Sejamos objetivos : por que algumas pessoas fazem tanto sucesso e outras não ? A constatação das evidentes diferenças nos " resultados de vida " das pessoas evidenciam mais sucesso do que outras , que ,apesar de reconhecida competência e esforços continuados , jamais alacançam resul-tados expressivos em seus ofícios . Repare que uso " evidenciam " em vez de " fazem " pois que o sucesso é fundalmente questão de óiptica . E é por isso que ,quando se trata de pensar em su-cesso , recorremos mais as evidências que aos fundamentos .
Desde pequenos somos condiconados a associar a ideia de sucesso à exuberância de ricos e fa-mosos .Assim, quando perguntamos " por que algumas pessoas fazem tanto sucesso e outras não", no fundo , estamos questionando " por que algumas pessoas conseguem tanto dinheiro e outras não ? " Mas precisamos pôr em ordem alguns pensamentos .
Observe as duas ilustrações neste página e responda a imagem que temos gravada está associada a riqueza , ao luxo, a qualidade de vida etc . Não há como dar sequência a qualquer reflexão sem pôr essa imagem em julgamento . E se a imagem de sucesso deve estar associada à imagem de riqueza , todas as pessoas ricas devem ter sucesso . Ora , tal afirmação nos conduz a outra con-sequente Se a imagem de sucesso estiver associada à riqueza , nenhum indivíduo pobre deve ser visto como de sucesso .
Late - Las Vegas - Champagne - Bahamas - Ouro Ópera - Dólar - Galeria de Arte - Paris
Ao admitirmos uma destas afirmações , admitimos a outra . O sucesso seria mero sinônimo para a riqueza e teríamos concluído nosso pensamento . Ocorre que uma outra linha de raci-ocínio também se apresenta para a reflexão : Se considerarmos sucesso como sinônimo de riqueza , somos obrigados a afirmar que Ghandi , Madre Teresa , Pasteur ou Eisnten não foram pessoas de sucesso .
Porém , se entendermos que sucesso é mais que mero sinônimo de riqueza , podemos fazer novas associaçoes . Poderíamos associar o sucesso à fama ou notoriedade . Mas será que isso traduz sucesso ? Al Capone foi famoso . O " Bandido da Luz Vermelha " também . Noto - riedade é própria do sucesso ? Se dissermos sim , afirmamos que ambos foram homens de sucesso .
Se a fama fosse consequência cultural do sucesso estaríamos admitindo que : Quem não é fa-moso não faz sucesso . E que só as pessoas de sucesso são famosos . Porém , em ambos os casos relegamos a condição subalterna os milhares de cientistas que fazem pesquisas da maior importância para o futuro da humanidade e não são famosos .
Ora , se nem riqueza nem notoriedade são necessariamente consequências do sucesso , que outra evidência poderia caracterizá - lo ? Duas outras linhas de raciocínio nos levam a novas reflexões. A primeira aaponta para o trabalho como fonte de sucesso . Quem já não ouviu alguém jus - tificando o seu sucesso no trabalho ? As " pessoas públicas " costumam usar argumento . Mas será que o trabalho conduz ao sucesso , da forma como o imaginamos ?
Quem de nós não conhece alguém , às vezes da própria família , que se dedicou por 30 anos ou mais a seu ofício , com dedicação , assiduidade , competência e honradez , e agora , na velhice, sujeita - se às migalhas de uma aposentadoria perversa que mal dá para o sustento ? Se trabalho conduzisse ao sucesso ( tal como muitos justificam ) haveria muito pouca gente nas filas do SUS e nos balcões da Previdência .
A segunda aponta para a competência . Será que competência basta para patrocinar o sucesso de um proifissional ? Quantos de nós não conhece profissionais competentíssimos vivendo bem próximo da inteligência ?
Corcel II - Paquetá - Mortadela - Bijouteria - Cerveja Lanchonete - Diadea - SUS - Ônibus - Piquenique
Todo este intróito dialético tem o propósito de mostrar como as nossas velhas crenças asso-ciam a imagem de sucesso à imagens que não são dependentes nem consequentes daquela . Esse erro de fundamento é que , muitas vezes , torna ineficazes os programas organizados com tal pretensão .
Vamos tomar como exemplo duas pessoas de sucesso indiscutível : Airton Sena e Ghandi . Ambos tivera proposta de vida definida , se tornaram competentes , perseguiram ideais e cons-eguiram reconhecimento universal . Nem um nem outro construíram imagens a partir do nada ou de projeto de marketing . Construíram suas imagens aos poucos , acumulando " vitórias pes-soais " . Senna não foi guindado à Fórmula 1 por acaso . Comeou correndo kart . E foram as conquistas e em categorias inferiores que alavancaram sua carreira . Quando chegou à F - 1 , já tinha uma história de vitórias . Já era " homem de sucesso " , apesar de desconhecido da maioria dos brasileiros .
Ghandi não libertou o seu país do jugo britânico de repente . Foi resultado de toda uma his-tória de lutas e vitóoorias anteriores . Avitória do dia 15 de agosto de 1947 foi apenas mais uma delas . A Índia conseguiu sua independência com o Ghandi sempre preconizara : sem a menor violência com os ingleses . E isso só foi possível graças à referência que esse povo tinha do seu líder ; ele , com sua enorme inteligência , havia conquistado a admiração até mesmo dos próprios ingleses .
Fonte - Jornal do Brasil - Artigo - ELSON A . TEIXEIRA * Consultor ( MI ) em Gestão Estratégica , autor de 11 livros




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