" EU PENSAVA ' O QUE ESTOU FAZENDO AQUI TRANCADO NESTE PAÍS QUE NÃO É MEU ? ' O VERÃO DE 2021 FOI O PRIMEIRO DA MINHA VIDA QUE NÃO PASSEI EM SALVADOR . FOI FODA "
Pela tela do computador , com a câmera fechada em seu rosto , Wagner Moura revela pouco da sua casa em Los Angeles , na Califórnia . O escritório , a cozinha e a sala - ambientes em que ele circula em busca de um melhor sinal de internet , com o computador em mãos - parecem si,ples como ele . Camiseta branca para a sessão de fotos , fita vermelha do Senhor do Bonfim bem amarrada no pulso esquerdo e sorriso contido . O ator de 45 anos está indigndao com a política nacional . " A codução da pandemia pelo governo federal foi uma tragédia , sobretudo porque a maioria das 600 mil mortes poderia ser evitada . O presidente precisa responder por isso .
Em uma hora e 15 minutos de conversa por videochamada o ator deixa claro que a tempo -rada nos Estados Unidos , onde vive desde 2018 , é passageira . " Meus próximos dois grandes projetos são no Brasil : um filme com Kleber Mendonça e outro com Karim Aï Nouz " enu-mera . Ele , a mulher , a fotógrafa Sandra Delgado - que assina os retratos desta entrevista - e , os três filhos . Bem , Salvador e José de 15 , 11 e 9 anos , mudaram -se para Los Angeles quando Marighella ( 1911 - 1969 ) foi fazer " Sérgio " , produzido e estrelado poe ele , sobre a tempo vida do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello ( 1948 - 2003 ) . Acabaram fi-cando mais tempo por lá por causa da pandemia . " Eu pensava : ' O que estou fazendo aqui trancado neste país que não é meu ? ' O verá de 2021 foi o primeiro da minha vida que não passei em salvador . Foi Foda " , desabafa .
Na última quarta - feira , Wagner retornou ao Brasil para lançar " Marighella " , seu primeiro filme como diretor . São duas horas e 40 minutos de ação e tensão , com cenas rodadas em São Paulo e na Bahia , que narram os últimos anos de vida do poeta baiano Carlos Marighella ( 1911 - 1969 ) , guerrilheiro comunista interpretado por Seu Jorge . " Não é um filme para ser ver no laptop em cima da barriga , é cinemão . Acontece muita coisa , necessita de doses de foco " , avisa o diretor . A estréia foi em salvador e depois Rio , e em São Paulo , Fortaleza e acampamentos do ovimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra .
Rodado em 2017 , o longa , que tem ainda Adriana esteves , Bruno Gagliasso e Herson Capri no elenco , teve a primeira exibição no Festival de Berlim , em fevereiro de 2019 . No Brasil, deveria ter sido ançado nove meses depois . No entanto , com a demora na liberação de verba pela Agência Nacional de Cinema ( Ancine ) e a crise sanitária , atrasou dois anos . " É ina-creditável que o filme vá estrear agora . Em Berlim , foi aplaudido de pé por dez minutos ; Seu Jorge jã ganhou prêmios na Itália e na Índia . Mas é um filme feito para o Brasil . A primeira estréia foi cancelada pela Censura . Os pedidos que O2 ( produtora ) fez à Ancine eram absolhtamente normais , negados assustosamente numa épocs em que Bolsonaro atacava o cinema nacional " , vocífera . No dia 4 de novembro , enfim , o longa chegará aos cinemas de todo país .
A seguir , os melhores trechos da entrevista .
QUAL A IMPORTÂNCIA DE POPULARIZAR A HISTÓRIA DE CARLOS MARIGUELLA ?
Desde novinho sou fascinado por histórias de resistência : Inconfidência Mineira , Revolta dos Alfaiates , Guerra de |Canudos e toda essa galera que resistiu ao poder tirano . São histórias mal contadas ou até mesmo apagadas , como a de Marighella ( reconstituéda no livro de Mário Magalhães , de 2012 , base para o longa ) . O filme é uma representação não só daqueles que lutaram pela democracia nos anos 1960 e 1970 , mas dos que lutam hoje , o povo preto , os indígenas , a população LGBT e os favelados que seguem sendo chamados de terroristas . Em momentos de distopia , os movimentos se fortalecem . é instinto de sobrevivência .Como agora , em que no poder um psicopata , sujeito sem condições morais de ser síndico de condomínio, o que dirá dirigir um paí .
COMO ACHA A RECEPÇÃO DO PÚBLICO ?
Se tivesse sido lançado em 2019 , seria um filme . Em 2020 , outro . Hoje , espero que " Marighella " enfrente oposição . Pois agora está claro para todo mundo que este governo é uma tragédia . Para todo mundo , não ... Tem aqueles 25 % que foram 7 de Setembro ( apoiar o presidente ) , mas a maioria já entendeu que não é uma questão de direita ou esquerda , é uma questão de civilização contra a barbárie . Por isso acho que a reação será menos vio -lenta com o elenco ... Artista não é ladrão . A acusação de " mamar na Lei Rouanet " . Da Lei do Audiovisual também não , porque nenhuma empresa quis botar o dinheiro . É uma produção feita com fundo setorial e dinheiro da Globo Filmes ( coprodutora ) . Não recebi um tostão por esse trabalho . Pelo contrário . Só gastei . E isso também não é problema , porque é um filme que eu amo .
Fonte - REVISTA ELA - pág 14 - CAPA - ENTREVISTA
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