cristão também é  chamado a  pôr-se  a caminho , deixar a tranquilidade  da  vida ,  sair da  vida  monótona e procurar outros rumos , buscar  outras metas .Santo Agostinho escreveu :  " Também  nós  reco-nhecendo  Cristo como nosso  rei  e sacerdote  que  morreu  por  nós , o devemos  honrar  como se  tivés-semos ofertado  ouro , incenso  e  mirra " . 

Nesta citação de do Bispo de  Hipona  encontramos o  significado  espiritual  desses presentes .O  ouro re-presenta  a realeza  de  Cristo , que  é  Rei  eterno . O  incenso que sobe  como fumaça  ( oração ) até o céu  representa a  divindade  de  Jesus . A  mirra , resina  que  servia  para  curar  feridas , significa  a   Paixão  e  Morte de  Jesus .

Depois de  verem  Jesus , os  reis Magos ,avisados  por um anjo , voltaram  á sua terra de origem  por outro  caminho . Depois  nós termos contato e intimidade com  Jesus , não podemos  viver no  velho  caminho . Nós temos que  trilhar um  novo caminho , porque  diz  Jesus : Eu  sou  o caminho  , a verdade  e a  vida " . Novos  sonhos , novas  expectativas , mente  nova . Quem  viu  Jesus  nunca  volta  a  Herodes . No Velho Caminho encontramos as  pedras  do  tropeço .É  prazeroso  trilhar por um caminho bem asfaltado ,sem declives ,sem armadilhas , nem  impecilhos , já  que nesse caminho andado com alegria , sabemos  que  encontraremos  a  felicidade  plena que  é  o próprio  Deus .

" Dialogar  é  fazer  opinião  " 

Fonte  - Revista  Dialogando  -  pág  13  -  Paróquia  Santa  Mônica  /  Leblon - Rio

Dez . 2018 /  Jan 2019  /  203  ª  Edição   -  Frei  Salvador  Aguirre , OAR







sábado, 6 de janeiro de 2024

Onde a Fé é cristã não há lugar para superstições

 


No  ritual  da  passagem de  ano sobram  sugestões de  pessoas que querem  abrir  portas para  um  futuro melhor  promissor  e seguro 

O  noticiário  da  grande mídia  esparrama  superstições , crendices , desejos  ingênuos , votos de boas  festas temperados até  com  folclores curiosos .É  tempo de queimar fogos ,usar roupa branca , comer pratos típicos na tradição da ceia ,como lentilha , panetone etc .Sem esquecer o peru assado saboroso .Por outro lado ,não falta quem  supera o folclore e pensa  que é  bom ouvir  videntes , búzios , tarôs , etc . Acredita-se assim ser  possível  prever o que acontecerá no novo ano . Há a busca de certezas , seguranças e , por que  não ? ,  até as  forças cósmicas nos astros que determinariam  os  rumos e a previsão dos fatos .A pauta do cardápio no-ticioso é focada em reportagens ,entrevistas , opiniões de artistas da fama .Enfim , torna-se viva a expectativa da passagem para  o  “ novo “  ;  o  “ novo tempo “ .Talvez a comunicação  da  mídia consiga  excitar a curi-osidade sobre futurologia ,enquanto reforça a alienação ,a ignorância e a transparência na informação. Impera o medo do  desconhecido , e falha a confiança  na Providência . Neste ano ,é urgente a  pergunta : como ilu-minar as  trevas ultrajantes e bárbaras das  guerras  em  curso no Planeta .

 A  fé em Cristo , na  sua doutrina e Evangelho , é  a  prioridade da vida do  início ao fim  do ano !  Não  é a temporária , episódica , restrita as datas  comemorativas como o transcurso do ano novo .O caminho  na  fé confunde-se com o viver . São Paulo escreveu  : o justo  viverá  pela fé ! ( Rm 1 , 17 ) .

O início do ano pode ser uma  data  tensionada para dar  novo impulso à  vida em Cristo , nos  ajudar a viver com  alegria e  coerência a fé nele , e a sermos discípulos – missionários  mais conscientes e protegidos contra  descrença reinante .Mas ,a dinâmica da  fé não age com previsões , adivinhações , nem cálculos de magia .Ela é envolvida  na  aura da confiança total , da entrega sem  reservas  ao  Deus da  vida ,  que  é amor , bondade , misericórdia . Viver com Jesus em meio  à desconcertante doutrina e  valores morais ,é desfio do início ao fim do ano . Asua Igreja nos acolhe e alimenta a convicção de que nada na  história e no mundo escapa ao projeto amoroso de Deus Por  nossa parte é  mister o empenho em  saber seus caminhos .Ao longo do  ano estejamos atentos para  descobrir e superar as  encruzilhadas da vida ,sem nenhum  superstição .O seio virginal de Maria foi a aporta por onde Jesus entrou . E sua porta da saída foi o sepulcro glorioso . 

Fonte  -  Revista de Aparecida  - pág 18                                                                                          Dezembro  de  2023  - Pe. Antonio  Clayton  Sant' Ana . C. Ss. R . 




Ainda , Habitação  o  Paraíso  Terrestre 

 Como o  mal  é a  privação  que fazemos  ao  bem , não é difícil reconhecer que continuamos habitando o  Paraíso Terrestre , ignorando-o por soberba e inveja do  criador .Assim sendo . Podemos dizer que tudo o que existe no  Planeta é bom , enquanto não o atacamos e  destruímos , o que  mostra a  existência do  mal vindo da  vontade invertida do ser  humano e seus demônios .Temos de considerar que as guerras e conflitos ar-mados entre os  povos têm causado transtornos ,até mesmo na  estrutura  geológica ,com  vulcões sendo  ativados , tremores de  terra , secas ou chuvas  torrenciais . 

Quando se fala de Retorno ao Paraíso no qual vivíamos , não é  correto , porque ainda  estamos nele ,sem  aceitá-lo devidamente por  motivo da  atitutde invertida , provando que fomos nós que o rejeitamos , como  continuamos a fazê-lo até  agora - de maneira que o Paraíso ,no seu sentido ambiental , natural ,continua exis-tindo , e nós , por causa dos vícios , continuamos recusando-o .Portanto , posso afirmar que os desastres se tratam da  manifestação de  sentimentos negativos , patológicos , de  engação ao bem . 

Se estamos dentro do  Paraíso  Divino ( Éden ) , por que não  o vivemos ? Somente  por um  motivo : porque o  substituímos por  vícios , que  o contrariam  -  posso dizer que  somos  nós  afastamos dele , e não porque fomos  expulsos . O Gênesis , na  Bíblia , fala claramente que  Deus avisou que não deveríamos  nos  opor ao  Bem  e à Felicidade , em que fomos  agraciados  por  Ele , e é exatamente , o que sempre  estamos  fazendo. 

Não podemos  nos esquecer que fomos  criados para viver eternamente , e pela  maneira que  escolhemos o que parece mais  evidente , é o fato de  estar continuando na  mesma  atitude de  Adão e  Eva , misturando o  bem e o Mal , o Certo com o  errado , como se  fosse  o  Ideal  - essa  atitude  se tornou  a  mãe  de todos  os  males  subsequentes , denominados  de  pecados , baseados  no que existe , e  em  sua  privação .

Logo de  início , essa  atitude  ocasionou  um  forte  rebaixamento  mental , tirando o ser  humano  do verda-deiro  conhecimento . Por  esse motivo , quem  está  mais do lado  do  Ser  Divino , abomina a  interferência dos seres  malignos  rebaixados , mas  os  que estão com estes últimos , nem têm mais  capacidade de  reco-nhecer o mal que sofremos  por  eles .

Não é possível  ao  indivíduo que  está  na  patologia  perceber o que é  sanidade , assim como o  cego dis-tinguir objetos , o surdo os  sons , qualquer  realidade , quem  está  no  delírio  - a  Humanidade deve cons-cientizar seu  estado doentio ,para  retornar à sani-dade . Veja  o  leitor que  deixamos  o Bem , em  que  vi-víamos  perfeitamente , para  cair na  inversão demoníaca  - por esse  motivo , é  terrível engano , para reviver o paraíso em  que  vivemos  aqui e  agora . 

Fonte  -  Jornal  das  Faculdades  Trilógicas  -  Capa                                                                                Ano  XII -   n º 109  - Ciência - Filosofia - Teologia                                                                      Distribuição  Gratuíta  - KEPPE  &  PACHECO