A curiosidade infantil desperta o educador para a necessidade de uma aula criativa e esti-muladora , na qual a aquisição de conhecimento é processo de cooperação e crescimento coletivo
A criança é naturalmente curiosa , desejosa de saber , conhecer , experimentar .
Sábia , ela ten noção , ainda pequena , de que há muito o que conhecer no mundo .
Para perceber isso , basta deixá - la falar, perguntar , questionar , sem medo de ouvir perguntas escabosas ou difíceis de responder " .
A escola , espaço de promoção do saber , tem a função de proporcionar momentos de dúvidas e descobertas . O educador , enquanto mediador de aprendizagem , tem como uma de suas funções, instigar a dúvida , provocar o educando para a indignação do que anseia aprender e mostrar - lhe que há várias fontes de saber .
Quando o educador permite que a curiosidade de seus alunos invada a sala de aula e faça parte de seu trabalho , ele está apostando em uma forma agradável de aprender e ensinar .
Aprender deixa de ser uma obrigação , um acontecimento distante da realidade do educando e passa a ser uma sucessão de descobertas .
Para manter esse tipo de prática , o educador precisa desprender - se das grades curriculares . Não ignorá - las , mas considerar -se livre e capaz o suficiente para ultrapassá - las . E ultrapassá - las juntamente com seus alunos , permitindo - lhes participar de maneira ativa e presente em todos os passos de sua aprendizagem .
Ao abrir os ouvidos para as curiosidades de seus alunos , o educador terá que abrir sua mente para aceitar os limites e verificar que não é o dono da verdade , o ditador de regras e o " discurso ambulante " , mas sim um indivíduo pronto a aprender com seus alunos , desde o momento em que lhes permite a interrogação até o momento em que procura respondê -la junto com eles .
Desse modo , ocorre uma articulação com o real ,o saber não se resolve , em acúmulo de informações mais ou menos eruditas , mas assume um caráter consistente e marcante , que vai ao encontro das necessidades interiores das crianças
Foi justamente com o objetivo de ultrapassar os conteúdos pré - estabelecidos para a primeira série do primeiro grau que criei em miinha sala de aula um espaço para o surgimento de assuntos diversos que interessarem aos alunos . Essa experiência ocorreu na Fundação Bradesco ( Osasco ) no ano de 1993 , co meus 40 alunos da primeira série G .
A leitura do livro A curiosidade premiada foi o ponto de partida . O livro pertencia à nossa bibli-oteca de classe e tratava - se de um livro bem elaborado , interessante e , principalmente ,suscitador .
Glorinha é a personagem principal ,uma criança que é a curiosidade em pessoa : bombardeia seus pais , com perguntas de todo o tipo . Esses se vêem desesperados , procuram a ajuda de uma vi - zinha muito sábia e começãm a perguntar junto com a filha . Respondem muitas perguntas e descobrem muitas coisas também , inclusive que não sabem tudo ... Ao final da história , Glorinha deixa de ser a filha chata e contagia a todos com sua dúvidas . A família a ouve e crescem juntos .
Fonte - Revista Comunicação e Educação - págs 112 e 113 - Experiência Data - setembro / dezembro - 1995 - Ano II - Número 4 - USP - Editora Moderna - Cristiane Fernandes Tavares Educadora , graduada em Comunicação Social e pós - graduada em Psicopedagogia

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