sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Para a Paz





Papa  Francisco  sublinhava , desde o  iníco de  seu  ministério , a importância de superar o que            ele  chamado  de  " cultura  do  descarte "  e  promover  a  " cultura  do  encontro  "  para  cami -  nharmos em direção  a uma  sociedade  mais  justa  e  pacífica . O número sempre crescente  de  comunicações  torna mais  viva  a  consciência  da  unidade  entre as pessoas . Assim , na valo -  rização  da  diversidade  das etnias, das  sociedades e das culturas , vemos semeada  a  vocação a  formar uma  comunidade feita    de  irmãos , que se  se acolhem mutuamente e cuidam  uns  dos    outros . Hoje , essa vocação é muitas vezes negadas  nos  fatos . As inúmeras situações  de  desi - gualdade , pobreza  e  injustiça indicam que   não só  há  uma profunda  carência  de fraternidade,     mas também a ausência de  uma  cultura de  solidariedade .

Na  mensagem  para  47 ª  Jornada , em 2014 ,  o  Papa  definiu  a fraternidade  como  " dom que      cada homem e mulher trazem consigo como ser humano , filho do  mesmo Pai " . Daí , diante de    tantas situações  de  injustiça , violência , fome , temos na  fraternidade a base  e o  caminho  para         a  paz .

O  Papa  Francisco conclamou os  cristãos  a  escutar  o  clamor  por  justiça  no  mundo  atual , o      que  é  uma uma  exigência para  todos , independentemente se têm alguma  fé religiosa  ou  não .       Isso implica  entrar num autêntico  diálogo que procure sanar  efetivamente  as  raízes profundas ,         e não apenas  a  aparência dos  males  do  nosso  mundo . 

A  fraternidade  deve  marcar  todos  os  aspectos da  nossa  vida  :  a  economia , a  sociedade  , a    política , a cultura , o  desenvolvimento . Ter  a  fraternidade  como  fundamento  para  a  paz  é  ,  também  um  grande  questionamento  e  uma  denúncia  a  visão  e   ao  modelo  de  insegurança      pública baseada  no controle  das sociedades  por meio de armas  e  repressão  ( como as  propostas     de redução da  maioridade penal ,  por exemplo ) . Justificam-se  , assim , até  mesmo  a  violência  policial e  a  tortura. 

Nesse  caminho , em  vez da garantia de  direitos  duramente  conquistados , defendem -se apenas  "     a  segurança  individual  " ,  a  "  defesa  da  propriedade "  e   a  "  segurança  nacional  " .  Como  consequência , viveria   em  paz apenas  uma  minoria , através  da  força  violenta  da  polícia  e de  segurança  privada , justificando  intervenções  violentas  nas  periferias  de  nossas  cidades .

O profeta  Isaías  diz  que  não  e  essa  a  paz  que  queremos  ,mas  que  " a  paz  é  fruto da justiça "    (Is  32, 17 ) . Ou , como  disse  Jesus  , "  a  paz  que  eu dou  para vocês  não é  a  paz que  o mundo    dá "  ( Jo  14 ,27  ) . 

A  paz  é  nosso  desejo , nosso  sonho e nosso  propósito . E esse  sonho só está  distante de  nós se  não  dermos  os  primeiros  passos ,  pois ,  como  disse  o  poeta  Jorge  Rebelo  , "  não  basta  que    seja  pura   e  justa  a  nossa  causa .  É  necessário  que  a  pureza  e  a  justiça   existam  dentro  de        nós "  !  O  passo  seguinte  é  deixá - la  por  transbordar  ou  mesmo  semeá - la por  todos os  ca - minhos  e  jornadas  deste  novo  ano . 

Fonte  -  Revista  de  Aparecida  -  pág 25  -   Semear  para  a  Paz                                                        Data  -  Janeiro  de  2015  -   Papa  Francisco 


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