terça-feira, 19 de abril de 2016

JARDINAGEM - Invenção dos deuses



A criação da rosa envolveu cinco deuses.  Segundo a mitologia grega, a deusa das flores  , Clóris, transformou o corpo sem vida de uma ninfa encontrada no bosque em uma flor. Com a ajuda de Afrodite, a deusa do amor, a flor ganhou beleza. Dionísio, o deus do vinho, ofereceu néctar para dar-lhe um perfume doce. Depois foi a vez de Zéfiro, o vento oeste, que afastou com seu sopro as nuvens para que Apolo, o deus–sol, pudesse brilhar para fazê-la florescer. Dessa forma, a rosa nasceu e, com tanto esplendor e encanto, foi logo coroada a Rainha das Flores.

Essa lenda, contada no livro A linguagem das Flores  ( Editora Melhoramentos ), é uma entre tantas outras que tentam desvendar a origem da rosa, uma das flores mais antigas e ainda das mais conhecidas. “Ela é campeã de pedidos para arranjos“ conta a florista Leonor Flores Barbosa. “E de todas as espécies, a vermelha sempre está em primeiro lugar.“

Além de predileta vermelha, há muitas cores de rosas. Embora não se saiba ao certo quantas existem, 208 tipos estão registrados no livro The Book of the Roses, considerado a bíblia dessa flor. Brancas, amarelas, laranjas, pinks, champanhe, de cores mescladas, de tamanhos diferentes... Cada uma tem o seu encanto.

Encanto exaltado por pintores, poetas, músicos  e, em tempos remotos, por reis. Embora fósseis revelem a sua mais primitiva forma há mais de 35 milhões de anos, o cultivo de rosas parece ter crescido nos jardins asiáticoscinco mil anos. Na Pérsia, suas pétalas eram utilizadas para encher o colchão do sultão.

Mais tarde, as rosas tornaram-se sinônimo dos piores excessos do Império Romano. Em banquetes e orgias, os imperadores e seus convidados sentavam-se em tapetes de pétalas, que também caíam do teto para deleite de todos. No Brasil, as primeiras mudas chegaram pela mãos de Padre José de Anchieta, entre 1560 e 1570.

A rosa é a flor do amor. E presta-se a várias ocasiões: um lindo buquê serve como um belo presente para amados, amigos do peito, parentes, enfim, agrada a gregos e troianos. Também alegra os ambientes. “Durante cerimônias de casamento, é chiquérrimo usar rosas brancas espalhadas em abundância pela igreja“, diz a florista Aparecida Helena Leme, da Victoria Flores.

CUIDADOS – Depois de colhida, a rosa dura cerca de  12 dias. Para conservá-la bonita por mais tempo, há alguns segredinhos. Antes de colocá-la num vaso com água, deve-se tirar as folhas de sua haste, porque ela estraga a água e mata a flor, explica Aparecida. Depois, basta trocar a água do vaso e cortar um dedo da haste todo santo dia. O vaso precisa ficar num local com luminosidade  ( mas não diretamente no sol ) e ventilação.

Se for impossível seguir essa rotina, a dica da florista Leonor é colocar na água do vaso uma colher de café de água sanitária, para não deixá-la turva e insalubre. Mesmo assim, a água deve ser trocada sempre que possível. Todo cuidado é pouco para garantir por mais tempo a beleza da rosa, que, além do mais, não é barata.

Sorte de quem tem roseiras no jardim... As flores do quintal conservam o aroma tradicional das rosas. “As plantadas em larga escala não têm cheiro algum por causa dos adubos químicos usados nos cultivos“, observa Leonor. “A única que mantém seu perfume é a rosa amorosa, flor pequena, porém, sempre cheirosa.“ 

A flor vai além de presentes e decoração. Em banhos, gotas de óleo  essencial de rosa e pétalas espalhadas pela banheira relaxam estressados crônicos. A flor é muito usada na fabricação de cosméticos  e receitas caseiras de beleza. Na culinária, seu uso vai de chá a deliciosas geleias, comum na Europa.

São mil e uma utilidades da rosa que passam, simplesmente, por todos os sentidos do ser humano: olfato, visão, tato, paladar e audição. Audição  ? Isso mesmo, pois quem não gosta de ouvir um elogio junto com um buquê de rosas ? 

Fonte  - SUPLEMENTO  FEMININO  F6    sábado/domingo   27/28 de março de 2004
Ciça  Vallerio 

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