quarta-feira, 3 de junho de 2026

A fórmula do sucesso vai além dos clichês

 





Sejamos  objetivos : por  que  algumas  pessoas  fazem  tanto  sucesso  e  outras  não ? A  constatação      das evidentes  diferenças  nos  " resultados  de  vida "  das pessoas  evidenciam  mais  sucesso do que    outras , que ,apesar  de  reconhecida  competência  e  esforços  continuados , jamais  alacançam resul-tados  expressivos  em seus  ofícios . Repare  que  uso "  evidenciam " em  vez  de  " fazem " pois que  o  sucesso  é  fundalmente questão  de  óiptica . E  é  por  isso  que ,quando se  trata de  pensar em su-cesso , recorremos  mais as evidências  que  aos  fundamentos .

Desde  pequenos  somos  condiconados  a  associar  a ideia  de  sucesso  à  exuberância  de ricos e  fa-mosos .Assim, quando  perguntamos  " por que algumas  pessoas  fazem  tanto  sucesso  e outras  não", no  fundo , estamos  questionando  " por que algumas  pessoas  conseguem  tanto  dinheiro  e  outras      não  ? " Mas  precisamos  pôr  em  ordem  alguns  pensamentos .  

Observe as duas ilustrações  neste  página  e  responda  a  imagem  que  temos gravada está associada    a  riqueza , ao luxo, a  qualidade  de  vida etc . Não há  como dar  sequência  a  qualquer reflexão sem  pôr  essa  imagem  em  julgamento . E  se a  imagem  de  sucesso  deve  estar  associada  à imagem de  riqueza , todas  as  pessoas  ricas  devem  ter  sucesso . Ora , tal  afirmação  nos  conduz   a  outra con-sequente  Se  a  imagem  de  sucesso  estiver  associada  à  riqueza  ,  nenhum  indivíduo  pobre  deve  ser  visto  como  de  sucesso .

Late  -  Las  Vegas  -  Champagne   -  Bahamas  -  Ouro                                                                          Ópera  -  Dólar  -  Galeria  de  Arte  -  Paris 



Ao  admitirmos  uma  destas  afirmações ,  admitimos  a  outra .  O  sucesso seria  mero  sinônimo      para  a  riqueza  e  teríamos  concluído  nosso  pensamento . Ocorre que  uma  outra  linha  de  raci-ocínio  também se  apresenta  para  a  reflexão  :  Se   considerarmos  sucesso  como  sinônimo  de  riqueza , somos obrigados  a afirmar  que  Ghandi , Madre  Teresa , Pasteur  ou  Eisnten não foram    pessoas  de  sucesso . 

Porém , se  entendermos  que  sucesso  é  mais  que  mero  sinônimo  de  riqueza , podemos  fazer    novas  associaçoes . Poderíamos  associar  o  sucesso  à  fama  ou  notoriedade . Mas será que isso  traduz  sucesso  ?  Al  Capone  foi  famoso .  O  " Bandido  da  Luz  Vermelha  " também  . Noto  - riedade  é  própria  do  sucesso  ?  Se  dissermos  sim , afirmamos  que  ambos  foram  homens  de  sucesso .

Se a fama fosse  consequência  cultural  do  sucesso estaríamos  admitindo  que  : Quem  não  é  fa-moso  não  faz  sucesso . E  que  só  as  pessoas  de  sucesso  são  famosos . Porém ,  em  ambos  os  casos  relegamos  a  condição  subalterna  os milhares  de  cientistas que fazem pesquisas da maior  importância  para  o  futuro  da  humanidade  e  não  são  famosos .

Ora , se  nem riqueza  nem  notoriedade são necessariamente  consequências  do sucesso , que outra  evidência poderia caracterizá - lo ?  Duas outras  linhas  de raciocínio  nos levam  a novas  reflexões.    A  primeira  aaponta  para  o  trabalho  como  fonte  de  sucesso . Quem  já  não  ouviu  alguém  jus -  tificando  o  seu  sucesso  no  trabalho ? As  "  pessoas  públicas " costumam  usar  argumento . Mas      será  que  o  trabalho  conduz  ao  sucesso , da  forma  como  o  imaginamos ? 

Quem  de  nós  não  conhece  alguém , às  vezes  da  própria  família , que se  dedicou  por  30 anos        ou  mais a  seu ofício , com dedicação , assiduidade , competência  e  honradez , e agora , na velhice, sujeita - se  às migalhas  de uma aposentadoria  perversa  que  mal  dá  para o  sustento ? Se  trabalho  conduzisse  ao  sucesso   (  tal  como  muitos  justificam ) haveria  muito  pouca  gente  nas  filas  do  SUS e  nos  balcões  da  Previdência .

A  segunda  aponta  para  a  competência . Será  que  competência  basta  para  patrocinar  o  sucesso    de um  proifissional  ? Quantos  de  nós  não conhece  profissionais  competentíssimos  vivendo bem    próximo  da  inteligência  ? 

Corcel  II  -  Paquetá  - Mortadela  -  Bijouteria  -  Cerveja                                                           Lanchonete  -  Diadea  -  SUS  -  Ônibus  -  Piquenique 

Todo  este  intróito  dialético  tem  o  propósito  de  mostrar  como  as  nossas  velhas  crenças  asso-ciam  a  imagem  de   sucesso  à  imagens  que  não  são  dependentes  nem  consequentes   daquela . Esse  erro  de fundamento  é  que , muitas  vezes , torna  ineficazes  os programas  organizados  com  tal  pretensão .  



Vamos  tomar  como  exemplo  duas   pessoas  de  sucesso  indiscutível  :   Airton  Sena  e   Ghandi  . Ambos  tivera  proposta  de  vida  definida , se  tornaram  competentes , perseguiram  ideais  e  cons-eguiram  reconhecimento  universal . Nem  um  nem  outro  construíram  imagens  a  partir  do  nada  ou  de  projeto de  marketing . Construíram  suas  imagens  aos  poucos , acumulando  " vitórias pes-soais " . Senna  não  foi   guindado  à  Fórmula  1  por  acaso . Comeou  correndo  kart . E  foram as  conquistas  e  em categorias  inferiores  que   alavancaram  sua  carreira . Quando  chegou  à  F  - 1 ,    já  tinha  uma  história  de  vitórias . Já  era  " homem  de  sucesso " ,  apesar  de  desconhecido  da  maioria  dos  brasileiros . 



Ghandi  não  libertou  o  seu  país  do  jugo  britânico  de  repente . Foi  resultado de  toda  uma  his-tória  de  lutas  e  vitóoorias  anteriores . Avitória  do  dia  15  de  agosto  de  1947  foi  apenas mais  uma  delas  . A  Índia  conseguiu  sua  independência  com  o  Ghandi  sempre  preconizara  : sem a    menor  violência  com  os  ingleses  . E  isso  só  foi  possível  graças  à  referência  que  esse  povo  tinha  do  seu  líder  ;  ele ,  com  sua  enorme  inteligência  ,  havia  conquistado  a   admiração  até    mesmo  dos  próprios  ingleses . 

Fonte  -  Jornal   do  Brasil   -  Artigo  - ELSON  A .  TEIXEIRA  *  Consultor   ( MI )  em            Gestão  Estratégica  , autor  de  11  livros  

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