quarta-feira, 20 de maio de 2026

Os bajuladores estão em todo lugar . Até em livro

 



Jornalista  norte  -  americano  conta  a  história  da  bajulação , com  muito  humor  

A  maioria  não  assume  que  é . Muitos , não admitem que têm . Apesar  disso , eles estão por toda      a  parte . Nas  empresas , escolas  ou  por circulos de  amigos. Os  puxa  -  sacos  já fazem parte  da      cultuta popular . Todos  conhecem  pelos menos um . São  quase obrigatórios nos programas humo-rísticos , na  literatura  e em piadas .

O  personagem  Athaíde ,interpretado  pelo  ator  Luiz  Carlos  Tourinho no programa Sai de Baixo,    da  Rede Globo , é  o típico  puxa - saco  "  profissional  " .

A  bajulação ,porém , não é  exclusividade  do brasileiro  .Séculos antes  de  Cristo , na Grécia, esse    procedimento  era  considerado  uma ameaça  à democracia .No  Egito  antigo , o puxasaquismo con- tinuava  após  a morte dos governantes . Nas tumbas  eram  registradas cenas de batalha das quais os      monarcas  jamais  tinham  participado .Durante a renascença ,nobres europeus eram frequentemente    retratados mais belos do que eram pelos pintores .   

O jornalista norte - americano Richard  Stengel mostra no livro bem - humorado " Você é o máximo "    -  A  História  do  Puxa  Saquismo   , lançado  no mês  passado  pela  Editora  Câmpus .

Nos  dias  de  hoje , também há  pessoas  que  dão  "  a  cara  para  bater  "   no  lugar  dos  patrões . "  Já  me  meti  em  briga  feia , dentro  da  empresa , para  defender  minha  chefe  "  , conta  a  super-visora  de   marketing  Ticiana  Gomes  , de  24  anos . "  Dizem que sou  puxa  -  saco ,mas não me  importo . Tenho  admiração  e  carinho  por  minha  chefinha  ' .

A  empresária  Élida  Blumenthal , de  32  anos  , " a chefa " , considera  Tânia  seu  braço  direito . "  ela  é  uma  puxa  -  saco  do  bem  " , brinca .

Assumir  esse  papel , entretanto , tem  seu  preço . Há  poucas  semanas  , Ticiana foi escalada para    participar  de  um  rali  no  litoral  norte ,  no  lugar  da  Élida ,  que  trabalha  com  esporte  radicais .    "  Foi  uma  aventura  terrível ,  o  trajeto  era  muito  difícl  ,  cheguei  a  pensar  em  desistir  , mas  aguentei  até  o  fim  "  ,  orgulha  -  se  Ticiana . 

Doces  - Ainda  que  pareça interessante  receber  constantes  elogios  e  atenções  especiais , a  si  -tuação  pode  provocar  alguns desconfortos .  Foi  o  que  aconteceu  com o  ex - gerente do banco  Luiz  Antônio Cardoso de  66 anos , quando  ocupava  um  cargo  de  chefia  em  uma  agência ban- cária ,  no  interior  do  Estado.

Um  funcionário da  empresa insistia  em  levar , quase  todos  os dias, bolos  e doces caseiros para  Cardoso . Ele chegou , até , a  comprar  algumas  peças  de  roupa  parecidas  com  as  de  Cardoso.

"  Terminou  virando  piada  ", recorda - se .Os colegas  de  trabalho chamavam  de  " Fernandinho ", uma referência  ao  personagem  de  um  comercial de  camisas , em que os funcionários elogiavam    as  roupas  e  procurando  imitá - lo .

"  A   situação  era  constrangedoura  " , diz  o  ex- gerente . Em  sua  opinião , o  procedimento  po -  deria  surtir  efeito  contrário  ao  que  era , provavelmente , esperado  pelo  rapaz . "  Se  tivesse de  promovê - lo, as  pessoas  achariam  que  eu  havia  caído  na  sedução  dele " .

Para  o  empresário  Ricardo  Bernd ,  os  puxa - sacos  têm  época  certa  para  aparecer  em  geral ,  entre   os  meses  de  setembro  e  outubro .  Ele  e  os  sócios   organizam  há  cinco  anos  o   City  Bank   Credicard  Champion ,um torneio  de  tênis  fechado  , num  resort  em  Itaparica , na Bahia,    apenas  para  convidados , sempre  em  novembro .

" Semanas  antes , recebemos  telefonemas , muitos  elogios  e  alguns  presentes , em  geral    be  -  bidas  importadas " , conta  Bernd . Ninguém  diretamente  para  ser  convidado . Mas  sobra  baju  -lação . No ano  passado , ele  recebeu  um  deses  telefonemas  elogiosos , de um  conhecido  em-presário  paulista , a  um  mês do  torneio , agradecendo  o  convite  do  ano  anterior . " O jeito  é  encarar  esse  assédio  com  bom  humor " , afirma  o  empresário . 



Estudo  com  macacos  mostra  que  atitude  pode  ter  causas  biológicas 

Comportamentos  submissos  fazem  aumentar  a  sensação  no  " bajulado " 

O  puxa -saquismo  pode  ter  causas  biológicas . O escritor  Richard  Stengel  cita no  livro  " Você "    é  o  Máximo "  -  A  História  do  Puxa - Saquismo  uma  pesquisa  para  sustentar  a  hipótese . Um  estudo  realizado  recentemente  com  macacos  mostrou  que  o nível  de  serotonina no cérebro des-  ses  animais  aumenta  quando  vêem  comportamnetos submissos  em  relaçã  a  eles , por  parte de  outros de sua  espécie . O estudo foi  realizado pelo  professor  Michael  McGuirre , da Universidade    da  Califórnia ,em  Los  Angeles  (  UCLA ) .

A  seratonina  é  um  neurotransmissor  responsável  pela  sensação  de  satisfação . Quando  a  subs-tância  aumenta , o  mesmo  ocorre  com a  impressão  de  bem - estar  . se  o  processo  funcionar  da  mesma  maneira  com  seres  humanos , o  poder  - ou  a  proxinidade  dele  - é  capaz  de  agir  como    um  processo  afrodisíaco .  Aceitar  e  incentivar  o  puxa-saquismo  seria , nesse  caso , apenas uma  maneira  de  atingir  a  sensação  de  bem -  estar . 

Propósito - Para  Stengel , a  tentativa  de  ascender  socialmete  mantendo -se por  perto de  pessoas    que detém o  poder  é  inerente  à  raça  humana . O puxa -saquismo , entretanto, é exclusividade das pessoas . 

Entre  os  chimpanzés , por  exemplo , pesquisadores  observaram  atitudes  da  reverência  ao  chefe  do  grupo . O  líder  aceita  ser  coçado  como  uma  homenagem  que  lhe  é  devida . Antes , porém ,  os  macacos  trocam  saudações , com  guoinchos  e  mesuras . Muitas vezes , quem  faz  a reverência  oferece  objetos  como  folhas  ou  gravetos  ao  líder .

Entre esses  animais ,a bajulação  tem  fortes  motivações  genéticas .Como  é  o  lider  quem autoriza  o  acasalmento  dee  outros  machos  com  as  fêmeas  , estar  nas  boas  graças  dele  significa maiores  possiblidades  de  reproduzir - se  e  deixar  descendentes .

Tanto  entre  os  primatas  quanto entre  os  sere  humanos , a  bajulação  é  uma  forma  disfarçada de  competição , que  evita  o  confronto  direto . E , p ortanto ,  preserva  o  indivíduo . Bajular ,  porém ,    não  significa , necessariamente , mentir . Segundo  Stengel , a  bajulação  é  um  elogio  dotado   de  propósito . Em  alguns  casos , é  excessivo . Em  outros , pode  ser  legítimo .

De  qualquer  forma , tem  objetivos  práticos  -  conseguir  maior  simpatia  de  alguém , um convite    para  uma  festa  ou  a  garantia  de  uma  promoção ,  por  exemplo .  É  um  tipo de manipulação da  realidade  que  tira  proveito  da  valorização  do  outro  para  benefício  próprio . ( GI ) 

Fonte  -  O  ESTADO  DE  SÃO  PAULO   -   pág   C 8   -   COMPORTAMENTO                              Data  -  Domingo ,  4 de  Março  de  2001  -   CIDADES  -  GLAÚCIA  LEAL 

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