No fim do Império , um movimento tentou separar São Paulo do resto do país , buscando " purificar " a população com o sangue dos imigrantes
SERIA VIÁVEL UMA NAÇÃO com um povo mestiço e localizada em um país de clima insalubre ? Várias alternativas foram apresentadas no contexto da crise do final do Império brasileiro ,entre elas a proposta separatista de um grupo de intelectuais paulistas . Para eles , a solução seria emancipar São Paulo do Brasil .
Representantes dos interesses de parte dos cafeicultores do oeste paulista , os principais idealizadores do movimento separatista foram Alberto Salles ( 1857 - 1904 ) ,Martim Francisco Ribeiro de Andrada (1853 - 1927 ) , Francisco Eugênio Pacheco e Silva ( 1837 - ? ) e Joaquim Fernando de Barros ( 1841 - 1901 ) . Membros de famílias ligads à economia cafeeira , todos eles estudaram na faculdade de Direito de São Paulo , escreveram artigos em jornias da época e , com exceção de pacheco e Silva , exerceram funções políticas , como as de deputado provincial e presidente da província .
Usando os jornais como principal veículo para divulgar suas ideias , esses intelectuais lançaram mão ve vários argumentos . Alberto Salles , no livro A Pátria Paulista ( 1887 ) , tentou explicar o projeto cientificamente ,numa clara influência de Ausguste Comte ( 1798 - 1857 ) .Para o filósofo francês , a ciência era um poderoso meio de mudança da sociedade e permita uma análise imparcial ,responsável pela manutenção da ordem e garantia do progresso .
As ideias do filósofo inglês Herbert Spenser ( 1820 - 1903 ) , muito utilizadas no Brasil da época , também podem ser percebidas no livro de Salles .Segundo o autor , a evolução social seria resultado de três fatos : a destruição da monarquia , o fim da escravatura e a modernização da economia . No entanto , diferentemente do que pregava o Positivismo , elel não propunha a liderança de um déspota iluminado - um soberano absoluto ,ainda que inspirado por ideias de progresso e reforma. A influência de Spencer ajudava a limitar a atuação do estado , exigindo funções determinadas para cada órgão , tal como se daria nas sociedades evoluídas . Ao Estado , caberia proteger as liberdades individuais .
Ao analisar a situação política brasileira , salles se esforçou para explicar a emancipação paulista va - lendo -se da transição da monarquia para a república . O separatismo ao evolucionismo , ele procurou destituir o movimente de um aspecto " revolucinário " que poderia amendontrar possíveis adeptos .
O caráter " científico " da proposta solucionava outro problema : a questão racial . A noção de nacio-nalidade , construída ao longo do século XIX , valorizava a história , a cultura e a etnia em contra - posição a fatores externos , normalmente representados pelo estrangeiro . Para os separatistas , a integridade nacional era ameaçada por elementos internos : índios e negros . Ignorando a pre-sença desses grupos , a melhor alternativa para a construção da " pátria paulista " era a adoção do " imigrantismo " . Preocupados com a preparação de um futuro de " ordem " e " progresso ", os separatistas paulistas , adeptos das teorias racistas do século XIX , que buscavam explicar cientificamente a superioridade racial branca , acreditavam que a entrada de europeus permitia " melhorar " a nação que pretendiam construir .
O federalismo foi tema - chave no momento em que se discutiam alternativas à unidade monár-quica . Para Alberto Salles e matim Frncisco , ele só pderia ser atingido por meio do separatismo , mas os dois trabalhavam com a ideia de uma federação excludente . A " pátria paulista " não reincorporaria todas as províncias do Império , como definiu Sales : " Para nós , a federação que se formar , depois da separação de São Paulo , não popderá ser senão sulista . O vale do Paraná será seu corpo geográfico . É esta a nossa convicção e este o nosso vaticínio . Os relevos orográficos do solo , orr um lado , e a constituição étnjuca da população , por outro ,nos impõem aquela con - vicção. Eis o que representa para nós a " Pátria Paulista " .
A opção separatista exigia que se constituísse uma nação capaz de se contrapor à brasileira .Com exceção de Martim francisco , todos os outros membros do grupo defenderam a existência de tra- dição históorica , caráter , origem , etnia , limites geográficos e identidade de interesses epecíficos na província . respondendo a acusações de que a províincia estaria manifestando " sentimentos egoístas " ao desejar a separação , Joaquim Fernando de Barros expôs sua concepção de nação : " Nunca a filantropia ou a caridade foram bases da solidariedade nacional . Muito diversos são os elos que devem ligar os povos entre ( ...) .No caso desta nosa província relativamente às outras ( falo das que vivem à nossa custa e das nossas irmãs produtoras ) , não se dá essa reciprocidade - para elas tudo , para nós as honras do bom pagador " . Os paulistas argumentavam que ar-cavam com os custos econômicos do restante do país . Havia o sentimento de uma exploração por parte das províncias que , em decadência econômica , eram vistas como um entrave ao progresso .
Para a construção dessa nova nacionalidade , a figura do bandeirante foi fundamental . As carac- terísticas atribídas a ele foram associadas aos paulistas em geral : iniciativa , audácia , vigor e capacidade de conquistar , espalhando a civilização . Essa figura permitia aliar uma heróica tradição histórica ao território almejado .
Fonte Revista NOSSA HISTÓRIA - Biblioteca Nacional - págs 42 , 43 e 44 Data , Fevereiro de 2011 - CÁSSIA CHRISPINIANO ADDUCI

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