Papa Francisco sublinhava , desde o iníco de seu ministério , a importância de superar o que ele chamado de " cultura do descarte " e promover a " cultura do encontro " para cami - nharmos em direção a uma sociedade mais justa e pacífica . O número sempre crescente de comunicações torna mais viva a consciência da unidade entre as pessoas . Assim , na valo - rização da diversidade das etnias, das sociedades e das culturas , vemos semeada a vocação a formar uma comunidade feita de irmãos , que se se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros . Hoje , essa vocação é muitas vezes negadas nos fatos . As inúmeras situações de desi - gualdade , pobreza e injustiça indicam que não só há uma profunda carência de fraternidade, mas também a ausência de uma cultura de solidariedade .
Na mensagem para 47 ª Jornada , em 2014 , o Papa definiu a fraternidade como " dom que cada homem e mulher trazem consigo como ser humano , filho do mesmo Pai " . Daí , diante de tantas situações de injustiça , violência , fome , temos na fraternidade a base e o caminho para a paz .
O Papa Francisco conclamou os cristãos a escutar o clamor por justiça no mundo atual , o que é uma uma exigência para todos , independentemente se têm alguma fé religiosa ou não . Isso implica entrar num autêntico diálogo que procure sanar efetivamente as raízes profundas , e não apenas a aparência dos males do nosso mundo .
A fraternidade deve marcar todos os aspectos da nossa vida : a economia , a sociedade , a política , a cultura , o desenvolvimento . Ter a fraternidade como fundamento para a paz é , também um grande questionamento e uma denúncia a visão e ao modelo de insegurança pública baseada no controle das sociedades por meio de armas e repressão ( como as propostas de redução da maioridade penal , por exemplo ) . Justificam-se , assim , até mesmo a violência policial e a tortura.
Nesse caminho , em vez da garantia de direitos duramente conquistados , defendem -se apenas " a segurança individual " , a " defesa da propriedade " e a " segurança nacional " . Como consequência , viveria em paz apenas uma minoria , através da força violenta da polícia e de segurança privada , justificando intervenções violentas nas periferias de nossas cidades .
O profeta Isaías diz que não e essa a paz que queremos ,mas que " a paz é fruto da justiça " (Is 32, 17 ) . Ou , como disse Jesus , " a paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá " ( Jo 14 ,27 ) .
A paz é nosso desejo , nosso sonho e nosso propósito . E esse sonho só está distante de nós se não dermos os primeiros passos , pois , como disse o poeta Jorge Rebelo , " não basta que seja pura e justa a nossa causa . É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós " ! O passo seguinte é deixá - la por transbordar ou mesmo semeá - la por todos os ca - minhos e jornadas deste novo ano .
Fonte - Revista de Aparecida - pág 25 - Semear para a Paz Data - Janeiro de 2015 - Papa Francisco
.jpg)